Fullgás.
2 Why so shy?
Notas iniciais

| Alguns meses depois |
| Após a declaração |
Aquela havia sido a primeira aproximação de Jungkook e Jimin. Após algum tempo sentado no banco da praça — esta que foi, ironicamente, palco do primeiro encontro tempestivo dos dois — notou que o efeito sedativo do band aid imaginário se dissipava e em seu lugar instalava-se uma angústia que mal cabia dentro de si.
Ele sabia o porquê. No fundo, queria que o outro tivesse correspondido. Ou quem sabe tido uma reação menos... Negativa? Bufou. Porém, em sua mente não havia razão plausível para uma recíproca partida do menor. Eles se davam bem, isso era verdade. Tinham bastantes coisas em comum e, aparentemente, Jimin era excessivamente carinhoso consigo — até mais que com os outros -. Mas isso talvez se devesse ao fato de Jungkook ser o "caçula" do grupo, tal fato estimulava maiores cuidados por parte de Jimin. Remexeu-se irritado, bagunçando nervosamente os cabelos enquanto fitava o chão. Queria carinho, mas não algo fraterno.
E, apesar do desentendimento que ocorreu na primeira vez que se viram, eles se deram muito bem. Jimin é uma pessoa tão fácil de lidar quanto de se agradar. Apesar de possuir uma personalidade um tanto arrogante o ruivo quase sempre carregava um sorriso bobo no rosto, que combinava perfeitamente com sua ingenuidade. Chegava quase a ser infantil. Também era dono de uma inteligência razoável. E de um senso de humor bastante interessan- Pare idiota! Repreendeu a si mesmo após notar que estava listando as qualidades do mais velho como uma garotinha apaixonada enumera as infinitas qualidades de sua paixonite. Tal percepção o irritou mais ainda. Cruzou os braços e franziu o cenho involuntariamente. Sempre o fazia quando algo lhe chateava. Naquele passo, acabaria com malditas rugas!
Para o mais novo não é difícil notar as coisas. Sua personalidade é bem observadora e aquela não era a primeira vez que repreendia a si mesmo por pensamentos semelhantes. Ele sabia o que estava ocorrendo desde que pôs os olhos em Park Jimin. Ele não era estúpido.
Seus olhos perseguiam Jimin de forma involuntária, quase natural. O observavam cuidadosamente a fim de memorizar algumas de suas manias e expressões. Como por exemplo, o som de sua risada que recordavam um soluço fofo ou a feição abobalhada que tomava seu rosto quando o ruivo estava divagando silenciosamente sobre qualquer assunto aleatório. Jeon sabia lidar com Park, o entendia perfeitamente. Já a si mesmo... Aquelas sensações não lhe eram familiares. Se fechasse os olhos, poderia ver o sorriso inocente de Jimin memorizado de forma nítida em sua mente. Mas a queimação no estômago e o aperto no peito que tal recordação lhe trazia... Ah, isso o moreno não entendia. Era algo novo para si.
Imagine! Já não sabia como lidar com as emoções corriqueiras, quem dirá tratar de uma paixão desse calibre? Seu cérebro, de certo, pifará.
Ainda mais quando mirava o ruivo e o pegava retribuindo seus olhares furtivos. E algumas vezes permaneciam assim por longos minutos, parecendo disputar quem observa mais quem, ou quem secava mais quem. Jungkook já até pensou na possibilidade, mas era algo muito estranho para ser verdade. E mesmo que fosse... Como seria? Algo como um drama ou comédia romântica. Ele seria quem? O homem ou a mulher? Mas são dois homens, oras...
| Algumas horas e distancias dali |
Jimin havia chegado a seu apartamento, o mesmo estava vazio. Era vazio. Só havia ele, os móveis e seu cachorro que no momento não se encontrava ali. Morava sozinho e trabalhava por seu sustento. Seus pais moravam em outro estado, mas sempre que possível viajava para poder visitá-los.
