Notas iniciais
Oieee

Voltei com uma one eba kkkk

Esse plot estava na minha mente a um tempo, com um desafio que entrei acabei usando ele, fiz uma Kaisoo. Agora decidi colocar como havia pensado.

Espero que gostem

Avisinho: Essa fic tem uma versão Kaisoo postada no Spirit, e essa mesma versão no whattpad.

Não revisada, sorry!

Procuro meu celular pelo quarto, coloco no bolso e me olho no espelho. As cores neutras prevaleciam em minha roupa, passo a mãos em meus cabelos e amarro em um rabo. Decido retocar as cores dele essa semana. Desço as escadas, encontro Fernanda praticamente deitada no meu sofá, falaria algo, mas ela passa tanto tempo em minha casa que já estou acostumada. Vejo Lucas sentada conversando com um garota desconhecida para mim.

—Giu – Escuto meu irmão chamar, me viro e o vejo sentado na mesa cercado por cadernos – Se um casal planeja ter três crianças. A probabilidade de que pelo menos uma criança seja menino é de?

Que tipo de pergunta é essa? — É o meu primeiro pensamento — escolhi fazer audiovisual na faculdade por varias razões e uma delas foi à escassez de números. Tento fazer essa conta em minha mente, contudo compreender Bukowski ou Shakespeare era mais fácil para mim.

— O gênero é uma construção social, ninguém nasce homem ou mulher – Respondo da melhor forma que posso.

— Isso não é a resposta, porcentagem é algo simples – A garota que falava com Lucas se levanta e vai até meu irmão. Sinto toda sua incredulidade com minha resposta no momento em que nos olhamos.

A assisto explicar o cálculo de forma correta para meu irmão, meus sentimentos para com ela ficam em um conflito entre raiva e agradecimento. Todos meus sentimentos negativos relacionados a garota se esvaem quando meu irmão a agradece sorrindo, a vejo retribuir o sorriso e percebo o quanto ela era bonito.

— Estamos atrasadas, os outros estão lá – Nanda diz se levantando do sofá e pegando seus pertences que havia deixado sobre a mesa. – Aliás, a gênio dos números é Caroline e essa é a Giulia.

Sorrio para a garota. Caroline, esse era o nome dela, combinava. Entramos no carro do Lucas, me sento atrás junto a recém-conhecida. Seguimos até o centro de São Paulo para encontrar o resto dos amigos e ir para a festa.

— Por que estamos indo a uma festa do pessoal de Engenharia Ambiental? – Questiono – Pessoal de engenharia é sempre tão enjoativo, mesmos assuntos, falta de opinião sobre coisas relevantes, verdadeiros babacas numéricos. Se bem que a Luana é legal, nem parece uma futura engenheira.

— Faço engenharia – Caroline diz, seu olhar me faz sentir um pouco de medo – Não sou um babaca numérico e a Luana não é tão legal assim.

Sinto-me envergonhada pelas palavras ditas, deveria ter previsto que ela fazia algo relacionado a números. As palavras se esvaem da minha mente, simplesmente não sei como consertar a situação. Péssima primeira e segunda impressão.

— Não ligue Cah, a raiva da Giu tem nome, sobrenome, é bem estereotipado e de engenharia mecânica – Nanda explica – E a Luana só é tão legal para ela porque ambas não conversam, unicamente se pegam.

Seu olhar me transmite certo julgamento após as últimas informações dadas. Viro para a janela fingindo observar o ambiente, torço para estar perto do destino. Me sentia extremamente sem jeito perto da Caroline, e talvez não fosse apenas pelo fato de aparentemente sermos antônimos.

Mal chegamos à festa e o casal -Fernanda e Lucas- se perderam. Sigo com Caroline, Emily, Bruna, Matheus e Guilherme até as bebidas. Pego um copo qualquer, me viro e observo o local. Não conhecia muitas pessoas, a vontade de ter ficado em casa e aproveitado a paz antes das provas me domina.

— Se o meu irmão aparecer diz que fui encontrar meu namorado – Caroline diz me surpreendendo. — Lucas é meu meio irmão.

Logo todos os meus amigos acabam se perdendo pela festa. Não queria admitir, mas a festa estava muito boa apesar da minha falta de vontade. Vejo Luana e decido aproveitar já que sai de casa.

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Atroz, era a palavra que definia os meus dias. Estava pensando seriamente que nas vidas passadas fui um dos padres que impediam o desenvolvimento na idade das trevas, porque só assim para as coisas darem tão errado. Desde a festa vivíamos andando pela faculdade eu, Nanda, Lucas e Caroline, o que não deveria ser um problema, contudo, o casal começou um relacionamento sério e deixava qualquer um de lado.

