Fruto do Nosso Amor

31 Ajuda, Verdades e Masmorras.


Notas iniciais
Desculpem a demora, espero que gostem ;D

POV. Edmundo.

Estava escuro. Bastante escuro. Havia apenas um fraco feixe de luz prateada que atravessava uma rachadura no que eu achava ser a porta. Eu estava sentado ali há dias, minhas pernas estavam dormentes, meus pulsos e tornozelos estavam presos àquela cadeira prateada com cordas que machucavam a pele, prendendo a circulação. Não havia barulho nenhum, a única coisa que eu escutava era o zumbido do silêncio. A dor era insignificante perante a raiva e o ódio que eu sentia.

Eu confiei naquela desgraçada, eu entreguei meu coração aquela vagabunda e o que eu ganho em troca? Traição!

Mas isso não vai ficar assim... Não vai mesmo.

Foi quando eu ouvi um estrondo, o primeiro som em dias! Vinha do lado de fora. Pude escutar os arquejos de soldados, tilintar de espadas que se aproximavam da porta. Houve o arfar de um soldado antes de seu corpo encontrar o chão num som abafado. Então mexeram na porta, tentando abri-la. Deram chutes que não surtiram efeito e escutei um arfar irritado de uma garota.

Uma garota...?

- Espere, isso vai chamar a atenção. – outra garota. Parecia a voz da... Lucia? Mas o que...?

De um jeito que não consegui entender, a porta se abriu. A luz feriu meus olhos, mas pude vislumbrar dois vultos contra a luz, vindo em minha direção. A primeira a chegar até mim tinha um sobre-tudo de couro por cima da camisa vermelha e da calça preta, havia uma espada presa a bainha e os longos cabelos avermelhados caiam longos e soltos pelas costas.

- Lucia?! – não sabia se ficava feliz ou confuso. Ela sorriu de leve.

- Oi, Ed. – sacou um punhal da bainha e começou a cortar as cordas.

- Obrigado. – agradeci, massageando os pulsos e soltando as cordas que prendiam os tornozelos.

- Não precisa agradecer. – ela sorriu.

- Como você chegou aqui? Digo, eu vi você praticamente em coma e... – comecei, mas a segunda garota me interrompeu, aproximando-se.

- Explicamos depois. Temos que sair daqui antes que os soldados cheguem. – sussurrou ela. Ouvir aquela voz foi o mesmo que levar um murro. Doeu e deu raiva. Meu olhar flamejante focalizou-se nela. Quando dei por mim já havia dados dois passos, escutei um som alto e ela recuou alguns passos com a força da tapa que eu lhe dera. Lucia saltou em mim.

— Ed, não! – ela se posicionou entre eu e aquela desprezível.

- Como você pode ter a cara de pau de voltar aqui?! – gritei para ela. A garota, com uma das mãos cobrindo a face atingida por minha mão, olhando por entre o cabelo.

- Vou perdoar lhe perdoar por não saber do que fala. – ela tinha lágrimas nos olhos e por um momento eu me arrependi do que tinha feito.

- EU que preciso perdoá-la pelo que fez a mim. – falei rudemente.

- Não é o que você pensa Edmundo, Jay não... – começou Lucia.

- Lucia, deixe isso para lá, depois explicamos tudo, temos que sair daqui antes que notem nossa presen... – disse a outra, mas foi interrompida por uma voz diferente de mulher.

- Tarde demais para pensar em escapar.

Olhamos para a emissora da voz e vimos uma mulher alta, loira e de olhos verdes, tão verdes quanto o seu vestido. Recuei alguns passos até parar junto a parede, ao lado de uma das armaduras onde peguei calmamente a espada e o escudo, a mulher estava desarmada, não seria difícil passar por ela.

Mas logo senti meu sangue gelar nas veias quando dúzias de soldados entraram no cômodo gigante pela porta atrás dela e se posicionaram ao seu redor, armados com espadas escudos e algumas bestas.

- Terei piedade se vocês se renderem. – disse ela calmamente. Vi Jay e Lucia puxarem as espadas lentamente encarando a mulher. Ela olhou por cima do ombro para os soldados. – Peguem.

Eles avançaram para nós e tivemos que lutar, mesmo sem chances de vencer. Como era de se esperar, poucos minutos depois eles venceram e fomos capturados. Eles nos desarmaram e amarraram nossas mãos, três deles nos se aproximaram, fazendo-nos ajoelhar. Eles amarraram nossas mãos nas costas e colocaram vendas em meus olhos. Nos escuro, fui forçado a levantar e andar, sendo empurrado na maioria das vezes; pelo caminho, pude ouvir o som das duas atrás de mim que parecia estar sendo levadas para o mesmo lugar.