Assim que entrou em seu quarto se dirigiu ao banheiro e tomou um banho demorado. Vestiu uma roupa confortável e deitou na cama de casal desarrumada, que naquele instante aparentava ser grande demais pra si. No decorrer de todo esse processo, retardou os pensamentos acerca do dia que se sucedeu, os reservou para essa hora específica, quando encontrava-se deitado de forma relaxada. Era como um ritual particular.
Havia sido presenteado com algumas surpresas com as quais ainda tentava lidar.
Hoseok estava mais estranho a cada dia? Ok.
Comeu o que não devia? Ok.
Jungkook se declarou? ...
PUTA MERDA!
O quê fazer agora? Ele veria o garoto essa semana ou talvez na outra. Sem mencionar que sua reação foi a pior possível. Simplesmente sair correndo. Jimin se encolheu na cama, fechando os olhos. Se fosse outro poderia até ter se magoado com aquela cena ridícula. Ou será que de fato não havia se magoado? Pode jurar que se tratava de uma atitude de repúdio. Quase homofóbica. Mas isso não fazia o menor sentido. Park Jimin era gay, disso não tinha dúvidas.
É estranho pensar que um gay fugiu de um garoto — bem bonito, vale lembrar — que acabou de se declarar. Na verdade, é estranho qualquer pessoa fugir de uma demonstração de afeto de forma tão estapafúrdia como ele o fez. Mas, por outro lado, quem havia se declarado era Jongkook. Jeon Jongkookie. Tal fato por si só era extremamente inesperado, até mesmo um pouco improvável. Está certo que Jimin poderia fazer qualquer um se apaixonar facilmente, mas – brincadeiras a parte – ainda se tratava de algo muito chocante.
O garoto era uma pokerface ambulante. Parece que foi impressa uma versão realista e humanizada do meme e colocaram como face para o moreno. Não que ele fosse feio ou parecido com uma animação boba da internet, longe disso. Muita gente o achava bastante atraente, inclusive Jimin, apesar de nunca ter demonstrado segundas intenções para com o rapaz ou ter tecido pensamentos maldosos acerca do mesmo.
Bem, talvez isso não fosse de um todo verdade... Mas quando ocorriam, eram de forma automática. Não tinha culpa de Jeon ter ações por vezes tão adoráveis. Porém, em contra partida a seus gestos amáveis, o garoto simplesmente possuía uma feição imutável de desinteresse em todas as ocasiões possíveis, tal qual uma perfeita bunda. Aliás, seria mais cabível dizer para Jeon que seu traseiro se parecia com sua face do que vice-versa, tendo em vista que seu rosto era a perfeita ilustração para a tão usada expressão "Cara de cu".
Imaginar o garoto apaixonado e ainda por cima por Jimin era como achar uma maleta cheia de dinheiro na rua e um cartão endereçado a sua pessoa. Só em sonhos. Não iria mentir, estava bem feliz, mas isso só deixava tudo mais confuso. Não havia notado nenhuma reação dele, as pessoas geralmente demonstram isso. Certo?
Suspirou se remexendo na cama. Nem fome tinha. Uma raiva lhe invadiu. Nem para se declarar direito o garoto prestava. Apenas despejou tudo no mais velho de forma simplista, como sempre fazia, seja qual fosse a situação tratada. Mas aquela não se tratava de uma situação qualquer. Patife! Repreendeu o mais novo mentalmente, como se o mesmo pudesse ouvir-lo de alguma forma.
Jimin queria dormir, de verdade. Precisava. Mas não conseguia porque estava realmente mexido com tudo isso. Ficou tentando reviver todas as vezes que notou alguma reação do mais novo para consigo e era ocasiões tão raras que seria mais fácil ele virar um dos baixinhos do DVD da Xuxa do que realmente encontrar pistas desse sentimento partido de Jungkook.
| Alguns meses antes |
| Aula de dança |
Jungkook era um filho da mãe. Daqueles que dá vontade de esganar. Além de bonito e inteligente, sabia dançar muito bem. Só não era melhor que Jimin porque o mesmo nasceu para isso, mas ainda assim irritava o ruivo. A cada coreografia inventada por Hoseok, que, diga-se de passagem, não eram nada fáceis, o garoto aprendia mais facilmente. Alguns passos ele conseguia realizar antes mesmo de Jimin fazê-lo.
