Fucking Harry
29 O recomeço
Notas iniciais
Havia um garoto parado na janela naquela noite, em um final de semana solitário. Ele olhou para o jardim da escola e admirou como sempre, a bela e gigante macieira no centro, e decidiu ir até ela, para olhar o céu e as estrelas, já que sua solidão era tamanha. Caminhou pelos corredores da escola deserta, e desceu a escadaria que levava ao pátio central. Percebeu a quietude do lugar, e como convivia bem com a angustia. Solitariamente, seguiu até a macieira e ali sentou por algum tempo, pensando em sua vida e no que seria dela ao sair da escola, e claro, se ele iria chegar até o fim, já que fazia alguns dias que a única coisa que conseguia pensar era na morte. Como a vida era injusta com ele.
A única coisa que ele desejava mais do que tudo era ser amado, além de seus defeitos e atrocidades psíquicas, no entanto era humilhado e deixado de lado. Desejava além de tudo uma felicidade inerente a cada ser humano, passível de analises e conclusões não precipitadas a sua existência. Ansiava por um momento duradouro, onde um sorriso seria leve e tranquilo, e não forçado para agradar as pessoas a sua volta, mesmo que isso significa sorrir ao ser humilhado. Insistia na teimosia de acreditar, que não seria mais usado por ninguém, e que se caso fosse, seria por bons motivos, e não para benefícios de outrem. Sentia-se anestesiado com a vida medíocre que tinha, embora não sentisse força para seguir em frente, pois qual seria o motivo de estar ali? Qual o propósito da sua vida, se ele não poderia ser como os outros? Não era pelo fato de amar o corpo de homens, e sim por não ser bom o suficiente a eles. Enquanto pensava, teve uma ou duas ereções, mas não sentiu vontade de se aliviar, naquele momento se tornou algo banal, pois a sua duvida era mais preocupante do que se saciar. Duvidas de porque ele não era belo, ou o porquê se entregou as humilhações se poderia tentar mudar? Apenas porque graduados disseram que ele não seria curado? Por conta de seus pais deixarem de forma evidente que seu irmão era mais importante do que ele, sabendo que o único beneficio que ainda fazia com que os seus pais o tratassem bem, era a fortuna herdade? Por mais que ele tentasse sanar suas duvidas outras vinham, e nenhuma era de fato respondida.
Perguntou-se em dado momento o porquê sentiu prazer ao ser espancado, e não clamou por socorro? Ah. Essa era uma pergunta que ele tinha uma resposta: por que ninguém se importaria.
Mas será que não?
Harry se levantou e caminhou para dentro, e ouviu uma respiração que gelou suas vértebras. Olhou para trás e viu uma figura encapuzada, te olhando ao longe, sua curiosidade o levou até a figura, que ao se aproximar percebeu que o manto que o cobria era vermelho sangue. Seus passos o conduziram diretamente ao homem, que com a mão esticada lhe presenteava com alguma coisa. Ele, agora mais perto, sentiu um cheiro de pecado, e seus lábios se encheram de tentação. A figura estendeu mais a mão com o presente, e Harry o pegou. Era uma caixinha de chumbo. Ele tornou a olhar para a figura a sua frente, e percebeu que atrás dela haviam pessoas, embora sombreadas pela noite e uma fumaça misteriosa que as cercava ele logo os reconheceu. Tratava-se de Lucca, Antony, Rodrigo, Luiz, Felipe, Arthur, Andrew, Julian e Gabriel. A figura encapuzada então disse:
— Pegue Harry, é nosso presente a você! – e ela esticou mais ainda o braço.
Ele pegou a caixinha de chumbo e a abriu, ali dentro havia um pedacinho de papel dobrado que ele pegou e com delicadeza o desdobrou, lendo o que estava escrito:
— Sentimos muito pelo o acontecido, mas chegou a hora de ganhar a sua chance. Somos responsáveis pelo o que fazemos, e de nossos atos temos consequências, você está disposto a encará-los?
Harry parou por um momento e continuou lendo:
— Se sim, preste muita atenção no que deve fazer, e faça exatamente o que se é pedido. Harry coloque este papiro na caixa, e se desejar o presente que temos a te oferecer a feche e gire-a três vezes, e depois abra de novo e leia o que está escrito.
Mais uma vez ele pensou no que fazer, e então outra vez veio ao seu ouvido.
