Fugir Não é Mais Uma Opção
17 Nico
Notas iniciais
Acordei devagar, estava tão bom ali. Me aconcheguei mais na cama quentinha e me senti ser abraçado. Uma veia saltou da minha testa, qual deles se atreveu a vir ate meu chalé durante a noite? Abri os olhos, me deparei com safiras me observando e um sorriso carinhoso. Comecei a soar frio e senti meu corpo ferver e despertar totalmente.
– Bom dia Nico. – Percy beijou o topo de minha cabeça e me apertou contra seu corpo. Meu coração batia forte, parecia que ele iria sair a qualquer minuto de dentro de mim, deuses o que Percy faz aqui? Eu não consigo fazer nada, nem me mover nem abrir a boca, estou em estado de choque. Ele colocou a mão em minha testa. – A febre passou, então por que esta tão vermelho? — Quero levantar e correr! – Nico se sente melhor? – Ele mexeu em meu cabelo com o nariz e cheirou.
–O-o que está fazendo aqui? – Perguntei me esforçando ao Maximo para não entrar em pânico e sair correndo gritando desesperado. Percy parou de mexer em meu cabelo e se afastou de mim um pouco e observou meu rosto.
– você não se lembra de nada? — Balancei a cabeça negativamente e vi seus olhos perderem o brilho ao mesmo tempo que sorriu aliviado. – Não se lembra de nada? – Ele se afastou mais e se sentou na cama.
– A ultima coisa que eu lembro é que Castiel me xingava por não comer direito, depois disso esta tudo confuso e borrado. – Fora que algumas coisas não fazem sentido. Coloquei a mão na cabeça em busca de memórias, nada. Olhei para os olhos de Percy e ele parecia decepcionado.
– Mas se sente melhor?- Acenei que sim e ele bagunçou meu cabelo. — Ótimo...- Senti uma vontade de tocar seu rosto mas me reprimi. Ele parecia triste.
– Algum problema Percy?- Ele desviou o olhar e se levantou.
– Nenhum Nico. – Respondeu se virando pra mim me dando um sorriso amarelo. Meu coração se apertou. Ele foi ate meu guarda roupas e me jogou uma camiseta branca. – Vista isso... Te espero la fora para o café. – E saiu. Encarei a blusa branca e fiz uma careta, odeio roupa branca, fui ate a guarda roupa , peguei uma preta e vesti. Olhei para meu chalé, parecia o mesmo de sempre, fui ate o banheiro e me olhei no espelho, as olheiras haviam quase sumido e meu rosto estava com uma cor saudável, ou quase. Toquei meus lábios, o inferior estava um pouco inchado. Me olhei no espelho de novo, pensando em como acordei anteontem e me vi, mais uma vez, sorrindo como um idiota! Joguei água em meu rosto para acordar de uma vez e baguncei o cabelo. Abri a porta e quando sai do banheiro Percy entrou no quarto. Seus olhos analisaram meu rosto por um tempo, um pouco do brilho voltou aos seus olhos e ele sorriu.- Não vestiu a blusa que eu te mandei...
– Odeio roupa branca. – Respondi. Olhei para seu rosto de novo e levantei uma sobrancelha. Senti meu rosto corar. – Por que você estava dormindo comigo Percy? – Ele corou também e coçou a nuca sorrindo sem graça.
– Acho que acabei pegando no sono enquanto cuidava de você...- Isso ainda não respondia completamente minha pergunta. Ele estava dormindo abraçado comigo e eu duvido que se cuide de alguém doente se deitando com ela, no Maximo ele deveria estar dormindo sentado na beirada ou em qualquer outro ponto da cama, menos ao meu lado. – Por quê? Te incomoda acordar e me ver ao seu lado? – Senti meu coração palpitar e parar de uma vez. Acordar ao lado do Percy era uma de minhas muitas fantasias e estou realmente feliz por isso, mas é estranho, sinto que estou esquecendo algo muito importante sobre a noite passada.
– Eu...- Eu não posso falar que eu gostei! Merda! Desviei o olhar sentindo meus rosto ferver mais ainda. Percy se aproximou de mim e acariciou meu rosto com leveza, senti o rastro de seus toques em minha pele.
– Eu não ligo de acordar e você ser a primeira coisa que eu ver...- Ele olhou no fundo dos meus olhos, meu coração ta disparado e eu parei de respirar. Meu corpo inteiro esta clamando por diminuir a distancia entre nos e selar nossos lábios, mas eu me contenho, tenho que me conter! O que Percy vai pensar se eu agarrá-lo? Ele aproximou nossos rostos, pude sentir sua respiração se misturar com a minha...
–Nico!- Castiel entrou (invadiu) meu chalé e Percy me largou. Quero matar esse bastardo de uma figa!!!
