Full Moon
37 Puta
Notas iniciais

"Sex was the key all along? Why didn't I think of that?" he muttered sarcastically. "I could have saved myself a lot of arguments."
— Edward to Bella, Breaking down
Acordei na manhã seguinte, e me surpreendi ao encontrar Jacob deitado ao meu lado. Sabia que ele não estava dormindo há muito tempo, pois, quando fui ao banheiro durante a noite, ele não estava no quarto.
Saí da cama o mais suavemente possível, tentando não acordá-lo, e desci as escadas para tomar café da manhã. Charlie estava parado ao lado da porta de entrada, e calçava suas botas enquanto segurava uma torrada com os dentes. Sem tempo para conversar, apenas resmungou algo sobre ter prometido ajudar alguém com alguma coisa antes do trabalho, deu alguns tapinhas na minha cabeça, e saiu.
Ele havia deixado ovos, bacon e torrada, prontos, porém, decidi deixá-los para Jacob, que, com certeza acordaria faminto depois de sua ronda noturna.
Após preparar o prato, e deixá-lo no microondas, tomei uma grande e fumegante caneca de café, enchi uma tigela com cereal e leite, e engoli tudo em apenas algumas colheradas, sentindo a fome bater.
Jacob roncava levemente quando voltei ao quarto, alguns minutos depois, e continuou assim, enquanto eu escovava os dentes e os cabelos, e me vestia. Achei que seria melhor não sair sem avisar, então sentei ao lado de onde sua cabeça estava, e passei as mãos lentamente por seus cabelos, até que acordou.
“Jake.” sussurrei. “Eu tenho que ir, mas deixei comida pra você no microondas.”
Ele resmungou — sua voz soando grogue com o sono -, e passou os braços pela minha cintura, me puxando contra si.
“Estou falando sério, lobo. Tenho que ir para a escola, se quiser me formar ainda este ano. Charlie já saiu, então pode ficar e dormir o quanto precisar.” murmurei, sabendo que ainda me ouvia.
Depositei vários beijos em seu rosto, sentindo uma grande tentação a simplesmente vestir novamente o pijama e me jogar em seus braços.
“Se pudesse, ficaria.” Reclamei, baixinho, e ele resmungou novamente, algo que soou como um eu te amo.
“Também vou sentir sua falta.” garanti, antes de depositar mais um beijo em sua testa. Pesquei a mochila do chão, e segui para a porta.
O trajeto até a escola foi mais lento do que o normal. Eu não conseguia parar de pensar que havia escolhido ir para a escola, a ficar com Jacob. O absurdo da escolha fez com que me sentisse uma idiota, que havia feito a pior escolha de sua vida.
Parando a caminhonete no estacionamento da escola, imaginei que não havia nada que pudesse dar errado naquele dia. Apesar de tudo, todo o tempo que havia passado com Jacob, me fez sentir nas nuvens; nem mesmo a escola poderia me abalar.
Como eu estava errada.
Mal havia dado um passo para fora do carro, quando dei de cara com Edward Cullen parado à minha frente. Assim que notei a expressão em seu rosto, soube que meu dia havia sido arruinado, mesmo sem palavra alguma ter sido dita até o momento.
“O que foi que você fez, Bella?” Questionou, me encurralando contra a porta. Alice, ao seu lado, tinha uma expressão serena no rosto — como sempre -, porém, seu olhar era duro, como se estivesse realmente aborrecida com alguma coisa.
“Eu deveria saber do que está falando?” inquiri, segurando as alças da mochila como se fossem parte de um colete salva-vidas.
“Tem noção do perigo que está correndo, Bella?” Acusou, como se eu tivesse cometido um crime. “Apesar de tudo o que lhe disse, você, ainda assim, escolhe passar seu tempo com ele. Eu te disse que não é seguro e você, simplesmente, o deixa entrar em seu quarto à noite, e dormir lá? Não pensa que ele pode arrancar a sua cabeça a qualquer momento, por ficar irritado com alguma coisa? O que eu posso fazer ou dizer, para que perceba que ele não é uma boa escolha?!”
Encarei-o, espantada por sua linha de raciocínio. De onde ele havia tirado tudo aquilo? Como sabia que Jacob havia dormido no meu quarto? Pisquei fortemente, colocando aquelas perguntas de lado e focando em me manter firme, não querendo aparentar estar afetada por suas acusações.
