Futari to Himitsu
1 Primeiro Encontro
Notas iniciais
Amor.
Um sentimento indispensável para o ser humano. Desejado por aqueles que nunca o experimentaram, e repensado por aqueles que provaram o sabor agridoce de uma relação. Existem três tipos de pessoas: as apaixonadas, que vivem na utopia do amor; as solitárias, que ainda não encontraram a sua paixão; e por fim, as que simplesmente odeiam o amor. Temo fazer parte do terceiro tipo. Não me lembro bem porquê, aliás, sei que o motivo deu-se à muito tempo, demasiado, para ser relembrado. Desde aí, tentei manter várias relações com diversas raparigas, mas nenhuma durou mais de dois meses… Quanto mais tempo passava, mais dor sentia, e um sentimento de arrependimento apoderava-se de mim. As peças do meu passado misterioso iam se juntando, e neste momento não há algo que menos queria ver acontecer.
Penso que foi assim que eu, Izaya Len, 19 anos, consegui tornar-me num universitário solitário apaixonado por livros. Neste momento, estudo literatura na universidade Tokyo Daigaku a melhor universidade do Japão, devido às minhas anormais e altíssimas notas e classificações no ensino médio. Pelo menos, eram as palavras que utilizavam para as descrever… A minha família é bastante conhecida por causa da grande empresa que gere, ‘’Azaya’s Classification’’, que não só promove escritores e jovens-adultos de alguma forma ligados a literatura, como também publica e divulga as suas obras. Costumam pensar que esta minha paixão deve-se a esse facto, quando na verdade, devo tudo a Kurogami Akihiko, uma romancista muito popular na atualidade. Apaixonei-me pelos seus romances desde os nove anos, quando a minha irmã me deu o romance ‘’O nosso segredo’’.Ainda me pergunto se foi por causa da Kurogami-sama que me encontro nesta situação, e a resposta que parecia ser a mais óbvia é certamente a certa…
Kurogami Akihiko, querendo ver as suas obras mais divulgadas, acabou por entrar recentemente na ‘’Azaya’s Classification’’, que por sorte ou azar, é a empresa da minha irmã mais velha Alice. Fiquei completamente cego quando soube desta notícia, e, corri imediatamente para o gabinete da Alice pedir-lhe um trabalho na empresa, na hipótese de, talvez, vir a conhecer a minha ‘’deusa’’. Não faço ideia do que faça os seus livros parecerem tão completos e simples ao mesmo tempo. Na verdade, sempre gostei de ler, porque para mim, cada palavra num livro, é o expressar de sentimentos que o coração não foi capaz de deixar escapar, mas que consegue sempre revelar pelo ato mais comum e misterioso, que é escrever. A grande romancista Kurogami… Pergunto-me se será possível apaixonar-se por palavras e sentimentos, transmitidos em papel. Provavelmente é impossível, mas que o amor colocado em cada letra nos seus romances chegara até mim, isso sim é possível, e é uma grande verdade.
Acho que não pensei bem nas consequências de trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Acabei por me mudar para uns novos apartamentos construídos ao lado da A.C (Azaya’s Classification), por questões de estupidez. Para ser sincero, não tenho motivos validos para tal: chegar cedo ao trabalho? Não estou propiamente entusiasmado com isto, então não há problema nisso… Conhecer a Kurogami-sama? Só se ficasse a sua espera quando saísse do trabalho, ou a seguisse, mas isso seria ser um ‘’stalker’’. Então definitivamente não tenho motivos. No fim de tudo, espero que ao menos que mê bem com todos.
Conclui hoje as mudanças. O apartamento é muito espaçoso… Desnecessariamente espaçoso! Mesmo com tudo pronto, ficou demasiado espaço livre, e não faço ideia do que fazer com ele. Talvez vá preenche-lo com papelada da universidade e do trabalho, e com livros.
Restam-me duas horas para a apresentação, então acho que não faz mal conhecer os vizinhos. Ao entrar já me encontrei com a senhora Suzuki-san, é uma pessoa amável apesar de já ser um pouco, digamos, adulta… Na verdade, tenho medo de acordar com os bombeiros a tocar na minha campainha, e a avisar-me de uma perda no apartamento ou algo do género, mas enfim, espero muitos anos para a senhora! Conheci também um rapaz um ano mais novo, que estuda na mesma universidade que eu. Era um pouco estranho, só me disse o primeiro nome, Ryuki. Perguntei-lhe se podíamos ir juntos para a universidade e não recusou, então ao menos já não vou sozinho… Então agora acho que só me falta conhecer mais dois vizinhos/as, sim porque não faço ideia de quem sejam. Passei lá ontem, e não estava ninguém em ambos os apartamentos, espero ter mais sorte hoje!
