Fugitivos

1 A Noiva e O Vampiro


Notas iniciais
Espero que gostem :)

NARRADO POR DAMON

Eu estava indo embora, sem levar nada, sem saber pra onde ir. Não queria minha vida, não queria nada. Enquanto dirigia, comecei a pensar nos reais motivos de tudo isso, o que me distraiu... Foi quando eu quase atropelei alguém.

Olhei pra frente,vendo uma garota... E... Ela estava...

—Vestida de noiva?-Murmurei, espantado. O que uma noiva fazia no meio da rua? Ela se aproximou da janela, segurando a barra do vestido. -O que fazia ali, sua louca?

—Pode me dar uma carona, por favor?

—Onde está indo?

—Pra longe. Apenas... O mais longe possível.

—Entra. -Ela respirou fundo e entrou. O vestido era todo cheio na parte debaixo, e justo em cima. Seja quem for a garota, era linda, com olhos grandes e azuis claros, e cabelos escuros. Gente, eu tenho uma versão feminina!-Você não devia estar em uma igreja?

—Eu... Eu fugi.

—Fugiu? Do próprio casamento?

—É mais comum do que imagina.

—Por que fugiu?-Ela olhou pela janela.

—Não queria me casar. Era um casamento de aparências.

E... Meu noivo não gostava de mim, assim como eu não gostava dele.

—Que tipo de idiota não gostaria de você?

—Eu acho... Que ele é gay, mas nunca se assumiu. -Olhou pra mim. -Não sei seu nome.

—Damon.E você...?

—Emma. Então, pra onde está indo?

—Não sei.Acho que também estou fugindo.

—Então somos dois. -Ri.

—É.

Mas eu não estou fugindo de um casamento. Você não podia só ter dito que não queria?

—Meus pais não iam aceitar.

Eles adoram mandar na minha vida, decidir por mim. Tem sido assim há dezoito anos. Não tenho escolha. Não posso ser quem eu sou.

—Entendo perfeitamente.

—E eu sou aquele típico caso: vivo na sombra da minha irmã, a senhorita perfeição.

—Continuo entendendo.

—Ficam me comparando com ela, sabe?

—É bem isso. -Olhei pra ela. -Você é real?

—Sim! Você também passa por essas coisas?

—O tempo todo. Será que não percebem que isso é chato? Nós somos nós mesmos, e não nossos irmãos.
—Assim mesmo! Que raiva. -Ela começou a brincar com um colar em forma de gota e ficou quieta. Eu nunca tinha encontrado alguém que concordava tanto comigo, ou que sabia como era ser... Como eu era.

—Posso dizer uma coisa estranha?

—Mais estranho do que esse encontro? Diga.

—Quer fugir comigo?-Emma olhou pra mim de novo.

—Você é um serial killer?

—Não.

—É da polícia?

—Não.

—Então tá. Vamos fugir juntos. -Tive que rir. Era meio absurdo, mas eu queria fugir com ela. E era estranho, mas eu não queria machucá-la. -Gostei de você.

—Obrigado.-A placa que avisava que estávamos saíndo da cidade apareceu.

—Pode parar, rapidinho?

—Tudo bem.-Parei no acostamento. Emma saiu do carro e começou a andar, entrando numa ruazinha lateral que levava até um parquinho abandonado.

—Eu sempre quis vir aqui brincar com as outras crianças. Meus pais nunca deixavam. Eu tinha que... Estudar parar ser a melhor. Que criança tem aula de piano desde os quatro anos de idade?

—Tá brincando?

—Não. Eu tinha. -Ela revirou os olhos. -E era um saco. Acho que podemos ir agora. -Dessa vez, nós ficamos um bom tempo em silêncio, até Emma se virar no acento para olhar pra mim. -Do que está fugindo?

—Muitas coisas. Está fugindo só do casamento? É só por isso?

—Não. Eu quero ser livre, e quero ser eu mesma. E... Estar com pessoas que... Gostam de mim, e que eu gosto. Estar onde quero estar.

—É por isso que eu quero fugir também. Somos mais parecidos do que o possível. -Mas, infelizmente, ela era humana. Havia uma barreira.

—É, que curioso. Eu vim pedir ajuda justo pra você.

—É o destino. -Ela riu.

—Quem sabe? Eu meio que acredito nessas coisas.

—Tipo?

—Coisas que não parecem reais. -Agora isso me interessou. -Algo como... Não sei. Dizem que só vemos o que queremos ver. Por isso eu tenho a mente aberta.

—Então... Se visse algo que não é normal... Você não é do tipo de grita?

—Isso aí. Eu sou do tipo que entende. E dependendo do assunto... Aceito. -Okay, isso é bom. -E você?

—Acredito em quase tudo... Menos em pessoas.

—Wou. É o que dizem... Humanos são seres horríveis.

—Disse a humana.

—Qual é? É verdade. Temos que admitir.

—Você tem razão.

—Posso dizer uma coisa absurda?

—O que?

—Te conheci hoje, e sinto que te conheço há anos. -Olhei pra ela.

—Acontece.

