Futari to Himitsu
5 Sem dizer Adeus...
Notas iniciais
No mesmo momento em que ele acabou de dizer estas palavras, ele continuou e… beijou-me… UM HOMEM BEIJOU-ME! O MEU PRIMEIRO BEIJO!! MENTIRAAAAAAAAAAA!
–O-O-O QUE ESTÁ A FAZER?!?!
Por momentos pensei que estava a enlouquecer. Não tinha como o noivo da minha irmã me beijar, impossível… Deve ser da febre, só pode ser da febre…
–L-Len... Desculpa….
–DESCULPA?! Foi o meu PRIMEIRO beijo. Isto não pode estar a acontecer, deve ser da febre (peguei logo num termómetro para medir a temperatura).
–Len. Acalma-te… Eu estou bem…
–40?! N-Não pode ser…!
De repente, algo começou a apitar. O medidor cardíaco começou a descer e rapidamente o quarto se encheu de enfermeiros e médicos. O Kurogami-san não parava de cuspir sangue… Foi horrível. Liguei logo para a minha irmã, e em segundos já o tinham levado para o bloco de emergências…
A minha irmã chegou num instante. Estava completamente apavorada mas de certo modo não muito surpreendida, como se não fosse a primeira vez. Ela ficou logo a par de tudo o que se passara e conversou um pouco comigo… Voltei a sentir-me culpado porque limitei-me a gritar com ele por causa de algo estúpido, mesmo sabendo que ele não deveria estar em si. Eu juro que se algo lhe acontecer... Sinceramente, acho que já causei demasiados problemas desde que cheguei aqui. Não queria fazer isto tão cedo mas…
Passaram alguns dias desde aquele incidente. Ao que parece, o Kurogami-san teve uma paragem respiratória bastante grave e vai ficar internado por mais algum tempo mas está livre de perigo. Gostava de saber o que lhe acontecera para ter tantos problemas... De repente, ouvi alguém a bater à porta.
–Com licença, Len, estás em casa?
Era a voz do Yuki, mas de certo modo parecia mais séria…
–Já vou! (Eu abri a porta e mal olhei para o rosto do Yuki notei logo que algo se passava…)
–Bom dia, Len…
–Bom dia, Yuki-san…
–O meu irmão… Bem, eu sei o que se passou… Eu só vim aqui para te dizer que não tiveste culpa. Por favor não te sintas culpado! Só iria piorar a situação. Eu conheço bem o meu irmão e ele afeiçoou-se logo a ti, não sei se é por seres irmão da sua noiva ou por outra razão, mas… (Eperem… Ele sabe o que se passou?! O beijo?!) Ele sabe melhor que ninguém que tem uma saúde frágil e mesmo assim apanhou bastante frio, agindo de forma egoísta. (Então, quer dizer que não sabe…)
–Não te preocupes, Yuki (eu sorri um pouco, também para aliviar aquele clima sério), eu já tenho tudo planeado. Já ninguém se vai voltar a magoar. Obrigado por tudo, és muito gentil.
–Não fales assim! Até parece uma despedida…
–Imagina! (Eu voltei a sorrir, agora, porque convinha mesmo…)
–Hahaha, ainda bem que está tudo resolvido. Agora preciso de ir tratar de uns assuntos. Até logo, Len!
–Até logo, Yuki.
Depois disto ele foi-se embora sem dizer mais nada. Ele parecia mesmo preocupado com o irmão e ao mesmo tempo comigo. Ele é mesmo gentil… Mas bem! Tenho algo a fazer.
Passei a noite toda a escrever uma carta. Quero entrega-la a minha irmã, e quero que ela perceba mesmo que estes são os meus verdadeiros sentimentos em relação a tudo isto. E sem a interferência do Kurogami-san, isto vai ser bem mais fácil. Ele consegue mesmo mexer comigo… Isto faz-me lembrar de quanto escrevi a minha carta de demissão que no fim, não serviu para nada! Nem foi á muito tempo… Mas bem, a carta!
Terminei-a por volta das 06 da manhã. Tomei umas quantas bebidas energéticas e segui logo para a empresa. Demorou, mas acho que era exatamente isto que queria. Sim porque agora, já nem sei bem o que quero…
A manhã estava muito calma e séria. Todo o pessoal da empresa sobre do incidente e desde esse dia tem estado sempre assim. É realmente triste…
–Vou entrar, irmã.