Fui levado por diversos corredores e quase caí quando comecei a descer uma escada. Ainda podia escutar o som das duas atrás de mim, resmungando ou tentando se livrar das vendas e dos soldados. Escutei o som de grades e portões pesados se abrindo, fui empurrado para algum lugar em seguida baixaram minha venda, depois de me fazer sentar no chão de pedra. Meus olhos se machucaram com a claridade. O soldado saiu e trancou o portão pesado que fora aberto. As garotas foram postas em duas outras celas, uma de cada lado da minha, os guardas trancaram as celas e saíram.

- Ed, tente soltar minhas mãos. – falou Lucia, sentando de costas para a grade que separava a minha cela da dela, arrastei-me pelo chão até sentar de costas para ela. Através das barras de ferro minhas mãos presas alcançaram as delas, foi um pouco difícil, mas eu consegui soltar as cordas que a prendiam. – Obrigada. – ela massageou os pulsos, logo se virando de frente para as grades e soltando as cordas que me prendiam. – Solte a Jay. – pediu ela. Fiz cara de nojo. Jay percebeu.

- Não precisa Lucia. – disse ela, sentada sobre as pernas, na cela do lado direito.

- Precisa sim! Ed! – ralhou ela, me olhando feio.

- Não se preocupe, Lucia, eu estou bem. As cordas não estão machucando... – falou ela. Olhei para Lucia.

- Viu? Ela não precisa de mim. Nunca precisou para falar a verdade, se precisasse não teria me traído. – falei.

- Edmundo, você não sabe do que está falando... – falou Lucia, balançando a cabeça negativamente.

- Vai por mim, Lucia, eu sei. Soube da pior forma. – lancei um olhar fulminante para a garota da cela do outro lado. Ela suspirou.

- Ele não vai acreditar, Lucia – disse ela.

- Não, ele TEM que acreditar! – insistiu Lucia.

- Acreditar? Acreditar em quê? Que ela não presta? Que ela me entregou para a Dama e que agora quer posar de boa moça? Sim, Lucia, eu acredito nisso. – falei, irritado.

- Nada disso, Ed... – começou a outra.

- Para você é Majestade! – vociferei.

- Edmundo, pare com isso agora! – ralhou Lucia. – Você foi enganado, eu fui enganado, todos foram enganados, não pela Jay, mas pela Renere! – fiquei em silêncio e esperei ela continuar. Lucia respirou fundo, acalmando-se. – Sei que pode ser difícil de acreditar, mas quem atraiu você para o bosque foi a Renere, não a Jay.

- Lucia, eu não sou tonto! Foi a Jay que me levou para aquele bosque. – insisti.

- É tonto por não acreditar no que eu digo... – resmungou ela. – Ed, me escuta, tudo que está acontecendo é culpa da Renere. Ela armou para o Julian e eu caí, fui para o bosque e depois tudo escureceu. Quando acordei estava no País de Aslam, a princípio eu pensei que estava morta, mas não estava. Lá, eu encontrei com a Jay e com Aslam. Enquanto isso, em Narnia, Renere encontrou o livro mágico de Coriakin de onde recitou um dos feitiços e assumiu a aparência da Jay. Você não estranhou o fato de a “Jay” – ela fez aspas no ar. – Aparecer depois de tanto tempo justamente quando Renere some? – questionou ela, só então me fazendo pensar no assunto. – Jay morreu mesmo quando caiu no mar, Ed, ela estava no País de Aslam, eu estava lá com ela. Renere enganou a todos se fazendo passar por ela... – sua voz era mais calma. – Então, depois de muito a Jay insistir, Aslam permitiu que viéssemos resgatar você. – ela falou a ultima parte com um sorriso.

- O que não deu muito certo... – Jay deu de ombros. Ela e Lucia riram.

- Já estou até vendo Aslam dizer: “eu avisei”. – elas riram de novo e eu dei um leve sorriso, indo até a grade que separava minha cela da de Jay.

- Me perdoe... Por tudo o que eu disse e... Por aquela tapa...

Ela sorriu de leve.

- Tudo bem, Ed... Eu agiria assim no seu lugar.

Sorri de volta. Como eu pude ser tão burro? Tão estúpido ao ponto de não perceber que aquela no acampamento não era verdadeira Jay?

- Vire, deixe-me soltar você. – pedi. Ela atendeu meu pedido e eu soltei as cordas que já machucavam seus pulsos.

- Obrigada. – ela os massageou.

- Ok, gente, agora que está tudo na paz, acho que já podemos pensar em como vamos sair daqui, não? – disse Lucia.

- É praticamente impossível, Lu, você viu quantos soldados ela tem lá fora? – questionei. Lucia suspirou e me lançou um olhar de “francamente, Ed...”.

- Não é impossível, afinal, nós entramos. – falou Jay.

- Não só por isso, Jay — falou Lucia, com um sorriso – Nenhum exército se compara a Aslam.

Notas finais
Eu tive que partir esse capítulo em dois, o que vai nos dar um capítulo a mais na fic ;D
Mereço reviews?!
Beijokas!!