– O que você quer? –Eu quase gritei. Castiel parou onde estava e me encarou, seus olhos pareciam quebrados, a culpa me invadiu. Não era culpa dele interromper o momento mais esperado da minha vida! – Desculpe Castiel.
– De novo pedindo desculpas? – Ele veio ate mim e me jogou uma barra de serial. Olhei para aquilo e lembrei de Demeter, meu estomago embrulhou. – Dormiu bem?
– Sim...- Olhei para Percy e me forcei a dizer algo que com certeza vai fazer eu querer desaparecer, mas sinto que tenho que dizer. – Foi a melhor noite de sono da minha vida...Graças ao Percy.- Passei a olhar meus tênis, agora eles parecem muito interessantes.
– Eu também cuidei de você sabia? – Disse ele fingindo magoa. Levantei os olhos e encontrei seu olhar, seus olhos pareciam rubis e tinham um brilho estranho de expectativa. Então uma explosão de imagens veio a minha mente, Castiel me xingando, eu mexendo em seu cabelo, nós nos beijando e , o pior, eu correspondendo. Dei um passo para traz e tampei o rosto de vergonha, eu não preciso perguntar aquilo realmente aconteceu, não sou de ficar imaginando coisas assim com qualquer um fora Percy. – Ô, então você se lembra?
– Não se aproxime de mim!- Eu disse me escondendo, como eu pude fazer isso?
– Nico você estava delirando...- Há, como se isso amenizasse o efeito! E sabe o que é pior? Eu goste! Eu gostei de beijar Castiel e nesse momento quero sentir seus lábios de novo! Que droga!- Nico!- Ele pegou meus pulsos e os afastou de meu rosto. – Fica calmo e olha para mim! – Abri os olhos lentamente e encontrei os dele de novo, meu coração acelerou mais.
– Vou deixar vocês sozinhos. – Disse Percy desanimado e saiu do chalé fechando a porta logo em seguida. Olhei para a porta e senti meu coração apertar. Castiel me largou e ficou serio.
– Do que você se lembra exatamente? – Perguntou, olhei para o lado, não quero olhar em seus olhos, me sinto estranho.
– Me lembro que nos beijamos... E eu correspondi...- Senti meu rosto esquentar mais. Por Hades! Por que eu fiz isso?
– Só se lembra disso?- Disse sorrindo de lado.
– Como assim “só”?- Olhei assuntado para ele. – O que exatamente aconteceu ontem Castiel? – Eu perguntei desesperado segurando seus ombros.
– Muitas coisas Nico...- Ele acariciou meu rosto e sorriu malicioso. Meu coração deu um pulo e eu passei a suar frio. Deuses o que aconteceu? – Você realmente não se lembra? Afinal, foi sua primeira vez...- Parei de respirar.
– Minha... Primeira...vez...- Olhei para ele assustado dando passos para traz ate chegar na parede. – Como assim?
–Me sinto magoado Nico...- Ele colocou o braço de um lado da minha cabeça e aproximou nossos rostos.- Pensei que tivesse sido especial para você, mas você se esqueceu. – Ele cheirou meu cabelo, o empurrei com força, ele deu passos cambaleantes para traz e por fim conseguiu se equilibrar.
– Você ta mentindo!- Eu meio que gritei, ele só pode estar mentindo! Mesmo bêbado e drogado eu jamais faria isso, certo?
– Por que eu mentiria? – Disse ele serio. – Foi minha primeira vez também... – Me virei para a parede e segurei minha cabeça entre as mãos, eu não sei o que fazer! To com vontade de chorar de raiva de mim mesmo! Castiel me abraçou pela cintura e eu o empurrei.
– Não me toque! –Eu disse, ele me analisou. A raiva subiu pela minha espinha, eu estava delirando mas Castiel não, a ficha caiu. Olhei para ele com ódio. – Você se aproveitou de mim seu desgraçado!
– Nico...- Ele deu passos trêmulos para traz, o chalé foi ficando escuro e frio aos poucos minha aura ficou tensa e espessa, cheiro de enxofre e morte se espalhou, eu estou com raiva e confuso. –Nico, calma...- Sua espada apareceu em sua mão. – Nico respire fundo, você não quer me matar... Não é?
– Eu acho que quero sim...- Ele chegou ate a parede ao lado da porta.
– Mas por que? Eu não vou contar para ninguém...
– O CASO NÃO É ESSE CASTIEL !!! – Mãos começaram a sair do chão.
– Então qual e?
– EU ESTAVA DELIRANDO E VOCÊ ME ASSEDIOU!- As mãos começaram a segurar suas pernas e ele as tirava com a espada.
– Me desculpa? – Disse ele sorrindo, sorri também.
– Claro!- As caveiras o estavam puxando pelas pernas para baixo. – Nos conversaremos mais depois então... – Ele me olhou assustado. As caveiras o puxavam com força para o buraco, Castiel não conseguiria mais se livrar delas, ele então me olhou desesperado.
