Fxscinxtion
1 Fxscinxtion (Oneshot)
Notas iniciais
CUIDADO: descrições de relacionamento distorcido e nocivo.
A autora com quem vos fala não aprova ou incentiva qualquer prática semelhante.
Fxscinxtion
. . .
Uma vez que sua única preocupação era o quão belo devia ser o palco que usavam, pouco importava em que linha do tempo realmente estavam.
Ali o chão por onde seus passos lentos e ritmados pisavam era coberto por rosas vermelhas e brancas, cujas pétalas sedosas abafavam o som de seus pés contra o chão. O ar ao redor do casal era pontilhado por pequenas e redondas luzes douradas, muito parecidas com vagalumes, que flutuavam vagarozamente em direção ao céu. E sob suas cabeças estendia-se um véu púrpura e infinito, cravejado de estrelas tão brilhantes que parecia joias; azuis, brancas e prateadas. E como único e solitário espectador, havia a Lua, jogando sobre eles seu brilho pálido e triste.
Cantarolando uma música baixa e doce, Cross preenchia o silêncio que os cercava, guiando através de movimentos delicados o parceiro de valsa.
Sob o tapete de flores, os dois dançavam pela noite lúgubre, os corpos próximos e os braços envolvendo um ao outro de forma íntima e até mesmo sensual.
Todavia, o único que parecia desfrutar do que acontecia ali era Cross.
Sombras cobriam seus olhos, esses que estavam tomados por uma melancolia extrema, mas ao mesmo tempo repletos de um fascínio assustador — doentio. Seus lábios, manchados pelos sentimentos negros de sua alma, mostravam um sorriso sombrio, mas ao mesmo tempo vacilante. Revelavam satisfação, pura e imensa, mas também demonstravam o quão ciente seu portador estava da podridão de seus atos.
— Finalmente, finalmente... — Cross sussurrava com prazer. — Finalmente te tenho para mim.
Sendo tratado com o mesmo cuidado que uma peça frágil de porcelana, Ink se deixava cevar pelos movimentos lentos de seu parceiro de dança, exatamente como seria caso fosse uma marionete.
E será que de fato não era?
Enquanto seus lábios eram uma linha reta e inexpressiva, os olhos daquela desafortunada criatura eram vazios e negros. Não havia vontade, não havia vida... não havia nada.
Seus códigos estavam corrompidos.
A alma que habitava seu ser, escondida por baixo das roupas e dentro das costelas, perdera seu brilho por completo e para sempre, não lhe sobrando nada além de uma profunda rachadura de uma ponta a outra.
Tal ferida tinha dono, e era exatamente aquele que cantarolava e ditava o ritmo da dança.
Mãos cruéis de uma alma egoísta e ciumenta, encharcada de um desejo de posse, luxúria e fascínio.
Se preparando, Cross fez Ink dar um giro perfeito, logo depois trazendo-o para si, mais próximo que nunca. Uma mão descansava em sua cintura, enquanto a outra pressionava suas costas, abraçando-o como um amante apaixonado.
Tal como se fazia acreditar.
Ninguém via o quanto Cross o amava. Ninguém notava o quanto doía estar longe dele. Ninguém percebia que haviam sido feitos um para o outro. E ninguém aceitava que suas almas pertenciam um ao outro.
Inclusive Ink.
Por isso ele precisou agir, não importava o quão cruel seus atos pudessem parecer. Era tudo por amor, era tudo por ele.
— Queria te tomar de mim, meu amor — disse Cross, com a voz cheia de dor. — Queria te levar para longe de mim... Mas eu cuidei de tudo. Agora ninguém mais irá nos separar.
Oh, eram como dois amantes desafortunados!
Mesmo que tudo ao redor deles estivesse dizendo que não podiam ficar juntos, Cross no entanto não desistiu. Usando tudo o que tinha ao seu alcance, ele livrou-se dos obstáculos, daqueles que queriam se colocar entre aquele belo e perfeito amor, até enfim chegar a Ink.
Ao por seus olhos sob sua figura, que tanto lhe tirava o fôlego e fazia sua alma formigar, Cross agiu.
Ele corrompeu sua pura e maravilhosa alma e então o tomou para si.
Só meu... E eu sou apenas seu.
Era o melhor a ser feito. Pelos dois, pelo amor deles.
É tudo por você.
— Te farei feliz, meu amor, prometo — sussurrou em seu ouvido, apertando o corpo sem vontade ou consciência contra o seu.
Ao se afastar, mas apenas um pouco, Cross tomou com delicadeza e amor seus lábios. Um beijo casto e carinhoso, era o que sua alma distorcida lhe dizia.
— Seremos apenas eu e você — disse, tomado pelo fascínio.
Eu e você pela eternidade.
Sem ninguém para nos separar.
E então a impecável dança recomeçou, sem música, sem melodia, sem vida, naquele lugar onde ninguém sabia o nome ou onde ficava, apenas com a Lua como expectadora, jogando seu brilho sobre o casal cheia de pesar.
Ou talvez chorando as lágrimas que Ink nunca poderia derramar.
Notas finais
Novamente, a one se trata de um relacionamento de teor distorcido e nocivo, onde em momento algum da história é incentivada a prática dos mesmos. Isso não é amor e a história deixa isso bem claro, okay?
Escrevi essa pequena história depois de ver uma fanart envolvendo os dois, pois não conseguia tirar da cabeça esse sentimento de fascínio distorcido.
Espero que tenham gostado.
Fanfic postada no Social sob o mesmo nome de usuário.
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