Fucking Harry
23 Não existe amor
Notas iniciais
Rapidamente ele saiu do seu quarto, se segurando em seu cajado e nas paredes do corredores, onde uma forte desorientação visão o lhe perseguia. O chão parecia se mover mais rápido do que seus pés, e o teto parecia diminuir de altura. Conforme andava, esbarrava em uma ou outra pessoa, não conseguindo identificar se era homem ou mulher. Seu único desejo era de chegar o mais breve possível ao Salão Vermelho, onde poderia encontrar com o seus fieis escravos, no entanto ao chegar próximo à escada, ele sentiu um terrível pavor de descer os degraus, sua visão embaçada trouxe a ele a lembrança de tempos passados onde o seu maior medo era de cair e ser zombado. Segurou firmemente no corrimão e degrau por degrau, e com passos firmes conseguiu chegar até o chão liso.
– Precisa de ajuda Harry? – disse um menino, cujo visão embaçada ele não pode identificar seu rosto.
– Vem aqui agora Bruno. – disse um menino, aferindo fortes tapas nas costas do garoto.
– Mas o Harry não esta se sentindo bem... – disse o menino em desespero, sem se importar com a violência da namorada.
– Se ele quiser ajuda, e que procure o inferno, quem sabe o diabo não esteja disposto. Mas você não vai se dirigir a palavra a esse menino... -E logo os surtos da namorada foram se dissipando, conforme os pedidos angustiados de Bruno para ajudar Harry sumiam.
– Ajuda... Eu preciso de ajuda! – começou a gritar Harry desesperado.
Sua agonia só aumentava, conforme os passos que dava pareciam não surtir nenhum resultado, pois as meninas da escola estavam dispostas a não permitir que os meninos tivessem mais nenhum contato com ele. Estava acontecendo uma rebelião naquele pátio, e Harry era o alvo principal. Todas as meninas da escola se puseram em torno de Harry e começavam a gritar freneticamente para que seus pedidos não fossem ouvidos pelos meninos, e muito menos seu corpo, já que desesperadamente, muitas pegavam suas blusas de frio e criaram um circulo, tampando o campo de visão de todos ao redor.
– Malditas. – dizia ele – Eu preciso de ajuda, vocês não podem fazer isso comigo... – dizia ele, com as pernas cada vez mais bamba.
– Você não vai ganhar Harry...
– Maldito...
– O mal está em você.
– Você está possuído... Aberração...
– Deixem-me passar. – dizia ele agora com lagrimas nos olhos.
Harry começou a sentir uma forte dor no peito, e sua boca secou. Olhou para as suas mãos e viu que elas estavam perdendo o seu brilho e suas pernas quase não mais respondiam aos seus comandos.
– Eu preciso de ajuda, suas malditas...
– Você não vai ganhar mais os nossos meninos, seu imundo.
– Nós vemos exatamente quem você é.
Ele levantou o seu manto de forma a cobrir por completo seu rosto, pois a pouca luz que fazia no pátio estava incomodando os seus olhos. Enquanto as meninas o circulavam, muitas brigavam e obrigavam os meninos a ficar longe, houve muito tumulto e algumas meninas começaram a literamente a sair na pancada com os meninos, que por sua vez, por serem mais fortes, e com socos precisos acabavam por desfalecer um ou outra.
– Harry é nosso, vocês não são capazes de ser como ele...
– Harry, eu vou te ajudar... Eu preciso que você seja meu mestre.
– Eu amo o Harry sua vagabunda mesquinha, o meu pau não pertence a você, puta!
Era algumas das coisas que Harry ouvia vindo por parte dos meninos. Logo os professores chegaram, e como já era de se esperar, os homens letrados da escola foram em defesa de Harry, brigando com as professoras e as xingavam dos mais variados nomes.
– Você deve morrer seu demônio.
– Eu amo ele.
– Maldito seja você e sua existência, aberração.
– Harry eu vou te ajudar.
– Chamem a policia.
– Harry se alimente de mim, seja meu senhor.
Ele já não estava mais aguentando tanta dor e insultos, e isso o fazia relembrar de seu passado. Quando tais insultos eram meros elogios. Mas agora eram mais fortes e mais intensos, e ora ou outra Harry sentia fortes pancadas na cabeça que o deixavam mais atordoado ainda. Foi então que se ouviu um forte estampido e o silencio se formou. Harry não os viu, embora soubesse de quem se tratava.
