Fuckin' Perfect

13 Quando estiver triste, ande nu


Notas iniciais
Olá meninass, então, os mais votados foram Lennifer e Lonnifer! E por apenas um a mais, Lennifer vai ser o nome do Shipper :3 Obrigada a todas que deram sugestões! Enfimm, bora para o capítulo Espero que gostem, boa leitura e até embaixo!

Eu soube que a porra estava séria quando ela mordeu a parte internada bochecha. Aliás, a porra estava super séria.

— Está me chamado de falsa? É isso, você me acha falsa — Jenn falou, friamente.

Bufei, cansado.

— É o que você faz parecer.

–- Só estava tentado ajudar, sabe. Eu não via as coisas que fazia dessa maneira.

–- Mas é como parece.

De algum modo, vê-la não sorrindo fazia ela parecer mais sinistra e aterrorizante ainda. Eu praticamente sentia a mágoa, a raiva, a ira e a decepção presente em todo o seu ser.

–- Só queria te dar algo legal. Pra mostrar que gosto de você de verdade, mas isso você acha falso também? -- questinou e levantou levemente a sobrancelha. Parecia estar calma, mas eu sabia que uma única palavra errada desmoronaria tudo isso.Era como se ela estivesse me dando a chance de voltar atrás e implorar por perdão.

E era quase isso que eu queria fazer, de tão forte tinha sido o impacto de ouvi-la falar isto.

–- Jenn, eu...

Palavras erradas, cara.

Ela meneou a cabeça, me interrompendo.

–- Não, não, deixa pra lá. Sério, esquece. Só achei que você fosse diferente. Achei que você fosse.... menos... ignorante. -- Jenn deu de ombros, encarando os pés. -- Tanto faz. Não vou tentar mudar sua opinião sobre mim, porque eu realmente não quis que as pessoas fossem peças do meu tabuleiro, não queria ser assim. Só saiba que eu gosto de você de verdade, eu juro.

Ela ergueu a cabeça e seus olhos estavam lacrimejando. Jenn caminhou lentamente até a lata de lixo e jogou a sacola lá dentro. Senti um nó na garganta.

–- Jenn...

Ela balançou a cabeça, em sinal negativo.

–- Adeus.

E saiu correndo. No mesmo instante eu fui atrás, em total desespero, me xingando por dentro. Acho que já devem ter notado que Jenn não era do tipo que facilitava as coisas, e fugir correndo decididamente era a cara dela.

Eu não deveria ser tão idiota. Eu tinha meus defeitos e ela aceitava todos, sem reclamar. E na primeira vez que eu notei os dela, agi como um completo babaca. E era isso que eu era. Um babaca.

Idiota, babaca, babaca, idiota, idiota, idiota!

Desviei de várias pessoas e deslisei pelo chão liso do Shopping. Bem a minha frente, eu conseguia enxergar a cabeleira ruiva de Jenn, brilhando como fogo, esvoaçando ao vento. Sentia a adrenalina correr pelas minhas veias e o meu coração bater mais forte. No minuto seguinte, alcancei o saguão de entrada em tempo de vê-la entrar em um táxi e partir.

Se eu tivesse sido mais rápido só por uns segundinhos...

Minhas pernas estavam moles e eu respirava com dificuldade.

Eu era totalmente idiota.

Chutei a lixeira mais próxima, grunhindo, me obriguei a ficar calmo. Me encostei na parede, arfando, sabendo que tudo ficaria bem depois, dai me lembrei da sacola.

