Notas iniciais
Pode conter alguns spoilers implícitos para quem não terminou o mangá/anime (FullMetalAlchemist Brotherhood).

Estava um belo dia ensolarado em Resembool. Eu estava sentado na estação por pelo menos uns trinta minutos e ao que tudo indicava o trem que Alphonse pegou deveria ter se atrasado por algum motivo, ou eu que me adiantei demais.

Já se fazia uns dois anos que eu não voltava a minha cidade natal, como não tinha muita coisa para se fazer enquanto esperava meu irmão decidi dar uma pequena volta pela cidade. Eu adorei observar como a cidade não havia mudado muito durante minha viagem de pesquisa ao Ocidente, foi ótimo reencontrar alguns conhecidos durante minha pequena andança pelas proximidades da estação. Felizmente não precisei esperar muito mais, o trem logo chegou e finalmente reencontrei meu irmão depois de dois anos.

Assim como eu, ele estava muito feliz em estar de volta e tinha muitas histórias e estudos para me contar. Antes de voltarmos para casa decidimos passar numa floricultura comprar umas flores para deixarmos sobre o tumulo de nossa mãe, afinal hoje era o aniversário dela.

No caminho para o cemitério, Alphonse me contava de como Xing era um país enorme cheio de maravilhas naturais e com uma cultura muito interessante que é extremamente enraizada com a alquimia que eles utilizam. Ele também me contou que a população estava muito contente com o governo de Ling Yao, a economia do país tinha avançado muito e os conflitos entre os clãs haviam diminuído desde que o novo imperador tratava a todos com igualdade.

–Apesar de tudo Ed, o que mais me fascinou foi a mitologia de Xing. Lendas fantásticas, criaturas celestiais que ensinavam os homens conhecimentos secretos, épicas batalhas...!

–Você foi para Xing estudar alquimia ou mitologia? – Eu disse num tom zombeteiro.

–Não tem como separar um estudo do outro, a alquimia de Xing é cheia de superstições e mitos. Por isso tive que me especializar em mitologia também – Concluiu ele.

Chegando perto do cemitério reconhecemos um cachorro que estava no meio do caminho: era Den e provavelmente tinha fugido de casa por que iria tomar banho tendo em vista o estado imundo que ele se encontrava. Ele veio contente em nossa direção, por mais que tentássemos evitar que ele pulasse em nós não demorou a que ele derrubasse-nos no chão e nos sujasse com patas de barro e terra e baba.

–Den você está fedido! – disse tirando o cachorro de cima de mim – Assim a Winry irá ficar brava conosco também!

–Tarde demais Ed, você já está cheio de terra! – Riu Alphonse enquanto se levantava.

Tentei tirar o excesso de terra e marcas de patas de meu jaleco, mas parecia impossível já que Den persistia em continuar pulando em mim toda vez que eu tentava me limpar. Continuamos nossa caminhada ao cemitério, sujos de terra e com o cachorro nos acompanhando sem saber que iríamos levá-lo para o banho depois (seria minha pequena vingança já que ele sujou meu jaleco novo).

Ao chegarmos ao cemitério percebemos que Den havia ficado apreensivo com o local por algum motivo, o que é esquisito tendo em vista que ele sempre nos acompanhava até aqui e nunca tinha ficado desse jeito. Para nossa surpresa e espanto, perto de algumas lápides um circulo de transmutação que jamais havíamos visto começou a se desenhar sozinho no chão enquanto um estranho vento era irradiado dele.

Quando o circulo se completou, uma forma abstrata que lembrava um portal se abriu e dele uma criatura azulada grande saiu e caiu ao lado do circulo de transmutação logo que esta se desativou. A criatura se assemelhava a um dragão com quatro braços e um corpo esguio comprido com asas que pareciam estarem consumidas por um fogo esbranquiçado, seu corpo estava coberto com marcas de balas que estavam sangrando muito.

–É um dragão celestial! – Disse Alphonse apreensivo – Em Xing eu ouvi lendas sobre tais criaturas, mas não imaginava que seriam reais!

–Reais ou não, eles são perigosos?! – Eu disse enquanto observada o dragão emitindo grunhidos de dor ao tentar se levantar.

–Não exatamente!

–Essa resposta não ajuda em muita coisa Al! – Respondi em um tom irônico.

Tínhamos de tomar uma atitude rapidamente porque aquele bicho estava dando sinais que poderia nos atacar a qualquer momento, não me importava se fosse um dragão celestial, pois se representasse perigo às pessoas eu teria de fazer algo a respeito. Ele abriu suas enormes asas sobrevoando sobre nós, porém ele caiu alguns metros de distância quebrando algumas lápides com o impacto.

A criatura olhou para nós profundamente enquanto se contorcia de dor e então pudermos ver claramente um pedido sublime de misericórdia naqueles olhos azulados como safiras, um olhar que fazia-nos sentir desalmados se quisesse matá-lo. Logo não podíamos deixá-lo morrer, não importava se a criatura poderia ser perigosa ou nos atacar depois.

Tínhamos de fazer a coisa certa.