É por essa razão que só hoje conheci Kurogami Yuki:
- Boa tarde! Sou o novo vizinho, Azaya Len! Prazer em conhece-lo!
- Boa tarde!? Hm, deves ser o novo vizinho…
- (Eu disse que era…) Sim sou, prazer em conhece-lo!
- Nesse caso, prazer em conhecer-te! O meu nome é Kurogami Yuki, tenho 25 anos. Vamos nos dar bem, Len-kun!
- (Len…kun? Kurogami? Não pode ser… Mas ele é tão jovem… É realmente belo, mas ESPEREM! É um homem, um homem…) C-Claro! Eu tenho uma apresentação agora, mas antes queria conhecer todos os vizinhos, só que o que mora no primeiro piso, nunca está em casa, por acaso sabes quem lá vive?
-Claro que sei! É o meu irmão. Ele ultimamente anda bastante ocupado com o trabalho, parece que vai receber um novo editor, então não está muito tempo em casa, mas não te preocupes, eu falo-lhe de ti!
-O-Obrigado! Agora tenho mesmo de ir para a apresentação. Consigo ir para a ‘’Azaya’s Classification’’ pelo metro?
- Sim, sim, é só sair na primeira estação. (Apresentação? A.C? Não pode ser ) Talvez se encontrem mais ced-… Nada, nada, é só isso!
-Agradeço imenso Yuki-san!! Então, vejo-te mais logo?!
-Claro, até logo, e boa sorte!
E foi assim que conheci praticamente todos os meus vizinhos. Espero que logo à noite conheça o irmão do Yuki-san.
- Boa tarde Alice. Espero não ter chegado atrasado…
- Irmão!!! Não sabes o quanto estou feliz por teres decidido assumir as tuas responsabilidades enquanto membro desta família e vires trabalhar para aqui! Que orgulho, eu estou mês-
- Estamos no trabalho, TRABALHO.
- Está certo, certo! Acho que dispensamos uma visita guiada, deves conhecer esta empresa como a tua antiga casa… Então acho que posso te apresentar já ao teu autor, e aos teus companheiros, espero que se deem bem.
Seguimos para o meu escritório, foram todos muito atenciosos comigo! Conheci o Rei-san, o técnico de vendas, o Leya-san, o responsável pela edição da arte, e o resto da equipa de edição. São realmente muitas pessoas, não fazia ideia de que era preciso tantas pessoas para apenas um autor, deve ser realmente muita pressão… Quero fazer tudo bem, e ajudar em tudo o que puder, não quero ser um incómodo para ninguém!
- Bem, naquela sala está o teu autor. Ele é novo aqui, entrou à pouco tempo como tu, então espero que cooperem e se ajudem ok? Se precisares de algo maninho, é so vires ter comigo, que a Ali-chan vais estar aqui e-…
-Já percebi! Não te esqueças TRABALHO.!!
-Aye, aye! Então, Kurogami-san, estou a entrar!
Eu ouvi uma voz calma e serena. Parecia estar a murmurar baixinho cenas de um livro, discutindo para si mesmo as falas e emoções das personagens, ‘…neste momento, Alice-chan, só consigo pensar em ti, eu tentei, e tentei, mas não consegui… Não consegui esquecer-te, porque te amo…’’, foi o que eu ouvi. Mas ESPEREM! Alice-chan?
- Akihiko? Querido? Trouxe o teu novo editor, Azaya Len!
… E foi neste momento em que juntei as peças. A minha irmã bastante ocupada. O segredo da verdadeira identidade de Kurogami Akihiko. Alice-chan, querido…
-KUROGAMI AKIHIKO É UM HOMEM?! O QUÊ??!!!!!!!! QUE PORRA É ESTA?!!! NÃO BRINQUEM COMIGO!
Foi assim que reagi. E foi assim que percebi que ‘’a’’ grande autora, Kurogami Akihiko, não só não é ‘’uma’’ romancista, mas sim ‘’um’’, como também está de alguma forma envolvido com a minha irmã mais velha. Os meus 10 anos de pura paixão por Kurogami Akihiko foram uma mentira…
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