“Não existe escolha, Edward. Eu já disse diversas vezes desde que voltou: não há nada que possa dizer, ou fazer, que irá mudar a minha cabeça.” Declarei, não deixando seu ataque surpresa me abalar. “Agora, se me der licença…”
Tentei dar um passo para o lado, porém ele apenas me seguiu, bloqueando o caminho. Seus olhos estavam dourado escuro, e sua expressão era quase possessiva.
“E que vida alguém como ele poderia te dar, Bella? Ele não tem planos de terminar a escola; não tem como lhe proporcionar o luxo que merece. Você vai simplesmente largar todos os planos que tinha?" Alice disse, me pegando de surpresa, e me fazendo sentir encurralada entre os dois.
Me perguntei o que a vampira estaria fazendo ali. Talvez sua presença desse alguma segurança para Edward. Alice não faria algo que soubesse que daria errado. Então aquilo significava que Edward estava usando as visões de Alice para ter certeza de dizer as coisas certas?
Estremeci com o pensamento, notando que estava, novamente, sendo manipulada.
"E quanto a faculdade? Desistiu de vez? Você é tão inteligente, e com o esforço certo, poderia ir para qualquer universidade do país! Como pode desistir do seu futuro — de uma carreira -, apenas por causa dele? Eu poderia te ajudar com isso, fazer com que isso acontecesse para você.” Insistiu. Sua voz soando agora macia, e convidativa.
Dei um passo para trás, e senti a porta de minha caminhonete em minhas costas. Os rostos de Alice e Edward preenchiam meu campo de visão; seus olhos implorando para que eu visse sua verdade.
"Sei que você passou os últimos meses entre os Quileutes, e que a visão que eles têm de nós a tem afetado, mas tem que lutar contra isso, Bella. Você, melhor do que ninguém, sabe como nossa família realmente é. Você é a única que algum dia conseguiu nos entender!" Alice exclamou, seu rosto retorcido em uma expressão de pesar. "Por favor, não deixe que distorçam o que realmente somos. Nós nunca te machucaremos. Tudo o que queremos é te manter segura! Queremos que seja feliz!"
Edward concordou — seus olhos faiscando em minha direção. “Sei que te machuquei no passado; Nunca, nunca me perdoarei pelo que fiz a você. Jurei te proteger pelo resto da minha existência… Por isso não posso ficar parado agora, enquanto assisto você-a ser machucada novamente."
"Machucada? Do que você está falando? Jacob não faria nada…"
“Você desmaiou, Bella! Passou o fim de semana inteiro preocupada, sem comer praticamente nada, e acabou desmaiando na escola!” Alice me cortou. Seus olhos eram tão grandes, tão cheios de preocupação, que não pude pensar em nada para responder.
“Você disse, ontem mesmo, que perdeu a cabeça por causa de coisas que envolvem os Quileutes.” Continuou Edward. “Como posso deixar que o escolha, quando sei que ele vai acabar te deixando, assim que focar os olhos em alguma menina nova…”
Ergui a mão no ar, parando seu discurso.
“Nada disso importa! Se é minha felicidade que te preocupa, saiba que, mesmo que acabe com outro alguém no futuro, eu jamais pensaria em trocar o que temos agora.” Declarei, tentando colocar alguma distância entre nós. Eu não iria me deixar ser controlada pelos dois. “E… só para deixar registrado: Eu não me importo com dinheiro; Nem me importo com luxo! Vocês dois, mais do que ninguém, deviam saber disso.”
“Então o que é? Por que insiste em ficar com ele, quando sabe de tudo isso? Tenho certeza que te amo muito mais do que ele jamais poderia. O que o faz ser tão melhor, que a fez desistir de todo o resto; até mesmo de mim?”
Fiquei em silêncio, sem saber como começar a responder aquela pergunta. Muitas coisas, eu quis gritar. Tudo! Tudo fazia Jacob melhor pra mim, do que ele; Mas o fato de Edward tentar insinuar que eu deveria trocar Jacob por dinheiro era tão ofensivo, tão repugnante, que as palavras sumiram da minha mente. Senti o sangue ferver em minhas veias; a raiva substituiu todo o resto, apagando qualquer outro sentimento que já tive por qualquer um dos dois. Ambos haviam ido longe demais.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, porém, Edward continuou, com a voz soando cada vez mais ressentida:
“O cheiro dele… Parece estar encravado em você.” Comentou, com o nariz enrugado, se aproximando minimamente de mim, apenas para se afastar abruptamente. “Não há um único pedaço que ainda tenha o seu cheiro maravilhoso de morangos e baunilha. Agora tudo é apenas cachorro molhado.”