– Harry. Filho! – disse sua mãe – O que esta havendo aqui?
Harry arfava fortemente, e tão alto que sua respiração podia ser ouvida por todos. Um corredor foi aberto entre as meninas que permitiram que sua mãe passasse. O garoto estava de joelhos no chão em posição de servidão total e nada disse. Sua mãe se aproximou e se abaixou, colocando uma de suas mãos nas costas do garoto.
– Harry, o que está havendo com você meu filho?
– Agora eu sou seu filho amado? – disse ele com fúria na voz – A grande culpada foi você, e ele... – disse Harry referindo-se ao seu pai – Não sou o que você esperava, não é mamãe? Sou uma aberração. Um ser imundo desprovido de qualquer qualidade.
– Harry, não fale isso. Você é meu filho. Eu o amo independente de...
– Me ama? Você me ama? – o indagou – Onde estava o amor, quando o primeiro me violentou? Onde estava o amor quando me mandaram para aquela casa de louco, pois para você e papai eu era insano. Onde estava o amor quando papai disse que não gastaria dinheiro para dar diversão no meu aniversário, pois ele teria que guardar todo o santo dinheiro que tinha para educar o seu filho normal? Onde estava o amor quando foi eu que recebi a herança e suas visões de filho mudaram comigo? Onde esta o amor que vocês teriam que ter quando eu mais precisei?
– Você não está na sua sanidade, meu filho.
– Não estou? Talvez eu não esteja. Mas talvez eu esteja mais lúcido agora. Papai mesmo disse quando tentei me matar pela segunda vez: é uma pena ele não ter conseguido, como seria bom não suplicar por dinheiro.
– Filho, não leve em consideração o que seu pai disse...
– Não existe amor mamãe. O que existe é interesse. Vocês, todos vocês só amam por interesse, por que convém amar. Então, porque eu devo respeita-los? Porque devo ser benevolente, se eu tenho o maior e melhor dos poderes? Para ser sincero mamãe, acho que sua preocupação em estar aqui não é comigo... Do que você precisa?
Sua mãe se levantou e suspirou fundo. Por mais que ela tenha se preocupado com ele, enquanto ele estava no hospital, ela jamais desejaria a morte do próprio filho, embora, realmente, seu outro filho fosse muito mais importante.
– Eu não tinha coragem de dizer a você, meu filho. Mas devido a circunstancia, talvez seja a hora de dizer. Você não era nem para ter nascido. Eu tentei abortá-lo diversas vezes e não consegui, não fui capaz, é por isso que você é assim Harry, todo torto.·.
Harry não aguentou ouvir isso, e seu desejo de se vingar, ou de odiar foi muito mais forte do que um grau de parentesco. A única coisa que se ouviu nesse momento, foi um último suspiro e um forte estampido nas portas centrais.
– Que bom sua vadia que você não o abortou, pois eu não iria viver sem ele. – disse um menino nas costas da mãe de Harry, onde segurada firmemente em seu peito uma faca.
Sua mãe caiu no chão e logo o sangue correu de seu corpo e Harry lentamente se arrastou até ela, e bebeu de seu fresco sangue. Ninguém se mexeu naquele momento. Todo mundo apenas observou em choque o que Harry fazia.
– Já chega! – gritou Alastor – Não vou tolerar esse tipo de coisa aqui.
– Chame a policia... – disse uma menina próxima, que foi calada com um tapa no rosto pelo diretor.
– Essa escola é privada, e a policia não será chamada. Meninos venham...
Alastor chamou com os dedos oito meninos, que estavam com suas coleiras, usando apenas seus jeans rasgados. Cada um deles com um olhar perdido e sangue e machucados por todos os cantos de seus corpos.
– Venha Harry. – disse Arthur, e mais dois meninos o ergueram pelos braços.
Harry estava com o rosto mais pálido desta vez, seus olhos completamente brancos assim como o seu cabelo, além de sua aparência cadavérica.
– Até segunda ordem, ninguém sai dessa escola. Meninas, todas imediatamente para os seus quartos. Meninos mantenham o lugar seguro. – disse o diretor.
– O que faz você achar que não vamos chamar a policia? – disse uma das meninas.
– Se qualquer carro da policia encostar-se aos arredores da escola... – disse Alastor.
– Todas morrem! – completou Harry com frieza.
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