A novata no grupo estava sempre no celular falando com o namorado, ou me ignorando. O único contato que tínhamos era os olhares reprovadores que me eram lançados quando minhas atitudes eram impensadas, ou seja, sempre. Não conseguia a entender, tentava de diversas formas, mas ela era uma folha em branco. Eu amava folhas em branco, eram nelas que podíamos descobrir o melhor de nós, através de palavras e desenhos. Admito, a garota e seu ódio por mim era um mistério pelo qual eu tinha fascínio.

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Todavia, o maior dos meus problemas era o fim da semana de provas. Tinha certeza absoluta que não passaria em Legislação e Mercado do Audiovisual, minhas notas nessa matéria me causavam vergonha. Estava tão frustrado que decidi ficar em casa na sexta a noite. Eu, maratona de How to Get Away With a Murderer e muitos doces para afogar a mágoa da reprovação.

Minha concentração é prejudicada quando meu celular começa a apitar sem parar. Precisava tirar esse toque de mensagens ou colocar no silencioso. Suspiro, odiava quando atrapalhavam meu momento de garota depressiva. Pego o telefone encarando meu papel de parede do BigBang, coloco a senha e entro no aplicativo de mensagens.

Desconhecido: GIULIA?! — — 22:49

Desconhecido: Giu porra! — — 22:53

Desconhecido: Preciso da sua ajuda — — 22:56

Encaro as mensagens em minha tela, fico com receio de responder, mas minha curiosidade fala mais alto. Afinal, o remetente sabia meu nome e apelido, poderia ser um de meus amigos.

Eu: Ajuda em que? Quem é? — — 22:58

Desconhecido: É a Caroline, me encontra naquela cafeteria perto da faculdade? — — 23:00

Eu: Aconteceu algo com a Nanda? — — 23:00

Caroline: Não, tem como vir logo? Não pediria justamente para você se não fosse uma emergência — — 23:01

Eu: Estou indo -- 23:02

Levanto irritada, coloco uma calça jeans, pego uma jaqueta, meu celular, as chaves do carro e saio. Como alguém que supostamente me odeia pede que eu saia de casa no meio da noite sem uma razão explícita? Caroline me frustrava constantemente. Eu a observava com mais frequência do que gostaria de admitir, poderia facilmente fazer uma síntese sobre suas aparentes manias, seus interesses, o que a deixava irritada. Ainda assim, era amplo o conhecimento que não tinha sobre ela. Acelero o carro sem paciência para respeitar qualquer lei de trânsito, ligo o som esperando que isso distraia meus pensamentos.

Deveria demorar pelo menos trinta minutos até a cafeteria, mas levo apenas 17, o que me faz sorrir. Estaciono em frente ao local e procuro a garota com o olhar. A vejo caminhar até o carro, abro a porta e espero ela entrar.

— Você me deve uma explicação! – Tenho certeza que ela sente a seriedade em minha voz pela forma como me olha. – Por que não ligou para o Lucas? Por que chamar a pessoa que odeia?

Acabo descarregando minhas frustrações sobre ela, estava esgotada de toda essa situação. Estava cansada de ser ignorada, de ser deixada de lado, cansada da súbita mudança de humor dela com minha presença. A vejo passar a mão no cabelo, um claro sinal de nervosismo pelo que já observei de suas atitudes. Caroline respira fundo e se vira me olhando nos olhos pela primeira vez em muito tempo.

— Não te odeio, é só que você é sempre tão intensa, tão livre, gostaria de ser assim, ao mesmo tempo em que não gostaria. É complicado. – Sinto sua sinceridade ao falar – Não poderia chamar o Lucas, meu irmão é super-protetor, ele me mataria se soubesse que não terminei com o Vitor mesmo depois do que ele fez, eu não consegui. Amo ele, entende? Mas, acho que agora acabou.

— Há problemas de sintaxe em sua afirmação, não acha? – Pergunto. Me sinto curiosa sobre os motivos do término, porém não pergunto. Não quero estimular qualquer dor emocional.

— Eu não sei o que significa sintaxe – Caroline me diz como se não tivesse importância esse conhecimento – De qualquer forma, você foi a minha única alternativa. Deveria ter ouvido Luke, não sei se tudo isso valeu a pena.

— Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente – Digo enquanto vejo a confusão estampada em sua face – É Shakespeare. Não dá para mudar o passado, você fez o que achou certo. Agora precisa seguir.

Conecto meu celular ao rádio do carro, procuro a música correta, dou play em I lived do One Republic e aumento o volume. Ligo o carro e começo a andar sem destino certo. O silêncio é um tanto desconfortável, entretanto necessário.

