Fullmetal Alchemist Os deuses caídos
8 Capítulo 8 - Leitura Proibida
Notas iniciais
–Você quase morreu Ed!
–Quase, já que não morri pode relaxar então Al?
Alphonse deu um longo suspiro de desaprovação, jogando no meu rosto a minha jaqueta limpinha enquanto voltava para casa a passos largos. Eu não tirava a razão dele estar tão furioso comigo, afinal realmente fiquei entre a vida e a morte se não fosse a Valerie que tivesse me salvado no ultimo momento.
Preferi nem pensar muito no assunto, pelo menos a confusão da manhã havia passado e para minha sorte Alphonse conseguiu aliviar minha barra mentindo que eu havia levado Valerie até a estação para ver se as supostas malas extraviadas tinham chegado. Winry ficou brava comigo de qualquer forma, alegando que eu era um idiota por deixar a garota sozinha numa cidade desconhecida.
Isso pouco importava agora, pois havia se passado algumas horas e a Valerie não havia retornado ainda. Eu e Alphonse ficamos preocupados, será que havia acontecido alguma coisa? Outra criatura celestial apareceu e ela foi confrontá-lo? A única maneira de obter as respostas seria ir procurá-la... Entretanto, ao abrirmos a porta deparamos com ela segurando algumas sacolas.
O que foi um alívio e ao mesmo tempo me irritou.
–Valerie! Onde você estava? Tem ideia do quanto ficamos preocupados?! – Disse rispidamente.
Ela me encarou sem demonstrar alguma expressão, apenas distribuiu as sacolas igualmente para mim e meu irmão sem dizer uma palavra e depois entrou na casa. Antes que eu pudesse perguntar que raios havia naquelas sacolas pesadíssimas, Alphonse me mostrou um bilhete que estava pendurado em uma das sacolas e no bilhete estava escrito:
Não questionem, a aula de vocês começou. Traga esses livros e pergaminhos para meus aposentos e por favor, não os abram sem minha supervisão.
Ps: Não digam nada e permaneçam em silencio, estamos sendo vigiados.
Vigiados? Como assim?! Tentamos segui-la o mais rápido que conseguíamos, entramos no quarto de hospedes ofegantes e finalmente pudermos deixar as sacolas no chão. Assim que entramos no aposento, Valerie que se encontrava encostada sobre a janela fechou-a deixando o quarto iluminado apenas pela porta aberta atrás de nós.
Ela removeu de uma das sacolas algumas lamparinas, acendendo-as e posicionando estrategicamente sob cada canto do aposento ao passo que pediu para que eu e Al tirássemos os livros e pergaminhos das sacolas, colocando-os sob a escrivaninha e onde mais pudéssemos depositá-los.
–Pronto, está tudo organizado... Agora você pode nos explicar o que está acontecendo? – Perguntou Alphonse se sentando na cadeira ao lado da deusa.
Ela pegou uns dois livros grossos, abriu um pergaminho no chão então distribuiu ambos os livros para cada um de nós.
–Desculpe tê-los preocupado, não foi minha intenção. – Ela disse dando um leve sorriso — Tive certo trabalho buscando esses livros com Thoth... Mas não importa agora. Sinto que estamos sendo vigiados, logo preciso ensiná-los algumas técnicas para que vocês possam se defender de tais forças sobrenaturais.
Ela pediu para que abríssemos os livros em páginas de números opostos, porém havia um problema: o idioma dos livros era desconhecido para nós! Todo o conteúdo de ambos os livros estavam transcritos em desenhos estranhos, signos e não faziam o menor sentido até que ela proferisse algumas palavras e tudo começasse a ser traduzido instantaneamente, mas tudo o que estava escrito ainda não fazia sentido algum.
–Antes de começarem a ler, preciso que vocês prometam que não irão ler e muito menos folhear além das páginas que pedi. – Ela disse em um tom sério.
–Está bem, iremos fazer isso... Mas por que não podemos ler além? – Perguntei incrédulo.
–Esses são livros escritos pelo próprio Thoth, um deus da escrita e do conhecimento de um povo não existente nessa realidade. O conteúdo dos livros é perigoso, podem enlouquecer vocês e trazer a morte prematura, apesar de conferir poder sobre a terra, o oceano e os corpos celestes, além de desenvolver a faculdade de interpretar a linguagem dos animais, de ressuscitar os mortos e de fazer trabalhos à distância...
Ficamos encarando-a boquiabertos com tamanho poder, apesar de letal, que tínhamos em mãos. Ela pediu que lêssemos apenas 2 páginas, o que achei pouco de início, mas o conteúdo era tão complexo e fascinante que fazia sentido do porque apenas duas páginas seriam lidas: as páginas falavam de anulamento de feitiços e técnicas de bloqueio contra poderosas magicas ofencivas.
Ao terminar minha leitura, parecia que horas haviam se passado e de alguma forma eu me sentia exausto, como se não tivesse lido apenas duas páginas, mas dez livros inteiros sobre alquimia avançada. Olhei para Alphonse, ele também havia terminado sua leitura e pela sua expressão deveria estar sentindo o mesmo. Valerie parecia estar meditando sob o que parecia ser um circulo de transmutação esquisito, de alguma forma ela deveria estar em algum tipo de transe ou coisa parecida, eu e Al decidimos não atrapalhá-la. Guardamos os livros entre os demais que ela havia trazido depois saimos do quarto silenciosamente.
Ao sairmos do quarto percebemos que a casa estava muito quieta, sinistramente quieta. Não fazia idéia do tempo que passamos lendo, mas já deveria estar noite pois os corredores estavam escuros demais e o que mais assustava era o fato de não haver sinal de Pinako e Winry.
Algo claramente errado havia acontecido.
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