O ressentimento era palpável em sua voz quando disse aquilo, soando quase como se fosse uma ofensa. Entretanto, aquilo só me fez lembrar do que Jacob havia dito no dia anterior, enquanto estávamos em sua cama, sobre como seu cheiro cobria todo o meu ser, exatamente como ele havia sonhado.
Não sei se foi a expressão em meu rosto ou o fato de ter corado, mas entendimento passou pelos olhos de Edward naquele momento, e sua expressão foi de frustração para ódio, em apenas alguns instantes.
“Ah. Então foi isso que aconteceu. Você e ele…”
Deliberadamente escolhi não responder ou comentar. Minha vida não era problema dele, ou de Alice, e eu não precisava da opinião deles sobre ela. Me virei, pronta para sair dali, porém, quando o ar saiu de seus pulmões em um tom de zombaria, eu parei.
Edward tinha um sorriso sarcástico no rosto quando disse sua próxima frase.
“Se eu soubesse que tudo que precisava para te convencer era sexo, teria feito antes.”
A lava — que antes corria em minhas veias — se transformou em um completo vulcão em erupção. Ouvi expressões de choque ao redor, e notei — apenas naquele momento -, que tínhamos uma platéia. Vários dos alunos que chegaram mais cedo à escola haviam se aproximado para saber exatamente o que estava acontecendo, e puderam ouvir as palavras de Edward.
Em um segundo, eu tinha uma expressão de choque em meu rosto; no próximo, meu punho atingia seu rosto com a maior força que consegui juntar.
Ouvi o barulho antes de sentir a dor. As interjeições de choque soaram ao meu redor, e o estalo que meu punho emitiu deixou claro que havia feito mais estrago em minha mão do que em seu rosto.
Mordi os lábios — raiva e agonia manchando a minha visão -, enquanto tentava segurar os xingamentos que ameaçavam sair por entre eles. Segurei o pulso com força contra o meu peito, a força me fazendo dobrar ao meio.
Então é isso que acontece quando se tenta socar a cara de um vampiro? Você acaba com a mão arrebentada? Por que o mundo sempre precisa ser tão injusto?!
Evitei olhar para Edward e Alice — sabendo que se o fizesse, perderia ainda mais a cabeça. Segui para a parte de trás do carro, querendo ficar o mais longe possível dos dois, e tentando não pensar na vergonha que havia acabado de passar, ao ter Edward insinuando que sexo era o que bastava para que eu fizesse qualquer coisa.
“Com licença!” Alguém exclamou entre os murmurinhos e conversas. “Saiam da frente, eu quero passar!”
Um segundo depois, Angela estava parada ao meu lado. Sua expressão era uma exata mistura de raiva e preocupação.
“Bella! Você está bem?” Questionou, passando o braço sobre meu ombro. “Meu Deus, eu vou matá-lo! Que desgraçado!”
Tentei me endireitar, respirei profundamente, e tentei ignorar a dor que, a cada segundo, parecia mais forte, porém a inconfundível voz do diretor Greene soou atrás de nós.
“O que está acontecendo aqui?” Perguntou, e logo surgiu por entre o mar de estudantes, portando uma expressão nada contente no rosto.
Os murmúrios ficaram mais altos; todos queriam ser aquele que explicaria o maior escândalo de Forks High ao diretor.
“Certo, todos para suas aulas, agora!” Exclamou o diretor, assim que uma das meninas do primeiro ano acabou de lhe contar o que havia acontecido. “Você também, senhor Newton. Vamos!”
Vendo que ninguém se mexia, acrescentou:
“Todos que ainda estiverem aqui quando me virar, estarão em detenção pelas próximas duas semanas!”
A multidão se dispersou rapidamente depois de seu comentário, não querendo ter que passar mais tempo na escola do que o extremamente necessário.
“Senhorita Swan, Senhor Cullen… Devo dizer que estou extremamente desapontado em ver dois dos meus melhores alunos metidos neste tipo de confusão. Esperava muito mais de ambos.” Censurou; seu olhar revezando entre os dois grupos que ali restavam. “Eu deveria suspendê-los por causarem todo este alvoroço no estacionamento da escola…”
“Com todo o respeito, diretor…” interrompeu Angela, ainda me segurando junto a si. “Acho que seria melhor levar Bella a enfermaria, ou melhor, ao hospital, antes de qualquer coisa.”