— Se você quer saber se algo valeu a pena me responda com sinceridade, se tudo acabasse hoje, você poderia dizer: Eu vivi? – Pergunto, continuo a dirigir, espero que ele reflita sobre a música e me responda.

— Não, eu não poderia dizer que vivi, nem agora nem antes – Carol diz, sinto uma mistura de tristeza e angústia em sua voz.

Seus olhos se encontravam vermelhos, tinha certeza que estava segurando o choro. Me sinto inquieto com suas palavras e atitude. Nunca imaginei que a veria tão frágil, sinto falta do seu sorriso, dos olhares maldosos e do sarcasmo. No momento que vejo a primeira lágrima descer em seu rosto decido trazer a Caroline que conheço de volta. Decido cuidar dela e fazer com que ela possa dizer no final: Eu vivi.

— Então vamos aproveitar cada segundo que essa noite pode dar, para que quando o momento chegar você possa dizer que viveu – A empolgação domina cada parte do meu organismo, reparo que ela parece nervoso com a situação – Não se preocupe, não iremos fazer nada grandioso, afinal os pequenos momentos é que tornam a vida espetacular. Irei te levar aos meus lugares favoritos por hoje, quero que perceba o quanto é fácil se sentir livre, quero que aprenda a apreciar e aproveitar pequenos momentos, sem preocupação.

Não espero uma resposta. Aperto o botão para abrir as janelas do carro, abaixo o volume do som, acelero o carro. Vejo seu olhar assustado quando alcanço o dobro do limite permitido na via, sorrio tentando passar calma.

— E se, e se a gente começar a dirigir? E se, e se nós fecharmos nossos olhos? E se estivermos ultrapassando o sinal vermelho ao paraíso? Porque nós não temos tempo para envelhecer. Corpos mortais, almas eternas. Cruze os dedos, aqui vamos nós — Entrelaço nossas mãos, olho em seus olhos e sorrio — E quando as luzes estão piscando. Como em uma cabine de fotos. E as estrelas explodirem, vamos ser à prova de fogo.

— Olha para frente, não quero morrer hoje – Ela diz tentando soar irritada, percebo que ela está gostando de estar em um carro a toda velocidade, ela está gostando da adrenalina. Noto que ela está feliz pelo seu sorriso ao colocar o braço para fora da janela e o mexer com o vento – Citando Troye Sivan? Eu gosto dessa sensação, é como se meu corpo e mente estivessem em uma transferência por convecção.

Não entendo sua sentença, mas levo como positiva pelo seu sorriso. Volto minha atenção para o caminho, paro em frente a um prédio, um dos meus lugares favoritos. Pego uma garrafa de vodca que estava jogada no carro e desço. Sigo até a lateral do prédio, paro em frente à entrada de funcionários. Olho para Carol me certificando de sua presença.

— Invasão é crime – Seu tom de voz é baixo, mas reprovador.

— Não é invasão se eu tenho a chave – Retiro a chave do bolso, abro a porta e dou passagem para ela. – É da família o prédio.

Após a minha explicação ela aceita entrar. Pegamos o elevador até o último andar. O silêncio entre nós deixou de ser sufocante, é reconfortante agora. Sigo até uma das últimas portas do corredor, abro com uma das minhas chaves e subo as escadas até o telhado.

— Beber em um telhado faz com que se sinta vivo? – Mais uma vez Caroline me lança um de seus olhares indecifráveis.

— Você reclama muito – Seguro em sua mão e a puxo para o meio do local. – Ver o céu, à noite em seu completo esplendor e a cidade com suas luzes me faz sentir vivo, faz eu me sentir parte de algo, me inspira.

—Feche os olhos, confie em mim – Digo me aproximando devagar, ela reluta um pouco, mas faz o que peço. – Respire fundo e apague tudo de sua mente por alguns segundos. Não tente entender o mundo, apenas admire. Esqueça todo o bom senso, use apenas o coração. Agora abra os olhos, e veja todas essa paisagem. Preste atenção na beleza, não dá para apreciar verdadeiramente as coisas estando com a mente turbulenta.

Seu sorriso ao admirar a vista de cima da cidade era lindo, ela estava admirando a paisagem e eu estava a admirando. Sento no chão e a puxo comigo. Abro a garrafa e bebo alguns goles. A vista de cima do prédio era uma de minhas favoritas, a noite sempre foi inspiradora para mim, por alguma razão que desconheço.

— Eu te faço uma pergunta e em seguida você faz o mesmo – Sugiro para passarmos o tempo e nos conhecermos. Caroline assente então começo a brincadeira. – Disse que não me odeia, então por que me ignorava?

