Full Moon

42 Contagem Regressiva


Notas iniciais
Boa noite, pessoaaaas! Como estão? Eu seeeeeei!! Faz muito tempo que não postamos! Como a Gi falou no pequeno anúncio que postou anteriormente, nosso fim de ano foi beeeem corrido! Pra começar... EU ME FORMEI! Sim, finalmente, depois de 4 anos, sou uma pessoa com diploma - apesar de estar mais feliz por não ter boleto de mensalidade pra pagar, rsrs. A Gi terminou um processo de divórcio e mudou de país! Agora está tudo mais estabilizado por aqui! Vamos manter uma distância entre os capítulos já que estamos chegando ao fim, mas as postagens voltarão a ser frequentes, então por favorzinho, não desistam do nós!! Até as notas finais!

“Jacob had become a part of me, and there was no changing that now.” — Bella

As coisas que ouvi do senhor de idade na mercearia, no fim de semana anterior, ainda se repetiam em minha mente, como um disco riscado. Passei a semana toda tentando me convencer de que aquilo não havia passado de uma alucinação, mas algo me incomodava profundamente toda vez que eu pensava sobre isso.

Era como se houvesse uma pedrinha no meu sapato, e, não importava quantas vezes tentasse tirar, ela continuava lá, me incomodando. Talvez porque eu não tivesse realmente entendido o que ele quis dizer com tudo aquilo? Ele deu tanta ênfase a tudo que disse, que não havia como não ser algo importante.

Meu namorado se transforma em lobo, e meu ex é um vampiro; por que um homem que desaparece no ar não pode ser real?, pensei comigo mesma.

Eu simplesmente sentia que precisava encontrar um significado ou uma mensagem oculta por trás de suas palavras.

“Me diz de novo por que, de todas as pessoas disponíveis, eu tive que ficar com a função de babá de todas vocês?” Resmungou Leah, tirando-me de meus pensamentos. Sua mão apoiava o rosto, e tinha uma expressão entediada, claramente odiando estar ali.

“Você não está aqui de babá. Está aqui como convidada do nosso dia de relaxamento feminino, enquanto os garotos acertam os últimos detalhes com os sanguessugas.” Respondeu Emily, sem se deixar abalar com o tom da prima. “Agora pare de reclamar, e me dê a outra mão.”

Leah continuou resmungando entre dentes, porém, entregou a mão para Emily, e deixou que a mesma continuasse com o trabalho já começado, pintando suas unhas.

“Não sei porque insiste em pintar minhas unhas. Vai estragar tudo, assim que me transformar.” Resmungou ela de volta. Emily suspirou profundamente, mas não respondeu.

Do outro lado da sala, porém, Sue decidiu não ficar calada:

“Lee, você poderia, por favor, guardar seu mau-humor por um dia, e apenas aproveitar o momento?” Disse, com um tom doce em sua voz. “Não é sobre as unhas, é sobre relaxar, e aproveitar esse curto tempo de paz, que é tão raro.”

“Está mais para tempo de tortura.” Retrucou, baixo demais para que Sue pudesse ouvir, mas arrancando risinhos de Kim, que parecia estar tendo o melhor momento de sua vida enquanto tinha os pés relaxando na água morna.

O aroma das diversas velas acesas ao nosso redor quase me fazia sentir como se estivesse mesmo em um spa. Kim havia sugerido que eu colocasse fatias de pepino sobre os olhos, porém, ficar com os olhos fechados só me fazia rever toda aquela conversa com o velho, e toda a ansiedade reservada para o dia seguinte ameaçava tomar conta, então acabei inventando uma desculpa para recusar.

Eu não tinha certeza de quem havia sido a ideia de ter um “dia de relaxamento feminino” na casa de Emily, mas sabia bem que Jacob e Sam estavam tão envolvidos naquilo quanto qualquer uma das presentes. Sem dúvidas eles haviam pedido a Emily para ajudá-los a me manter distraída durante o dia, para evitar que eu fosse à reunião com os Cullen.

Mal sabiam eles que eu não tinha interesse algum em ficar frente a frente com qualquer um deles.

