Futari to Himitsu
3 Decisão Final
Notas iniciais
– Len! Nem sabes! Eu e o Akihiko vamos casar!
Por um momento congelei. Havia algo naquelas palavras que me fizeram hesitar por uns breves momentos. Seria porque não imaginava a minha irmã a viver feliz num casamento? Ou por causa daquele olhar triste, aquele olhar doutro mundo, com que o Kurogami-san me observara?
– C-Casar? E-Então parabéns Alice! Bem, considera isto o presente de noivado. (Eu entreguei-lhe a carta de demissão).
– O que é? (Ela abre, observa-a por uns momentos…) Tens a certeza sobre isto? Logo quando estava tão feliz por trabalhares aqui. Sei que tens a universidade, mas por favor pensa melhor sobre isto, sabes que ao saíres deste cargo irás pôr muita gente em uma situação difícil…
– Eu sei. A minha decisão final provavelmente será essa, mas enquanto também lês melhor, posso pensar um pouco. Então, com licença, eu vou indo (olhei para o Kurogami-san), e parabéns novamente.
– Len…
Depois desta conversa saí logo da empresa. Não queria encarar o pessoal, senti que não tinha esse direito. Mas bem, é melhor apressar-me, combinei com o Ryuki hoje à noite e não quero fazê-lo esperar.
Apanhei um táxi para chegar mais depressa a casa e quando cheguei encontrei o Ryuki a sair do seu apartamento! Foi mesmo sorte. Jogámos um pouco e bebemos um pouco também, apesar de que o Ryuki bebeu um pouco de mais…
– Len, quando te vi pela primeira vez, percebi logo que nos íamos dar bem… (Ele falava de uma maneira tão estranha. Deu logo para notar que não costumava beber…)
– Eu também. Fiquei contente por encontrar alguém da minha idade. Na verdade, quando te vi pela primeira vez achei-te um pouco estranho mas essa impressão mudou logo! Estou realmente contente!
– Sabes…? És muito gentil, provavelmente deves ter muitas fãs e até mesmo fãs… Além disso tens um rosto muito belo, pareces uma rapariga (ele começou a aproximar-se e de forma muito leve, passou a sua mão no meu rosto), eu podia até mesmo ser teu fã.
– Ryuki? Estás completamente vermelho, não devíamos mesmo ter bebido, eu assumo a responsabilidade. Como amanhã é sábado podes passar aqui a noite, é melhor ires descansar no meu quarto.
– O que estás a dizer? Eu estou perfeitamente normal (ele agarrou na minha mão), e que tal irmos os dois descansar…?
Nisto ele de repente cai… Estava completamente desgastado. Eu carreguei-o até o meu quarto e deitei-o na minha cama. Tive de dormir no sofá mas ao menos ele poderá descansar em condições, afinal de contas isto foi tudo por minha culpa. E se ele não se lembrar de nada, eu definitivamente não lhe vou contar!
Acordei bastante cedo. Primeiro, porque queria tomar um bom banho. E segundo, queria-me certificar de que acordava primeiro que o Ryuki para lhe explicar o que se passara (claro que apenas irei dizer que ele bebeu um pouco demais e desmaiou…).
– Bom dia, Ryuki (toquei-lhe suavemente no ombro, ele dormia tão profundamente que custou bastante acordá-lo).
– Len? Onde estou?
– Bem, ontem bebes-te um pouco demais e acabas-te por desmaiar, então carreguei-te até aqui. Espero que não te tenhas importado…
– A-A sério? Desculpa o meu comportamento… E não tem problema, afinal de contas, vivo sozinho como tu. Mas já te causei muitos problemas e tenho alguns assuntos para tratar, não sei como te agradecer!
– Não tens de quê! Eu acompanho-te, também tenho de sair.
Como era sábado provavelmente pouca gente estaria na empresa, ou seja, uma boa altura para conversar melhor com a minha irmã. Mas quando íamos a sair do meu apartamento, uma pessoa passa rapidamente por nós, parecia muito apressada mas o ouvir falar olhou imediatamente para trás. Pude logo reconhecê-la… Era o Kurogami-san. Era impossível não reconhecer a longa gabardine preta que ele costumava usar e o seu longo cabelo preto que caia sobre os seus olhos cinzentos.
– Len… (Ele olhou-me e desviou o seu olhar para o Ryuki) Tu…
– Kurogami-san…
De repente, o Yuki-san aparece com um grande sorriso no rosto, e como sempre, energético, afastou o Ryuki e debruçou-se sobre mim.
–Vejo que já se conheceram! Len, este é o meu irmão, Akihiko Kurogami.
–Na verdade nós já… (O Kurogami-san tinha uma expressão incrivelmente fria no rosto. Pareceu-me que ele disse algo, mas não deu para perceber porque virou costas e continuou o seu caminho...)
– Irmão? Len, o que se passa?
