Fumetsu no Ai
14 O último suspiro - Saigo no Agaki
Notas iniciais
Mas espero que gostem.
Não havia mais tempo para esperas.
Meu coração estava tão rechaçado por dentro, que nem mesmo lágrimas eu era capaz de derramar.
Minha face estava obscura, não havia mais emoções, não havia mais dizeres.... Não sobrara nada para mim, ela havia tirado tudo o que eu amei...
-Pausa.-
Então, eu deveria tirar tudo dela também... E com um golpe tão forte e tão intenso, para nunca mais ser esquecido.
Minhas feridas cicatrizaram... As do meu corpo, mas as que viviam em meu coração eram fendas abertas, que jamais cicatrizariam.
Estávamos alojados na casa de Ted... Teto estava entrando nos últimos meses de gestação. Suas mãos gentis que cuidaram das feridas do meu corpo... Numa noite, levantei-me e sai do quarto onde costumava ficar. Todos estavam numa sala tentando formular um plano.
-Meiko. – minha voz soou fria e firme. Ela engoliu seco e todos me fitaram;
-Hai, Rin-san.
-Quero que vocês apressem a montagem do plano de ataque. Quando chegar a lua cheia, em 5 dias, quero tudo pronto para acabar com tudo o que ela mais ama.
Fitaram-me com certo medo, eu me retirei. Eu havia me tornado alguém oco... Não havia mais dor... Não havia mais coração ou lágrimas... só feridas.
Haku: -ela esta sem emoções...
Meiko: — A senhorita perdeu tudo, o que esperavam dela?
Ted: — Mesmo assim... Ela quer vingança... E apesar de temer por minha vida, eu vou dar essa vingança a ela.
Teto: — Ninguém vai mais morrer neste solo Ted... Talvez o único sangue que suje esta terra, seja o sangue profano de quem causou toda essa dor.
Isso nenhum de nós sabia se iria ou não acontecer, mas atacaríamos, mesmo que fosse para morrer.
Neru ainda servia a Luka, mas secretamente conseguia as informações para nós. Logo, tínhamos todas as informações sobre armas, suprimentos, sobre os nobres e suas famílias, além das forças de apoio que ela dispunha.
Luka andava ocupada demais para se preocupar com o restante dos Sakura no Kaze. Ela começara um ataque a uma vila vizinha, então seus olhos estavam voltados para aqueles ataques. Isso dava uma ótima chance, já que atacaríamos de dentro de sua própria vila.
Devem-se perguntar como tínhamos suprimentos e armas para este plano...
Pois bem, graças às habilidades de negociação de Haku com algumas vilas vizinhas conseguimos adquirir explosivos de boa qualidade, além de espadas e comida.
O plano era simples, havia exatamente 6 casas principais em torno da vila. Nestas os guardas e a policia de Luka se mantinham divididos em batalhões, e dispunham de comida; depois havia 3 casas de armazenagem de comida e armas, mais no centro. Essas nove casas seriam os alvos iniciais, onde colocaríamos os explosivos.
Quanto às explosões começassem, Haku e Ted deveriam libertar os nobres e suas famílias, enquanto Meiko e eu seguiríamos para a casa do meu falecido marido, onde Neru manteria Luka presa até a nossa chegada.
Simples, talvez só no modo de falar não é?
Mas bem, foi isso que fizemos. Os explosivos foram colocados nas nove casas principais pouco antes do anoitecer.
Primeira fase estava concluída.
A lua nascia bela e cheia no céu. Uma bela visão eu diria. Meu kimono estava entreaberto. As faixas de ataduras estavam à mostra. Havia uma kodachi (espada curta) em minhas mãos, sim eu sabia usá-la. A embainhei e sai. Meiko já me esperava.
-Vamos Meiko.
-Hai, Rin-san.
Juntamos-nos a Ted e Haku. Partimos.
Teto estava com o coração nas mãos e rezava por nossa volta... Ela queria que o filho dela conhece-se o pai e seus melhores amigos.
Movíamos-nos como o vento. As explosões começaram chamando a atenção de todos. Corpos carbonizados, fogo e destruição... Foi este nosso rastro naquela noite.
Meiko e eu seguimos para a casa de meu falecido marido. Ted e Haku foram libertar os reféns.
Tivemos uma surpresa agradável... A população oprimida saia nas ruas combatendo os últimos guardas restantes.
Eles queriam o fim daquela tirania.