Admito que fiquei muito mais ansiosa que o normal durante toda aquela semana; Não consegui prestar atenção em muita coisa na escola, ou no trabalho, perdida demais em pensamentos. Minhas unhas — que Emily havia consertado e estavam escondidas atrás de uma brilhante camada de esmalte rosa-claro — haviam todas sido roídas, e meus joelhos estavam completamente esfolados, devido a todas as vezes em que tropecei em meus próprios pés, por conta da distração. Eu conseguia entender a preocupação deles, mas talvez tivessem ido um longe demais.

“Bella, querida, você vai acabar abrindo um buraco no chão com essa bateção de pé.” comentou Emily, casualmente. “Por que não toma um pouco mais de chá?”

Apenas depois de sua observação notei que um de meus pés batia no chão sem parar, enquanto eu tentava fingir não estar surtando internamente.

“Sei que o seu chá de camomila é magnífico, Emily, mas não acho que vai conseguir acalmar os nervos dela.” Comentou Sue, sem nem ao menos levantar os olhos em nossa direção.

“Nervosa com o que? Não é como se você fosse caçar uma sanguessuga psicopata, amanhã.” Provocou Leah, me olhando de lado, claramente querendo arrancar uma reação de mim.

Pensei em apenas ignorá-la, mas todas pareciam prestar atenção, esperando uma resposta. “Eu só… não estou gostando da ideia de ficar aqui com vocês, amanhã.”

“Ughhh, de novo isso?” Reclamou Leah, revirando os olhos.

“Você não quer ficar com a gente?” Perguntou Kim, parecendo mais ofendida do que confusa.

“Não, não é isso, Kim! É que se Victoria conseguir, de alguma forma, passar por todo mundo, ela irá vir direto até mim; e vocês estarão em perigo por minha causa.” Tentei me explicar.

“Não era você mesma que estava toda confiante na proteção dos lobos?” Perguntou Leah. “Ela não vai passar por nós, e, caso — e estamos falando de chances muito pequenas — isso aconteça, Seth vai estar aqui, transformado, pronto pra avisar a todos.”

“Exatamente. Eu sei que nada vai acontecer.” Disse Emily, e Kim concordou rapidamente.

Me virei para Kim, a quem eu havia visto apenas algumas vezes e conversado não mais do que meia dúzia. Para mim, era apenas injusto que ela estivesse envolvida naquilo tudo por conta de alguém que mal conhecia.

“Você não tem medo, Kim? Do que pode acontecer se algo der errado?” perguntei, olhando fundo em seus olhos, mas pude ver pelo canto do olho que Sue levantou a cabeça rapidamente, esperando por sua reação.

“Não. Eu confio no Jared e nos meninos.” Disse ela com um sorriso que demonstrava não haver um pingo de dúvida em suas palavras.

Balancei a cabeça para mim mesma, desejando me sentir tão despreocupada quanto ela. “Eu só não sei se conseguiria viver comigo mesma, caso algo acontecesse com alguma de vocês.”

“Se algo acontecer comigo, quero deixar claro que não te culpo por nada, Bella.” Sue comentou, despreocupadamente. “Se está procurando alguém para culpar, culpe a sanguessuga.”

“Eu concordo com a Sue. Mesmo que algo aconteça, não será sua culpa, Bella.” Disse Emily com um sorriso. “E ficar se preocupando com isso só fará com que tenha cabelos brancos mais cedo.”

“E você viu como Charlie já está começando a ter cabelos brancos?” Perguntou Sue. “A genética não está exatamente do seu lado.”

Kim explodiu em risadinhas, e tive que aguentar as piadinhas sobre como caras pálidas envelhecem mais rápido do que o normal vindas de Leah, por vários minutos depois disso.

Enquanto as demais riam entre si às minhas custas, o olhar de Emily cruzou com o meu, e ela me lançou um pequeno sorriso. “Bella, você é uma de nós agora, lembra? Nós cuidamos da nossa família.”

Eu sorri de volta, me sentindo confortada por suas palavras de apoio. Ver que estavam descontraídas e confiantes sobre aquele assunto me deixou um pouco mais aliviada, mas eu estaria mentindo se dissesse que estava menos ansiosa.

Nenhuma delas havia presenciado a força de um vampiro; conheciam apenas a força dos lobos, e por isso, é claro, que se sentiam mais do que seguras. Eu mesma não podia deixar de sentir a aura de proteção que emanava quando estava perto dos meninos, mas também sabia o quão poderosos e astutos vampiros podiam ser. Reconhecer que os Quileutes conseguiam lidar com um vampiro não significava achar que Victoria seria fácil de lidar.