O diretor pareceu confuso por um momento, antes de seu olhar cair sobre meu punho, que eu ainda segurava contra o peito. Acho que meu rosto também havia perdido a cor, pois, quando seu olhar voltou para mim, ele concordou de imediato.
“Muito bem, então, senhorita Webber. Faça o favor de acompanhá-la a emergência.” solicitou, e depois virou-se para mim. “Seu pai será comunicado do que aconteceu por aqui, senhorita Swan. Nós temos zero tolerância à violência. Dessa vez, deixarei passar; mas fique avisada que, na próxima, será suspensa.”
Nem me esforcei para tentar dizer algo a ele. Ange imediatamente me virou, e me arrastou para seu carro — que conseguiria chegar ao hospital muito mais rápido que o meu -, saindo do estacionamento o mais rápido que podia.
Quando estávamos há uma certa distância da escola, minha ficha finalmente começou a cair. Edward havia, obviamente, me abordado com a intenção de me convencer a voltar com ele. O beijo da noite anterior deve ter lhe dado esperanças de que algo ainda existisse entre nós, mesmo depois de lhe ter dito mil vezes que não havia a menor possibilidade daquilo acontecer.
E ainda por cima, ele havia dito… aquilo na frente da escola inteira!
O ódio me consumiu — meus dentes se apertando com força um contra o outro.
Vagamente, me tornei consciente de que Angela desviava os olhos da estrada para olhar para mim a cada cinco segundos, como se fosse cair morta a qualquer momento.
“Eu estou bem, Ange.” Garanti. Meu tom saiu mais duro do que esperava.
“Uma ova que está.” Grunhiu de volta; seu humor tão ruim quanto o meu. “Meu Deus, ele praticamente te chamou de puta na frente da escola inteira!”
Senti meu rosto esquentar, e desejei desaparecer.
“Por favor, Bella, não me diga que está se culpando pelo o que aconteceu? Ele foi um cretino por dizer aquilo, ainda mais sabendo que todos estavam ao redor! Eu mesma teria ficado por lá para te ajudar a bater nele, mas sua mão pareceu estar bem ruim.”
“Claro que não me culpo. Só não consigo acreditar que ele tenha mesmo me humilhado daquele modo.” Respondi, não querendo olhar para o seu rosto.
Ficamos em silêncio por apenas um segundo, antes dela praticamente gritar, batendo no volante com toda a sua força. “Como se atreve a dizer aquilo para você?! Tomara que Jacob destrua aquela cara bonita dele; Edward não a merece. Aposto que Charlie nem o mandaria para a cadeira por agressão.”
Eu teria rido, se não estivesse com tanta dor e vergonha. Até mesmo Angela tinha a noção de que Charlie favorecia Jacob. Mas, pensando melhor, eu não poderia deixar de me sentir preocupada com aquela possibilidade. Jacob já não estava contente com os últimos acontecimentos; quando ficasse sabendo do ocorrido, talvez mandasse tudo para o ar de vez.
Quando chegamos ao hospital, uma enfermeira já aguardava na porta. Ela nos levou para uma das salas de atendimento, enquanto Angela resmungava qualquer coisa sobre pessoas de cidade pequena serem fofoqueiras demais.
Não demorou muito para que a enfermeira terminasse sua triagem; preencheu a prancheta presa a maca, e insistiu que eu me sentasse.
Angela parecia ter se acalmado um pouco depois de a enfermeira tê-la assegurado de que não parecia ser tão grave, e que o médico logo estaria ali. Entretanto, perdeu as estribeiras novamente quando Carlisle Cullen passou pela porta.
Não pude evitar o longo suspiro que escapou por meus lábios. Claro que ele tinha de ser o médico de plantão.
“Uhm, será que podemos ter outro médico?” Questionou Angela, falando alto, pronta para procurar pela enfermeira, mas eu agarrei o seu braço, antes que pudesse.
“Ange, estou bem; não tem problema.” Garanti. “Pode ir lá fora tentar encontrar meu pai? Tenho certeza de que — com as fofocas voando — ele já ficou sabendo, e deve estar por aqui.”
Ela me observou por um momento, buscando a certeza de que estava tudo bem, antes de sair, lançando um olhar frio na direção do médico.
