Fuga para liberdade

9 Não sou obrigada a aceitar...


Notas iniciais
Olá fantasminhas do meu cocoro, trago para vocês uma pessoa complexa, que se fingi de durona mas tem um coração mais mole que Maria Mole, que Clarisse venha e abale seus coraçãozinhos. BEIJOCAS E BOA LEITURA!!!

POV: Depressiva

O cheiro de bebida era forte, a casa era bagunçada e um homem se encontrava deitado no sofá com uma garrafa em sua mão, já no segundo andar, em determinada porta, dentro de um quarto mal iluminado era possível escutar um choro sofrido e desesperado.

Um pedido de salvação era isso que o choro representava para aquele ser tão jovem, um pedido que nunca seria ouvido, um ser que nunca seria socorrido.

Por que tanta dor criança?

Por que tanto desespero?

Por que de tanta perdição?

Perguntas que nunca seriam proferidas, mas que continham tantas respostas. Ninguém nunca saberia que Clarisse La Rue chorava, não saberia o quão doces eram seus sonhos e como ela desejava que os mesmos se realizassem ou que ela pudesse viver para sempre em dos seus mais belos sonhos.

Um pedido de ajuda era o que choro representava para Clarisse, o desejo de ser ouvida era o que o seu coração pedia, e uma mão estendida era com que sonhava.

A ajuda nunca viria. Ser ouvida nunca aconteceria e uma mão amiga não passaria de ser um sonho.

E ali Clarisse ficou! Apenas acompanhada com o som de seu pranto e com lágrimas molhando o seu rosto. Ali, naquele quarto mal iluminado ela sonhou mais uma vez, um sonho que lágrimas não eram necessárias, um sonho que só sorrisos eram vistos; um sonho onde ela poderia encontrar a paz, um sonho onde a felicidade não era extinta.

***

O quarto não possuía decoração nenhuma, suas cores eram neutras e ele não emanava nenhuma personalidade, mas mesmo assim eu não o mudaria; não decoraria e muito menos colocaria minha personalidade nele.

O quarto era para visitas e eu não passava disso, uma mera visitante, algo passageiro na vida daquelas pessoas, não era necessário marcar suas vidas com minha aparição.

O som de alguém batendo na porta acabou me tirando dos meus desvaneios e logo o Annabeth abria a porta e me lançava mais um dos seus sorrisos:

— Espero que tenha gostado do seu quarto. Mamãe resolvera não decorar por não saber do que você gosta! – explicara ainda mantendo o sorriso que começava a ficar irritante na minha concepção. – Mas é claro que se quiser iremos decorar tudo ao seu gosto, se quiser podemos começar na próxima semana.

— Não será necessário. Desse jeito já esta bom pra mim! – temporário; aquilo tudo era temporário, se apegar não era uma opção.

— Ok, boa noite Clarisse. Durma bem! – e assim voltei a ficar sozinha novamente.

Sentei-me na cama e tirei meus sapatos, larguei-os de qualquer jeito e me deitei naquela cama macia.

“Você ira morar comigo e minha família, não a deixarei abandonada criança.”

“Ok, boa noite Clarisse. Durma bem!”

“Veja Clarisse, esta é sua nova casa! Espero que goste!”

Maldição, mil vezes maldição. Como posso não me apegar se sou tratada desse modo? Um modo que há muito tempo foi esquecido por mim, como me manter indiferente com um tratamento tão dócil e gentil da parte deles?

“Veja Percy, ela é legal. Gosta até de super – heróis!”

Poseidon, Annabeth, Atenas e Tyson proferiram palavras que para eles não significam nada, mas para um coração como o meu, que há tanto tempo não sabe o que é felicidade; essa malditas palavras traziam o peso da esperança.

“Sabe Atenas, se eu fosse você tomava cuidado com Clarisse. Meu pai largou minha mãe por alguém mais nova, ele pode fazer isso novamente. O perigo vai dormi ao lado do seu quarto, durma de olhos abertos!”

Temporária, minha estadia naquela vida era apenas temporária. Tudo o que eu sentia e pensava era ilusório, nada daquilo seria para sempre e muito menos teria o seu: felizes para sempre, Percy me fizera o favor de lembrar!

Sorrisos, conversas amigáveis, abraços calorosos, conselhos sábios e calmaria. Nada disso fazia parte do meu ser, não fazia parte de quem eu era e eu não era obrigada a aceitar esses sentimentos, não agora!