O Ryuki e o Yuki, ambos olharam-me confusos. Fiquei parado por uns segundos, mas logo comecei a correr. Pela minha cabeça passaram-me várias situações que o Kurogami-san poderia ter imaginado ao ver-me sair com o Ryuki do meu apartamento e por alguma razão, eu não queria que ele interpretasse mal esta situação… Por causa da minha hesitação, quando saí do edifício, já foi difícil de encontrar o Kurogami-san mas consegui observá-lo ao fim da rua. Senti-me mal por deixar assim o meu amigo e o Yuki mas…
– KUROGAMI-SAN! Espere por favor!
Ele olhou para trás, mas pareceu não estar interessado no que eu lhe tinha para dizer. Mesmo assim, ao fim de alguns segundos consegui alcança-lo.
–Kurogami-san, por favor, ouça o que eu tenho para dizer. Não interprete mal o que viu no apartamento, o Ryuki apenas foi a minha casa e-
– Len,… porque me estás a contar isso? Não é da minha conta. (A sua expressão era incompreensível. Não sei dizer se ele está triste, furioso, distante… Isso de facto não me agrada nada…)
– Eu… Eu não quero mal entendidos!
– Tu traíste-me. Depois de te pedir para não saíres do teu cargo, ainda tiveste coragem para entregar uma carta de demissão no dia em que propus a tua irmã.
– Eu traí-o?! Não me faça rir. Você é que me traiu. Eu tenho todos os seus livros, ainda me lembro do primeiro livro que você escreveu, ‘’Futari to Himitsu’’, foi a partir daí que me tornei seu fã. Eu sonhava com o dia em que ia conhecer a famosa romancista Kurogami Akihiko, e no final, não passava de um mero escritor estranho que esconde quem realmente é! Além disso, ainda pediu em casamento a minha irmã depois de fazer coisas estranhas com ela na empresa aos olhos de todos e de me despedaçar o coração! Você não passa de mais um simples escritor, Kurogami-san.
– Ehhhhhhh… Então é assim que te sentias (ele mostrou um sorriso sádico de satisfação…) Coitadinho, tenho pena de ti. Gatinhos nervosos são mesmo fáceis de fazer explodir. Qual seria o verdadeiro motivo para me estares a contar tu isso? Se eu não passasse de uma simples e estranho escritor, justificarias-te?
– Não fique cheio de si. Não quero que o homem com quem a minha irmã se vai casar fique com ideias erradas! Apenas isso.
– Será mesmo só isso? (Ele encostou-me contra um muro, e puxou bruscamente a minha mão).
– Que pensa que está a fazer?! Largue-me!
– Len… (Ele aproximou-se do meu ouvido) Não abandones este cargo. Tu sabes que não o queres fazer, pois na verdade tu –
– CALE-SE! Não tem o direito de me prender, deixe-me ir.
– Não até dizeres que te vais manter neste cargo. A minha carreira depende disso!
– Largue-me já (eu puxei o meu braço com bastante força e consegui soltar-me).
– LEN, ESPERA!
Eu comecei a correr desesperadamente. O meu coração batia a mil e quase que chorava. Naquele momento decidi falar com a minha irmã seriamente e deixar esta cidade. Cheguei à empresa num abrir e fechar de olhos, mas claro, estava completamente esgotado e enervado com tudo o que aquele homem me tinha dito. Mal me encontrei no pátio sentei-me logo. Estava mesmo sem forças. Estive uns minutos parado a olhar para o céu e para as flores de cerejeira. Aquele perfume era realmente inacreditável. Estar ali faz-me perder o controlo e a consciência sobre mim num instante e o facto de ter bebido ontem não ajudou nada. Não tardou a que a minha cabeça caísse. Mas sei que não adormeci. Ainda ouvia e sentia o que se passava à minha volta. Consegui ouvir os passos de alguém a aproximar-se. Olhei para cima, e essa pessoa estava já próxima… Era ele. De uma forma gentil ele ajoelhou-se e sussurrou ao meu ouvido (já percebi que ele tem esse hábito).
– Len, tu não queres abandonar este cargo, porque tu sentes-te atraído por mim (ele pegou no meu rosto) não é verdade?
– (Já com lágrimas a escorrer ainda tive forças para responder àquela provocação) Eu não me sinto atraído por você, Kurogami-san, e sim pela romancista Akihiko Kurogami-san.
– (Ele sorriu) Então, para manteres viva essa romancista, mantem-te no cargo…
– Para a manter viva? Ficar no cargo…?
– Isso mesmo, Len. Agora, diz. Diz que vais ficar.
– E-Eu vou ficar… Eu vou ficar no cargo. (Os meus olhos já estavam quase fechados, sei que estava a uns segundos de desmaiar, e provavelmente, já não estava a responder com cabeça…)
– Lindo menino…
Nisto ele começou a aproximar-se do meu rosto lentamente, e a fechar os olhos à medida que avançava. Cheguei a sentir a sua respiração perto dos meus lábios.
– Kuro-san… (Nisto fechei completamente os meus olhos) O que você está a faz-
– Akiiiiiii?!! Estás aqui?!! Onde estás querido?!!
Era a voz da minha irmã. Isto é tudo o que me lembro até acordar num quarto que não conhecia… Sinto que as coisas a partir daqui irão ficar um pouco complicadas…
Fale com o autor