Fuga para liberdade
11 Não sou obrigada a acordar...
Notas iniciais
Suas pernas doíam, mas mesmo assim ela não gostaria de parar com aquela sensação, a sensação momentânea de liberdade. Para Annabeth Chase dançar era como se ela se tornasse um pássaro que há muito tempo não sabia como era voar graças a sua singela prisão.
Talvez Annabeth Chase dançasse porque sua mãe não gostava, ou talvez aquele incrível momento de liberdade fosse só um momento de rebeldia por parte da garota que deveria ser perfeita, bem isso não importava, o que importava mesmo é que Annabeth não queria despertar e não aceitaria que alguém ousasse lhe despertar daquele magnifico sonho.
Annabeth não precisava ser boa, não precisava ser a futura médica, não precisava ser o mini prodígio como todos diziam, só precisa dançar e nem precisava fazer aquilo com perfeição.
Era por isso que enquanto dava piruetas e se entregava a música que a jovem deixava o grande e sincero sorriso escapar por seus lábios, era por isso que suas pernas clamavam por um minuto de descanso, mas que disse que a jovem queria descansar?
O que a loira de olhos acinzentados e tempestuosos queria era a liberdade e não se importava que sua liberdade fosse momentânea, ela se agarraria nela com todas as suas forças.
Pena que essa liberdade não passa de um sonho, não é mesmo? E como em todos os sonhos, despertamos!
***
Durante uma semana inteira a estadia de Clarisse La Rue fora fantasmagórica e robótica, quando dirigíamos à palavra a mesma a única coisa que Clarisse fazia era dar uma resposta automática ou simplesmente lançar um sorriso falso para acalmar os corações preocupados com seu modo depressivo, eu saia e entrava e não a via em cômodo algum daquela casa, era como se ela nunca estivesse aqui e na escola não era muito diferente.
Ao saber de que “carne nova” entraria na escola seria mais do que comum que jovens cheios de hormônios se sentissem curiosos ao extremo, mas no momento que Clarisse pisou na nossa escola nada mudou. Cabeças não se viraram; olhos não a miraram e especulações sobre sua origem não foram formuladas, era como se a La Rue sempre estivera naquele local e de tão comum era sua presença se tornara invisível, na minha concepção a vida de Clarisse La Rue era muito mais que tediosa e de certa forma eu sentia pena da mesma.
— No que esta pensando boneca? — a voz de Luke destacou-se perante os constantes sons de pessoas indo e vindo pelo corredor do colégio.
Olhei para a figura de Clarisse, andando de cabeça baixa e desviando das pessoas como uma figura ainda mais fantasmagórica e retornei meu olhar para o Castellan, um ser que constantemente era alvo de olhares e desejos e por fim cheguei à conclusão de que eu não saberia decidir qual era o mais digno de pena: a depressiva ou o narcisista. Dois seres completamente opostos mais com almas igualmente sombrias.
— Em nada Castellan. E eu acho que você sabe muito bem que não gosto que me chame assim! – ralhei com aquela criatura ignorante.
— E você sabe muito bem que o seu achar não me importa, boneca! – Luke tentou pegar em meu queixo, mas afastei-o rudemente.
— Sua ignorância me comove Luke, sua incapacidade de aceitar as escolhas e os gostos de qualquer pessoa me deixa enojada!
Deixei o loiro maldito de lado e retire-me rapidamente do local, torcendo para que encontrasse rapidamente a curta cabeleira Thalia entre aquele mar de pessoas.
***
— Eu já disse que Luke Castellan é um babaca egocêntrico e que você deveria parar de sofrer toda vez que o mesmo joga palavras rudes pra cima de você! – Thalia me aconselhava enquanto puxava distraidamente a grama do jardim da escola. – Aquele idiota não consegue ao menos lidar com seus próprios sentimentos, imagina ele lidando com o dos outros! – exclamou aparentemente irritada com a incapacidade de Luke de tratar as pessoas melhor.
