Notas iniciais
Oi lindezas, beleza? Bem, deem play na música Clair de lune - Debussy Espero que gostem desse capítulo, boa leitura e até lá embaixo

(Clair de lune — Debussy)

Ela tocava as teclas delicadamente, enquanto encarava a janela a nossa frente fixamente. Às vezes fechava os olhos, mas parecia estar sempre tocando, sonhando acordada. Aquela melodia me provocava sensações estranhas e num impulso me sentei no banquinho ao lado de Jenn. Junto a ela, comecei a tocar Clair de Lune. Jenn me encarou com surpresa. Parou de tocar e focou os olhos em mim. Depois de vários minutos, terminei e ela sussurrou:

— Não sabia que você tocava.

Sorri.

— Eu gosto de surpreender, porque geralmente é sempre você quem me surpreende.

Ela sorriu e debruçou a cabeça no ombro. Eu quase conseguia sentir a tristeza dela, e isso me deixava mal.

— Minha vizinha me ensinou a tocar — falei baixinho.

Jenn demorou a voltar a falar, e quando falou, foi com cansaço.

— Meu pai me ensinou. Esse piano era de mamãe, antes foi do pai dela, e depois dele. Agora é meu.

Eu ainda não tinha visto a mãe de Jenn, mas o pai parecia ser um cara bem nervoso, quase me enxotou quando fui na casa de Jenn pela primeira vez, mas depois de umas poucas palavras de Jennifer ele pareceu aceitar.

— Mamãe sumiu quando eu tinha 5 anos, Logan — falou. — Papai não gosta de falar sobre, mas acho que ela enlouqueceu e num belo dia… saiu e não voltou mais. Sei disso, porque ouço papai sussurrar coisas enquanto dorme.

Me perguntei no quão triste ela deveria se sentir… e ainda sorrir o dia todo.

— Sinto muito — falei, franco.

Primeiro, a ex paixão, depois, a mãe.

Devo ter feito uma cara de solidariedade muito grande, porque de repente Jenn gargalhou.

— Acostumei, o.k? Oliver, mamãe… são coisas da vida. Coisas ruins acontecem o tempo todo e a gente tem que estar preparado para isso.

— Sinto muito — repeti. — Sério, provavelmente eu nem sei o que é a vida.

Ela sorriu, saiu do banquinho.

— Eu acho que gosto levemente você, Logan — levantou a sobrancelha. — Gosta de sorvete de chocolate?!

Enquanto isso, eu tinha certeza que estava louco por ela.

~~~ // ~~~

Eu estava nervoso, Jenn parecia resplandescente.

Não parava de dar dicas para os outros e tirar sarro com minha cara, quando me via arrancando os cabelos de nervosismo.

— Logan, Logan, Logan… será que você nunca beijou uma garota?! — ela gargalhou da minha cara de irritação e me mandou um beijo no ar. — Vamos ver se você é tão bom nisso quanto é para devorar dois potes de sorvete.

Fiz uma careta. Ela me provocava, mas parecia querer tanto que sua forma de esconder era agir como se eu quisesse mais. É.

Ou então para ela seria só um beijo e nada mais.

Porém todo mundo concorda que é a opção número 1, certo? Certo.

— Docinho, eu sei fazer mais do que beijar. Amostras grátis após a peça. Hm… ou a vontade está demais para se segurar aí embaixo?

— Te fode, Logan.

— Mais tarde, talvez você — mordi o lábio.

Jenn revirou os olhos. Os fios estavam bem arrumados e o rosto bem maquiado, exibia um decote que era quase impossível não olhar. Puta merda, que melões.

Ela curvou o rosto, semicerrou os olhos.

— Tsc, tsc, tsc… o zíper está aberto. Fecha, que depois eu decido se abro — e saiu.

~~~ // ~~~

Jenn é perfeita. Minha conclusão era essa. Atuava perfeitamente, puta que pariu. Deveria estar na TV. Suas lágrimas saiam com facilidade, ela se mexia com facilidade, e em quinze minutos de peça eu soube que a platéia estava chorando com a beleza com que Jenn fazia tudo parecer. Mas é claro que não era só Jenn. Era uma junção de coisas: os outros atores, o cenário, o momento. Mas foda-se, eu apenas enxergava Jenn e tentava não me atrapalhar com as falas, o que era bem difícil com a ruiva ali.