– Nico eu to brincando!- Ele gritou. Eu analisei seu rosto para ver se estava mentindo. – É serio, não aconteceu nada! Você me deu um beijo e só! Nada mais que isso, tava parecendo mais que estava carente! Agora se acalme! E tire essas coisas de cima de mim!
– Você estava me trollando? – Eu disse entre dentes.- Seu idiota! – A parede do chalé rachou. — Me fez entrar em desespero atoa! – O chão rachou. – Essa brincadeira não teve graça nenhuma! – Eu gritei, os esqueletos entraram pelas rachaduras e ele caiu de quatro arfando. Ele olhou para mim e começou a rir, rir muito, a gargalhar ao ponto de segurar a própria barriga. Eu ainda estava com raiva, muita, mas me controlei. Maldito Castiel! – Você ainda vai me pagar por isso Hunter!
– Bem...- Disse entre as risadas e limpando uma lagrima.- Pelo menos você ainda é virgem e não vai me matar...- Senti meu rosto corar, idiota!
– Não tenha tanta certeza...- A porta foi escancarada e Annabeth entrou sacando a espada de osso.
– O que está havendo aqui? – Perguntou olhando para os lados, então encarou Castiel rindo e eu vermelho de raiva, minha aura não havia sumido totalmente. Ela baixou a arma e saiu gritando. – Não foi nada gente! É só o Nico brigando com Castiel...- Varias pessoas suspiraram aliviadas e outras gritaram indignadas. Eu realmente causo um bucado de problema ficando aqui. – Nico você... Hum... Pode não tentar destruir o acampamento quando estiver tendo uma discussão com Castiel?
– Farei o possível Annabeth...- Disse entre dentes ainda encarando Castiel. Olhei para os lados em busca de algo pesado, preciso jogar algo nele.
– Bem, de qualquer jeito ta na hora do café meninos. Vamos. – Ela entrou e me pegou pelo braço antes de eu falar algo, seu braço tremia e ela estava com a mandíbula cerrada. Respirei fundo e me acalmei mais, minha aura estava afetando ela também, quando consegui controlar ate o nível normal ela suspirou aliviada e sorriu para mim. – Obrigada por se controlar Nico. – Desviei o olhar.
– Tudo bem, me desculpe pelos problemas que causo, não é por querer...
– Sabemos disso Nico. Mas ainda não nos acostumamos. – Ela disse soltando meu braço e andando ao meu lado.- Mas antes que diga que vai embora por isso, nos não queremos que vá.
– Mesmo com os problemas e calafrios? – Eu disse sorrindo de lado e ela deu uma risadinha.
–Pra mim particularmente, quero que fique não por eu gostar de você, pois eu gosto, mas sim por Percy.
– O que tem ele? – Perguntei sentindo eu rosto corar.
– Ele gosta de você Nico, sempre gostou, você é como o irmãozinho dele. Sempre que ele ficava mal antes era quando você desaparecia, claro isso afetava a todos nos, mas a ele principalmente. E quando ele te via e você o tratava como se o odiasse... Eu queria te bater.
– Desculpe por isso então. – Mas ela não sabe que eu sofria bem mais que ele todas essas vezes, como doía tratá-lo mal e fugir.
– Não precisa se desculpar, você tinha seus motivos. – Acenei positivamente com a cabeça. Chegamos ao refeitório e eu fui ate a mesa de Poseidon, Percy me olhou e corou um pouco, não entendi o porquê.
– Algo errado comigo? – Perguntei me sentando. Ele sorriu e balançou a cabeça negativamente. – Então por que essa cara?
– Hum... Digamos que eu lembrei de algo bom quando te vi...- Desse sorrindo para a comida. Estreitei os olhos e dei de ombros. Jason me empurrou um prato com biscoitos e Percy me deu um copo de suco de laranja. – Coma tudo. Apesar de eu ter gostado de cuidar de você, não gosto de te ver mal. – Senti meu rosto corar e afirmei com a cabeça. Enquanto eu comia eu percebia Percy me observando e toda vez que eu o encarava ele sorria mais, aquilo estava me deixando sem graça.
– Fala, o que eu fiz ontem com você? – Perguntei o encarando. Ele corou e desviou o olhar.
– Depois, talvez eu conte... – Jason riu, olhei para ele e ele virou o rotos rindo. Que ódio! Por que eu não consigo lembrar? Forcei minha mente mas nada vinha, só os olhos brilhantes de Percy me observando hoje de manha, mas isso era o suficiente para me fazer sorrir minimamente.