Voltei correndo para dentro. Peguei a sacola e saí do shopping.

~~~ // ~~~

–- Jenn, atende, por favor. Precisamos conversar... é que... eu sinto muito.

Não tinha certeza de quantas vezes eu já tinha telefonado. Talvez 20, 30, 50. Já tinha ido a casa dela dúzias de vezes, mas nunca ninguém atendia o portão. Havia feito mesmo a loucura de tentar entrar pelo telhado, mas quase havia me estraçalhado no chão.

Suspirei e joguei meu celular em cima do criado mudo. Me levantei, totalmente cansado. Olhando no meu relógio, eu tinha uma hora para me arrumar e ir para o colégio. O CD que Jenn havia me dado tocava baixinho, e isso só servia pra me deprimir mais.

Era quarta feira e desde Domingo, no Shopping, eu não via Jenn. Quero dizer, ela simplesmente parecia ter decidido se aposentar dos estudos. Ou de mim, mais provável.

Era também a apresentação do trabalho de Literatura.

Joguei os edredons para o lado e pulei da cama, arranquei a cueca e peguei uma toalha pendurada na porta do meu quarto. Joguei por cima do ombro e saí do quarto.

–- QUANTAS VEZES JÁ FALEI PRA VOCÊ NÃO ANDAR PELADO EM CAS...

Bati a porta do banheiro, cessando também os berros de Clary. Não estava nem aí se ela não gostava de me ver pelado. Eu gostava de andar desprovido de roupa em casa e pronto. Além do mais, ela não mandava em nada mesmo. Que porra de diferença fazia? Não era como se ela não tivesse visto um cara pelado antes, e eu era irmão dela.

Qual a malícia nisso?

Liguei o chuveiro e deixei a água escorrer por meu corpo.

Alguns minutos depois, já estava em meu quarto, vestindo um jeans qualquer, uma camiseta qualquer e um tênis qualquer.

O resto passou como um trovão: rápido e barulhento. Rápido porque eu estava distraído, me sentindo culpado, e barulhento porque meus pensamentos não me davam paz.

–- É, ela sumiu mesmo -- falou Greg, tomando o cigarro da minha mão e tragando. -- Isso que dá ser babaca.

–- Não está ajudando, Greggory -- murmurei.

–- Logan errou, as pessoas erram, Greg. E ela também pisou na bola, vale lembrar -- falou Anna.

Entramos dentro da escola, então atirei a batuca do cigarro no cesto de lixo.

–- Talvez ela apareça hoje -- respondi.

–- Estou rezando por isso -- zombou Greg.

O sinal bateu e alguns segundinhos antes de entrar na sala, rezei mentalmente.

Esteja aí, Jenn, esteja aí, por favor, por favor...

Mas não estava. Me joguei na minha carteira e coloquei os fones nos ouvidos, debruçando a cabeça na mesa.

Eu sabia que o professor estava mandando os alunos apresentarem os trabalhos do mesmo jeito que sabia que estava fodido. Eu não podia apresentar sem Jenn, não ia dar certo.

–- Vejamos... próxima dupla... Logan Grey e Jennifer Winters.

Me levantei, arranquei os fones e bocejei. Hora de se foder sozinho, Logan.

Peguei o pendrive e caminhei até a frente. Encaixei no computador e abri o arquivo. Alguns segundos depois, as imagens começaram a aparecer na parede, através do Retoprojetor, mas acontece que Jenn é quem havia ensaiado o que dizer no início, ou seja, minha cara de retardado ia ficar ainda pior.

–- Bem, Jennifer e eu, hã...

–- Desculpe o atraso, professor -- Jenn apareceu na porta.

A primeira coisa que notei que ela estava bonita, da forma mais natural que eu já tinha visto antes. Suas sardinhas apareciam, desenhadas por seu nariz e bochechas, que davam a ela uma espécie de beleza simples. Seus cabelos estavam um tantinho desgrenhados e havia um pouco de olheiras embaixo dos olhos verdes jade. Vestia um jeans largo, blusa canoa e all star escuros. Era como se tivesse se levantado, se vestido as pressas e vindo para a escola. O que não a deixava menos bonita, a deixava mais. Jenn era mais bonita quando tentava não ser bonita, se é que você me entende.

Ela jogou a mochila em uma carteira ao lado do minha, mas é claro que antes ela checou se havia um lugar bem longe de mim, tipo, Lua ou algo assim só que não achou, então se juntou a mim, na frente da turma, que nos encarava sem interesse.

–- O que aconteceu, Winters? -- perguntou o professor.

Ela sorriu automaticamente, dando de ombros, como se não fosse importante.

–- Problemas técnicos -- ela mexeu no computador e o vídeo começou a rodar. -- Grey e eu visitamos o Hospital do câncer infantil. O mês todo Logan e eu conseguimos adquirir livros infantis e contos populares para ler e presentear as crianças nos hospitais. Essa criança que você está vendo é...

Jenn tossiu, e ao meu lado, eu senti sua tensão.

–- Estou bem -- ela fungou. -- Essa é Bianca, com o livro Os três porquinhos. Esse é...

Ela voltou a tossir, duas vezes dessa vez.

–- Não vai morrer aí na frente, ruiva -- resmungou Chad, no fundão.

Jenn deveria estar com um resfriado, porque, pensando bem, não era a primeira vez que eu a ouvia tossir.

Jenn riu, quando se recuperou.

–- Esse é Denis, com o livro Meu cachorro vira-lata. Agora... é com você Logan.

Para ser franco, parte de mim queria mandar todo mundo tomar no cu e beijar Jenn ali, dizer que a amava,, mas acontece que se eu fizesse isso, provavelmente iria dar oi para o diretor, ficar de detenção pelo resto da minha vida e ser feito boneco inflável de boxe pelo meu pai.

Pigarreei, pronto para colocar em pratica a minha parte.

–- Visitamos alas de pacientes mais sérios também. Essa é Lorena. Lorena tem sérios problemas respiratórios e enfim, seu tempo de vida está contado. Para mim, foi o melhor e também o mais deprimente mo... Jenn?

Ela tossia, dessa vez sem parar. Enquanto as pessoas a observavam, reparei no papel redondo colado em seu braço, como se a pouco tempo estivesse tomando soro, ou tirando sangue ou sido furada em um hospital recentemente.

Franzi o cenho.

–- Jenn, tá tudo bem mesmo?

Ela levantou a mão, sinalizando para eu esperar. Então parou, respirou fundo.

–- Est... -- e voltou a tossir. Mas dessa vez, eu quase gritei de desespero e de medo, sentindo um tornado de coisas ao mesmo tempo, mas todas associadas a uma causa só: Jenn não estava bem. Agora estava evidente. A tosse não era normal, e não cessava como as outras vezes. Parecia doente, seca.

Ela segurou em meu ombro, procurando equilíbrio. Senti o desespero de seu corpo para manter o controle e segurei em sua cintura. Então rápido como começou, ela parou de tossir, respirou fundo, só que engasgou.

Fitando-a, eu me sentia em choque, a cor sumiu de meu rosto, tão assustado como nunca antes.

O rosto de Jenn estava cheio de sangue.

Notas finais
;c A partir daqui as coisas vão mudar um pouco... Well, comenteem, vamos bater 100 comentários, então vamos lá, comentem nem que for um mero "oi" Bem, bem, vão todas rezar pela Jenn... mas antes deixem reviews. Beijos, tchau :3