Notas iniciais
Segundo capítulo um pouco maior que o primeiro. Com visão de Tobias, com surpresas e controvérsias.

Abro os olhos e olho para o relógio que fica na parede em cima da porta, sete da manhã. Está chovendo muito forte, reparo isso ao olhar para a janela do lado direito da minha cama. Demoro uns cinco minutos para me levantar, porque ao invés disso fico me revirando na cama pensando em tudo que aconteceu comigo durante esse tempo. Sento na beirada da cama, toco os meus pés no chão, ele está bem gelado devido ao clima da cidade, a temperatura deve estar muito baixa. Levanto e caminho até a porta, abro-a, o puxador de metal também está bem gelado, sinto uma dor ao tocá-lo, e vou em direção ao banheiro por um corredor branco, vazio e muito limpo, semelhantes aos de hospitais. Vou para debaixo do chuveiro e tomo um banho quente e demorado para relaxar, até eu me lembrar que temos limite de tempo no banho — para poupar nossos recursos, regras da cidade — e vou em direção ao refeitório para poder comer alguma coisa, estou morrendo de fome.

Entro no salão e me surpreendi por todos já estarem de pé tão cedo. Sigo para o balcão sem olhar para ninguém e pego uma bandeja que estava próximo a comida e me sirvo de pão, suco e cereal, me viro e vejo Peter acenando pra mim para que eu me junte a ele e Tris – tive sorte de Jeanine não está lá também – e me sento.

– Porque todos acordaram tão cedo assim? — pergunto – Ninguém costuma fazer isso.

– É… — fala Peter – é porque...

– Desembucha logo! — sinto que alguém me esqueceu de falar alguma coisa.

– Evelyn vai levar todos nós para darmos um passeio de avião – cospe Tris.

Fico indignado, todos vão dar um passeio e eu não fui informado disso? Estou me sentindo cada vez mais excluído. Evelyn fez para a cidade uma pista de pouso, perto da sede da Amizade, feita para exportar e importar mantimentos. Não cabe aviões muito grandes, mas dá para o gasto. Pensando nisso me faz lembrar q era pra eu ter ficado na sede da Franqueza com Christina. Escolhi ficar na sede da Erudição por causa de Tris, mas não estamos mais namorando, então posso repensar nisso. Quem disse que eu não queria dar um passeio de avião?

– E porque eu não soube disso? – pergunto com uma pontada de tristeza.

– Avisaram que você tinha medo de altura e não se sentiria confortável voando. — responde Peter

Tenho medo de altura sim, mas, pelo menos, queria um pouco de consideração da parte deles.

– Pois eu vou! – exclamo

– Tobias? — diz Tris – É você que está aí dentro? — diz ela batendo na minha testa com a mão fechada, como se estivesse batendo em uma porta.

– Vou, teimosia ou não, eu vou! – digo para acabar com o assunto – Afinal sou da Audácia.

– Mas e aí? Vocês viram a chuva que deu ontem a noite? — pergunta Tris

– Vi quase não consegui dormir, estava muito forte – se intromete Christina, que entrou pela porta do salão tão rápido que nem vimos ela – Soube que a estufa da sede da Amizade e uma parte da sede da Erudição foi destruída por causa da chuva. A parte dos laboratórios. Agora ela esta totalmente restrita e proibida.

– Nossa, mas e agora? – pergunta Tris – Como vão fazer as pesquisas e experimentos?

– Eles tem um campo reserva para tudo – responde Peter – Fica no subsolo.

Só em falar em subsolo já me dá nos nervos. Só de pensar no que aconteceu naquele Aeroporto fico com raiva de tudo e principalmente de mim mesmo.

– Espertos. -- respondo secamente. – E quando vamos passear ?

– Logo. — responde Tris.

Terminamos de comer nosso café da manhã quando ouço a voz de minha mãe – Evelyn – em umas caixas de som, dentro do refeitório, dizendo-nos que tínhamos que ir para o saguão de entrada, e aguardar um pouco.

. . .

Depois de esperar um pouco, todos nós da sede da erudição entramos em várias caminhonetes que irão nos direcionar para a pista de pouso, um pouco fora da cerca, mas não tão longe que nem o Aeroporto. Seguimos por uma pista de asfalto com muitos buracos, que fazem-nos chacoalhar dentro da caminhonete. Paramos diante dos portões da divisória da cidade, fomos revistados e logo após seguimos em frente.

A pista de pouso é composto por um conjunto de prédios, não muito altos e de vidro, uma torre de controle, que fica bem no alto, e – obviamente – uma pista de pouso bem longa.

– Chegamos a pista de pouso da cidade de Chicago – diz Evelyn que está na mesma caminhonete que nós.