Os meninos passaram pela porta da varanda não muito tempo depois daquilo, e Seth achou extremamente necessário questionar com o que havíamos chantageado Leah para que permitisse ter suas unhas pintadas.

A loba — que começou a andar a passos largos em direção à saída, assim que Sam passou pela porta — deu meio volta, e puxou o braço em um movimento rápido, antes de desaparecer. Tudo ocorreu tão rapidamente, que apenas entendi que o movimento abrupto fora para dar um tapa na cabeça de Seth, quando o mesmo, com uma expressão extremamente ofendida no rosto, exclamou:

“Manhêê! A Leah me bateu!” Ele tinha a mão atrás da cabeça — onde a irmã o havia acertado — e uma carranca triste no rosto.

Risadas explodiram e Seth exibiu uma careta chocada quando começaram a zoar dele por apanhar da irmã, de graça. Sue, entretanto, apenas revirou os olhos para o filho, balançando a cabeça em reprovação ao seu drama.

“Se, mesmo depois de quinze anos, você ainda não entendeu que não se deve provocar a Leah, Seth, não sei como te ajudar.” Foi a sua resposta.

“Como foi lá?” Emily perguntou antes que eu pudesse fazê-lo, e Sam lhe deu um longo beijo, antes de responder que havia ido tudo bem, e que tudo estava praticamente certo para o dia seguinte.

“Precisamos apenas saber qual será o seu grandioso papel na história toda, Swan.” Acrescentou Paul com um sorriso zombeteiro no rosto, me encarando enquanto se apoiava no balcão da cozinha.

Jacob, que havia entrado logo atrás dele, me puxou para o conforto de seus braços, antes de resmungar no meu ouvido algo como “o de donzela em perigo”, que eu apenas ignorei.

Eu sabia que ele iria reclamar, mas também sabia que me deixaria ir até o fim com aquilo; Afinal, nem ele podia dizer que usar o meu cheiro — ou o cheiro do meu sangue, no caso — para atrair a Victoria até o lugar certo, não era uma boa ideia. No fim, todos estaríamos fazendo sacrifícios por uma causa maior.

O clima, naquela tarde estranhamente quente, correu descontraído, com todos reunidos na casa de Emily, alternando entre conversas sobre a ansiedade para os acontecimentos do dia seguinte, e repassando os planos entre si. Apenas quando o sol começou a se pôr, todos começaram a ir embora, buscando o máximo de descanso possível, em preparação para o que viria. Apesar das risadas que acabei, inevitavelmente, deixando escapar, e de me sentir um pouco mais segura do que quando chegara, eu sabia que não conseguiria pregar os olhos naquela noite.

Era pouco depois das três da manhã quando Charlie saiu com sua viatura em direção a La Push, onde iria para uma viagem de pesca “espontânea” com Billy e mais alguns moradores da reserva. Esperamos apenas alguns minutos depois de sua saída, antes de também seguirmos porta afora.

Sam tinha considerado deixar os rastros na noite anterior, mas como ainda havia tempo de sobra para a hora aproximada da chegada de Victoria, insisti para que o fizéssemos apenas no dia seguinte, para que meu cheiro estivesse o mais fresco possível quando ela viesse.

Claro que, depois de ter apenas duas horas de descanso, a ideia de ter feito aquilo tudo na noite anterior me soava muito melhor agora. Tudo o que queria fazer era terminar o mais rápido possível, para que pudesse voltar para casa, e me aninhar nos braços de Jacob por mais um tempinho, antes que o bando tivesse de ir.

“Está nervosa?” Perguntou Jacob enquanto andávamos pelo gramado em direção à floresta, a passos lentos.

“Sobre ter de cavalgar em um lobo a toda velocidade pela floresta, ou sobre me esfregar em algumas árvores na calada da noite?” Perguntei com sarcasmo, arrancando uma risada dele.

“Ambos.” Respondeu com mais seriedade do que eu esperava. Seu tom de voz soou tão fora do comum, que me peguei pensando sobre sua pergunta novamente.

“Eu não tenho medo quando estou com você; sei que vai cuidar de mim.” Garanti. “Então não. Não estou nervosa com nenhum dos dois. Mas tenho de admitir que tudo que está prestes a acontecer está me deixando apreensiva. Não sei o que pensar.”

