Fé E Pecado
25 Capítulo 24 - Tem um Edzinho vindo aí
Dois meses se passaram. Sim, dois meses... Eu ainda não sei como estou suportando toda a dor, a falta imensa que Edward me fazia, mas eu estava levando... Eu me sentia oca e eu parecia um zumbi, como se não ter ele ao me lado me deixasse completamente vazia. Nada me alegrava, nada me fazia sequer dar um sorriso.
Eu não chorava, pois seria sinal de fraqueza, mas eu estava muito infeliz. Às vezes a saudade comprimia tanto o meu peito que eu sentia falta de ar. Eu jamais pensei que Edward fosse o meu oxigênio, mas definitivamente, ele era.
Até minha mãe se compadeceu com a minha dor, pois não me importunava mais com sua desagradável presença e seus comentários maldosos. Eu estava completamente fora de área, distraída e sem vontade nem de me alimentar. Eu praticamente estava definhando durante esse tempo em Forks.
-Já chega! – Charlie gritou enquanto jantávamos, meu prato estava intocado, e eu me assustei. – Bella acorda desse transe, por favor!
-Eu não estou hipnotizada, pai. – Disse sem vida, enrolando o macarrão no garfo há bastante tempo.
-Finalmente escuto sua voz! – Exclamou. – Eu pensei que tinha perdido a capacidade de falar no voo de volta.
Minha mãe deu um risinho sarcástico. Eu lhe lancei um olhar indiferente. Ela não me afetava mais... Nada mais me afetava.
— E olha pra você? Você está apenas pele e osso! –Charlie comentou preocupado.
-Eu só... Não tenho mais vontade. – Murmurei largando o garfo.
Eu não ia comer mesmo, não adiantava nem fingir e depois jogar toda a comida fora. Meu estômago às vezes reclamava pela falta de comida e me fazia ter uns desejos muito loucos. Só que logo em seguida, eu botava tudo pra fora, pois meu corpo rejeitava.
-Coma alguma coisa... Por favor. – Pediu tentando ser carinhoso, mas eu neguei com a cabeça.
-Deixa Bella, Charlie. – Renée falou e eu me surpreendi por ela me dar apoio, só que logo ela completou: — Se ela morrer é só comprar um brinquedo novo.
-Cala a boca! – Charlie mandou irritado.
Ela apenas deu de ombros e voltou a comer sua comida, calada.
-Se me dão licença, eu vou para meu quarto. – Levantei-me e ainda bem que Charlie não me impediu.
Ultimamente, tudo que eu queria era dormir. Não sei se era por que era o único momento em que minha mente, nos sonhos, me agraciava com imagens de Edward, mas era assim que eu conseguia me sentir ligeiramente em paz.
Estava quase pegando no sono, quando ouvi batidas leves na porta. Eram muito leves para ser de Charlie e eu duvidava que Renée tivesse a audácia de aparecer por aqui. Curiosa, mandei entrar, não me surpreendi quando minha voz saiu tão fraca.
-Bella? – A voz de Alice entrando me atingiu como um raio. – Ai Meu Deus! – Exclamou do jeito exagerado dela quando me viu. – O que aconteceu com você?
Eu dei ombros.
-Ainda bem que Charlie me chamou... Nossa! você parece um cadáver! – Comentou olhando-me dos pés a cabeça.
-Tô nem aí. – Retruquei.
-Ah tá... Mentir pra si própria é a melhor saída agora. – Abraçou-me e me aninhou, como se estivesse me consolando. – Estou aqui, querida. Não precisa fingir que está bem, pois eu sei o quão mal você está.
-E-Eu tô bem... – Falei finalmente fraquejando e deixando que lágrimas, represadas por semanas, caíssem dos meus olhos. – E ele? Está com Tanya?
Ela demorou um tempo para responder e quando falou, ela parecia estar cautelosa com as palavras, como se estivesse com medo da minha reação:
-Ele também foi embora, Bells. Parece que ele foi pra Itália, eu não sei direito... Mas foi no mesmo dia em que você e não levou Tanya junto, não. – Contou-me acariciando meus cabelos. – Bella, ele ficou arrasado com sua partida...
-Ele não parecia arrasado quando comeu a vadia. – Rebati sentindo aquela pontada de novo em meu peito.
-Isso também não ficou muito explicado, pois ele ficou bastante surpreso quando eu disse o que tinha feito. Tem alguma coisa que não se encaixa...
