Fugindo Para O País Das Maravilhas

2 Perdida Entre Labirintos e Escadarias


Notas iniciais
Ok, eu também não me empenhei muito nesse... Mas eu também estou sonolento, como Alice. Boa leitura, deixar reviews não mata. Quer dizer, cof cof, se você NÃO deixar review... Vou jogar macumba em você!

Point of view: Alice


Eu tinha sido uma estúpida. Eu não devia ter ido embora. O que eu iria fazer agora? Viver na rua para sempre?

Eu não tinha ideia do que fazer. Eu não sabia de nada. Eu não conseguia pensar...

Observei o local onde estava. Um dos meus pontos favoritos da cidade: o parque. O frio aconchegante, a grama extremamente verde igual ás árvores que estavam por todo lugar. E o lago... Aquele lago era o favorito de meu pai. Para tudo. Ele, escritor, contava-me muitas histórias sobre aquele lago, escrevia-as de todo para mim.

Eu pude sentir uma lágrima escorrendo pelo meu rosto.

Eu me aproximei do lago, eu estava á margem. Observei minhas feições refletidas no lago: minha pele extremamente branca e meu cabelo ruivo que caia “perfeitamente” sobre minha blusa, era as coisas que se destacavam naquele lago.

— Você é uma linda moça, Alice. — Ouvi uma voz atrás de mim. Não era uma voz qualquer, era a voz de meus sonhos. A voz do coelho branco. — As suas atitudes determinam seu tempo. É sua hora...

Antes que eu pudesse me virar para ver quem ou o quê havia falado aquilo, eu senti algo me jogar no lago. Apesar de eu estar na beirada, eu sentia meu corpo afundando, afundando e afundando.

Eu não tive tempo para trancar a respiração ou fechar a boca, mas aquilo não importava. Enquanto eu caia, mais violenta e rapidamente que eu esperava, eu podia respirar.

Logo foi ficando tudo mais escuro, eu ainda podia sentir meu corpo caindo e podia sentir a água. Mas não podia ver mais nada.

Um baque ecoou pelo local onde eu estava. A água havia desaparecido. Meu corpo tinha impactado contra uma superfície plana.

Meus olhos ainda estavam abertos, mas era tudo escuridão. De repente algo acendeu, e muitas outras coisas iguais se acenderam. Eram pequenas luminárias por todo o local.

Eu dei um tempo para que meus olhos se acostumassem com a claridade repentina. Avaliei o local. Eu estava numa escadaria. Numa enorme. Muitas escadas se erguiam até pontos que eu não podia ver, mas que eram claros até demais, e outras iam descendo até pontos escuros demais para poder se ver.

Pude perceber, depois de muito procurar, uma porta. Decidi ir até ela. Eu só tinha que descer uma, duas, três... Quatro escadas.

Logo comecei a descer aqueles lances de escadas que me aguardavam, o local era uma bagunça, todo cheio de escadas que davam nos lugares mais diferentes. Essas escadas iam em direções surreais.

— Que inconveniente... — Eu resmunguei quando percebi que os lances de escada que eu descia não adiantavam de nada. — Ah...

Eu continuei a tentar descer, eu corria. O mais rápido que podia, e eu também via que me distanciava do local de onde havia saído, porém aquela porta era inalcançável.

— Droga! — Gritei. A minha frase ecoou pela sala. — Espera aí... — Minha frase não só ecoou, como tomou forma e saiu flutuando pelo local.

Todas as palavras ditas por mim, se tornavam letras individuais no ar, se juntavam, e saiam flutuando.

— Que droga é essa? — Eu não sabia direito o que estava acontecendo.

Desde que eu caira no lago eu não parara para refletir sobre o que estava acontecendo e o quão impossível era. Talvez eu tenha me afogado e isso é fruto de minha imaginação, como em fuga. Desta vez foi mais longe.

