Fuga para liberdade

7 Não sou obrigado a sentir...


Notas iniciais
Olá meus fantasminhas, eu voltei e trouxe comigo Luke Castellan para alegrar suas vidas. BOA LEITURA E BEIJOCAS!

POV: Intocável

As mãos entrelaçadas e o modo cabisbaixo do garoto refletiam o sentimento melancólico que tomava o seu ser, o mesmo estava em seu próprio mundo ignorando ao homem que lhe encarava a espera de uma resposta.

— Sei que é algo difícil de ser lembrado Luke, mas você poderia compartilhar o que aconteceu, falar com alguém ajuda a superar os momentos traumáticos de nossas vidas.

A chuva caia grossa lá fora, persistente como aquele homem, o barulho da chuva e dos trovões eram assustador e a fala do homem de certa forma era aterradora, mas mesmo assim Luke estava lá: sentado, calado e enfrentando aqueles dois que atualmente eram seus maiores inimigos.

— Entenda Luke, isso poderia acontecer com qualquer um! Poderia ter sido com seu pai ou seus irmãos, não faria diferença para ela.

A chuva continuava, mas espessa e imponente. A voz do homem parecia cada vez mais esquecida pelo menino e lembranças na sua cabeça pareciam explodir diante dos seus olhos trazendo um sentimento desesperador no pobre coração.

— Não foi com meu pai, nem com Travis, muito menos com Connor! – Luke afirmou sombriamente. – Poderia acontecer com qualquer um, você tem razão! Mas sou eu que estou marcado, sou eu o marcado pela própria mãe e sou eu que levara essa cicatriz pelo resto de minha existência. – a amargura e raiva era tão palpável que chegava dar dó. – Falar sobre isso não mudara nada!

Luke levantou seus olhos, encarou pela vidraça da janela o que tentava a todo custo esquecer. As gotículas de água e a penumbra do lado de fora atrapalhavam sua visão, mas os raios iluminavam perfeitamente uma espessa e profunda cicatriz em sua face, que ia desde a parte inferior do seu olho até seu queixo.

Sua marca, a maldita feita por sua progenitora. Como ele desejava esquecer, esquecer o que passou; esquecer as lembranças e principalmente esquecer o que sentiu.

Sim, feridas podem muito bem cicatrizar, mas mesmo assim podem deixar rastros por nossa pele, marcas que muitas vezes são irreversíveis, assim com a de Luke Castellan.

***

Meus olhos seguiam cada traço do corpo que estava na minha frente, desde os fios loiros até o tanquinho definido, sério eu tinha que admitir que o espelho me dava uma bela visão. Eu era um gato, e olha que eu nem devia ficar surpreso já que muitas mulheres faziam questão de falar e demonstrar o quanto eu era atraente.

Continuei a encarar minha beleza enquanto um sorriso era traçado por minha boca, mas logo se fechou quando Connor (ou Travis, já que aquelas pestes vivem a trocar de lugar) invadiu meu reino:

— Sinto muito em atrapalhar seu importante ritual de se auto admirar, mas o pai esta prestes a sair e não esta muito afim de te esperar. – aquela peste que ousa ter a mesma linguagem sanguínea da minha pessoa esbanjava um sorriso irritante (que me fazia querer arrancar a tapas) enquanto sai rapidamente do meu território.

Voltei meu olhar para o meu reflexo, bufei e passei uma mão pelos meus cabelos, aparentemente estava na hora de alegrar umas vidas patéticas com minha maravilhosa e iluminante presença.

***

Os sorrisos, os suspiros, os olhares de inveja e outros sonhadores; tudo isso alimentava meu ego e eu ficava bastante grato pela maioria dos adolescentes serem inseguros ou sonhadores demais. Eles procuravam alguém para se espelharem ou idolatrar, eu dava isso á eles, e em troca eles simplesmente me davam o prazer de ser o centro de tudo.

Meu psicólogo diz que essa é minha maneira de escapar da realidade: alimentar meu ego e ser contemplado pelas pessoas que considero mediocremente inferiores á mim é só um modo de esquecer o que passei. Já eu digo: foda-se, sou lindo, olhem, pois o que é bonito foi feito pra ser olhado, amado e idolatrado.

Claro que eu nunca falei isso pra ele, já temos divergências demais em nossas sessões, falar meu ponto de vista simplesmente seria uma porta para um debate que eu considero desnecessário, é muito mais fácil concorda.

— Você tem esgrima hoje, não é mesmo? – Travis (que descobri ser o invasor do meu templo) indagou assim que chegamos perto de entrada do colégio.

