Notas iniciais
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Ela era a toda poderosa Deusa do Sol, a deusa que derrotou os maiores males na face de Nippon. A mesma deusa que tomou forma de uma jovem e belíssima mulher, com longos cabelos brancos, orelhas de lobo e sua cauda junto a suas marcas celestes. Na mais crua honestidade, ela mais parecia um gigantesco desastre enquanto pisava e escorregava em seu kimono. Era difícil dize o que deu errado apenas olhando suas roupas. Apenas o véu celestial, que flutuava calmamente em volta de seus braços, sem nenhum dano aparente, já o resto da vestimenta precisava, obviamente, ser arrumada.
Um lado de seu kimono estava muito curto enquanto o outro lado caía em uma pilha na grama das Planícies Celestiais. A parte superior de seu kimono estava uma total bagunça e a faixa vermelha e volta de seu colo não tinha sido amarrada propriamente.
Nunca Ushiwaka acreditaria que a Deusa, que atravessou, ferozmente, através de fogo, neve, e outros inúmeros ‘por pouco’, seria derrotada por, apenas, roupas. Ainda que ele achasse que isso era um pouco compreendido, já que ela esteve sempre na forma de lobo enquanto esteve em Nippon; e nunca havia tentado uma forma humana até agora. Ele assistiu ela cambalear parecendo desequilibrada e confusa. Até as peças que iriam no cabelo dela, um pente intrincado de cor vermelha e ganchos de cabelo saindo do coque no topo da cabeça dela mais pareciam um estilo de um planeta totalmente diferente.
“Bonjour, ma cherie” Ushiwaka chamou e sua animada voz casual. A deusa pareceu um pouco irritada em ser chamada de... seja lá o que ele queria dizer com seu idioma estranho, enquanto cambaleava na direção dele, caindo, pelo menos, duas vezes.
“Olá, Waka” até a voz dela parecia presa. Ela tentou fazer um cumprimento amigável, se curvando, só para quase cair mais uma vez. “Eu... acho que finalmente estou me acostumando com esse corpo humano” ela sorriu alegre, um puro e quente sorriso.
“Isso é bom...” Ushiwaka comentou, e tentou manter a leve, daquela maneira. “Mas eu posso honestamente dizer, acredito que sua vestimenta precisa deum pouco mais de ‘me acostumando’, Amaterasu.”
Amaterasu concordou, sabendo que ele falava com extrema bondade. Ela olhou para si mesma e franziu as sobrancelhas.
“Eu achei que, depois da primeira camada, eu conseguiria sair dessa só” ela levatou os braços, como se mostrasse seus pensamentos das roupas mortais. “As roupas humanas são meio difíceis de ajeitar...”.
“Você gostaria que te ajudasse?” Waka ofereceu.
“Oh, você ajudaria? Por favor? Eu amaria isso!” A deusa já estava pulando em círculos e volta de Waka, como um filhote recém-nascido.
Depois que a camada superior do kimono fora retirada, Waka começou a, calmamente, revesti-la. Ela a instruía para manter os braços pra cima e outras coisas enquanto ele vestia a deusa. Quando ele terminou, deu um passo para trás para ver como havia ficado. A camada superior estava linda; um vermelho igual ao do Sol nascente, e as mangas do kimono tinham pedaços em vermelho que mais pareciam chamas que se curvavam ao vento que soprava. Agora tudo o que faltava eram os cabelos dela.
“Você gostaria que eu arrumasse seu cabelo ou...?”
Ela passou os dedos pelos cabelos e estremeceu, tentando tirar alguns dos ganchos de seu coque caído.
“Eu o quero caído sobre minhas costas, dói quando ele fica preso, alto desse jeito”.
Waka começou, gentilmente, a tirar os acessórios dos sedosos cabelos brancos dela e começou a coloca-los cuidadosamente no chão. Quando tirou o pente vermelho, ele começou a pentear através dos pequenos nós da cabeça da deusa. Quando ela tremeu ele curvou-se e observou-a.
“O que foi? Tem algo errado?”.
“Nada, só... faz cócegas” ela seu uma risadinha, só para tentar segurar-se enquanto ele continuava a soltar seu cabelo.
A deusa se viu refletida em uma piscina das águas das Planícies depois de Waka terminar de pentear seu cabelo com sucesso, até os cabelos cair sedosamente e ser suaves ao toque.
‘Como cheguei a isso?’ Ele pensava sozinho, enquanto observava a deusa, em caso dela se inclinar demais em direção à beira da piscina e cair. ‘Eu sou um profeta... e um guerreiro celestial, e não um mordomo ou uma babá...’.
“Você está linda...” ele falou, educadamente. Dando a deusa um elogio.