Saímos da caminhonete e todos ficam impressionados com a potência do lugar – que não podemos negar que é muito bonito. Ficamos todos agrupados no portão de entrada, virados para Evelyn que está dando informações.

– Foi criada há 2 anos com o mesmo intuito de hoje, mas foi desativada pelo fato de o Eixo impedir nossa comunicação e transportes entre os Experimentos – diz ela – Foi reformada e está pronta para ser usada.

Entramos no prédio principal, um teto com mais ou menos uns cinco metros do chão, com paredes de vidro, passamos por um balcão da recepção com uma moça que nos guia para qual caminho devemos seguir. Passamos por uma série de corredores até chegarmos em um lugar ao qual deveríamos fazer uma fila para passarmos. Um arco de metal no qual deveríamos tirar todos os nossos pertences que faziam aquela coisa apitar, até ela não apitar mais.

Depois de andar mais um pouco entramos em um espaço em que está escrito “portões de embarque“ e são numerados do portão 1 até o portão 6. Esperamos um pouco no portão de número 5, até eu ver o avião chegando pelas janelas do aposento. Realmente é muito grande de perto, sinto um nervosismo só de pensar que vamos entrar naquilo, e então formamos uma fila para entrarmos, fico atrás de Tris.

– Ei – ela me chama – não precisa ficar nervoso, eu sento do seu lado.

– Obrigado – sinto que estava precisando ouvir isso.

Entramos no avião. Viramos pra direita, há dois corredores bem longos que dão acesso a todos os assentos, três grupos de cadeiras uma do lado da outra na minha esquerda, três cadeiras no centro e mais três cadeiras na minha direita. Como fomos uns dos últimos da fila sentamos em uma das últimas fileiras, número 27 da esquerda.

– Quero que você sente na janela – diz Tris, e lança um olhar de imploração – por favor. Você vai amar.

– Não sei não... — respondo.

– Vamos, estamos todos aqui com você – diz Peter na cadeira do corredor

– É, vai ser divertido – fala Christina na fileira da frente com Will e Al do seu lado.

Isso me faz lembrar que não vi Eric hoje ainda. Levanto e procuro ele. Acabo achando-o bem lá na frente, não da pra falar com ele agora.

– Vamos sente-se aqui na janela – fala Tris

Respiro fundo.

Vamos.

Audácia.

Confiança.

Confiança.

Confiança.

E me sento.

Pequenos monitores na nossa frente ligam automaticamente ensinando-nos umas instruções de bordo. Aperto meu sinto como foi mandado e me preparo para voar. O avião começa a manobrar a pista para chegar onde ele começará a decolagem.

Chegou na linha reta.

Ele começa a acelerar.

A inércia me deixa colado com o banco.

Seguro o descansa dor de braços com o dobro da minha força.

Estamos voando.

Me sinto saindo do banco. Sensação estranha. Me sentindo mais leve. Olho pela janela e nem posso acreditar no que estou vendo, estamos muito no alto. Me sinto livre. Me sinto como um pássaro. A última vez em que me senti assim foi na tirolesa, mas isso aqui é muito melhor. As pessoas parecem formigas, não sinto mais medo de altura, não sinto mais medo de olhar pela janela, não sinto mais medo de olhar pra baixo.

Menos um medo.

Três.

Três medos.

Uma mulher que reconheci pelos corredores da pista de pouso, distribui lanches e bebidas para todos.

. . .

Voltamos pelo mesmo caminho, chegamos a sede da Erudição à noite, o jantar está pronto. Todos vamos direto pra lá.

– E ai tobias ?? — pergunta Eric sentando à mesa com a gente – sinto você mais alegre depois do passeio. Gostou?

– Sim. Bastante. Foi uma ótima experiência. — com certeza foi.

Todos jantaram e vão para seus respectivos quartos para dormir, enquanto eu decido caminhar um pouco pela Sede.

Saio andando explorando e conhecendo um território que pra mim seria desconhecido pra sempre, somente pelo fato de ser a sede da facção que mais odiava. Ando pelos corredores assobiando e imaginando quando posso andar de avião outra vez. Até um momento em que percebo uma coisa estranha, estou em uma parte da Sede que segundo as notícias era pra estar destruída, mas ela está totalmente intacta, e me deparo com uma porta de vidro com um grande número de pessoas com uniformes brancos andando pra lá e pra cá, apressados. Chego mais perto tentando não ser visto, até quando eu leio o que está escrito no ladrilho da parede do meu lado direito próximo a porta: Área Dos Laboratórios.

Notas finais
Espero que tenham gostado. 3º capítulo em breve ! Prometo.