Carlisle pareceu hesitante ao se aproximar de mim, confuso com a atitude de Angela, que sempre foi gentil com todos à sua volta.
“Bella… Jackie me disse que machucou a mão. O que aconteceu?” Perguntou, olhando para as anotações da prancheta.
“Soquei a cara de um vampiro.” Respondi, sem mais delongas.
Aquela parecia ter sido a última coisa que ele esperava ouvir, pois seus olhos arregalaram tanto, que pensei que fossem sair para fora das órbitas.
“Vo-Você fez o quê?!” Questionou, parecendo genuinamente surpreso. Para alguém com uma audição tão boa, era surpreendente saber que ele não prestava atenção nas fofocas da cidade, como as enfermeiras. “O que aconteceu?”
Eu não queria responder aquela pergunta; não sabia nem ao menos como começar. Como a minha manhã havia ido de estar nas nuvens, acordando com Jacob ao meu lado, para uma visita ao hospital? Eu não queria ter que explicar para o pai do meu ex, que o seu filho havia sido um idiota comigo.
“Edward não quer que eu siga a minha vida, após ele mesmo ter dito para que eu seguisse minha vida.” Eu disse, soltando um longo e cansado suspiro. “Sou a única que acha isso confuso?”
A expressão — geralmente serena — de Carlisle, tornou- se quase obscura. Naquele momento, ele pareceu estar tão desconfortável quanto eu. Imaginei que nenhum pai gostaria de ouvir algo ruim que o filho tivesse feito; adotivo, ou não.
“Posso checar seu punho?” perguntou, educadamente. Eu o deixei fazer seu trabalho, e respondi às suas perguntas no mesmo tom formal em que as fazia. Depois de alguns minutos naquele ritmo, ele anunciou que iria informar a enfermeira de que eu precisaria fazer um raio-x.
Nem um minuto depois dele sair da sala, Charlie entrou. Seu rosto estava vermelho como um pimentão, e sua respiração pesada, como se tivesse corrido o caminho todo até ali.
“Bella! Bella, você está bem?!” Perguntou afobado, segurando meu rosto com ambas as mãos e o movendo de um lado para o outro, como se esperasse achar algum ferimento em minha cabeça.
“Estou bem, pai.” Respondi, meio que sorrindo da sua afobação. “Machuquei a mão socando a cara de Edward Cullen, só isso.”
Ele parou por um momento, e me encarou fixamente.
“Por Deus, Bella, me disseram que você havia apanhado no estacionamento da escola!”
Encarei-o, descrente, antes de uma risada estressada escapar por entre meus lábios. Logo ambos estávamos rindo abertamente no consultório médico.
“Você devia saber — melhor do que ninguém — que não se deve confiar em fofocas, xerife.” Proferi, ainda tentando controlar a risada.
“Quando tiver filhos, vai entender, Bells.” Resmungou, antes de se sentar na cadeira para acompanhante, que estava acomodada em frente à maca. “Então você socou mesmo ele?”
“Ele mereceu.” Respondi, dando de ombros. “Aliás, o diretor Greene disse que iria te ligar para falar sobre o meu ato de violência em terreno escolar.” Alertei.
“Já falei com ele. Não se preocupe, não será suspensa, nem nada. Primeira infração, ele disse.” Assegurou. “Mas, honestamente, Bella, que vergonha!”
Eu não tive opções além de abaixar a cabeça, me preparando para o sermão que estava por vir. Querendo ou não, eu havia infringido as regras da escola, por mais que Edward tivesse merecido.
“A filha do chefe de polícia, e não sabe nem socar alguém da maneira correta?!” Exclamou exaltado, sacudindo a cabeça. “O que você fez? Socou com o dedo pra dentro? Você precisa de aulas de defesa pessoal urgentemente!"
Tive que piscar algumas vezes, até entender o que ele estava dizendo.
“É com isso que está preocupado?” Perguntei, exasperada. “Nem ao menos vai perguntar o por que de eu tê-lo socado?”
“Você mesmo disse que ele mereceu! E eu sei que o cara é um idiota. Para mim você nem precisava de um motivo.” Bufou, fazendo pouco caso. “Ele já vem merecendo há um bom tempo, e você precisava descontar sua raiva de alguma maneira. Pelo menos não passou por cima dele com o carro, ou algo assim.”
“Então não estou encrencada?”