— Tem algo em você que me deixa confusa, somos opostos também e sinais diferentes da negativo. É como se você fosse colorido e eu preto e branco, você admira a beleza das coisas e eu tento entende-las. Você também é tão segura com quem é, com sua sexualidade e eu sempre em dúvida – Caroline diz desviando o olhar e pegando minha bebida. Me surpreendo um pouco com a resposta. — Tem o fato de eu ser uma incógnita e você não gostar de matemática. Por que ficou tão irritado quando não participei daquela competição?

— Precisa quebrar seus paradigmas em relação a opostos, eles podem ser complementares afinal. — A encaro sorrindo, penso em uma resposta plausível para aquela pergunta e decido citar uma frase de um livro que me lembra ela – Qual o sentido de estar vivo se você nem ao menos tenta fazer algo extraordinário? Você tem um talento incrível, deveria mostrar isso para as pessoas. Quer ir a outro lugar?

— Quero. Espera, você citou: O Teorema Katherine? – Ela reconhece de onde tirei a frase, isso me surpreende de certa forma já que o único livro que a vi lendo continha cálculos – Não me olhe assim, li o livro. Aposto que não leu o apêndice onde explica como o teorema funciona matematicamente.

Caroline está certa, não li. Se o autor diz que não é preciso ler se não gosta de matemática, eu escuto o conselho. Me levanto e estendo minha mão para a ajudar. Descemos até o carro em silêncio. Gosta da forma como se tornou confortável e acolhedor estar na presença dela, mesmo com a ausência de palavras.

Passo no drive de um fast food e compro milk-shakes. Deixo que ela escolha uma música enquanto não chegamos ao próximo destino e acabamos ouvindo The Strokes. Sigo me afastando cada vez mais da cidade, o caminho já não tem tantas luzes e tanto movimento. Paro o carro perto de uma espécie de mirante.

Saio do carro, pego meu milk-shake e me sento no capô. Espero Carol fazer o mesmo e me ajeito melhor em cima do veículo. Gostava desse lugar, pois era um dos poucos que dava para ver o céu completamente estrelado.

— Não é lindo? Meus pais nós traziam aqui quando era mais novo e ensinavam as constelações – Digo virando meu rosto em sua direção – Acredito que cada átomo do nosso corpo já foi uma estrela.

— É realmente lindo – Ela sorri para mim. Sempre achei seu sorriso bonito, mas o sorriso que foi direcionado para mim naquele momento era perfeito. Havia conseguido a deixar feliz, isso compensava toda a noite. – Acho que quebrei o paradigma que queria, somos opostos, porém você me ensinou algo hoje, aproveitar o momento, o agora, esquecer o que passou e o que irá passar. A vida é agora e a felicidade pode estar em pequenos momentos, pode estar onde menos se espera. Obrigado Giu.

O que aconteceu a seguir me surpreendeu mais que descobrir a identidade do príncipe mestiço, ou o final do livro mentirosos de E. Lockhart, mais surpreendente e chocante do que o Trump presidente. Caroline me beijou, e eu correspondi. Foi um beijo simples, no entanto foi mais emocionante do que dia de comebacks e o anúncio da sequência de Animais fantásticos e onde habitam.

— De nada – Sorrio entrelaçando nossas mãos – Sempre que precisar se desligar de tudo estarei aqui, eu entendi essa noite uma coisa, eu gosto de você.

Deixei Carol em casa quase cinco horas da madrugada. Levaria uma bronca por sair sem avisar e voltar tarde. Mas valeria a pena depois de passar horas trocando beijos com a pessoa que gostava. Agora entendo, toda minha frustração pela falta de atenção e todo meu fascínio por ele eram meus sentimentos por ele não admitidos.

Cah ♥: (x2 y2-1)3-x2y3=0 -- 5:31

Eu: ? ? ? ? ? ? ? – 10:11

Cah ♥: O seu modo de mostrar que gosta de alguém é levar aos seus lugares favoritos, o meu é dessa forma. Resolva a equação. – 10:19

Estaria mentindo se afirmasse que resolvi, pedi ao Caio para me fazer esse favor. Era a pessoa mais inteligente e também a única que não contaria a Carol que não soube resolver e pedi como favor. Tinha a Luana como opção, contudo apenas o seu nome já irritava a Caroline. Tinha certeza que era ciúmes, mas ela nunca admitiria.

No fim a equação formava um gráfico em forma de coração, era conhecido como equação do amor. Era a forma de ela dizer que também gostava de mim, pela primeira vez eu amei os números. Sentia que muitas opiniões seriam mudadas nessa história, não apenas a minha. Eu a faria viver de verdade cada segundo a partir de agora.

Notas finais
É isso cupcakes, gostaram?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!