Já havia se passado um mês desde sua matrícula. O garoto vivia muito perto da escola, quase do lado, então convenceu os pais a mudar o horário. As aulas começavam às 18h e iam até as 22h e eram tão divertidamente interessantes que o mais novo acordava quase todo dia sorrindo. Às vezes chegava à escola e até mesmo cumprimentava as outras pessoas, atitude pouco comum para alguém tão introvertido como o moreno.
Quando o mais novo não estava dançando, ele descansava junto aos novatos e via os alunos mais antigos de Hoseok treinarem como ele. Dentre os alunos estava Park e percebia-se que o ruivo realmente amava aquilo. Quando estava ali era difícil conseguir prestar atenção em outra coisa, pelo menos para Jeon. Era como ser hipnotizado e não conseguir desgrudar os olhos.
Ele observava tudo, os pés se movendo, o quadril e as pernas rebolando, as expressões que mais se resumiam em morder os lábios fartos. Tudo fazia Jungkook ter curiosidade e vontade de saber mais sobre aquelas manias. Era estranho porque algumas pessoas notavam sua fascinação exacerbada por Jimin, mas não verbalizavam nada já que muitas vezes o acompanhavam na observação, embora de modo menos intenso.
Quando a musica parou e Hope fez mais alguma palhaçada Jimin soltou risadas espontâneas e, curiosamente, aquilo recordou soluços. Tal percepção o contagiou e o fez rir também, Park tinha uma voz fina e gostosa de ser ouvir.
— Se montássemos uma banda, ele seria o vocalista. – murmurou Jungkook, colocando seus pensamentos para fora novamente sem querer.
— Se apaixonou tanto por minha voz assim? – Jimin zombou e o garoto corou com o comentário. – Tô brincando, provavelmente eu dançaria mais. Ou seria o “abs” do grupo. – falou fazendo aspas com as mãos para da ênfase. Jungkook não entendeu a gíria e o ruivo revirou os olhos. – Abs é abdômen. Olha só – e levantou a camisa, depois puxou a mão do garoto e a esfregou em sua barriga. – Eu tenho tanquinho. No grupo, seria eu quem arrancaria a camisa.
Aquele comentário fez Jungkook corar mais do que já fez em toda sua vida. Na verdade, seu corpo reagiu como nunca havia feito antes. Sentir aqueles quadradinhos duros em seus dedos e a pele suave fez seu corpo todo esquentar. Desde as pontas dos dedos da mão até os dos pés.
O mais novo não conseguia nem proferir uma palavra e com as forças que tinha deixou cair a cabeça e tentou ao máximo esconder seu rosto. Jimin estranhou aquela mudança de comportamento e o fato das orelhas do moreno estarem quase roxas. A expressão que o mais novo fez no rosto foi de puro terror e aquilo feriu um pouco seu orgulho. Tá, o garoto não precisa ser gay, mas também não precisa fazer aquela cara de espanto, beirando o terror.
Rapidamente tirou a mão do rapaz de seu abdômen e tentou fazer uma brincadeira para descontrair. Mas o moreno sequer olhava para si. A cena seria muito bonita, salve dois únicos motivos. Primeiro: ele não conseguia ver a cara de Jungkook. Segundo: o garoto parecia apavorado. Dando de ombros saiu dali e foi dar atenção para outras pessoas.
| Alguns dias a mais |
Jungkook estava envergonhado, no mínimo. Devia ser bem mais do que isso. Ele passou vários dias na aula de dança evitando contato ou conversa com Jimin e o rapaz percebeu tal fato. Estava bem óbvio, na verdade. O moreno era tão bom em esconder coisas quanto em demonstrá-las, isso era fato. Bastava que escolhesse qual das opções aderir que o fazia com perfeição, funcionava como uma espécie de botão on-off. Todos sentiam um clima meio tenso no ar, quase tangível, e Hoseok já começava a soltar frases que mais pareciam preces desesperadas como “Não sei o quê você fez, mas pelo amor de Deus, peça desculpas logo.”
