Notas iniciais
Um dos capitulos mais fofos. Espero que gostem. Aguardo os comentários.

Harry sentia que a qualquer momento poderia ser descoberto por seus tios, ou até mesmo por seus pais. Não era apenas ele que começou a frequentar a casa de seu primo, mas também ao contrário, e cada vez mais, ele gostava de ser útil para seu primo, que durante a noite pedia para se tocado diversas vezes. Harry sentia-se bem, embora só se masturbasse quando não estava na presença de Júlio, que dizia não aceitar que o menino sentisse prazer ao seu lado, pois seria estranho demais.

— Acredito que você só queira ajuda para isso. Eu também sinto necessidade de gozar sabia? – dizia Harry furioso a cada gozada de seu primo.

— Harry, para de ser tão fresquinho, isso é coisa de viado. – dizia seu primo — E outra, eu sou mais velho que você, nada mais que justo você me ajudar. Você se com cada coisa besta.

Júlio não entendia que Harry o ajudava por que gostava de segurar seu pênis, senti-lo pulsar e de vê-lo espirrar, se assim podemos dizer. Adorava sentir o seu peito arfar, ouvir sua respiração e maneira como ele puxava seu cabelo enquanto chegava ao auge do prazer. Júlio era um grande oportunista, pensava apenas nele desde pequeno, isso era evidente. Por várias vezes, Harry sentia pena da futura esposa de seu primo.

Harry não era de fato sozinho no mundo, ele tinha amigos, talvez não os amigos que gostaria de ter como aqueles do vestiário da recreação, mas em algum momento em sua vida surgiu uma garota. Seu nome era Jéssica. Uma menina de cabelos escuros e olhos amendoados, de pele branca e sedosa, que de tão linda chamava atenção de todos os meninos da escola. Harry, não acreditou que fosse ela a querer conversa naquele dia, e sua felicidade o encheu de esperança. Jéssica não era tão inocente quanto mostrava ser, não que ela fosse capaz de ficar com todos que a desejavam, mas pela maneira como encarava certas situações que para toda a sociedade era tratada como libertinagem.

— Harry? Este é seu nome, não é? – disse ela enquanto chegava na sala de aula.

— Sim. – respondeu timidamente Harry.

— Percebi que você é meio calado, isso é provém de você ou existe algo que faz com que seja dessa maneira?

O garoto ficou perplexo pela forma como foi abordado pela menina, que pareceu não dar a mínima para as amigas que a chamavam para dentro da sala.

— Não sei do que você está dizendo. – disse o garoto passando por ela.

Jéssica era persistente. Decidiu naquele dia sentar ao lado de Harry e puxar os mais variados assuntos para tentar criar um clima de amizade, porém, ele sempre se esquivava dela. Sua inteligência já dissera a ela o que Harry era. Ela não era boba, e todos na escola comentavam sobre a opção sexual dele.

— Não entendo o porque de você fugir de mim. Uma hora você terá que se entregar. – disse ela abrindo o caderno – Você vive calado, não conversa com ninguém no intervalo, uma hora terá que se abrir e falar comigo. E eu não sou de desistir de alguém.

— Quantos anos você tem?

— Quatorze.

— E tão chata? Tenho pena de você quando ficar mais velha. – disse Harry em fúria nos olhos.

— Eu tenho mais pena de você do que de mim.

— E porque diz isso?

— Porque o seu segredo vai causar muita tristeza em sua vida, e eu estou aberta a tentar te ajudar.

— É meu anjo da guarda agora?

— Talvez. Mas anjos são seres puros demais, e se eu fosse uma, com toda a certeza não estaria aqui. Entretanto me contentaria apenas em tentar ser sua amiga.

— Você fala de segredo. Eu não tenho segredo nenhum.

— Será? – Jéssica se aproximou do ouvido de Harry e sussurrou – Eu vejo como você olha para eles.

— Eles? – indagou Harry envergonhado, olhando para os lados com medo de alguém ter ouvido aquilo.

Eles! – disse ela novamente, olhando para os meninos do fundo da sala, que faziam a algazarra de sempre.

A garota retornou a mesa e começou a prestar atenção na aula, não dando mais importância ao olhares curiosos de Harry, que durante todo o tempo rabiscava nas folhas do caderno a palavra eles. Ele sabia sobre o que ela dizia, só não entendia como ela tinha chego a tal conclusão, já que ele a todo o momento tomava o máximo de cuidado possível para que ninguém percebesse nada.

Na última aula, que era de Educação Fisica, Harry estava sentado na bancada da quadra, olhando os meninos jogarem futebol, quando a menina se aproximou e tentou mais uma investida.

— Olá Harry.

— Nossa. Você não desiste não é mesmo? O que você quer?

— Baixe a guarda Harry, não precisa ser tão duro assim, eu só estou tentando conversar com você.