— Não faça isso! – ele reparou que uma mão linda, com dedos perfeitos estava tocando as suas, que segurava o papiro — Guarde isso! – disse a voz.
Ele tornou a olhar para a figura a sua frente, e seu rosto se criou. Harry se viu, como em um espelho, a sua forma mais diabólica possível.
— Todos nós temos demônios dentro de nós Harry, e você teve a chance de saber como é o seu. Está certo de que é isso o que quer? – disse a sua figura demoníaca.
Ele olhou ao lado e sentiu aquele doce cheiro que apenas Hanton tinha. O garoto iluminado segurava sua mão, e seus olhos lhe suplicavam para não realizar o pedido do papiro. Harry tornou a olhar para a sua figura.
— Minhas escolhas. Minhas consequências. – disse ele, e a figura desapareceu diante dos olhos, assim como todos os outros meninos.
Dez anos haviam se passado. Dez rápidos anos por assim dizer. E Harry estava sentado em uma linda varanda de sua modesta e aconchegante casa, sentado em uma rede, de uma manhã gloriosa e nublada. Pensava sobre sua vida, e sobre suas grandes conquistas nestes últimos anos, e como foi importante para a sua vida, ter tomado uma grande decisão. Ter saído da sua antiga escola antes que eventos trágicos pudessem ter acontecido.
Ele se deu conta do que o que havia acontecido, foi real, mas devido a algum mistério da vida, ele teve a grande oportunidade de voltar atrás em seus atos e realizar suas boas ações.Harry ganhou mais que um presente. Ganhou a chance de mudar a sua vida. Sendo assim alguns dias antes da festa de boas vindas, ele havia vivenciado uma situação um tanto perturbadora de seu futuro, e sentiu que teria que fazer algo a respeito. Ele tomou uma decisão sábia naquela época, visto que no dia seguinte, com muita força e ajuda, pediu transferência para outra escola tão boa quanto a que estudava, e foi acompanhado de duas pessoas das mais improváveis possíveis, e isso coibiu que Lucca agisse de má fé. Sua decisão salvou não apenas a vida de todos, mas a dele, de Melanie, e de Hanton.
Ele se tornou um conceito oncologista, e trabalhava ao lado de Hanton, que exercia a mesma profissão. Melanie, porém, embora não tenha pegado uma doença terrível, partiu da escola grávida, e durante um bom tempo teve ajuda de Harry, ele acabou se tornando padrinho de Henrique, agora com dez anos, e era muito amado. Obviamente que o menino sabia quem era seu pai: para todos os efeitos era Harry.
O nosso garoto saiu da rede e foi até o banheiro, onde por alguns minutos se olhou e contemplou o que havia se tornado. Ele foi para alguns médicos, começou a se medicar e embora não se preocupava tanta com beleza, conseguiu a proeza de emagrecer. Seu corpo reagiu bem às novas mudanças, e sempre que ele se olhava em um espelho, ele via o Harry que tinha cometido tantas barbaridades por vingança. Ele começou a chorar. Suas lagrimas desciam dos seus olhos lentamente, enquanto a alegria de estar bem lhe tomava o corpo.
— Chorando de novo, Harry? – disse Hanton lhe abraçando pelas costas. Colocou seu belo rosto nos ombros do garoto, e com o seu dedo indicador não permitiu que uma última lágrima rolasse, e olhou para Harry no espelho.
— Você tem percepção do que eu poderia ter perdido? – disse Harry.
— Mas não perdeu. Você apenas ganhou por ser quem você é. Esse menino gentil, — Hanton deu um leve beijo no pescoço — Educado e tão perfeito pra mim. Eu te amo Harry, exatamente pelo o que você é.
Se eles viveram felizes para sempre? Lógico que viveram. Harry teve a grande oportunidade de mudar, Hanton teve a grande oportunidade de ter Harry, e eles puderam desfrutar de uma vida boa, calma e regada é claro com muito sexo, pois embora possamos mudar muitas coisas em nossas vidas, outras só podemos nos adaptar, e foi assim que eles viveram. Um respeitando as necessidades do outro.
Logo, ame aquilo que você tem, dê valor ao que você realmente é, pois desejar aquilo que está além do seu alcance, poderá lhe causar grandes perdas no seu futuro. E não se esqueça. Suas escolhas, suas consequências!
FIM
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