Ele entrelaçou seus dedos nos meus, me ajudando a passar por alguns troncos caídos na orla da floresta. “Para falar a verdade, seria estranho se não estivesse nem um pouco nervosa.” Comentou. “Não é todo dia que se tem a oportunidade de andar em um lobo de mais de dois metros de altura.”

“Nem me lembre.” resmunguei “Consigo até imaginar a minha cara batendo no chão, quando eu cair.”

Jacob fez um barulho, e me olhou, ofendido. “Como se eu fosse deixá-la cair!”

Revirei os olhos. “Com a minha sorte, além de cair vou ter alguns dos meninos assistindo tudo, prontos para tirar uma com a minha cara assim que possível.”

Quando ele não respondeu nada, o cutuquei-o nas costelas, inquisitiva.

“O quê?! Você sabe que eu não controlo quem se transforma, ou não!” Respondeu, com uma risada ameaçando escapar por entre seus lábios; eu estaquei, incapaz de me mover sem perder a cabeça. “Qual é Bells, não precisa ficar brava! Paul pode até estar transformado esperando com um balde de pipoca, mas eu não vou deixá-la cair. Eu prometo.”

“Vamos acabar logo com isso, lobão.” Eu resmunguei, voltando a andar e parando ao seu lado.

“Lobão?” Jacob plantou um longo beijo nos meus lábios, ainda rindo. “Eu já volto, okay?”

Ele começou a se afastar para se transformar atrás de uma árvore, e não pude evitar lançar um olhar incrédulo. “Sério mesmo? Não é como se eu já não tivesse visto tudo, antes.”

“Tenha um pouco de decência, mulher.” Ele apenas respondeu sob os ombros, dando uma risadinha, antes de desaparecer por alguns segundos. Logo, o lindo lobo avermelhado que eu tanto amava apareceu, andando devagar em minha direção.

Ele parou em minha frente e lambeu meu rosto, antes de deitar-se no chão.

“Eca! Que nojo, Jake!!” Eu reclamei, limpando sua saliva do meu rosto.

Mesmo depois de tanto tempo, não conseguia deixar de me sentir maravilhada com a visão. Seu pelo castanho-avermelhados era macio e brilhante, e eu quase conseguia senti-lo em meus dedos, antes mesmo de tocá-lo.

Ele colocou a cabeça entre as patas, ficando tão quieto quanto podia, parecendo tentar facilitar a minha subida em suas costas, o que não era uma tarefa muito fácil quando se é tão descoordenada quanto eu.

Segurando o pelo de sua nuca, tentei subir em suas costas sem escorregar para o outro lado. Foquei em segurar, apenas, e tentar não puxar forte demais, mas quando meu pé deslizou pela sua lateral, quase me fazendo bater de cara em seu corpo, desisti de tentar ser gentil. Se quisesse subir naquele lobo gigantesco, eu teria que segurar firme.

Jacob bufou, como se estivesse tentando me apressar, e eu resmunguei algo sobre ele ser muito impaciente, antes de tentar mais uma vez. Acabei ficando mais deitada do que sentada em suas costas; minhas mãos completamente cheias de seus pelos, e meu rosto praticamente enterrado nele.

Mesmo ainda deitado, sua altura já me deixava nauseada. Eu tinha certeza que, assim que se levantasse, eu não conseguiria ao menos olhar para frente, sem colocar o jantar para fora.

Quando viu que eu não me mexia mais, e parecia relativamente segura, Jacob se levantou com cuidado. Passo a passo, caminhou por alguns minutos, para que eu me acostumasse com o movimento de suas patas. Eu nunca havia andado a cavalo antes — sabendo muito bem que, qualquer tentativa de subir nas costas de um animal que poderia me derrubar com um balanço, era pedir para ter uma concussão -, mas imaginei que fosse o mesmo movimento, o balançar de cima para baixo.

Ouso dizer que havia até começado a aproveitar o “passeio”, até que ele começou a correr. Não andar, não trotar. Correr.

Não ter um lugar firme onde segurar me deixou, por falta de palavra melhor, desesperada. Se não estivesse agarrando com tanta força em seu pelo, eu teria, com certeza, saído voando. Não me permiti relaxar a mão nem por um segundo enquanto avançávamos pela floresta como um borrão, e, em certo momento, imaginei que teria uma crise de tendinite, devido a tamanha força que fizera para me manter sobre aquele lobo.