Parei para pensar no que Thalia havia me dito, mirei o horizonte, mas logo meus pensamentos se esqueceram de Luke e sua arrogância ao prestar atenção nas pessoas que passavam por nós:
— Sempre fomos assim? – indaguei para minha amiga que continuava distraída com a grama.
— Assim como senhorita Chase? – perguntou brincalhona.
— Sempre vivemos em grupos? Nunca olhamos para o que esta em nossa volta?
Thalia olhou para meu rosto, seria e depois olhou ao nosso redor. Olhou o grupinho de nerd’s amontoados em uma mesa, mirou os populares com seus uniformes que aparentemente transpiravam a poder, olhou para tudo e todos, não deixando ninguém escapar!
— Sim Annabeth Chase, sempre fomos assim, nunca olhamos para o que esta em nossa volta. – Thalia ao dizer isso abaixo sua cabeça, se entretendo novamente com a grama. – Somo inaptos para algo novo!
A morena tomou isso por encerrado no momento que voltara a brincar com a grama, mas meu cérebro disparava como se finalmente entendesse a ordem das coisas, como se finalmente entendesse porque tinha pena de Clarisse e Luke.
Luke era aquele ser aparentemente amigável, previsível, que todos gostavam de estar ao seu lado pelo simples fato de sua companhia dar status ou ser agradável, mas mesmo rodeado de pessoas Luke era frívolo. Clarisse, ao contrario de Luke não possuía ninguém para compartilhar risadas, aparentava não ser amigável e inconstante, ninguém gosta do inconstante ou do desconhecido e era o que a La Rue era. E nesse ponto que as almas dos dois se igualavam, mesmo tendo “amigos” Luke era sozinho, assim como Clarisse.
Alisei meus cabelos e levantei-me, pronta para voltar para a sala sendo seguida por Thalia.
***
Minhas mãos tremiam, era como se eu estivesse no mais completo choque e meu corpo inteiro se recusava acreditar no que eu acabara de ver por trás do muro:
A garota que até pouco tempo atrás eu sentia a mais completa pena possuía um escarlate pegajoso em suas mãos, o sangue do garoto que ela atingira em segundos atrás escorria por seu braço e seu olhar era impenetrável enquanto olhava para sua vitima no chão, os olhos de Clarisse se regorjeavam ao ver o menino tentar estancar o sangue inutilmente.
Sendo uma espectadora fantasma daquela cena, quis chorar, não sei ao certo, mas quis.
— Sabe por que eu te chamo de boneca Annabeth? – Luke indagou enquanto comtemplava calmamente mesma cena que eu.
— Não! – respondi. — Por quê? — indague tentando deixar a cena que ocorria a nossa frente de lado.
Luke sorriu, voltando o seu olhar para a menina que agora limpava sua mão de modo calmo.
— Porque assim como uma boneca você é fácil de ser manipulada. Acredita facilmente no que as pessoas te mostram, ou pelo menos finge acreditar. – Luke acariciou minha bochecha, sorrindo porque não tentei impedi-lo. – Acha que não percebi o seu olhar de pena sobre aquela garota, acorde Annie nada é o que parece e um grande exemplo disso é aquela sua amiguinha ali.
Luke apontou com a cabeça para Clarisse que já ia embora, deixando o garoto que limpava com sua camisa o sangue que escorria, olhei novamente para o loiro e fechei minhas mãos em punhos, tentando controlar minha raiva:
— Se tentar ver o melhor das pessoas é ser uma pessoa manipulável eu digo para você o meu mais singelo e belo foda-se Luke Castellan, não sou uma pessoa manipulada e muito menos uma boneca.
— Claro que não, é apenas uma pessoa sonhadora demais que não consegue diferenciar o ilusório com o real.
Luke me deixara naquele muro e a única coisa que pode pensar após sua saída era:
Valia a pena deixar de ser sonhadora e me tornar alguém como Luke ou Clarisse?
Não, não valia! Se ser uma pessoa realista era ser cruel, tanto fisicamente ou psicologicamente, então não! Eu não era obrigada a acordar!
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