Fusão
1 Único - Fusão
Notas iniciais
Uso nomes traduzidos porque eu gosto.
Peridot e Ametista estão em um das mãos do templo, apenas as duas, deitadas encarando um céu noturno de verão salpicado com centenas de milhares de estrelas; o cabelo volumoso de Ametista servindo de travesseiro para ambas, e suas mãos unidas com tanta força que era quase como se fosse uma. Os diamantes amarelos nos joelhos e peito de Peridot havia sido trocado por estrelas havia algum tempo; ela era um Crystal Gem agora.
— Hey — chamou Peridot, com seus olhos fixos no céu — Por que Garnet está sempre fusionada? Entendo que não seja para lutar, mas não imagino outro motivo para uma fusão manter-se por tanto tempo.
Ametista soltou uma curta risada. Seus olhos perdiam-se nas estrelas.
— Rubi e Safira se amam tanto que não aguentam ficar separadas. É o que Garnet me contou quando lhe perguntei pela primeira vez.
—E o que significa “se amam”? — fizera uma careta, como normalmente fazia diante de termos por ela desconhecidos.
— Hm, eu não sei exatamente. Rubi e Safira, Rose e Greg. Eu também nunca entendi o que os faz querer estar tão juntos assim. — E fechou os olhos com um suspiro preguiçoso — Mas parece uma coisa boa. Gostar tanto de alguém desse jeito. E nunca estar sozinha.
— Você já se sentiu sozinha?
Ametista não quis responder. Espreitou o olhar, ainda que virado para o céu, e devolveu a pergunta.
— Você já?
— Quando vocês me prenderam neste planeta, sem qualquer comunicação com homeworld. Eu só queria ir embora, não apenas com medo do aglomerado. Estar sozinha me fazia sentir… pequena.
Ametista riu uma vez, e então sua feição tornou-se séria e dolorosa.
— Eu despertei sozinha no jardim de infância, e depois que Rose se foi, eu não conseguia me sentir incluída sempre, era como se eu sempre estivesse sobrando entre Pérola e Garnet.
— E agora? — perguntou insegura, temendo que sua presença não bastasse.
— Agora não mais. — voltou a sorrir, apertando um pouco mais a mão esverdeada.
Peridot sorriu por um momento.
— Será que Rubi e Safira se sentiam sós antes de se tornarem Garnet?
— Eu não sei. Mas já me fundi com elas algumas vezes. Fusões nos fazem sentir tão fortes, e tão aceitas. É como nunca estar sozinha de novo.
Fez silêncio. Ametista pareceu cochilar tranquilamente, enquanto Peridot franzia a testa pensativa.
— Ametista.
— Hm?
— Eu quero… ser aceita.
— Você já é.
— E quero ser forte.
— Com o tempo você aprende a dominar uma arma.
— E eu… Não quero estar sozinha de novo.
Naquele momento, Ametista abriu os olhos de repente. Havia entendido aonde Peridot queria chegar.
A gema púrpura em seu peito brilhou, e ao espiar aquela ao seu lado pelo canto dos olhos, viu o brilho esverdeado na testa de Peridot. Ametista riu desdenhosa.
— Nem eu.
Por puro instinto viraram-se uma para a outra. E embora Peridot nunca tenha passado por experiência parecida antes, o brilho no peito de Ametista parecia dizer-lhe exatamente o que fazer.
A curta distância entre os dois corpos diminuía gradativamente; uma pequena mão verde encaixou sua palma à bochecha roxa, e uma mão robusta tocara a cintura fina. Entre as duas, mão unidas como uma só.
O brilho das pedras cresceu a medida que os rostos se aproximaram, até que o toque enfim criado trouxe consigo uma explosão de luz vista de todos os cantos da cidade. O feixe verde e púrpura dançavam no ar enquanto sua forma moldava-se. Não se sabe ao certo que formato tinham quando a luz se foi.
Das poucas certezas, restavam:
Não eram duas pessoas. Nem uma só. Eram uma experiência. E jamais estariam sós outra vez.
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