Jimin estava incrédulo, ele só havia passado a mão do garoto em seu abdômen e de forma inocente. Deveria pedir-lhe desculpas por isso?! E falar o que? "Foi mal se eu magoei sua masculinidade ainda recém florescida."
Quando a aula acabou o primeiro a sair fora Jungkook, como esperado daqueles dias. Park foi atrás rapidamente, esquecendo até suas coisas para trás. Precisava ser rápido, antes que o mais novo notasse a companhia e saísse correndo enlouquecidamente como o diabo foge da cruz. Tentativa falha. O rapaz notou que estava sendo alcançado pelo ruivo e apressou o passo de forma nada discreta. Ouch! Orgulho 100% ferido com sucesso.
— Jungkookie. – berrou, guardando toda a vergonha na cara que possuía, transferindo-a para o bolso de sua calça. Não dava para fazer uso dela no momento. O garoto o olhou como se tivesse acabado de atropelar um cachorro. Ok, sua ideia de chamar atenção não incluía exatamente chamá-lo por esse apelido, mas por alguma razão sua língua o traiu e cuspiu fora o nome no momento menos oportuno. O menino, que até então não olhava para o mais velho por uma única razão – constrangimento -, andou enfurecido até o mesmo apontando o dedo em sua face.
— Me chama mais uma vez assim e faço todos os alunos dessa escola cantar biscoitinho quando você passar. – e Jimin riu. Muito. Porque mesmo o mais novo o ameaçando aqueles dentes de coelho ficaram rangendo um no outro e só faltou sua cabeça explodir de tão vermelha que estava para completar a cena cômica.
— Que apelido carinhoso, é para me conquistar? – o mais novo perdeu totalmente a pose irritada substituindo essa por uma completamente sem graça. Não soube como reagir. Mais uma vez. Estava ocorrendo muito disso ultimamente. – Agora sério... – tentou chamar a atenção do outro, conseguindo um pouco. – Por que biscoito? Por que sou uma delícia, Kookie? – e jogou o cabelo para trás, ironizando mais ainda o apelido.
— Não, porque você é redondo igualzinho um. – aquela reação irritou profundamente Jungkook que sentiu uma satisfação enorme em ver a carranca que se formou no “biscoitinho”.
— Eu venho para me desculpar e você age assim? – Jimin bufou.
— Desculpar? Por quê?
— Como por quê? Não viu o climão que tava por causa da gente na aula hoje? – e a resposta foi um não com a cara mais idiota possível do ‘Kookie. ’— Aff, escuta. Se eu feri sua masculinidade ou sei lá o quê por causa de uma passadinha no meu abdômen, foi mal, ok? Mas ninguém morre com isso. – a cada palavra Jungkook ficava mais confuso. – Agora se foi porque você não tem uma barriguinha linda que nem a minha e ficou com inveja... Bem, já não é mais problema meu.
— Do quê você está falando, cara?
— Ué, você passou esses dias todos sem falar comigo e quando me vê faz um expressão tipo: — Park fez uma careta e Jungkook soltou um riso quase cuspindo. – Aí sei lá, só queria falar pra não ficar assim.
— Mas não estou chateado. – respondeu e Jimin o encarou. – Eu – o mais novo deu uma pausa e o ruivo ficou mais curioso pela razão. – Eu fiquei envergonhado. – soltou por fim e Jimin apenas fez um bico.
— Por quê?