–Len! Estás com um aspeto horrível, tens dormido?!
–Eu já sei cuidar de mim…
–Ok, ok! Terminas-te de rever o último capitulo?
–Não… Eu vim aqui por outra razão (eu estendi a minha mão e entreguei-lhe a carta).
‘’Carta de demissão’’ Sim, era outra carta de demissão. Mas esta era diferente
pois tinha outro papel pessoal com ela...
‘’Eu ainda não te contei o verdadeiro motivo de ter vindo para esta empresa... Desde que me deste aquele livro (‘’O Nosso Segredo’’) eu passei a amar uma romancista. A Kurogami Akihiko. Apaixonei-me por cada palavra e cada frase dos seus livros… Então, mal soube que ela vinha trabalhar para a tua empresa, decidi vir também para conseguir conhecê-la. Mas tal como todos os seus fãs, eu não sabia que na verdade era um homem por detrás daqueles romances. E por esse motivo já não tinha razão para ficar… Mas quando soube de todos os problemas que causaria caso saísse, ainda repensei a minha saída. Porém agora decidi que vou sair mas não é só da empresa, como também deste país. Falta esta semana para terminar o primeiro ano do meu curso e tenho recebido várias propostas para estudar em no estrangeiro. Então, decidi aceitar uma delas, para estudar em Inglaterra. Tenho tudo pago, então não precisas de te preocupar com o dinheiro. Sei que devia ter-te avisado mas sei que serias contra então decidi tratar disto sozinho. Quero que mostres esta carta ao Kurogami-san quando ele sair do hospital, e que fales disto a todos da empresa.
Azaya Len’’
–Len…
–Eu sei que devia dizer-te isto tudo, mas como queria que o Kurogami-san também soubesse e que tivesses algo para te lembrar disto, decidi escrever em carta.
–O que eu disser não vai mudar a tua decisão, certo?
–Já está decido… Desculpa…
–(Ela comoveu-se…) Eu gostei muito de te ter por aqui. Fiquei feliz por finalmente estarmos outra vez juntos, como uma família, mas tu já tens idade para saberes o que queres e eu não te posso prender. Sendo assim, quando vais partir?
–Tenho um voo marcado para a semana, terça-feira.
–Isto é tão de repente… Não queres pensar melhor?
–Desculpa, Alice…
–Bem, então é melhor ires tratar de tudo, depois voltamos a falar… Gosto muito de ti, Len.
–Onee-san…
Saí do escritório sei olhar para a minha irmã. Não a consegui encarar depois do que ela me disse. Estou-me a sentir pior do que estava. Espero que este sentimento vá logo embora, pois não consigo aguentar isto…
~Segunda-feira, 08:00 horas~
–Len, não precisas que te leve ao aeroporto?
–Não te preocupes… Eu já tenho tudo pronto. Lembras-te do nosso acordo?
–Sim… De certeza que queres assim?
–É mais fácil para todos, Alice…
–Então, como amanhã vais sair cedo, é a última vez que falamos?
–Temo que sim… Mas eu vou-te ligar todos os dias! Como fazia antes de vir para aqui! Não fiques triste, por favor…(Ela começou a chorar, outra vez… Doeu-me imenso o peito, aquele sentimento estava a dar cabo de mim, sentia que me ia arrepender tanto disto…)
–E-Eu estou bem. Vou sentir muito a tua falta!
–Também eu, onee-san.
Ela abraçou-me com uma força incrível, porém de uma forma calorosa. Parecia que nunca mais ia largar… Ela estava realmente triste.
–Gosto muito de ti Len… És o meu precioso irmãozinho.
–Também eu de ti, Alice.
–Bem, eu vou para a empresa. Logo á noite ligo-te para falarmos mais um pouco, adeus!
–Adeus…
O tempo passou a correr. Quando dei por mim, já me estava a despedir da minha irmã. Não voltei a ter mais nenhuma notícia do Kurogami-san… Queria perguntar por ele á minha irmã mas esqueci-me…
No fim, passei nos exames sem problemas e com notas altíssimas, como sempre… Falei com o Ryuki e ele ficou um pouco triste mas acho que compreendeu. Apenas ele e a Alice sabem que vou para o estrangeiro. Pedi á minha irmã que apenas contasse ao pessoal da empresa o que se passara um dia depois de já ter partido. O mesmo vale para o Kurogami-san… Assim será mais fácil.