Eu continuei a correr, tentava diferentes direções. A luz diminuía, tornei a subir. Mas qualquer lugar por onde eu ia não, levava a lugar nenhum.

— Como saio daqui? — Indaguei para o nada, quem sabe para minha mente esquisita.

No mesmo momento em que perguntei aquilo, nova letras se formaram. Desta vez todas juntas tinham forma de uma seta. Apontava para baixo. Eu estava numa extremidade. Mais um passo e eu cairia até não sei aonde.

Apenas fruto de sua imaginação, Alice... Nada pode acontecer.

Eu refleti com calma, tudo aquilo ainda parecia ser muito real, apesar de impossível.

Eu dei aquele passou, então, voltei a cair. Meu corpo rodava em todas as direções, eu mal podia respirar de tão rápido que o ar passava por mim.

Eu cai, cai, cai... Era tudo escuridão, eu não podia ver nada.

De repente, senti minha blusa se rasgar. Aconteceu o mesmo com a minha calça e todo o resto que eu vestia. Todas as minhas vestes se rasgaram e saíram voando. De repente eu, meu corpo bateu contra uma outra superfície plana. Desta vez doeu.

Eu senti que eu estava vestida, de algum modo eu estava.

— Ah...? — Eu não sabia o que estava acontecendo. Eu não tinha ideia, a minha cabeça girava. — Por que tem que ser tudo tão confuso?

E me apoiei em meus braços e sentei-me naquele lugar. Abri meus olhos e vi um lugar incomum. Eu estava em um barranco, morro ou algo assim... Uma elevação, afinal. Eu podia ver grande parte de uma floresta, que se formava esplendorosamente depois de um labirinto. Eu olhei para mim mesma e percebi que eu estava usando um tênis all star preto e um vestido branco e azul.

— Igual ao de Alice... — Eu disse, dei uma risadinha. Percebi que meu cabelo estava preso. — Bom, pode ser divertido fazer isso enquanto tentam me salvar lá no rio...

Não teria nada de ruim explorar aquele mundo enquanto podia, talvez me rendesse ma boa história. Eu queria ser escritora, como meu pai. Seria ótimo dizer a todos o quão fantástico foi o sonho que fui obrigada a relatar tudo.

Eu me pus de pé e comecei a andar, a descer aquele morrinho. Depois e pouco tempo eu já estava á entrada do labirinto.

— Eu sempre fui boa em coisas do tipo... Vai ser fácil. — Resmunguei com um sorrisinho no rosto.

Eu entrei no labirinto, assim que dei meu primeiro passo dentro daquela aventura, um arrepio correu por minha espinha. Um medo sobrenatural me dominou e depois foi embora.

Só um sonho, Alice...

Eu comecei a andar por aquele labirinto. Meus passos eram apressados, quanto antes eu saísse daquele lugar seria melhor. Eu encontrava muitos lugares sem saída, tive que voltar muito. Apesar da boa examinada que eu tinha dado no lugar, visto de cima, eu não estava indo bem. Eu já estava me empenhando naquilo a um bom tempo. Sempre havia algo que me fazia voltar. Sempre errada, sempre...

— Ah! — Eu gritei — Alice sua... — Eu me joguei no chão, meu corpo bateu contra alguns arbustos que formavam o labirinto. — Impaciente! Tente mais! — Falei para mim mesma.

Pus-me de pé novamente, comecei a andar em todas as direções. Eu estava sem noção de tempo, estava sonolenta, eu tinha dor de cabeça, meus pés estavam cansados.

Novamente me joguei num canto, suspirei fortemente.

— Fraca. — Comentei para mim — Toda sua vida você foi assim. Incapaz de perseguir o que quer. Desiste muito fácil...

Não iria adiantar nada eu falar para mim mesma o quanto eu estava sendo ruim naquilo. Mas meu corpo estava tão exausto... Era contra as minhas forças. Eu acabei por adormecer ali mesmo.