— Não sei, apenas me senti estranho. – falou corando mais. – Achei que tivesse bravo comigo e por isso não quis incomodar. – ao escutar essas palavras Jimin sentiu seu joelho fraquejar. O mais novo fora tão ingenuamente fofo consigo que teve vontade de roubar-lhe os dentes apenas para poder morder as bochechas bem rosadas do mesmo agora.
A única reação que conseguiu ter foi abraçar Jungkook e falar coisas do tipo ‘nunca ficaria bravo com você’ ou ‘tenho até medo disso, vai que você usa seus dentes como arma ’ irritando o garoto e ao mesmo tempo lhe fazendo carinho.
Os dois continuaram conversando e trocando idéias. Descobriram que gostavam de algumas coisas em comum também além da dança. Jungkook descobriu que Jimin tinha 19 anos e que em outubro faria 20. E o mais novo respondeu que no mês anterior a esse ele faria 18. Gostavam de comidas parecidas e bebidas. E aparentemente Jungkook deixou escapar que sempre gostou do cabelo vermelho do mais velho, mas apenas falou aquilo para o tampão porque se sentiu irritado com o mesmo.
Conversa vai e vem, fluindo tão bem que os mesmos pareciam amigos de longa data. Quando notaram já era tarde, quase onze da noite. Jungkook deu um mini-surto e começou a gritar algo como: “meus pais me matarão”, enquanto corria para casa. Jimin quase foi embora, mas se lembrou que deixou todos seus pertences na sala.
O problema era que a escola havia fechado e os portões eram grandes demais para poder pular. Ele não estava com nada além do celular no bolso. Até suas chaves de casa ficaram na mochila e com certeza não queria ficar dormindo na praça esperando até o sol raiar. E como um grande amigo que era, fez a primeira coisa que lhe passou pela cabeça. Só havia uma pessoa conhecida que tinha as chaves do portão da escola e da sala de aula.
Ligou para Hoseok.
— Hobi! – gritou quando foi atendido.
— Eu te vi faz mais de uma hora, por favor, Jiminnie. – resmungou Hoseok.
— Preciso da sua ajuda.
— O que foi?
— Volta pra escola, porque se você não vier vou arrombar essa caralha! – falou desesperado e o amigo revirou os olhos.
— Esqueceu suas coisas de novo. – respondeu o amigo com uma voz de tédio. Já não era a primeira vez que isso ocorria. Jimin tinha aquela mania chata de esquecer suas coisas e no final sempre sobrava para si resolver. – Deixa o ônibus dar a volta que eu solto aí. – e desligou. O ruivo ia agradecer, mas bufou. Mas pelo menos ele ajudaria.
Que bom ser amigo do seu professor.
| Alguns meses depois |
As lembranças daquela noite ainda eram bem vívidas. Jimin riu ao lembrar-se da cara do amigo. O bico estava tão gigante que bastava dar uma sugada e viraria um aspirador de pó. Depois disso desculpou-se mil vezes e passou quase um mês fazendo serviços para Hoseok, coisa que Yoongi soube aproveitar muito bem.
Como quando importunava Jimin com piadas e mais piadas. Com o tempo o grupo de Jungkook e Jimin acabou se aproximando. Estavam tão próximos que basicamente viraram uma panelinha, até Namjoon entrou. Eram os seis juntos. Jimin, Jungkook, Hoseok, Yoongi, Namjoon e Jin. O ultimo sempre choramingava algo como: “não basta na cozinha, fora dela também.” E o Monster ria sempre de forma maliciosa constrangendo o doce Seokjin.
Yoongi importunava mais do que nunca já que todos seus amigos estavam juntos, era quase uma piscina de bolinhas para o mesmo, só que dentro destas vinham dicas em papeizinhos com comentários sarcásticos e zombarias. Havia também quando o mesmo convenceu Hoseok a obrigar Park, ainda naquela leva de capacho, a pintar seu cabelo.
| Alguns meses antes |
— Mas Suga, você é tão pálido. – comentou Hoseok e o garoto revirou os olhos.
— Se eu te raspasse você viraria farinha. – Namjoon comentou.