Espero definitivamente, não estar a cometer nenhum erro.
Len Pov’s Off
Akihiko Pov’s On
A minha cabeça dói… Será que aqueles incompetentes mandaram-me para casa sem estar totalmente recuperado?! Hamm… Não me lembro de nada e mesmo que me tente lembrar do que aconteceu naquele dia (o dia do internamento) a minha dor de cabeça só aumenta… Enfim, tenho de saber se o Len se já acabou de rever o último capítulo. Espero que a Alice já esteja na empresa.
Ia a entrar quando me cruzei com ela. É estranho pois ela chega sempre primeiro que eu…
–Bom dia Alice! (Eu notei que algo de estranho se passava, ela estava muito pálida e tinha os olhos vermelhos, como que se tivesse estado a chorar…)
–Aki! Ohayoo!!
–Alice sabes que eu não gosto disso… O que se passou?!
–Conheces-me tão bem…. Não é nada…
–Alice, por favor!
–Bem, lembras-te daquele cão que eu tinha?
–Sim lembro…
–Ele apareceu morto esta manhã, acho que foi envenenado… Eu gostava tanto dele! Eu, eu, eu não estou com disposição para falar! (Ela saiu a correr para o pátio…)
Na verdade, ela não tem nenhum cão. Ela é alérgica a cães… Algo de estranho se passa e tenho mesmo de descobrir o quê. Mas se eu não soubesse do cão, ela enganava-me bem…!
Aproveitei enquanto ela estava no pátio para procurar algo no escritório dela que me explicasse o que se passava... Só conseguia pensar no Len. Só ele iria pô-la naquele estado… Depois de remexer nos papéis todos, encontrei na última gaveta uma carta que dizia ‘’Azaya Len, Carta de Demissão’’. Pensei que fosse a primeira que ele escrevera até ver a data… Ele tinha escrito outra á pouco tempo! Quando ia ler a carta, a Alice entrou de repente. Apenas tive tempo de a guardar por dentro do casaco...
–Akii, o que estás a fazer?!
–E-Estou á procura da revisão do último capitulo do novo livro, sabes se o Len já a terminou?
–Ainda não, sabes como é, ultima semana do primeiro ano… Mas não te preocupes, ele têm tudo! Mal ele terminar eu aviso!
–Então eu vou trabalhar, até logo Alice. E vê se melhoras por causa do teu cão, depois arranjamos um novo!
–D-Deixa estar! Este era especial e, pronto, é melhor ires trabalhar! Até logo!
Ela praticamente me expulsou do escritório… Hamm… É melhor ir trabalhar mesmo, acumulei um montão de tarefas. Não é mesmo justo.
Estava com ideias de ler a carta quando chegasse a casa, mas como trabalhei demasiado, adormeci logo no sofá… Tive um sonho bastante estranho. Na verdade, só me lembro de ouvir gritos e estar numa sala. Mas não importa.
~Terça-feira, 07:00 horas~
Acordei de manhã com o som da campainha e o bater da porta… Mas quem é que raios faz as duas coisas ao mesmo tempo?! Enfim…
–Já vou, já vou! Quem é que é tão cedo?!...
–Akihiko!...
–Yuki? Que se passa, devem ser umas 07:00 horas…
–É o Len! Bati a porta e ninguém veio. Perguntei ao amigo dele, o Ryuki, se algo se passava e…
– A carta!!
Quando o Yuki me falou no Len, lembrei-me logo da carta. Fechei a porta, peguei nela o mais rápido que pude e comecei a ler. Era apenas uma simples carta de demissão! Não acredito que ele ousou escrever outra depois de eu lhe ter mostrado a gravação e… (Nisto cai uma folha, que também estava dentro do envelope.)
–Outra folha…?
''Eu ainda não te contei o verdadeiro motivo…''
–Isto já é uma carta pessoal…
Eu continuei a ler a carta. Quando a acabei de ler fiquei paralisado por uns segundos e ainda não conseguia acreditar.
O Len vai a caminho da Inglaterra…
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