“Não, Bells, pelo contrário. Estou orgulhoso por ter se defendido. Só tente não fazer isso no terreno escolar, da próxima vez.”
A enfermeira apareceu logo em seguida, indicando para que eu a seguisse até a sala de raio-x. Àquela altura, meu pulso estava duas vezes maior do que o tamanho original, e ainda mais dolorido do que antes.
Quando voltei para a sala, Charlie estava parado ao lado da porta, esperando por mim. Entramos juntos, mas, dessa vez, ele ficou em pé, próximo a parede, enquanto eu me sentava novamente na maca, esperando o resultado do exame.
Charlie passou os próximos minutos explicando, meticulosamente, como eu deveria fechar a mão caso pretendesse socar alguém. Até mesmo demonstrou como era possível acertar alguém com o antebraço ou o cotovelo, para que eu evitasse fazer força desnecessária no pulso.
Sinceramente, foi engraçado ver o, geralmente quieto e taciturno, Charlie, demonstrar as suas habilidades, ali, naquela sala apertada de hospital. Pra mim, era muito fácil esquecer que ele era, afinal de contas, um policial.
Carlisle apareceu após alguns minutos, com o raio-x nas mãos. Suspirei pesadamente ao ver a tala em sua mão, mas agradeci por não haver nenhum gesso à vista. A tala eu poderia — pelo menos — tirar para tomar banho.
Quando saímos, alguns minutos depois, eu tinha minha mão imobilizada, pendurada em uma tipóia, e carregava o raio-x, pois Charlie havia insistido que queria emoldurá-lo, e pendurá-lo na parede. “É um lembrete do seu primeiro soco, e de que deve aprender a não cometer os mesmos erros nos próximos”, ele disse, com um sorriso orgulhoso.
“Bella, por que não vai na frente, e avise Angela de que está bem? Ela estava com os nervos à flor da pele, quando me encontrou.” Sugeriu Charlie.
Eu concordei, me levantando da maca.
“Obrigada, Carlisle.” Agradeci, lhe lançando um pequeno sorriso, e segui pelo corredor comprido do hospital, virando a esquina no acesso à recepção, onde Angela provavelmente esperava.
Antes que pudesse chegar muito longe, porém, estaquei ao notar que podia ouvir o que Charlie dizia, ainda dentro da sala.
“Olha, Carlisle, sabe que tenho muito respeito por você, e pelo que faz pela comunidade; e sei que não tem culpa pelo que Edward faz ou diz. Ainda assim, por favor, pode pedir a ele que fique longe da minha filha?” Pediu, em uma voz dura. “Já estou cansado de ver minha filha sofrer por causa dele.”
Senti meu rosto ganhar alguns tons de vermelho, rapidamente. Charlie havia ficado para trás para me defender? Não sabia porque eu ainda ficava surpresa pelas coisas que ele fazia por mim, sem que eu soubesse.
Sorri sozinha no corredor vazio, agradecida por poder contar sempre com o meu pai.
Carlisle chegou a responder alguma coisa, mas eu já havia voltado a andar, e estava longe demais para conseguir distinguir o que ele era. Honestamente, eu não me importava com a resposta.
Por fim, Angela realmente ainda esperava na recepção, e precisou ouvir pelo menos trinta vezes que eu estava bem, que apenas precisaria tomar alguns remédios para dor, e deixar o braço imobilizado por algumas semanas, antes de ela acreditar, e relaxar um pouco.
“Bella, eu tenho que voltar ao trabalho. Você já pegou tudo?” indagou Charlie, passando pelas portas duplas, atrás de mim.
“Se você estiver com muita pressa, posso levá-la para casa, Sr. Swan.” Angela ofereceu, lançando um sorriso. Charlie pareceu indeciso por um momento, porém, acabou por aceitar quando o celular do trabalho tocou novamente.
“Ok, mas direto para casa! Uma viagem para o hospital é o suficiente por hoje.” Exclamou. “Bells, me dê suas chaves que eu dou um jeito de trazer a caminhonete para casa, mais tarde.”
Assenti, buscando minhas chaves na mochila e plantando um beijo longo em sua bochecha, antes de nos despedirmos. Logo em seguida, Angela enganchou seu braço ao meu — o não quebrado -, e me rebocou para fora do hospital.
Vendo pelo lado bom, eu, pelo menos, eu teria mais um dia livre da escola.
O lado ruim era que minhas expectativas de me formar no final de Agosto estavam ficando cada vez menores.
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