Fur Elise
1 Fur Elise - Capítulo Único
Notas iniciais
Eu gosto de escrever histórias de terror, espero que gostem.
Faz nove anos desde que perdi a minha mãe. Ela era tudo para mim, e desde aquele dia, minha vida não faz mais sentido. Eu não tenho amigos, não tenho mais família, não tenho mais coração. Tudo o que me resta da minha mãe é essa mansão onde vivo e aquele piano.
Aquele maldito piano.
Minha mãe amava aquele piano, todos os dias a nossa mansão era coberta de melodias bonitas. O toque suave das mãos de minha mãe nas teclas produziam sons divinos. Até que um dia ela acordou diferente, sentou-se na frente do piano e começou a tocar uma melodia que nunca tinha tocado antes.
Não era nem de longe uma das melodias que minha mãe costumava tocar, não era alegre apesar de ser linda e minha mãe não tocava-a como sempre, seus dedos pesavam nas teclas.Até parecia que ela sabia o que estava por vim.
Quando ela terminou, sorriu pra mim e disse: “Se chama Fur Elise”. Logo depois caiu pesadamente sobre o piano. Morta.
Nunca foi descoberto o motivo da morte da minha mãe. A única coisa que eu sei é que eu nunca encostei um dedo nesse piano, até agora.
Sentei-me no banco vermelho macio em frente ao piano, e devagar pousei os dedos nas teclas. Nada aconteceu. Fiz um acorde. Nada.
Levantei-me e fui tomar um banho. Precisava esfriar minha cabeça.
Escutei algo. Saí do chuveiro e coloquei a cabeça pra fora do banheiro. Nada. Enrolei-me na toalha e andei até meu quarto. Eu tinha ouvido alguma coisa.
Quando cheguei lá, reconheci a linda melodia que era tocada no piano de minha mãe. Fur Elise.
Mas não tinha ninguém a tocando, as teclas simplesmente tocavam sozinhas. Eu estava muito assustada pra gritar. Saí correndo pelo corredor, a caminho da cozinha, a medida que ia me distanciando do quarto o som ia ficando mais baixo, e eu ia me acalmando.
Quando cheguei na cozinha, abri o notebook e pesquisei “fantasmas”.Sim, eu estava desesperada.
Não achei nada de interessante ou que tivesse a ver com o caso. Então optei por outra coisa, abri a caixa de pesquisa e procurei por “Fur Elise”.Me apavorei com o que li. Se você ouvir três vezes a melodia inteira de Fur Elise, você morre.(Nota da autora intrometida: Isso obviamente não é verdade, até porque se fosse eu já tinha morrido.)
A pergunta é: Nessa primeira vez, eu escutei a melodia inteira? Senti alguma coisa pingar no meu ombro, sangue.
Olhei para o teto da cozinha, letras grandes e legíveis cobriam quase todo o espaço: “Só mais duas vezes.”Acho que isso respondia minha pergunta anterior.
Corri de novo até a porta da frente, que por acaso, bateu na minha cara. E logo depois comecei a ouvir a mesma melodia triste de minutos atrás. Dessa vez, ela parecia ser tocada mais devagar. Virei meu corpo. E lá estava o mesmo piano, mas como ele foi parar na cozinha?
Só sei que eu me encostei na parede e desci devagar, me sentando no chão e colocando as mãos nos ouvidos. Tentando não escutar nada. A música continuou por mais alguns minutos, até que finalmente parou.
Tirei as mãos dos ouvidos e olhei para o chão a minha frente. O chão estava vermelho e dizia: “Só mais uma vez.”
Tentei abrir a porta de novo e ela abriu, corri até a casa da minha vizinha da frente, ela disse que eu poderia passar a noite ali se eu quisesse. E é claro que eu quis. Se eu ficasse longe daquele piano, não iria ouvir a melodia. Logo depois, fui dormir.
Ouvi o telefone tocar, a dona da casa pediu pra eu atender, já que ela estava ocupada com o café da manhã. Levantei e caminhei até o telefone.
“Alô?” Falei atendendo o telefone. Ninguém falava nada do outro lado da linha. Desliguei.
Triim Triim. O telefone tocava de novo.
“Alô? Tem alguém aí?” Já estava ficando irritada.Ninguém respondia nada de novo. Mas não desliguei.
“O que você quer, dá pra parar de ligar!?” Gritei. Agora eu escutei alguma coisa. Fur Elise era tocada do outro lado da linha.
Atirei o telefone no chão, que se estilhaçou em pedaços. Então a televisão ligou sozinha, tocando de novo a mesma melodia. Arranquei a tomada e saí correndo. Subi até aonde eu estava dormindo anteriormente e bati a porta. Logo, o rádio que ficava em cima da escrivanhia começou a tocar, peguei e atirei no chão. Mas a melodia continuava tocando, olhei ao redor procurando o que poderia estar tocando Fur Elise. Vi uma antiga caixinha de música, em cima da estante, corri até lá, mas a estante era alta e eu não alcançava na caixinha de música, então gritei e num salto eu acordei.
Estava sonhando. Mas eu estava na casa da vizinha da frente, então era real. Mas, eu ainda não tinha ouvido Fur Elise pela terceira vez. Menos mal.
Desci as escadas e vi que a minha vizinha havia feito café da manhã para mim também. Agradeci e comecei a comer. Tocou o telefone.
“Você poderia atender pra mim? Estou com as mãos sujas.” Me diz que ela não disse isso!
Fui até lá e peguei o telefone nas mãos. Engoli em seco e atendi. Ela parecia mais devagar ainda nessa terceira vez. Como se meu corpo estivesse sendo preparado. Eu sabia que não podia fazer nada. Apenas fiquei ali, apreciando o som de Fur Elise.
Eu podia ouvir, podia ouvir uma doce melodia, tão doce, tão doce quanto a morte.
Notas finais
Como falei anteriormente, esta fanfic foi baseada em um episódio do anime "Histórias de Fantasmas".
Espero que tenham gostado.
Beijos.
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