— Sim, mas não estou muito a fim de ver lágrimas caírem hoje! – enquanto andávamos muitos (as) quebravam o pescoço para seguir nossos (meus) passos.

— Sabe Travis, ás vezes fico muito surpreso com a humildade de nosso irmão. – Connor foi intrometendo na conversa com seu jeito irritantemente sarcástico. – Todos sabem que Luke Castellan pode fazer muito mais do que deixar seu inimigo chorando, mas ele quer simplesmente evitar isso! Esta de parabéns mano, todos devem seguir você como exemplo.

Tenho que confessar que todas as vezes que Connor (e o resto das pessoas que conheço) resolvia falar eu simplesmente ignoro ou reviro os olhos, daquela vez não foi muito diferente, só que eu à vi e normalmente quando à vejo barulhos irritantes como a voz do meu irmão são completamente ignorados pelo meu subconsciente.

Outra coisa que devo confessar é que de vez em quando eu me torno aqueles adolescentes sonhadores e inseguros (mas é só de vez em quando), e Annabeth Chase é a culpada, ela e sua irritante mania de se esconder em máscaras que me deixou obcecado por encontrar a Annabeth de verdade.

Eu estava analisando a Chase (novamente), o modo de como ela remexia o corpo parecendo elétrica, como seus cabelos balançavam com sincronia, como suas bochechas eram avermelhadas naturalmente e como seu sorriso e olhar eram contraditórios, um esbanjava alegria e interesse e o outro era algo morto e entediado. Como aquilo me irritava, ela nunca falava o que queria, nunca fazia o que sentia e sempre agia de modo robótico.

— Sério que você tá fazendo isso de novo? – Travis (seria muita sacanagem se usassem as mesmas roupas) indagou enquanto tapava minha visão e me tirava do meu transe pessoal.

— Fazendo?

— Entrando pro seu mundinho fantasioso, onde provavelmente todos são seus escravos e te chamam: de Luke, O grandioso. – quem respondeu foi Connor.

— Não estava no meu “mundinho fantasio”, se eu estivesse podem ter certeza que os dois não existiriam.

Sorri sarcástico e voltei meu olhar para Annabeth, mas a mesma não estava mais lá. Ótimo, agora vou ter que fingir prestar atenção na conversar desses dois palhaços.

***

Como dito para Connor e Travis não dei a mínima se hoje teria aula de esgrima, não estava com nenhum pouco de paciência para aturar perdedores, fazer maratonas das minhas séries prediletas era muito mais útil, ainda mais quando os gêmeos estão (tentando) jogando basquete e meu pai trabalhando.

O sofá estava muito mais confortável do que o de costume e ver House solucionando mais um caso era extremamente agradável, mas infelizmente o som da porta se abrindo me tirou toda atenção do meu médico predileto.

— O que esta fazendo aqui Luke? Não deveria estar na esgrima?! – Hermes perguntou enquanto passava pelo corredor indo rumo às escadas.

— Eu que te pergunto o que esta fazendo aqui, não deveria estar no trabalho?! – retruquei enquanto o seguia como um belo e maravilhoso filho sem nada de bom pra fazer além do que chatear sua vítima. – Você tem um encontro! – deduzi já colocando um sorriso cafajeste no rosto.

— Não tenho um encontro. Caso tenha esquecido hoje é o dia de visita-la. — meu sorriso foi sumindo lentamente dando espaço para minha fisionomia mais séria. – Deveria visitar ela também, Travis e Connor visitam.

— Não sou Travis, muito menos Connor e eu não tenho nada haver com ela. – virei-me rapidamente já me dirigindo para o meu recanto.

— Ela é sua mãe e sente muita saudade de você, muita mesmo!

Essa foi a ultima coisa que escutei do meu pai antes de bater com força minha porta, encarei meu quarto cegamente e a única coisa que consegui fazer naquele momento foi me sentar na cama e me debruçar como se uma dor tomasse todo o meu corpo.

Eu não gostava de me sentir assim, fraco, vulnerável e um merecedor de pena, mas era exatamente o que eu estava sentindo, era assim que eu me sentia toda vez que minha mãe era a questão.

Angústia, rancor, tristeza e saudade.

Esse era os sentimentos contraditórios que me assolavam. E eu não queria me sentir assim, não era obrigado a me sentir assim, então tão por que era assim que eu me sentia?

Notas finais
Pessoinhas maravilhosas talvez, só talvez eu tenha exagerado na personalidade do Luke, mas que culpa eu tenho se me empolguei e quando eu vi já estava acabando o capítulo?! E o que será que aconteceu entre o Luke e sua mãe? E quem será o próximo? TCHAU E ATÉ A PRÓXIMA