Ele pensou que havia a visto corar, bem de leve, mas não tirou conclusões já que a deusa havia se afastado da beirada. Eles andaram juntos, lado a lado, discutindo maneira de como recuperar mais das Planícies Celestiais, assim como poderiam pedir para os habitantes cooperação. Após um bom bocado andado, ambos, já cansados, sentaram-se embaixo de uma cerejeira em flores. A deusa sentou-se graciosamente ao lado do tronco da árvore e já estava preparada para descansar enquanto Waka decidiu tocar uma música em sua flauta. Amaterasu olhou para cima com alguma saudade tristonha.
“Essa árvore me lembra de Sakuya-san... os aldeões de Kamiki e Issun. Lembra-me de toda Nippon e os amigos que eu fiz lá embaixo...” ela disse essas palavras com a tristeza mal escondida ao mesmo tempo em que pegava uma pétala das flores, só para gentilmente soprá-la para longe gentilmente.
Waka, que até então, tocava sua flauta, parou e virou-se para a mulher sentada ao seu lado. A beleza que ele havia visto previamente parecia ter desaparecido em tamanha tristeza.
“Você sente falta das pessoas que você conheceu em sua jornada?”
“Todos que eu conheci, quem foi bondoso comigo” Amaterasu replicou, trazendo os joelhos e direção de seu peito, suas orelhas lupinas caindo, em tristeza. “Os outros deuses estão aqui nas Planícies, e há muito trabalho para eu fazer... mas eu ainda me sinto sozinha aqui, como se eu estivesse perdendo alguma coisa ou não estou fazendo o suficiente para fazer este mundo brilhar novamente”.
Ela se virou para Waka, a preocupação e a seriedade escritas em sua face, “Eu sei que precisam de mim aqui, mas eu sinto que essa paz pela qual eu lutei e conquistei não irá durar muito.”.
“’Paz’, nunca dura, ma cherie,”, Waka disse, ele percebeu que as orelhas dela agitar com o incômodo, mas ele ignorou. “Embora existam muitos que desejam por ela, muitos que fariam qualquer coisa para alcança-la, mesmo que por apenas um momento breve. ‘Paz’ é algo que todos nós lutamos por, e mesmo depois que a alcançamos, temos que nos perguntar se ela irá durar, ou se será apenas uma ilusão passageira. Humanos, bestas e... deuses também são criaturas fracas que podem ser consumidas pela escuridão após algum tempo, e esse é um traço que não pode ser mudado ou alterado facilmente.”.
Amaterasu pegou uma pétala de flor perdida entre seus dedos para se distrair, embora Waka soubesse que ela havia ouvido ele muito bem. “Eu gostaria que a paz fosse uma realidade não a ilusão.”.
Waka olhou além, além do puro verde das Planícies Celestiais, como se tentasse ver alguma coisa mais ao longe. “Enquanto existir grupos conhecidos como ‘bem’ e ‘mal’, não pode haver paz,” ele disse, sabiamente. “Esses dois vão continuar a lutar um contra o até o fim dos tempos. Não importa qual dos dois vença, não há um fim a vis-“.
A deusa se mexeu de repente do seu lado, ele temeu que, de alguma forma, ele havia irritado a deusa. Ele aproveitou a chance e olhou para o ombro, onde ela começava a dormir, lentamente. Ele se sentiu um pouco irritado, mas um calor se espalhou por seu corpo. Ela estava ficando menos rígida e começou a relaxar, algo que parecia que ela havia feito menos ultimamente. Waka retirou seu hakama rosa e o colocou sobre a deusa adormecida. Ele retirava algumas pétalas perdidas que haviam caído em seu cabelo quando os olhos dela se abriram.
“O que foi isso?”
“Nada” ele disse e tentou mudar de assunto. “Você gostaria de ouvir uma profecia que eu fiz?”
Amaterasu enterrou o rosto no ombro dele e, divertidamente, o provocou. “A grama estará verde amanhã?”
“Isso não é exatamente uma profecia, ma cherie,” Waka apontou.
“Ahh, é para mim,” ela bocejou e puxou a manga como se para indicar o fim da discussão deles. Waka sabia que ela nunca esteve verdadeiramente interessada na profecia que ele tinha para recitar (ou conversa e a duração da mesma) e lembrou o primeiro encontro deles, ela adormeceu no meio de uma de suas falas.
“Esqueça isso, que tal uma música?”
Ela se encolheu e manteve os olhos fechados, mas as orelhas se levantaram, esperando ansiosamente. Waka pegou sua flauta e começou a tocar uma doce e leve melodia. As pétalas caindo das árvores em volta criaram um efeito lindo na música, algo que ninguém poderia negar. Amaterasu logo adormeceu, respirando suavemente em Waka. Ele parou de tocar sua flauta olhou afetuosamente para a deusa do Sol, caindo na sua luz e inocência enquanto acariciava seus cabelos. Ele se aproximou dela e cochichou gentilmente em seu ouvido:
“Um pequeno Sol logo brilhará nesse mundo.”.
Ele olhou para o horizonte, como se pudesse ver o futuro ali, diante de seus olhos.
Notas finais
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