Enquanto isso Luka ficara sabendo do que acontecia. Sua ira apareceu de imediato. Mandou preparar seus homens que ela mesma daria cabo dos “arruaceiros”. Porem, teve uma doce surpresa...
-Estamos trancados? Meu batalhão esta morto?
Seu grito de raiva foi insurdecedor.
-Problemas com os seus oficiais incompetentes? Acho que eles gostaram de provar das minhas adagas.
-Neru... Eu devia ter imaginado...
Neru sorriu.
-Eu sei que portões fechados não te segurariam, ai resolvi fechar a casa e matar seus homens. Acho que você se esqueceu como os Sakura no Kaze são habilidosos.
-Ora sua...
Uma luta entre as duas começou, Porém era obvia que a habilidade de Luka com a katana era bem superior a de Neru.
Akita não demorou a cair ferida no jardim.
-Vou te ensinar como traidores morrem.
Um estalo do vento. Um chute.
Meiko havia chegado em cima da hora, acertando a mão espada de Luka com seu pé, fazendo a espada cair longe, ficado no solo.
-Meiko...
-De joelhos Luka. – Meiko tirou sua kunai e apontou para ela. A outra obedeceu, muito a contra gosto.
-Então é você que vai me matar? Ridículo, isso não vai trazer seu mestre de volta a vida.
-Não sou eu quem irá decidir se sua vida será tirada ou não.. e sim, ela.
Meiko apontou para as sombras. EU saltei da arvore e caminhei ate que a luz do luar mostrasse bem meu rosto para aquela mulher.
-Eu... Eu... EU matei você!
Ela estava em estado de choque, era como se visse um fantasma.
-Não... Quem você matou foi meu irmão gêmeo.
Os lábios dela tremeram, Neru estava de pé do lado direito de Luka, enquanto Meiko estava do lado esquerdo. Pela primeira vez vi sua face em mais completo terror.
-Não vou matar você... Apesar de ter tirado aqueles que eu mais amava. Você vai viver com a sua dor ate os seus últimos dias de agonia, guardando meu rosto no fim da sua invasão. Lembrando das mortes que você causou e de toda a dor. É esta a minha sentença para você.
Sua face ficou obscura, com um movimento não previsto por Neru ou Meiko, ela as derrubou e tomou a kunai para si, investindo contra mim. Eu ia desembainhar a kodachi, porém seria tarde demais... Ela era mais rápida que eu... Seria esse meu fim?
Gotas de sangue caíram no chão.
Não eram meus e sim dela...
Minha kodachi ainda estava embainhada...
-Eu disse que te mataria se você ousasse encostar nela.
Cabelos esvoaçantes, olhos bem azuis. A lua estava atrás dele.
-Você... – A voz de Luka já faltava, sua mão estava ensangüentada e com uma shuriken em fincada nela.
Meus olhos não acreditavam no que viam... era uma alma... um anjo...
Estava em choque. Seu kimono estava aberto, a faixa em seu tórax denunciava o ferimento da ultima luta.
Ele estava vivo?
Gakupo realmente estava vivo?
Ele saltou, caindo perante Luka. Segurou seus cabelos para trás, de forma violenta, fazendo-a levantar bastante o queixo.
-Você achou mesmo que um golpe ridículo daqueles iria me matar? Hora Luka que ridículo da sua parte. Eu jamais morreria para um ser desprezível como você.
Ele apontou a katana para o peito dela.
Meus olhos se fecharam.
O braço dele se moveu e... parou. Minhas mãos o impediram de continuar.
-Por que? – sem olhar para mim ele perguntou.
-Porque ela merece pagar pelo que fez, a morte é um castigo brando demais para ela.
Ele sorriu e abaixou a espada.
-Esta certa....
Algum surgiu.
-Kamui-san, os nobres foram libertos, os últimos ninjas aniquilados e sua irmã e Kaito-san estão bem.
-Obrigado Ruko...
Neru fitou a recém chegada, assim como Meiko.
-Vocês três, levem este ser antes que eu realmente deseje matá-la.
Elas consentiram e levaram Luka. Ficamos ali no jardim, em silencio por muito tempo.
Do mesmo modo que havíamos ficado depois que ele decidiu não matar nossa inimiga.
O vento soprava.
Um sussurro.
Um movimento...
Um beijo... com direito a um abraço apertado.
Lágrimas por minha face...
Era ele que voltava para mim.
Fale com o autor