Frágil como Pedra

1 Capítulo Único


Era um dia ensolarado, quieto e pacífico. Toph estava trabalhando, conversando com seus detetives, sentados diante dela em sua mesa no escritório. Estava com os pés para cima, apoiados sobre a pilhas de arquivos que jamais leria por ser incapaz de fazer algo desse porte.

- Alguma notícia do nosso procurado? – perguntou a um dos detetives.

- Há boatos de que ele foi visto perto da casa do presidente, Chefe – respondeu um deles, dando uma mordida em sua rosquinha. – acha que podemos reforçar a segurança por lá?

- Sim. E faça questão que o presidente possua segurança reforçada onde quer que vá. Nós sabemos o que Friku está tramando, e não queremos que isso aconteça.

De repente, as portas do escritório foram abertas bruscamente. Em um reflexo, Toph se levantou e se preparou para lutar. Mas algo a impediu, assim que seus pés tocaram o chão.

- Katara? O que faz aqui?

- Ah Toph, tenho algo para lhe entregar... Estou tão feliz, espero que também se alegre.

Katara entregou um envelope para Toph. Ela tocou o papel duro, deu petelecos e fez uma careta.

- O que tem de tão animador em um pedaço de papel?

- Desculpe! É o que tem escrito nele.

Ela arrancou o envelope da mão da Chefe de Polícia. Toph fez um sinal com a mão para que os detetives se retirassem da sala. Então Katara começou a falar:

- Sokka e Suki alegremente lhe convidam para seu casamento...

Toph tombou levemente sobre a mesa, usando a mão para se apoiar. Katara falava feliz e até saltitante, mas nada mais entrava pelos ouvidos de Toph. Uma ardência subiu pela sua garganta, entalando como um nó.

Eles vão se casar pensou. Eles realmente vão se casar.

...

A água caía sobre seus cabelos negros e escorriam por todo seu corpo. Toph deixava que o líquido quente relaxasse seus músculos tensos.

Ódio a tomou por inteiro, instantaneamente. Ela socou as paredes de pedra, abrindo enormes buracos em todo o banheiro. Então se ajoelhou no chão e começou a pensar.

Mas, e se eu for? Vão notar que não estou aceitando isso? Mas se eu não for, vão pensar que não me importo. Eu me importo, até demais. Então deveria ir?

Ela acabou se decidindo, e iria de queixo erguido, não esboçaria reação contrária ou aversiva a união de Sokka e Suki, e aprenderia a lidar com aquilo, superaria a paixonite ridícula e seguiria em frente.

Mas também levaria um lembrete para Sokka. Iria com seu bracelete, bem a mostra, para que ele ao menos notasse que, mesmo depois de anos, ela ainda se importava. Mesmo depois de anos, ainda guardava o símbolo mais forte da amizade deles que começava a se dissipar com a idade.

...

A cerimônia estava para começar. Tudo estava chato e monótono, Toph odiava usar sapatos de sola fina feitos exclusivamente para ela, porque mesmo assim não enxergava tão bem.

Um pouco antes de se sentar, sentiu alguém se aproximar. Começou a implorar para que não fosse Sokka, a dúvida causada pelos sapatos apenas a deixava mais nervosa.

- Ei, você ainda tem isso? – perguntou Sokka, dando um leve puxão no bracelete.

- Tenho – ela respondeu, reprendendo toda a emoção que explicitasse o seu ódio por ele no momento. – eu não ia apenas jogar fora uma lembrança tão importante e significativa, certo?

Sokka produziu um ruído que parecia um riso, mas Toph tinha certeza que era um risinho nervoso, sem sorriso algum.

Então Aang chegou, cumprimentou Toph e arrastou Sokka até o altar. A cerimônia ia começar.

...

Toph saiu no meio da festa, nem sequer cumprimentou os noivos. Arrancou os sapatos dos pés, enjoada de ter de usa-los, e correu pela grama até alcançar o abismo que separava a terra, a tão preciosa e poderosa terra, da imensidão do oceano, assustador, desesperador... Cego.

Por que eu tive que vir? Gritou apenas para si mesma, sem mover os lábios, sem permitir que a voz lhe escapasse. Estúpida! Você realmente achou que ele a abandonaria no altar porque estava com o bracelete? O que estava pensando, que ele trocaria a guerreira bonita e perfeita pela garota grosseira?

Toph segurou seu bracelete de meteorito com força. Diante dela, o oceano se estendia, com seu movimento tranquilo e harmônico.

Com a dobra, transformou o bracelete em um disco maciço e redondo. Então arremessou com raiva o objeto na água salgada, que deu três saltos antes de afundar.

Ao fundo, música tocava. Um casamento, uma festa animada e feliz. A única que não se encaixava ao clima de alegria era ela.

Os nomes Sokka e Suki eram repetidos pelos convidados que cumprimentavam os noivos. E mesmo estando distante, Toph ouvia cada vez que os nomes eram repetidos, e sempre lhe atingiam com uma pontada no peito.

Uma lágrima desceu por sua bochecha. Um soluço dolorido escapou de sua garganta.

Quem disse que um soldado não pode ser quebrado? Quem disse que olhos cegos não derrubam lágrimas?

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