-Ah, Alice, ele só estava se desculpando pela traição! – Falei desacreditada. – Ele quis se fazer de desmemoriado para parecer inocente... Essa é desculpa mais velha do mundo!
-Então, por que ele não levou Tanya com ele? – Alice perguntou. – Se ele tivesse realmente te preterido a ela, não seria lógico que ele a carregasse junto com ele?
-Eu não sei! – Exasperei derrotada. – Eu quis embora exatamente por isso. Eu não queria mais mexer nesse monte de porcarias que, quanto mais se mexe, mais fede!
-Mas se esconder num casulo de dor, esperando a morte chegar também não é a solução, não é amiga? – Falou tentando me dar um banho de água fria pra ver se eu acordava. – Cadê aquela Bella forte e determinada que conseguiu desvirtuar um padre a todo custo?
-Está de férias por tempo indeterminado. – Falei sarcástica e ela riu.
-Você está um trapo... Que tal comer um pouco? – Sugeriu.
-Eu não quero. Só de pensar em comida, meu estômago dá voltas... –Fiz uma careta.
-Mas tem que comer! Você vai comer, nem que eu tenha que te forçar goela abaixo! — Ameaçou saindo e logo voltou com um prato de comida do almoço.
-Eu. Não. Quero!
-Você. Vai. Comer!
Ficamos um tempo nos encarado, até que desisti e resolvi ceder. Comi umas duas garfadas, com a natureza repugnada, até que um desejo se abateu sobre mim.
-Pega lá em baixo, calda de chocolate, por favor, Ally. –Pedi e ela franziu a testa. – Só faça.
Ela assentiu e fez o que eu pedi. Rapidamente ela trouxe o pote de chocolate e me entregou. Eu o abri e despejei generosamente em todo o prato de macarronada.
-Credo! Você vai comer isso? – Ela perguntou com uma careta de nojo.
-Aham. – Falei comendo com gosto. – Quer um pouco?
-Deus me livre! Bella, isso é uma gororoba!
-Mas tá tão bom... – Revirei os olhos de prazer.
-Se você diz...
Como já estava virando costume, logo meu estômago se embrulhou e me senti enjoada, enjoada não, super enjoada, mesmo. Corri para o banheiro só faltei pôr minha alma para fora. Alice segurou meu cabelo, enquanto eu vomitava.
-Tá vendo? Até eu fiquei enjoada e olha que eu nem comi. – Comentou me ajudando a voltar para o quarto. – Tá se sentindo melhor?
-Tô, isso é normal. – Balancei a mão em sinal de descaso.
-Vomitar não é normal, Bella. – Observou.
-Ah, não importa. Agora, deixe-me dormir um pouco, tá? –Pedi bocejando.
-Tudo bem... Mas você não acha que está dormindo muito, não? – Perguntou estranhando. – Toda vez que eu ligo pra cá, você está dormindo.
-É que eu ando muito cansada, só isso. – Falei me aconchegando no calor dos meus travesseiros.
-Cansada de quê, de não fazer absolutamente nada? – Seu tom de voz não era sarcástico e sim preocupado. – Bella, você tá estranha... Têm certeza de que está tudo bem mesmo?
-Tô... Meus hormônios devem estar alterados por causa da falta de comida. –Murmurei de olhos fechados. — Eles andam meios loucos, ultimamente, eu sequer menstruei esse mês ainda.
-O quê?! – Alice guinchou e eu sequer abri meus olhos para vê-la dar chilique. – Bella, abra os olhos, você ainda não percebeu o que você tem?
-Ãh? –Perguntei semicerrando os olhos. – O que eu tenho?
-Você está irritadiça, tendo estranhos desejos, enjoos, sua menstruação está atrasada... Junte dois mais dois! – Eu a encarei, confusa, ainda não entendendo onde ela queria chegar. – Você e Edward usavam camisinha quando... Você-sabe?
Agora sim, ela fez com que meus olhos se arregalassem. Sentei na cama e olhei para ela, com a boca aberta , ela assentiu compreendendo o que estava passando na minha cabeça agora mesmo. Não sei quando, mas minhas mãos tocaram minha barriga e meus olhos lacrimejaram.
-É, tem um Edzinho vindo aí. – Alice disse sorrindo alegre, enquanto me abraçava.
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