A plateia estava cheia; é claro que ninguém tinha sido obrigado a assisti-la, mas todo mundo queria ver Jennifer Winters e Chad atuando. Ninguém parecia dar importância para mim, mas eu não ligava e sabe por quê? Um chocolatinho pra quem adivinhou e pra quem não adivinhou… já cogitou em fazer algum tipo de tratamento? Sabe, quando os 80 anos chegar, você pode estar com Alzheimer.

Eu iria beijar Jenn.

Era a noite, a peça se desenrolava rapidamente. Além dos alunos da escola, havia também os pais, professores e qualquer pessoa que quisesse comparecer.

Um único beijo. Eu iria beijar Jenn. Só mais uns segundos.

Observei Hannah morrer. A infecção se espalhava pelo corpo, uma septicemia avançada causada por uma tentativa de assassinato fracassado e um tratamento desleixado. Jenn atuava perfeitamente, e meu primeiro impulso foi o de querer chorar, e foi o que eu fiz, porque estava no roteiro, é claro. Tá, talvez a emoção tenha sido maior também.

— Hannah, não vá — sussurrei, mas alto o suficiente para que se propagasse pela platéia e todos ouvissem. Jurei que ouvi pessoas soluçando. Quis soluçar também.

Observar Jenn morrendo, na forma de Hannah era nauseante. Ela parecia tão frágil, tão pálida que me estilhaçava por dentro.

— Se você for, nada tem mais sentido… — uma lágrima escorreu.

Hannah agonizou e eu senti meu coração apertar.

— A-agora… tudo… vai ficar b-bem — murmurou e seus olhos começaram a se fechar.

— Não! Por favor, não vá… fique comigo! Até o fim, lembra?! — comecei a chorar em desespero, enquanto aproximava meu rosto do dela. Seus lábios quentes próximos ao meu, enquanto seu coração ainda batia e havia vida ali, parecia quase um convite para atravessar as barreiras de sua boca. E foi o que eu fiz, apenas um leve toque, um leve roçar, mas o suficiente para sentir o molhado da boca dela na minha, o gosto doce.

Foi tão rápido e o suficiente para deixar o gostinho de quero mais.

Me separei dela, observando em desespero a expressão vazia de seus olhos, a vida se esvair. Tudo que fiz foi soluçar, deixar as lágrimas caírem, fechar seus olhos com a ponta do dedo e me debruçar sobre seu corpo, abafando meu choro.

No segundo seguinte as cortinas se fecharam, Jenn abriu os olhos verdes jade, se sentou e me abraçou com força.

— Você foi ótimo. Nada mal mesmo — sorriu, piscou e nos levantamos.

Atravessamos as cortinas juntos com os outros atores e a platéia bateu palma, sorrimos. A sensação era magnífica. As pessoas aplaudiam de pé, com lágrimas e sorrisos no rosto. Alguns segundinhos depois, vazamos de lá.

Eu não sabia como me sentia com exatidão, mas com certeza estava feliz, meu coração batia forte e a minha vontade era agarrar Jenn ali mesmo.

Ela seguiu para o camarim dela, e eu fui para o meu trocar de roupa, em puro êxtase, me perguntando por que Jenn não tinha vindo para Ophelia antes.

Enquanto vestia minhas roupas normais, tomei uma decisão. Jenn sempre tomava a frente, a amizade comigo, a peça… e naquele momento decidi que era minha vez.

Saí do meu camarinho e percorri um longo caminho até chegar ao de Jenn. Ela vestia um top vermelho junto com uma jaqueta branca e shorts jeans. Sexy sem ser vulgar. Estava sentada em uma mesa, com uma expressão entediada, na sua frente, vi que Chad cantava ela. Babaca filho da puta.

Ela abriu um sorriso quando me viu, parecendo um pouco surpresa, Chad se virou e fez uma careta.

— Oi, Logan — falou simplesmente. — Caramba, você foi tão bom que praticamente ressuscitei como Hannah para te pegar sem…

— Oi — falei antes de empurrar Chad para o lado e a beijar. Os seus lábios estavam quentes, apesar de ter ao seu lado uma coca-cola recoberta de gelo. Ela mantinha as mãos na minha nuca, puxando meus fios com força, enquanto eu segurava sua cintura, puxando-a para mais perto de mim. Nossas línguas se chocaram de forma ardente.

Não vou me esquecer de dizer que Jenn é muito boa nisso também.

Notas finais
Finalmente uma atitude de homem *--* uahsuhahs Triste a história da Jenn, né? Isso me faz pensar que eu reclamo da minha vida muito à toa. Enfim, deixem reviews e não precisam economizar nas palavras u.u uhhsuauhs brincadeira, tchau :3