As horas foram passando, Emma foi contando mais sobre ela e eu sobre mim. Ela era legal e divertida, e fácil de conversar. A única coisa que eu não disse pra ela, era o que era de verdade.

Nós paramos num hotelzinho, fora da cidade. A recepcionista perguntou se éramos casados e Emma mentiu, dizendo que sim, enquanto ria sem parar. Não tinha como inventar outra coisa, sendo que ela estava vestida de noiva.

Tinha chovido, e quando saímos do carro, foi invevitável ficarmos encharcados. Isso fez Emma rir mais ainda. Descobri que ela gostava de rir por qualquer coisa.

—Amanhã eu preciso comprar roupas novas pra você.

—É. Não posso sair por aí vestida de noiva. -Ela disse. -Vão achar que me sequestrou no meu casamento.

—Se eu te conhecesse... Teria te sequestrado mesmo.

—Duvido. Só se fosse pra me matar. Meu noivo disse que eu sou um saco.

—Ele é um idiota. Um grande idiota. -Emma começou a rir, mas parou quando me aproximei dela.

—Você está pensando em fazer o que eu acho que está pensando, não é?-Fiz que sim. -Isso pode ser interessante. Ah, dane-se, eu nem tenho mais um noivo. -Ela passou os braços pelo meu pescoço e me beijou.

Ela não seria apenas uma garota, ela seria "A" garota. Talvez o destino não me odiasse, afinal. Talvez eu estivesse recebendo... Uma recompensa.

***

—Bom dia. -Emma disse, sorrindo. Isso não era irritante, nela. Mesmo com um passado ruim, ela conseguia ser feliz. -Você é fofo dormindo, se eu posso comentar.

—Obrigado.

—Então, não quer me contar nada?

—Tipo...?

—Tipo que você não tem nada de humano?

—O que?

—O que você é, de verdade?

—Emma. -Me sentei, ela fez o mesmo.

—Eu sei que você tem... Algo diferente, algo mais do que inumano. Eu só não sei dizer o que. Mas acho que agora sei. -Apontou para o meu anel. -Já ouvi sobre isso. Tudo bem que minha avó está num hospício agora, mas acho que ela tinha razão no que falava. É mesmo verdade?

—Você é rápida.

—Você é um vampiro? Tipo... Uau. Juro que mantenho segredo, o guardarei com a minha vida. -Olhei pra ela. -Verdade. Nada contra.

—Boa reação.

—O que? Eu tinha que desmaiar ou gritar?

—Não. Assim é bom. -Ela sorriu mais ainda.

—Ótimo.

—Vou sair pra comprar roupas pra você, e logo volto. -Me levantei, ela me puxou pelo braço, sem o sorriso agora.

—Promete que vai voltar.

—Prometo.

Emma escondeu bem a surpresa quando me viu voltar. Ela estava acostumada a ser abandonada e chutada o tempo todo, então se surpreendeu bastante. Logo, ela estava com algo que não era um vestido de noiva, e cantando no banco do carona, enquanto íamos para bem longe, mas sem um rumo certo.

—Canta comigo, Damon!

—Não. Eu não canto. -Avisei.

—Ah, e daí?-Ela aumentou o volume. Ironic, da Alanis Morissette. Revirei os olhos. -Canta!

—Nem pensar.

—Olhe só, estou implorando. -E piscou os olhos pra mim, uma boneca rebelde e feliz, o que era estranho. -Eu conto até três,ok?

E lá fomos nós:

—It's like rain on your wedding day
It's a free ride when you've already paid
It's the good advice that you just didn't take
And who would've thought...It figures...

Alguns Anos Depois...

Nunca paramos de fugir, sempre estando em lugares diferentes, conhecendo pessoas novas e sendo quem queríamos ser.

Nossa parada recente havia sido no Havai. Uma casinha pequena na beira da praia. Emma estava pensando seriamente em se tornar vampira, mas disse que precisava de um tempinho pra pensar nisso.

—A última questão séria você decidiu bem rápido. -Provoquei. Ela riu.

—É, eu amo fazer loucuras sem pensar.

—Chama aquilo de loucura?

—Chamo. -Me deu um beijo rápido. -E coloca loucura nisso. -No lado de fora, alguém bateu na porta.

—Eu atendo.

—Okay. -Ela foi pra cozinha, enquanto eu ia atender. Não gostei nem um pouco de quem encontrei.

—Olha só, minhas duas pessoas menos favoritas. O que querem?

—Ter certeza de que está se mantendo na linha. -Stefan respondeu. Elena cruzou os braços e olhou pra dentro da casa. -Você sumiu sem dar notícias.

—Eu fugi,oras.

—Quem é?-Emma perguntou, se aproximando. -Ah, oi. Vocês devem ser Stefan e Elena, certo?

—Infelizmente, são eles, sim.

—Hum.

—E essa é...?-Elena perguntou.

—Sou Emma. Esposa e companheira de fuga de Damon.

Esposa?-Ela e Stefan repetiram, juntos. Emma e eu trocamos olhares.
—É. Não é incrível como o destino pode ser surpreendente?

Notas finais
Bem, é isso. Ah, se você leu, bem que podia comentar o que achou, não é? Bjs! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!