— Eu por acaso pedi alguém para conversar? Eu estou muito bem sozinho, aqui e calado...

— Olhando para esses meninos lindo jogando futebol. Menos o Felipe, ele é meio esquisito não acha? – perguntou ela olhando para o menino com um sorriso nos lábios.

— Jéssica. Você nunca falou comigo durante esses dois anos que estudamos juntos, o que foi que aconteceu agora?

— Eu só quero te ajudar.

— Me ajudar com o que? Eu pareço precisar de ajuda?

— Todo mundo precisa de ajuda, já disse o meu pai Henrico. Embora eu ache que ele ajude demais as pessoas erradas. – disse ela incerta.

— Seu pai é doido. Ele não tem muito o que fazer? Como trabalhar, por exemplo?

— Meu pai Jorge ganha bastante dinheiro na empreiteira, ele não deixa meu pai Henrico trabalhar, diz que eu sou uma adolescente e preciso de supervisão massiva de um adulto.

Harry se segurou para não mostrar o espanto que teve ao ouvir o que Jéssica tinha dito. Ela tinha dois pais? Não entendeu naquele momento como isso seria possível.

— Sou adotada Harry. E sim. Por dois homens. E não. Eles não são irmãos. – disse ela rindo — Embora eu não tenha nenhum problema com isso, só queria pedir para você não comentar com ninguém sobre o que eu acabei de contar. Algumas pessoas sabem, outras acham que meu pai Jorge é o biológico e Henrico é um primo distante em busca de sucesso financeiro. Bem. Cada um entende e acredita no que quiser, mas a verdade é essa. Eu tenho dois pais, e eles dormem na mesma cama, ao menos desde que me conheço por gente, o que de fato, não faz muito tempo. Quatorze anos não é uma idade que uma criança como nós podemos bater no peito e dizer que somos adultos. – ela riu novamente.

— Por que está me contando isso?

— Eu posso estar muito enganada, mas eu acho que você é parecido com eles. Talvez não totalmente, mas tem algo em você que me chama atenção. Meus pais diziam para mim historias de como eles eram na escola, e você é muito semelhante. A maneira como olha para os meninos, como fica quieto perto deles. Você já percebeu que você tem um problema quando está perto deles? Você fecha a sua mão com tanta força como se tivesse medo de, sei lá, desmunhecar...

— Você é uma idiota Jéssica, me deixa em paz. – Harry se levantou e correu para dentro da sala de aula, enquanto a menina ficou ali parada e logo começou a conversar com suas amigas que se aproximaram.

O garoto sentou e deitou a cabeça na mesa e começou a chorar, arfando seu peito de ódio por descobrir que alguém de fato sabia sobre ele. A essa altura, o fato de Jéssica ter dois pais, de nada representava nada a ele, pois ele tinha sido descoberto. Temeu arduamente, quem mais sabia disso e ficou imaginando como seria dali para frente, como todos iriam tratá-lo e como seria quando seus pais descobrissem quem ele realmente era. A professora logo chegou e vendo a situação que o garoto estava o levou para o ambulatório. Como Harry não dizia o que estava acontecendo, sua mãe foi chamada e ele voltou para casa. Sua mãe era muito atenciosa com ele, já que ele era filho único, e ficou o tempo todo indo ao quarto ver como seu filho estava, o que mais a deixava aflita era que Harry chorava compulsivamente e nada dizia, ao ponto dela chamar seu marido e levar o menino para o hospital e ser medicado com um leve calmante.

Harry ficou em casa por três dias, trancado em seu quarto e causando o máximo de preocupação que podia para os seus pais, além de seus tios e também de Júlio, seu primo, só que de uma maneira diferente. Como os pais de Harry precisavam trabalhar, a mãe de Júlio ordenou que ele fosse até a casa de seu primo e ficasse como companhia até sua tia retornasse. Júlio não dava a mínima para a situação que seu primo estava, e ia brincar com os meninos com a bola na rua, e hora ou outra retornava e perguntava ao seu primo se ele já estava melhor para satisfazê-lo. Harry gritava com ele e o mandava embora, e Júlio apenas obedecia, retornando quinze ou vinte minutos depois com a mesma proposta.

O ocorrido foi próximo ao final de semana, e naquele sábado, Harry recebeu uma visita em sua casa, talvez a única até os dias de hoje. Quando foi praticamente ordenado a ir até a sala, se deparou com Jéssica e um de seus pais, Henrico. Obviamente, o pai da garota não mencionou nada de tinha um relacionamento estável com outro homem, ciente que a mãe surtaria com tal informação. Jéssica então pediu para Harry tomar um banho e colocar uma bela roupa, pois ciente de que a situação que ele se encontrava era por sua culpa precisava se redimir. A mãe de Harry não desconfiou de absolutamente nada.