Quando chegamos no perímetro que havia sido traçado como local aproximado para a chegada de Victoria, Jacob desacelerou lentamente, até finalmente parar. Meu coração batia como uma escola de samba em meu peito, e eu percebi que estava com certa dificuldade para respirar.

Jacob se abaixou para que eu descesse de suas costas, deitando no chão do mesmo modo que tinha feito antes, mas tive que ficar parada na mesma posição por alguns segundos extras, enquanto me recompunha.

Quando finalmente escorreguei para o lado, minhas pernas tremiam tanto, que acabaram falhando, e eu vi minha vida passando na frente dos meus olhos. No momento seguinte, eu estava sentada no chão.

Um latido alto, que mais parecia uma risada, escapou pela boca do lobo deitado em minha frente. O se levantou, claramente achando divertido o fato de eu ter caído de bunda no chão. Bufei, jogando a bermuda em sua cara, e ele saltitou felizmente até uma árvore, para se trocar.

Imaginei Paul, rindo às minhas custas, aonde quer que estivesse.

“Se ele sequer mencionar isso, minha próxima mão quebrada será na cara dele.” Resmunguei para mim mesma, sentindo meu rosto esquentando contra a minha vontade.

Não pude evitar pular de susto quando braços subitamente circundam minha cintura. Jacob tinha um olhar divertido no rosto. “Você está bem?”

“Você prometeu que iria me segurar!” Acusei, cruzando meus braços sobre o peito.

Ele ergueu as duas mãos no ar, “Ei, eu não achei que você cairia enquanto tinha os pés no chão. Eu estava falando sobre cair de cima de mim enquanto eu corria, ou algo do tipo.”

“Não me lembro de ouvir todas essas especificações.” Encarei-o, ainda irritada.

Jacob passou os braços pela minha cintura, me envolvendo em seu calor, e fazendo meu corpo quase sumir sob o seu, enquanto dava vários beijinhos em meu ombro e em meus cabelos.

“Me desculpe, Bells.” Disse, entre beijos. “Eu devia ter tomado mais cuidado.”

Apesar de querer continuar emburrada por mais alguns minutos — ou aproveitar o carinho extra que estava ganhando -, acabei por abraçá-lo de volta.

“Só para deixar claro, o chão estava escorregadio.” Declarei, enterrando meu rosto quente em seu peito nú, e Jacob riu, concordando. “Aham.”

Ainda segurando minha mão, Jacob me ajudou andar pela floresta densa sem que acabasse com mais um hematoma, e nós paramos em frente a uma das maiores árvores que eu já havia visto. Ele me observou, curioso, e eu mesma percebi o quão estranho era o que eu estava prestes a fazer. Querendo acabar logo com aquilo, puxei do bolso a agulha que havia pego do mini kit de costura para emergências.

“Bells, você realmente não precisa se…” Ele interrompeu sua fala, assim que eu cravei a agulha em meu próprio dedo, fazendo uma careta de dor.

Jacob parecia tão satisfeito com aquilo quanto eu, naquele momento.

Espremi o dedo com força, forçando o sangue a sair pelo machucado que eu mesma fizera, apenas para, em seguida, esfregá-lo pelo tronco da árvore em uma só passada, como um pincel sobre tela.

“Você sabe que apenas se esfregar em uma ou duas árvores seria o suficiente, não sabe?” Perguntou ele, com uma cara nada feliz para mim.

“E fazer um trabalho mais ou menos? Não obrigada.” Respondi, indo em direção a uma árvore um pouco mais adiante.

Continuei com o mesmo processo por mais alguns minutos, marcando as árvores que seguiam na direção de onde os lobos e os Cullen planejavam interceptar Victoria, com Jacob seguindo atrás de mim, emburrado, mas sempre me ajudando quando parecia que eu estava prestes a tropeçar ou cair.

Quando estava prestes a furar o dedo para marcar a vigésima árvore, ele atingiu o seu limite, e me parou.

“Chega, amor, você já fez mais do que o suficiente.” insistiu, tirando a agulha de minha mão. “Se ela não enlouquecer com todo o sangue que você esfregou nessas árvores, não há o que a enlouqueça.”

“Eu estou bem. Consigo marcar mais algumas árvores, Jake…” Insisti, tentando alcançar a sua mão que continha a agulha. Ele apenas me segurou com um pouco mais de firmeza, forçando-me a olhar em seus olhos.

