Fugir Não é Mais Uma Opção
16 Nico
Notas iniciais
Sai tarde do meu chalé hoje e quando cheguei na mesa todos já estavam sentados e comendo. Percy quando me viu me lançou um sorriso e me deu espaço para sentar ao seu lado, me sentei e ele bagunçou meus cabelos . Imaginei um café só para não passar a refeição em branco. Fiquei em silencio o tempo todo e, apesar das tentativas de Percy de puxar conversa comigo, eu apenas murmurava algo e por fim ele desistiu. Terminei de tomar meu café e deitei a cabeça na mesa, não entendo por que estou tão desanimado hoje, era para estar animado esperando um dia divertido com Percy e Castiel, mas não. Eu só quero ficar quieto hoje. Senti algo morno tocar minha testa e abri os olhos, Percy tinha a mão sobre minha testa e me olhava preocupado.
–Nico, você não quer comer mais nada? – Disse ele tirando o cabelo da frente de meus olhos. Balancei a cabeça devagar negativamente. — Tem certeza? Nem mesmo um biscoito ou uma torrada?
– Não, obrigado. – Meus olhos estão tão pesados. Fechei os olhos e Percy voltou a mexer em meu cabelo. Eu poderia dormir tranquilamente com esse toque dele.
– Você esta com febre Nico. – Disse ele.
– Não se preocupe...- Eu disse bem devagar, queria que ele voltasse a mexer no meus cabelo para eu dormir...
– O que o Nico tem? – Era a voz de Castiel.
– Parece que ele esta com febre.- Respondeu Percy preocupado, admito que fiquei feliz em saber que ele se importa comigo e sorri minimamente.
– Deixa eu ver. – Castiel encostou sua testa na minha e depois acariciou meu rosto. – Ele deve ter ficado na friagem ontem. Não é a primeira vez que ele fica assim. Ele comeu direito?
– Não, ele nunca come bem. Afinal, é de Nico que estamos falando. – Agora era Jason que falava. Abri os olhos e olhei para ele o reprovando por me delatar, mas não surtiu muito efeito então os fechei de novo. Senti outras mãos tocarem meu rosto, essas eram mais delicadas.
– Vou te bater quando você melhorar Nico!- Era Camile e me deu um beijo na testa. – Você tem que comer garoto!
– Não estou com fome...- Murmurei e me levantei. – Vou voltar para o meu chalé...
– Sozinho? – Perguntou Percy preocupado. — Eu vou com você.
– Você gosta tanto da minha presença assim Jackson? – Eu disse tentando sorrir de lado mas nem isso eu consegui.- Não preciso de sua preocupação.
– Como sempre fazendo jogo duro.- Castiel revirou os olhos. – Nico você está com o açúcar baixo, de novo!
– Idai? É só dormir um pouco que eu melhoro...
– Como se nos fôssemos deixar você ficar sozinho mal desse jeito. – Disse Camile.
– Alguém fique com Nico no chalé dele por hoje. – Disse Jason. – Quem se habilita?
–Eu! — Castiel e Percy disseram juntos e depois se fuzilaram. Revirei os olhos não to com saco pra essa briguinha sem sentido dos dois agora.
– Faremos turnos então... — Disse Camile. – Primeiro Castiel, depois eu e Percy cuidará dele durante a noite. – Mesmo mal eu ainda pude corar por ouvir que passaria a noite com Percy.
– Eu concordo. – Percy disse e se virou para mim e colocou a mão em meu rosto.- Você está mais vermelho, será que a febre aumentou?
– Vocês não acham que é melhor levá-lo para a enfermaria? – Perguntou Jason. Eu o fuzilei com o olhar, eu odiava aquele lugar!
–Não, não vou para nenhum outro lugar fora meu chalé e minha cama. – Afastei a mão de Percy de meu rosto e dei as costas para eles. – Estou indo, quando resolverem quem ficará de babá , o que não é necessário, vão ate la. – Ouvi Castiel suspirar assim como Jason. Caminhei lentamente ate meu chalé. Entrei a tirei a jaqueta, a joguei em algum canto e me deixei cair na cama, dormindo logo depois.
..........
–Acordou bela adormecida? – Castiel afastou maus cabelos encharcados da minha testa enquanto eu abria os olhos de vagar. – Se sente melhor?
– Não sei...- Ele pegou um pano molhado e passou no meu rosto e pescoço, era frio e me deu arrepios.