— Para gente, eu só vou ficar loiro e não albino. – retrucou.
Após aquele incidente sobre ter que entrar na escola e pegar suas coisas quase a meia noite, Jimin prometeu passar um mês fazendo o que Hoseok dissesse e quando Yoongi descobriu isso logo se aproveitou. O mesmo estava querendo mudar o estilo, mas tinha muito medo de mexer em si sozinho. Ir a um cabeleireiro era arriscado. Seus pais descobririam e não deixariam. A única pessoa confiável seria Jimin, já que o mesmo sempre pinta suas madeixas.
— Tudo bem que você quer mudar, mas porque não vai a um salão? – Jeon perguntou e Jimin agradeceu por sua pergunta. Finalmente alguém tinha falado algo produtivo naquela conversa.
— Primeiro: dinheiro, coisa que não tenho no momento. E segundo: meus pais saberiam e não deixariam. – respondeu aborrecido.
— Então você pretende sair com o cabelo castanho de casa e simplesmente voltar loiro? – era mais uma afirmação do que uma pergunta quando saiu da boca de Jimin. – Isso não é pior, seu babaca? Vai levar uma coça de cinto, com 22 anos na cara ainda.
— Não, porque a gente discutiria, mas eu já teria feito a cagada. E meus pais não me batem, imbecil.
— Vocês deveriam maneira esse linguajar. É tão deselegante. – Jin se pronunciou a primeira vez e todos se lembraram de sua existência.
— Você estava tão quieto que te esquecemos por um momento. – Yoongi respondeu. – O que acha de minha pessoa loira?
— Acho que ficaria bonito e combinaria. – Jin realmente fora sincero.
— Oh! Obrigado Jin! – e Suga o abraçou sendo retribuído. Namjoon fechou a cara. – Pelo menos ele é decente.
— Quando faremos isso? – Jimin perguntou.
— Amanhã, na sua casa. Vamos todos dormir lá. – Yoongi soltou simplesmente e Jimin o fuzilou com o olhar. – ou o Hoseok vai brigar. – o citado riu.
— Eu vou perguntar se posso aos meus pais. – Jungkook se pronunciou e isso de certa forma fez com que Park realmente quisesse que todos fossem dormir lá. – Se deixarem, eu vou.
— Tudo bem. – o ruivo disse baixo e se aquietou. O grupo continuou por um tempo ainda conversando já que era sexta e as aulas já haviam acabado. Quando por fim deu o horário de todos, os mesmos se dispersaram. Na aula de dança após o término do horário, Jimin pediu o numero de Jungkook alegando que era para o mesmo lhe avisar se poderia ir ou não.
Envergonhado, o mais alto tirou o celular da mochila e passou seu número. Jimin achou extremamente fofo aquela capa do Homem de Ferro, mas não pode deixar de brincar com o garoto que emburrou a cara.
Mais tarde Jungkook chegou em casa suado. foi logo tomar banho e vestir uma roupa confortável. A janta estava na mesa e seus pais fizeram questão de lhe esperar. Era sempre assim, aquele clima agradável. Sua mãe perguntava como eram as aulas e sempre respondia animado falando que eram incríveis. Seu pai se divertia já que sentia falta dos velhos tempos que dançava também.
Contou que fez novos amigos e seus pais ficaram felizes. Perguntou se podia dormir na casa de um deles no dia seguinte e sua mãe fez um biquinho. Ela era tão ciumenta com o rapaz que não gostava de dividir-lo nem com os cachorros que possuíam quando o filho era criança.
— Eles são confiáveis. – disse o menino.
— Mas você vai me deixar sozinha.
— Você tem o papai.
— Pois é, mulher. – o Sr. Jeon disse e sua esposa riu. – É aonde?
— Aqui perto, meia hora de ônibus apenas. – seu pai resmungou. – Ele mora sozinho e vai todo mundo.
— O que irão fazer? – sua mãe perguntou desconfiada.
