Fruto de Memórias Secretas
1 Prólogo, Fidelius Child
Notas iniciais
Nesse primeiro capítulo teremos uma breve noção da história da protagonista e, em breve, explorarmos muito mais.
O conteúdo daquela carta selada, para ela, era um segredo, mas ainda podia imaginar as mãos de papiro do gentil senhor a redigindo com pena; a própria mãe, por vezes, tendo tomado chá com ele para que pudessem conversar. Fora por volta de 1997, quando ela ainda tinha oito anos, que as visitas deixaram de acontecer; ele estivera debilitado e, por detrás de seus óclinhos em meia-lua, os olhos azuis estavam cansados e cheios de preocupação.
Charlotte sempre tivera a impressão de que Dumbledore sabia de todas as coisas e pensava que escrevera aquela carta, agora nas mãos do jovem e atônito Senhor Potter, antevendo muitos dos acontecimentos relacionados a seu mundo – para ela – não tão secreto e sua própria existência. Tudo em seu momento correto, talvez.
— Quantos anos você tem, Charlotte? — Perguntou uma outra jovem com ares sábios e cabelos castanhos extremamente volumosos. Parecia gentil, porém consternada e saudosista; talvez com uma pontada de pesar.
— Faço onze em... — Teve de parar e pensar, uma tolice. Estava tão cansada da busca e a viagem, além de ter a cabeça pesada e os olhos embotados. — Nove dias, Senhora. — Era engraçado chamar pessoas tão novas de maneira tão formal mas, pelas histórias de heroísmo que sua mãe lhe contara, mereciam toda a admiração possível.
— Talvez você deva descansar, querida. — Apontou uma senhora de cabelos ruivos e começavam mostrar sinais da idade. Tinha rugas afáveis ao redor dos olhos, mas Charlotte podia perceber que, além de toda a sua amabilidade, queria criar um tempo para que os adultos conversassem – sobre ela – a sós.
— Venha, pequena. Prepararei um banho e uma cama para você tirar um cochilo. — Disse ao mesmo que repousava uma mão cuidadosa sobre suas costas e a guiava para fora do sofá. —Um lanche também. Deve estar faminta.
E estava. Seus pés doíam e o estômago roncava e se retorcia, também pela ansiedade, mas principalmente pela longa viagem até Ottery St. Catchpole; completamente desacompanhada.
"Ela é filha de Snape", disse a voz de Harry Potter no andar abaixo. A jovem encarava o teto de madeira, tentando discernir o que implicava seu tom de voz. " (...) Conta que estava desamparado naquela noite, quando meus pais... Bem, uma mulher chamada Clara Blumme o viu aparatar em desespero e sem rumo próximo à sua casa em Düsseldorf, na Alemanha." o rapaz Weasley interrompeu, surpreso "Ela veio até aqui da Alemanha?!"
Teria muito o que explicar, inclusive a respeito das noites dormindo ao relento para não acabar sendo descoberta pela polícia e levada aos serviços sociais.
"Parece que a Senhora Blumme sempre soube do amor de Snape por minha mãe mas, mesmo assim, os dois mantiveram um relacionamento em segredo desde então. Dumbledore a escondeu com Fidelius e Charlotte nasceu em 89, sendo mantida longe dos registros e distante do conhecimento de qualquer um além dos três, por medo de que Voldemort a descobrisse, afinal... Viam-se muito pouco, talvez uma vez ao ano, se muito..." "Pobrezinha..." "Então, quando Dumbledore foi morto na torre de Astronomia, Clara parou de ter notícias a respeito do mundo bruxo. Fora descobrir a respeito da morte de Snape muito depois, também. E, acredito, não pôde mais suportar."
Charlotte sentiu o coração afundar em seu peito, ouvindo os próprios gritos rasgarem a garganta quando nenhum de seus atos randômicos de poder fora capaz de reverter o fim que a mãe decidira colocar em sua própria vida. Não pudera ficar, igualmente, tendo apenas tempo de ler a carta destinada à ela e sair em busca das pessoas que, talvez, poderiam ajudar. Talvez. Talvez ela não houvesse ido se soubesse que o perigo e a guerra haviam acabado antes e que não estavam mais sozinhas.
"O que vamos fazer?" "Temos de falar com o Ministro... E McGonagall."
O frio do – que tremia levemente em uma constante vibração – vidro espesso contra sua têmpora esquerda trazia sensação de conforto e alívio para os olhares fulminantes e curiosos vindos do outro lado da porta da cabine; com vozes abafadas pela porta que sussurravam questionamentos.
— Está tudo bem, Darjeeling. — Murmurou para a gata vira-latas aninhada sobre o negro da saia que compunha suas vestes. A felina, como se compreendesse a necessidade de reafirmação, miou baixinho em resposta, pressionando a cabeça de bigodes queimados contra a alva palma da mão de sua dona.
Notas finais
Os próximos capítulos tratarão do contato real de Charlotte com o Mundo Bruxo e não apenas através de histórias e aparições esporádicas.
O que gostariam de ver?
Não deixem de comentar e até a próxima.
Observação: Teremos mais da aparência dela mas, por enquanto, saibam que do pai ela herdou muito do intelecto, mas não muito do físico, exceto pelos cabelos escuros.
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