– Sua febre aumentou durante as ultimas duas horas, então eu tirei sua camisa. Você ficou ate que horas ontem na floresta Nico?
– Não sei, já estava clareando quando eu vim para o chalé . – Eu disse me sentando mas Castiel me forçou a deitar de novo. – Não quero mais dormir.
– Não te perguntei. – Ele agora passa o pano molhado por meu peito e barriga, me concentrei para não deixar escapar nenhum barulho. Olhei para o rosto de Castiel e ele não parecia fazer o que fazia com malicia, só pude identificar preocupação em seu rosto.
–Não é a primeira vez que cuida de mim por ficar assim...- Ele acenou afirmativamente com a cabeça. – Então por que está com essa cara?
– Estou preocupado com você Nico. – Ele agora olhava diretamente para meus olhos e me senti pequeno. – Pensei que depois de tudo que passou, principalmente ficar preso em um jarro vivendo de romãs, iria fazer você pegar gosto por comer, mas eu estava errado não é? – Não respondi e desviei o olhar. Castiel suspirou e voltou a enxugar meu corpo soado com o pano me fazendo morder o lábio inferior. – Pensei que por Percy voltar e começar a falar com você ira te fazer começar a dormir direito... Estava errado de novo... – Ele jogou o pano na bacia e me olhou com certa raiva, encolhi os ombros, Castiel estava serio e isso quer dizer que vou escutar.
– Eu...- Comecei mas ele me mandou ficar quieto e eu obedeci.
– Pensei que quando Percy voltasse você iria se cuidar mais. Prestar atenção no que seu corpo precisa para continuar se movimentando! – Ele apoiou os cotovelos na cama e escondeu o rosto nas mãos.
– Você está fazendo tempestade em copo d’água Castiel, foi só uma recaída. Nada de mais...- Ele me olhou com reprovação entre os dedos e eu calei a boca.
– Uma recaída... Sabe quantas recaídas você teve durante o tempo que nos conhecemos? – Balancei a cabeça negativamente. – Quinze! Quinze vezes que você estava fraco de mais para fazer qualquer coisa, quinze vezes que caiu de fome e cansaço!
– Isso não vai mais acontecer... – Ele riu com amargura e passou a mão pelos cabelos.
– Quantas vezes eu já ouvi isso? – Ele suspirou e apontou para o lado da cama. – Tome esses comprimidos Nico.– Me sentei, minha cabeça parecia rodar, peguei os comprimidos em cima da escrivaninha e os tomei.
Algum tempo passou e ficamos quietos, minha visão ficou embaçada, senti meu rosto ficar quente e minha cabeça doer mais, então as coisas pareceram se movimentar mais devagar e a girar. Castiel estava com a cabeça entre as mãos ainda então estiquei a mão para tocá-lo, eu nunca havia feito isso então minha mão tremeu um pouco ate chegar ate sue cabelo, eles eram macios e lisos..
– Não pense que mexer no meu cabelo ou qualquer coisa vai me fazer parar de chamar sua atenção.
–Desculpe...- Ele ficou quieto.
– O que disse?
–Desculpe por te fazer ficar preocupado comigo... — Acariciei seus cabelos, fazia cócegas nos meus dedos. – Desculpe por toda a preocupação que te faço passar Castiel...
– Ao invés de se desculpar podia se cuidar... Eu ficaria mais satisfeito com isso. – Ele levantou a cabeça e eu deixei minha mão cair na cama.- Mas eu nunca vou deixar de me preocupar com você Nico. – Ele sorriu e eu corei, pela primeira vez reparei como seu sorriso era bonito. – Não importa o que aconteça ou com quem ou onde esteja, vou sempre me preocupar... – Ele acariciou meu rosto e eu permiti, seu toque era carinhoso e pela primeira vez aceitei os seus carinhos e os senti de verdade.
– Isso é bom...- Eu disse sem pensar. Ele sorriu.
– O que é bom?
– Isso... O que você esta fazendo... É bom. – Eu fechei os olhos para sentir melhor.
– Eu sempre fiz isso com você, por que só agora fala que é bom? – Ele agora acariciava minha bochecha com o polegar.
– Sempre vi seus toques como assédio então ignorava. – Coloquei minha mão sobre a sua e abri os olhos. – Não sei por que fazia isso...- Castiel tirou o termômetro de debaixo do meu braço. Eu nem tinha percebido ele ali.
– Como imaginei...- Ele sacudiu o aparelho. – Você esta delirando de febre... 42 graus, fora que os comprimidos devem estar fazendo efeito.