***

Era domingo, um domingo calmo, digno de famílias sorridentes e harmoniosas; de almoços fartos, alegres e de crianças brincando no jardim. Era um lindo domingo, mas seria mais lindo ainda se eu voltasse, a saber, o que é ter um domingo harmonioso. Eu até poderia saber se saísse do quarto eu fosse em direção as risadas que eram escutadas.

Seria doloroso demais, e eu não era tão masoquista para isso. Ver o que eu perdi era destrutivo demais, até pra mim. Era menos doloroso olhar á paisagem pela janela e eu até estava apreciando, ver objetos inanimados sem sentimentos nenhum era bom, não trazia a carga sentimental que um ser humano traz.

“Você é responsável por aquilo que cativas!”

Um livro nunca esteve tão certo como antes. Um objeto não tem alma, não tem vida é um completo ser inanimado, incapaz de cativar ou demonstrar algo. Ao contrario de um ser humano, esse sim tem alma, possui vivacidade e nunca deixará de ser expressivo; capaz de cativar e demonstrar tudo que se possa imaginar. Por isso prefiro simples objetos, eles não me cativam!

Mesmo estando concentrada na janela e em meus pensamentos escutei a porta ser aberta vagarosamente e com cuidado, escutei quando passos fracos preencheram o quarto e senti quando Poseidon se sentou ao meu lado.

— Deveria estar conosco! – sua voz grossa e que exalava poder mesmo que indiretamente preencheu aos poucos o cômodo, ele me lembrava muito de Ares.

— Não quero atrapalhar!

— Não iria, aqui é sua casa agora!

— Você era mesmo amigo do meu pai? – desviei da conversa, afinal: eu sabia e ele sabia que aquela nunca seria minha casa.

— Sim, de certa forma éramos melhores amigos! – disse risonho.

— Então por que ele nunca falou de você? Por que você não estava ao seu lado quando o mundo dele começou a desmoronar? – perguntei calma enquanto o encarava.

— É complicado! – o tom risonho sumira, e seus olhos transmitiam amargor.

— Nunca é complicado, apenas fingimos que é!

— E o que uma criança sabe de coisas complicadas? – o tom risonho voltara, só que forçado.

— Crianças não sabem o significado de complicado porque são felizes, vivem em um mundo onde a tristeza pode se transformar em alegria. Não sou uma criança, não transformo tristeza em alegria e sei muito bem o que significa complicado, bem até demais!

Poseidon nada mais falou apenas me encarou seriamente, coçou o queixo e se levantou, achei que o mesmo iria embora então voltei a encarar a janela, uma mão estendia entrou em minha visão e encarei aquele homem novamente, ele estava com um leve sorriso no rosto:

— Vamos garota, o dia esta bonito demais para se ficar o dia inteiro no quarto.

***

Poseidon, Annabeth, sua mãe e eu nos encontrávamos sentados debaixo de uma das muitas sombras que aquele parque possuía, mais a frente era possível ver Tyson correndo e rindo com seu irmão no seu encalço, era mais do que óbvio que Percy Jackson não suportava sua madrasta, não ia muito com a cara de Annabeth e possuía conflitos com seu pai. Mas o modo de como ele tratava seu irmão era diferente, ele o amava e mesmo achando que o Jackson era um babaca merecedor de todo o meu ódio achava nobre de sua parte conseguir engolir a felicidade do seu pai com outra apenas para ter momentos com seu irmão.

Não éramos tão diferentes assim, eu e Percy éramos algo passageiro naquela casa, com tempo para interagir com aquela família. Mas ao mesmo tempo em que éramos parecidos, também éramos completamente diferentes, Percy possuía uma razão para aturar tudo que odiava, possuía alguém que valesse apena para enfrentar tudo que lhe dava repulsa; eu apreciava o carinho daquela família mesmo que tenha sido constituída por traição, mas também esnobava e lutava para não me apegar.

Tão parecidos, mas ao mesmo tempo diferentes.

Contraditórios, era isso que éramos!

Notas finais
Gostaram dessa diva filosófica? Sabe acho muito fofis da parte da Clari ver que o Percy tem muito mais coisa naquele cocoro, é legal ver que ele não é um completo babaca. Obs: A frase "Você é responsável por aquilo que cativas!” É de total autoria do livro: O pequeno príncipe.