— Pintar o cabelo do Suga. – respondeu e isso fez sua mãe rir.
— Vão se reunir só para isso, meu Deus. Mas por que Yoongi quer isso?
— Acho que para chamar atenção.
— É um garoto bonito, claro que já faz isso. – e a conversa se estendeu. Apesar de seus pais e o de Suga se conhecerem, Jungkook conseguiu os fazer prometer que não contaria nada porque se não Yoongi ficaria muito chateado. Seus pais não quiseram, mas acabaram cedendo.
Quando terminou, subiu e escovou os dentes. Pegou o celular e deitou em sua cama de solteiro. Quando abriu o mesmo queria mandar uma mensagem para Yoongi, mas logo paralisou ao ver a mensagem de Jimin imediatamente no topo de seu Whatsapp.
“Biscoito: Boa noite. :3
Se tiver dormindo
até amanhã
mas n esquece de avisar”
Jungkook riu. Ele realmente parecia querer sua presença lá.
“Kookie: Ainda estou vivo >.>”
Jungkook quase estava dormindo quando o celular vibrou.
“Biscoito: Estava tomando banho. Foi mal :s
Eae, eles deixaram? Diga que sim, n qro ter que ficar com aquelas coisas sozinho aqui amanhã. Tirando vc e o Jin, eu vo ta na bosta! D: T.T”
A mensagem fez Jungkook rir mais alto do que devia. Não queria acordar seus pais e também já era tarde. Finais de semana ele gostava de dormir até tarde.
“Kookie: Jiminnie”
Devido ao sono Jeon nem notou como havia chamado o ruivo que quando leu a mensagem sentiu-se extremamente quente. Era como se pudesse ouvir a voz do mais novo bem em sua orelha.
E como se ele pudesse ler a mente de Jimin o garoto mandou um áudio.
“Kookie: Mensagem de áudio:
Olha... Eu vou ter que ir dormir. Eu sou uma pessoa muito preguiçosa e costumo dormir muito, só não ganho do Yoongi porque ele é um bicho preguiça. É realmente tarde e você ta me fazendo rir bem alto. Eu to com sono. Mas pode deixar que amanhã eu vou sim, só me diz o horário e a gente se encontra na escola. Beijos fofão.”
Jimin quis matar Jungkook quando escutou ser chamado por aquele boneco de imitação fajuta do Chuck. Mas esqueceu assim que lembrou que continuava tendo essas reações no corpo com a voz rouca e manhosa do mais novo. O mesmo ainda estava online e provavelmente esperava uma resposta sua para sair.
Limpou a garganta. Seu corpo estava mais quente ainda.
“Biscoito: Mensagem de áudio:
Tudo bem. Vamos nos encontrar às sete da noite na escola e de lá partiremos para cá. Boa noite. Durma bem ai.”
Não foi surpresa para Park quando logo que enviou o áudio a identificação de chegada da mensagem ficou azul.
Jungkook sorriu ao escutar a voz rouca de Jimin demonstrando o mesmo cansaço que o seu, mas ainda estava ali. Antes que saísse e desligasse o celular o ruivo mandou outra mensagem.
“Biscoito: Mensagem de áudio:
Te vejo amanhã então, Kookie. Tenha bons sonhos.”
A voz de Jimin estava rouca e por alguma razão dava para ouvir a respiração forte no áudio, porém não de uma forma que danificasse a gravação. E agora Jeon que antes estava morrendo de sono, observou o ruivo ficar offline e demorou quase uma hora para poder dormir. Aquela voz rouca, que antes era mais fina até que a sua, ficou extremamente grossa e lhe causou a mesma sensação de formigamento no corpo todo de quando encostou no abdômen de Park Jimin.
Nessa hora de divagação seus pensamentos voaram e desde aquele dia Jungkook sabia que desejava Jimin. Mas era só isso. Ninguém morre porque querer algo. É apenas passageiro e normal até, principalmente em sua idade.
Hormônios e mais hormônios. Certo?
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