– Vocês me irritam. – Eu disse mastigando um biscoito, Percy beijou meu rosto rindo e eu parei de comer e olhei para ele. — O que que foi isso?- Perguntei levantando uma sobrancelha e corando. Ele analisou meu rosto com a mesma expressão de mais cedo e mordeu o lábio desviando o olhar. Olhei para Jason em busca de respostas e ele só sorria de lado satisfeito, olhei pelo refeitório, ninguém nos olhava a não ser Castiel e Camile, que também tinham um sorriso no rosto. Por que todos estão rindo? – Odeio todos vocês! – Eu disse tomando o suco, Jason riu e Percy também.
Terminamos o café e Castiel veio ate nos, ainda quero esganá-lo, joguei um biscoito nele, mas ele o pegou com a boca, maldito! Ele bagunçou meu cabelo e colocou a mão no ombro de Percy.
– Tenho que falar com você Percy. – Disse serio. Percy concordou com a cabaça e se levantou, colocou a mão no meu ombro , apertou e seguiu Castiel. Levantei uma sobrancelha e Camile pegou minha mão.
– Vem comigo Nico.- Me levantei e a segui. Camile me levou pela mão ate a floresta e se sentou em um tronco caído, dali não dava para ouvir nenhum som vindo do acampamento me sentei ao seu lado e ela sorriu. – Como foi sua noite?
– Não sei, de acordo com o idiota do Castiel eu fiquei delirando quase o tempo todo...
– Aquela confusão de mais cedo era por isso? – Ela perguntou rindo.
– Ele disse que eu fiz coisas com ele ontem...- Apertei minhas mãos, ainda vou me vingar.
– Tipo o que? – Perguntou rindo e eu corei. – Aaaaaa...- E riu mais.
– Ele é um idiota! – Eu disse entre dentes. Ela pegou minha mão de novo.
– Mas gosta muito de você...- Disse sorrindo tristemente. — E ficou muito preocupado com você ontem, tanto que mau dormiu. – Suspirei.
– Apesar de tudo, ele ainda era meu melhor amigo certo? – Ela concordou com a cabeça.
– Olha Nico...- Ela olhou para as nuvens. – Você se lembra que eu estava triste uns dias para traz? – Concordei coma cabeça. – Então era por que eu amo alguém que um dia me amou também, mas parece que já me superou...
– Não entendi... – Ela apertou minha mão.
– Eu amo uma pessoa, já tivemos algo, mas hoje ela já tem outra no meu lugar. E isso doi...
– Sei como é...
– Mas sabe Nico, eu estou desistindo...Na verdade, já desisti. Estou pensando em entrar na caçada... – Arregalei os olhos e olhei para ela.
– E como fica Castiel? Ele não ia conseguir ficar sem você Camile...
– Castiel tem se afastado de mim nos últimos tempos... E não quer dizer que nunca mais nos veremos, sempre voltarei para visitá-lo, e a você também.
–Já falou isso para ele?
– Não, estou te contando primeiro por que é o mais fácil, com ele... Bem, vai ser complicado, principalmente pelo motivo.
– Ele vai querer matar o cara. – Ela riu e concordou. –Você tem certeza, é muito perigoso...
–Tenho sim, Artemis meio que preenche o espaço vazio que o amor deixa nas garotas Nico e eu nunca vou deixar de amar essa pessoa não importa quanto tempo passe... Mas ela nunca poderá ser minha. – Uma lagrima escorreu de seu rosto e eu a amparei. – Você é meu melhor amigo Nico, sei que posso contar com você para que cuide de Castiel.
– Claro que sim... Mas isso não significa que não me juntarei a ele e querer torturar o cara que tanto te faz sofrer. – A abracei. — Camile eu te amo de verdade, você é minha melhor amiga e me importo muito, apesar de nem sempre demonstrar... De certo modo, acho que você me lembra Bianca... – Sorri tristemente e ela começou a chorar em meu peito.
– Obrigada Nico... – Disse entre os soluços.- Obrigada por tudo... Por sempre me ouvir e acima de tudo por nos suportar! – Ela riu entre o choro e eu beijei o topo de sua cabeça.
– Eu que tenho que agradecer Camile... Afinal, foram vocês a me darem força para seguir e suportar ate agora.... Mas isso não é um adeus, você ainda não vai entrar na caçada não é?
– Não...- Ela se afastou de mim e limpou o rosto. – Eu e Castiel temos uma missão dada por nisso pai para provar nossa força, se formos bem, ele nos dará alguma coisa, não sei se será status,arma, poder...Algo do tipo.
– E onde e quando vai ser?
– Sairemos amanha, mas a missão será daqui a uns quatro dias, teremos que viajar...
– É muito perigosa?
– Eu não sei, so nos foi dito o lugar e o dia, o que exatamente não.
– Me prometa que voltará viva então. – Eu disse colocando a mão em seu ombro, ela sorriu.
– Prometo. – E me deu um selinho e eu a abracei. – Sempre vou voltar, afinal, você e Castiel são minha única família.
Fale com o autor