– Pode ser... – Levei minha mão ate seu rosto e acariciei. – Fazer isso também é bom...- ele sorriu e beijou minha mão.
– Um Nico carente e carinhoso... – Ele riu. – Quero estar por perto quando você se lembrar do que esta fazendo e dizendo...
– Estou dizendo a verdade...- Me aproximei dele e beijei seu rosto.- Isso também é bom...- Ele pegou meu rosto e beijou meus lábios e eu permiti, era gostoso sentir sua boca quente e macia na minha. Sua língua pediu passagem e eu dei. Ele movimentava a língua dentro da minha boca e eu imitei o que ele fazia. Nos separamos e eu olhei em seus olhos. – Isso é melhor...
– Parece que você está drogado Di Ângelo...- Ele selou nossos lábios de novo rapidamente. – Queria poder aproveitar esse seu momento de insanidade mas meu turno já esta acabando, Camile já me cedeu o dela e Percy já deve estar vindo. – Ele se levantou, mas eu segurei seu braço. Eu quero sentir mais coisas gostosas.
– Fica...- Ele me olhou e mordeu o lábio.
– Percy realmente vai se divertir...- Ele se inclinou e beijou minha testa, isso também era bom. Ouvi batidas na porta e Castiel me fez deitar na cama. – Entra ai cara.
– Como ele ta? – Percy entrou e meu coração disparou, senti meu rosto ferver.
– Delirando por conta da febre.- Castiel foi ate uma mesinha e voltou com um copo. – Bebe isso aqui Nico. – Peguei o copo com as duas mãos, era gelado, tomei a água devagar. – Dei uns comprimidos para ele mais cedo e provavelmente ele vai acabar dormindo de novo só, até la tente fazê-lo comer.
– Tudo bem. – Castiel colocou a mão no ombro de Percy e eu sorri.
– Eu gosto de ver vocês juntos e sem brigar...- Sorri e os dois coraram.
–Ele realmente não ta bem. – Disse Percy e Castiel riu.
– Divirta-se, mas não deixe ele te fazer ir longe de mais, lembre que ele não tem consciência do que esta fazendo.
– Tenho sim...- Eu disse devagar, tudo que eu fiz dês da hora que acordei foi devagar mas agora parecia ser em câmera lenta...Me sentei e me senti tonto.
– Não, não tem. – Castiel agachou na minha frente e sorriu. – Só quero ver o que você fará amanha quando estiver melhor. Estou realmente ansioso! – Ele riu e eu me inclinei e selei nossos lábios de novo, aquilo era muito gostoso. Ele me afastou pelos ombros e eu fiz bico. – Entendeu o que eu quis dizer? – Ele agora falava com Percy que arregalou os olhos. – Ele esta pior que um drogado...-
– Cer-Certo...- Percy coçou a nuca. – Eu vou tomar cuidado. — Castiel se levantou e saiu do chalé, minha cabeça latejava. Olhei para os lados, as coisas estavam girando, Percy estava sentado na beirada da minha cama quieto me observando. Eu sorri e ele riu também, olhei para o teto e o vi se deformar, parecia uma sopa sendo misturada, eu comecei a rir.
– Cara, você definitivamente não ta bem!- Disse Percy rindo de mim, eu nem liguei, o teto estava dançando. Quando enjoei de ver o teto se mexer olhei para a lâmpada, ela parecia se afastar e se aproximar, eu tentei pega-la e ria toda vez que não conseguia. Percy gargalhava em algum lugar e aquele som me fez rir mais. Não sei por quanto tempo fiquei assim, mas comecei a sentir sede.
– Quero mais água cabeça de alga...- Ele me olhou surpreso, estava sentado na minha cama de frente para mim, se levantou e me trouxe um copo cheio,se sentando no mesmo lugar de antes, eu o peguei e bebi rápido e um pouco vazou pela minha boca escorrendo pelo meu tórax e barriga eu observei água descer pelo meu corpo, era muito interessante . – Obrigado. – Entreguei o copo. Ele pegou e colocou na cômoda.
– Você ta estranho Nico...- Eu olhei para seus olhos verdes brilhantes, eram tão bonitos, eu sempre achei isso. Estiquei minha mão e acariciei seu rosto, sua pele era macia. Ele me olhou surpreso e depois fechou os olhos.