Seus olhos castanhos estavam sérios e dominaram completamente meu ser. “Já acabamos por aqui, Bella.”

Mordi a parte interna da bochecha, incapaz de responder a ele. Acabei apenas assentindo, e ele assentiu com a cabeça, satisfeito por eu não ter começado uma briga. Talvez eu tenha exagerado um pouco, mesmo, porque, saindo do meu estado de concentração, senti meu dedo arder com mais intensidade do que eu esperava.

Jacob passou o braço por baixo das minhas pernas sem qualquer aviso, me carregando no estilo princesa. Em qualquer outro momento, eu reclamaria por fazer aquilo sem me avisar, mas ele parecia sério demais. Me limitei apenas a passar o braço ao redor do seu pescoço, enquanto seguíamos o caminho todo em silêncio; tudo o que se podia ouvir além dos passos de Jakob, eram as corujas e insetos na calada da noite.

Apenas quando avistei a familiar casa vermelha desbotada, decidi quebrar o silêncio. “O que estamos fazendo na sua casa? Achei que fossemos ficar na Emily.”

“Ainda está cedo para ir para lá.” Ele respondeu, passando pelo batente da porta da sala e me colocando no sofá. “Além disso, quero limpar esse seu dedo direito.”

“Eu estou bem, Jake…” Tentei sorrir para ele, mas — é claro — não o convenci. Ele desapareceu pelo corredor por um momento, antes de voltar com uma caixinha de primeiro-socorros.

Deixei-o desinfetar e aplicar uma pomada calmante no local onde eu havia repetidamente me furado com a agulha; tudo no mais completo silêncio. Era um silêncio muito estranho, e desconfortável. Não era como os momentos em que deitávamos juntos, apenas aproveitando a presença um do outro; Jacob estava claramente tenso.

Assim que terminou de colar um band-aid em meu dedo, segurei seu rosto com a minha mão boa, atraindo seus olhos para os meus. “Jake, você está bem?”

Aquela pareceu ter sido a coisa certa a se dizer, pois, no momento seguinte, seus braços se enlaçaram ao meu redor e eu caí de costas no sofá, com o seu corpo sobre o meu.

Senti sua respiração pesada em meu pescoço, e seus braços me apertando como se jamais quisessem que eu saísse dali. Eu, particularmente, não era contrária a ideia, mas sabia que logo precisaria ir para a casa de Emily, e ele para a floresta caçar uma vampira.

Acariciei seus cabelos, aproveitando seu abraço, e todo o sentimento que ele despejava sobre mim. Não eram necessárias palavras para o que estávamos sentindo; A doce promessa de finalmente nos vermos livres de todos aqueles problemas conseguia ser, simultaneamente, amarga, devido à incerteza do que as próximas horas trariam.

Alguém sairia machucado? Algum dos lobos? Alguma das meninas? Eu? Seria possível que tudo desse certo, sem perdas, sem lágrimas, apenas Victória para sempre eliminada de nossas vidas?

Tentei — com todas as minhas forças — acreditar que sim.

Sam havia afirmado que teríamos uma vantagem. Nossos números eram muito maiores; Não seríamos pegos de surpresa, pois sabíamos cada passo que ela daria, e até mesmo tínhamos os Cullens esperando no lado deles da fronteira, prontos para pegá-la assim que cruzasse. Então... por quê? Por que eu ainda me sentia extremamente ansiosa? Por que algo dentro de mim insistia que estávamos esquecendo alguma coisa?

Era como se o constante tique-taque do relógio da pequena cozinha da casa dos Black fosse uma contagem regressiva para algo terrível. Meu peito se apertava mais e mais a cada segundo que se passava.

‘Se ‘ocê quer ficar, vai ter que desistir de novo.’. A frase do senhor soou clara em minha mente, quase como se ele estivesse parado ao meu lado, quando as disse.

Um calafrio desceu pela minha espinha ao mesmo tempo em que o sol começou a despontar no horizonte e invadir a sala pela janela.

Notas finais
E então???? O que acharam? Fiquei bastante orgulhosa do nosso trabalho neste capítulo, considerando o tempo que ficamos sem escrever. Ele tem mais de 3970 palavras! '0' Comentem aqui embaixo o que acharam e tentem adivinhar o que vem pela frente! Adoro ver as teorias de vocês! Obrigada, mais uma vez, por continuarem conosco! Até o próximo capítulo!