Notas iniciais
Penúltima parte da batalha entre os agentes do Globo Ocular e o assassino Legião.

O grupo de assalto do Globo Ocular, reunido e liderado pelos três oficiais responsáveis pelo caso Legião, consistia num contingente de trinta agentes, todos com, no mínimo, dez anos de serviço, especializados em ataques frontais, contenção de tumultos, combate corpo a corpo e armas de alto calibre, nível Apocalipse.

Nada disso adiantou.

Conforme Amadeus, prestes a se aposentar, pai de três meninos, esperando a chegada de seu primeiro neto, colocou seus dois pés dentro da galeria de arte, sendo o último a entrar, o mundo virou do avesso.

Literalmente.

O ar ficou praticamente irrespirável, pelo menos cinco agentes morreram intoxicados antes de poderem acionar as máscaras e filtros de seus capacetes e aqueles que conseguiram, acabaram por achar que esses foram os sortudos.

Eles não encararam o horror de frente.

Assim que o ambiente se transformou, não apenas o ar ficou repleto de gases tóxicos, mas um calor cáustico começou a se formar, acionando ao máximo o modo sobrevivência dos trajes dos policiais.

— Ah, os humanos e seus brinquedos geniais...

O grupo imediatamente assumiu uma formação onde cada um ficava de costas para um companheiro, a fim de não dar brechas para ataques, mas, ainda assim, a voz pareceu vir de trás de cada um dos oficiais.

Algo se moveu muito rápido, acertando quatro policiais em suas pernas, decepando-as e logo arrastando-os, em meio a urros de socorro e dor, até áreas da galeria que agora estavam totalmente cobertas por sombras negras.

Era impossível detectá-los, não importava qual tipo de tecnologia de localização fosse usada.

— Estamos sendo massacrados! — Alek erguia um imenso rifle, disparando a esmo, percebendo que não acertava o assassino. — Merda! O que diabos é esse cara...

A frase foi interrompida quando o agente sentiu algo perfurando-lhe o abdômen e arregalou os olhos ao perceber como tal ferimento foi feito.

O homem, se é que ele ainda poderia ser chamado daquela forma, estava com metade do braço enfiado no corpo de Alek, que percebeu com horror crescente que a cor da pele do assassino já não era humana.

Foi sua última percepção antes de ser descartado, tal como boneco cuja criança perdeu o interesse.

Legião jogou sua vítima para um lado, empertigando o corpo em seguida, agora ele estava ainda mais alto, possivelmente com dois metros e meio, seus músculos estavam todos distorcidos e em vários pontos a pele rasgara, deixando verdadeiros buracos com musculatura à mostra.

Os olhos iam de um negro profundo a um vermelho brilhante e assim que olhou para os poucos sobreviventes um sorriso foi se formando em seu rosto.

Não foi necessária ordem para que os agentes disparassem suas armas, mas mal a primeira saraivada foi disparada e todos foram dominados.

Atrás de cada um deles surgia um outro Legião, igual ao que os observava e que agora gargalhava.

— Somos Legião... E somos muitos.

Lenin recebera um golpe no flaco do corpo, caindo em meio a um jorro escarlate, enquanto Canina conseguiu o que mais ninguém havia conseguido.

Ela saltou, evitando o golpe pelas costas, e usando uma faca de policarbono, cortou fora a cabeça do assassino, que não movera um dedo para se proteger.

Um fio de esperança passou pelo coração da caçadora, mas logo foi substituído por medo, quando uma imensa mão a agarrou pelo pescoço, virando-a na direção do rosto do Legião.

— Acredita mesmo que matando um dos meus corpos, os demais vão tombar? — logo em seguida da terrível revelação, a cabeça decapitada fez ecoar pelo local uma risada demoníaca. — Pobres macacos... Não fazem ideia do que estão enfrentando aqui... Mas, vamos lá... Hora da diversão.

Lenin só conseguia acompanhar a cena, enquanto Legião arrancava parte do uniforme de combate de sua companheira, que ainda tentou um último golpe, enterrando garras de metal na carne profana.

Tal ataque só provocou escárnio por parte do assassino.

Lembre-se de que não há volta...

— A... Apenas... Fa-faça...

O agente do Globo Ocular nos poucos anos de atividade fora colocado diante de situações e seres que nunca imaginara e, mantendo isso em segredo até mesmo do amigo e parceiro, fez alianças que se mostraram úteis com o passar do tempo.

— Então se as coisas ficarem tão feias quanto eu acho, você vai me oferecer os meios para derrotá-lo? — enquanto os colegas se preparavam na central do Globo Ocular, o agente se encontrava com um homem que parecia emanar uma escuridão que impossibilitava uma identificação. — Eu... Só preciso aceitar?

— Exato... Então... O que vai querer?

E assim um pacto foi forjado.

E então diante do demônio conhecido como Legião, surgia outra cria dos infernos.

As roupas de Lenin rasgaram-se todas revelando imensos músculos, num corpo que agora aparentava ser tão alto quanto seu inimigo, os punhos eram do tamanho da cabeça de um adulto, os pés se fundiram em cascos negros.

O rosto, outrora humano, deu lugar a uma máscara de horror, sem nariz, apresentando pequenos olhos negros, dentes imensos, deformados e chifres curvos que nasciam dos lados da cabeça.

— Então o macaquinho fez um pacto com os demônios zodiacais não é... Touro?

Notas finais
Espero que estejam gostando pessoal! Se tiver um minutinho após a leitura, façam um escritor feliz! Comentem!