– Abra os olhos Percy...- Pedi manhoso, mal reconhecendo minha voz. – Gosto deles... – ele abriu os olhos e sorriu.
– Deuses nem da pra acreditar nisso. – Ele pegou minha mão com delicadeza a afastando e se levantou. Observei ele atravessar o quarto e voltar com uma maçã.- Come isso Nico. – Peguei a maçã, era vermelha, um vermelho quase tão bonito quanto os olhos de Castiel. Mordi e o gosto era muito bom, em poucos segundos não tinha mais nada dela. – Que fome em, é bom que coma direito não queremos te ver assim de novo.- Ele me deu um copo com um liquido estranho dentro, imagino que seja néctar. Olhei para Percy, acho que o gosto que eu quero sentir e o de sua boca, mas eu não o conheço. Coloquei o copo no criado mudo e olhei para Percy.
– Aquilo é néctar? – Perguntei com a voz manhosa ,que eu não acredito ainda sedo a minha. Ele afirmou com a cabeça.
– Beba, vai te fazer sentir bem melhor...- Eu me inclinei para frente e segurei seus ombros, eram fortes. – O que foi? – Perguntou rindo e segurando meus cotovelos com as mãos, minha cabeça girava.
– Quero sentir um gosto quando beber, mas eu ainda não o conheço...
– E qual seria? – Ele riu mais e bagunçou meu cabelo.
– O seu...- Selei meus lábios com os seus devagar e com cuidado, Percy pareceu surpreso mas depois me segurou minha cintura e invadiu minha boca. Eu cedi e imitei o que fiz com Castiel minha língua se entrelaçava com a de Percy, a boca dele tem um gosto agridoce, muito gostoso. Coloquei minhas mãos em sua nuca aprofundando mais o beijo e ele me puxou pra mais perto pela cintura, o lugar onde suas mãos me seguravam ardiam, não um arder de dor ou queimação, mas um gostoso...Não sei como explicar. Fiquei sem ar e me afastei de Percy voltando a me sentar na cama, meu corpo parecia ter acabado de levar um choque e eu tremia um pouco, peguei o copo de néctar e bebi o líquido, ele tinha o mesmo gosto da boca de Percy, eu sorri ao constatar isso. – O brigado. O gosto agora é igual. – Percy me olhou espantado e corou, depois olhou para mim e sorriu docemente, senti como se varias borboletas voassem no meu estomago.
– Que bom que gostou. – Ele sorriu e acariciou meu rosto, a sensação era diferente de quando Castiel me toca, era melhor. Um rastro quente ficava onde Percy me tocava, fechei os olhos, ele passou o dedão sobre minha boca, fez cócegas e eu ri. – Acho que estou abusando de você Nico... Desculpe...- Eu o olhei confuso.
–Hum? Não precisa se preocupar, é bom... — Bocejei. Meus olhos pesavam e minha cabeça girava mais ainda que antes. O néctar fez efeito, pois senti que estava satisfeito e com mais força, mas mesmo assim eu estava com sono. — Acho que vou dormir...
– Você realmente não tem consciência do que esta fazendo certo?- Ele perguntou se sentando ao meu lado.
– Claro que...- Bocejei.- Que tenho.- Me deitei na cama e fiquei de lado olhando para ele. – Por quê?
– Será que vai se lembrar das coisas que esta fazendo amanhã? – Eu não to entendendo muito bem mais o que Percy esta falando. Meus olhos estão pesados e minha cabeça também. – Eu torço para que não se lembre. – Percy se deitou e segurou meu rosto para que eu o olhasse. – Um beijo de boa noite antes de dormir Nico? – Acenei positivamente com a cabeça, não sei o que ele falou, meus olhos já estão fechados. Senti algo macio em minha boca e depois algo molhado em meus lábios abri a boca e aquilo entrou e começou a explorar. Era muito bom. Mordi aquele negócio e senti uma dorzinha no lábio inferior, mas ao mesmo tempo era gostosa. Senti meu corpo sendo prensado em algo quente e firme, e minha cintura ser enlaçada, algo quente e que me causou arrepios pelo corpo passou por minha me acariciando ali. Eu queria sentir mais daquilo mas meu corpo ficou mole e eu não senti mais nada, parei de brigar com o negócio na minha boca e senti ele sair e aquela coisa macia e quente encostar em meus lábios de novo. Me aconcheguei no lugar quente que antes meu corpo estava colado. – Boa noite Nico. – Ouvi a voz de Percy, mas cai da inconsciência antes de responder.
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