— Jéssica é amiga de Harry, e está preocupada com o sumiço dele, por isso ela insistiu que eu a trouxesse aqui para levar o menino para um passeio no zoológico. – disse Henrico.

No entanto, o garoto fez de tudo para não ser perturbado e correu para o seu quarto. Jéssica o seguiu e antes que ele pudesse fechar a porta, ela entrou.

— Se esconder não vai adiantar de nada Harry. Seus pais estão preocupados. Eu estou preocupada, talvez, eu tenha abordado você de uma maneira bruta, mas quero me redimir. E se disser que não é o que estou pensando eu mesmo irei bater em você, porque se fosse coisa da minha imaginação você não estaria da forma como está. Então se arrume e vamos sair para conversar, vamos para casa e meu pai nem estará perto, não precisa se envergonhar de nada.

Não tendo qualquer outra escolha, pois Jéssica se negou a sair do quarto enquanto ele não se arrumasse, Harry tomou um banho rápido e se trocou, e eles saíram de casa em direção a casa dela.

— Pensei que íamos ao zoológico. – perguntou ele.

— Não. Vamos para casa ver filme, conversar e comer porcaria.

— Quando se esta na situação que você se encontra meu querido, nada melhor do comer porcaria. Teremos cachorro quente hoje, e será Jéssica que fará. Não quero chegar perto daquela cozinha hoje, tenho que terminar alguns capítulos do meu livro. Só vou pedir para você não criarem uma zona de guerra, principalmente você mocinha, você sabe o quanto seu pai Jorge surta com bagunça.

Eles seguiram então para a residência de Jéssica, ou poderíamos dizer, uma mansão, com um imenso jardim, área esportiva e lazer, havia até mesmo uma casa de piscina, com grandes estofados onde os meninos foram antes de começar a cozinhar. Harry se sentou e por um longo tempo apenas observou as paredes, sem ter o que dizer a garota e com medo do que ela diria. Henrico chegou com salgados que a cozinheira havia fritado e refrigerante e saiu.

— Harry. Eu queria te pedir desculpas pelo o que eu fiz. – disse Jéssica – Quando contei aos meus pais a forma como o abordei eu quase fui esquartejada de tanto que brigaram comigo. Eu errei. Por favor, peço o seu perdão.

— Fica tranqüila Jéssica. – disse o garoto incerto.

— Não tem como. Eu fiz você ficar três dias longe da escola, eu tentei ajudar e só piorei as coisas. Ás vezes desconfio que tentar ajudar não é meu forte, tento ser igual Henrico e acho que o tiro sai pela culatra, sou adotada. Não faz muito sentido acreditar que seria igual a ele. Mas eu quero que você se abra comigo. Meu pai Jorge sofreu muito na época da escola, e se você não se aceitar da forma como é, temo que talvez não tenha a mesma ajuda que ele teve.

— O que aconteceu com ele? – perguntou o garoto se ajeitando na poltrona.

— Ele nunca me disse de fato, mas deve ter sido algo terrível, foi quando ele conheceu Henrico e desde então estão juntos, já vai fazer vinte anos isso. Uma linda história de amor. Mas meu pai teve ajuda e eu fiquei preocupada.

— Mas porque?

— Porque as pessoas estão percebendo Harry. Elas comentam que você é diferente e estão te isolando por conta disso. Eu não entendo o por que desse preconceito idiota. Meus pais são tão iguais a qualquer outro casal, com a diferença que estão felizes todos os dias, já que a única mulher que ficar com TPM aqui sou eu. Eles sempre me guiaram para o correto na vida, e ainda tenho muito o que aprender, mas o respeito é algo que todos devemos ter. eu andei discutindo com as meninas da sala por elas falarem mal de você, e nenhuma delas sabem que eu tenho dois pais, imaginou se soubessem? Acho que iriam acreditar que minha amizade com elas é por outro interesse, — Jéssica fez uma cara de descontentamento — Bem, meu negocio é homem, isso é um fato, mas não vem ao caso nesse momento, eu só não quero que essas conversas cheguem a você pra você não surtar, por que uma hora isso vai acontecer, você não vai conseguir esconder para sempre. Conversei com meus pais sobre você, sobre suas atitudes e eles me disseram que existia uma possibilidade de você ser como eles. Que fique claro que eles não sabiam o que eu iria fazer, por isso quase fui morta. Eles ensinam tanto o respeito, e eu não respeitei você, o seu tempo. Eu só quero estar do seu lado. Você parece ser uma pessoa tão boa, só que meio incompreendida.

Harry embargou nesse momento. Sentiu em Jéssica alguém que talvez pudesse confiar realmente e se abrir. Respirou fundo e com lágrimas nos olhos proferiu aquilo que tanto temia dizer.

— Eu talvez seja... – pensou um pouco – Eu acho que sou como os seus pais. Eu acho que... Não. Eu sou como eles. Eu sou gay.