Fruto das Estrelas
2 Bisturis Médicos
Notas iniciais

– Bisturis médicos. -
Eu não quero acreditar que a pessoa que eu mais amei no mundo deixou de existir, e o pior, por culpa minha. Eu sei papai, você deve me odiar ainda, mas você deveria tomar cuidado com as suas palavras de vez em quando, pois elas magoam. Elas cortam assim como os cortes que eu tenho feito em meus pulsos de uns meses pra cá, mas os cortes são como bisturis médicos, eles machucam e curam ao mesmo tempo. É como se afogar no próprio vômito. É uma forma de se culpar por tudo porque assim é mais fácil. Os cortes não matam mais a minha sede, a minha sede de me sentir mais próxima da escuridão pela qual eu me sinto mais confortável. Sem você não há luz, mamãe.
Eu adoro dias nublados. Hoje é um desses dias e eu tenho certeza de que vai chover. Enquanto caminho em direção ao meu destino, onde esse inferno começou, eu vejo minha vida quase que por cima, posso sentir cada sensação e lembrar de cada frase importante da minha existência curta.
– Lucy, você pode por favor me dizer o que acha daquela garota? – o sorriso de Loki naquela hora foi tão sádico que eu tive vontade de chorar, mas eu sorri.
– Ela é linda, vá em frente. – ele seguiu muito bem meus conselhos, afinal ele me contava tudo, mas quem disse que eu me importava com a sua vida Loki?
Naquele tempo, eu podia me importar, mas agora eu não gosto de você. Tínhamos algo de especial um pelo outro, mas seu medo de amar sempre aparecia comigo, enquanto com suas ficantes ele não existia. Muito estranho o quanto eu me importei com você enquanto um dia em que eu te liguei de madrugada e você em vez de me perguntar o porquê de eu fazer aquilo começou a me contar o quão maravilhoso tinha sido o jogo do dia anterior e quantos gols você havia feito, e sim, eu sorri feito boba ouvindo sua voz mesmo que meu pulso sangrasse muito, pois eu era apaixonada por você.
E quantas coisas eu deixei passar enquanto eu perdia o meu brilho? Loki você sempre não quis estragar nossa amizade, mas precisava jogar na minha cara o quão lindas eram as meninas que você ficava? Desnecessário. Tudo é desnecessário aqui, nessas memórias...
Enquanto viro uma esquina me lembro de outra coisa que me fez estar aqui, uma das mais importantes. Você papai, eu não o odeio, mas você nunca me apoiou. Eu sei você também estava sofrendo, mas eu continuava sendo a sua filha.
– Pai, sabe hoje é o aniversário da mamãe, e vai ter um concurso musical na cidade próxima – lembro-me da minha felicidade momentânea, naqueles dias eu ainda tinha forças pra lutar – Eu queria muito ir e acho que a mamãe, onde quer que esteja, ficaria muito feliz!
– Pra você nada basta? – me olhou como um assassino, mas eu sabia que aquele olhar era mais de dor, ele precisava culpar alguém – Por essa sua merda de insistência em cantar sua mãe morreu! – uma lágrima escorreu do meu rosto e eu só continuei de cabeça baixa – Seu irmão vai casar sem ter a mãe por perto, e eu como eu ou ficar? Sem Layla aqui não existe felicidade, olhe em volta! – virou meu rosto com força e eu vi o que eu já havia percebido, uma casa vazia.
Os móveis estavam todos lá, mas o ambiente não tinha felicidade alguma. E foi assim o meu primeiro corte... Depois de tudo o que ele me falou naquele dia eu corri para o quarto para chorar. Meu pai já estava estranho comigo desde a tragédia e neste dia ele cuspiu tudo o que vinha sentindo há meses na minha cara. Tranquei-me no quarto durante horas e decidi que não ligaria para a minha pobre amiga que vivia trabalhando. Ela sempre vinha correndo para me dar apoio e eu não queria sobrecarregá-la então decidi contar com outra pessoa. Pelo visto foi com a pessoa errada, não é Loki? Um pingo caiu na minha testa e finalmente a chuva havia chegado, coloquei meu capuz e continuei. Meu destino ainda era um pouco longe.
Levy, a minha pequena... Ela foi uma das coisas mais perfeitas na minha existência. Cuidou de mim nesses meses terríveis da minha vida sempre tentando me ajudar... Lembro-me de um dia em que Levy me obrigou a ir numa festa com ela só por que o Loki estaria lá. Nós éramos um trio no começo, até a azulada arrumar um namorado que nunca gostou do ruivo, então como eu preferi sempre estar com a minha amiga ele se afastou da gente, mas eu continuava gostando e sentindo um carinho especial pelo garoto mais cobiçado da escola.
– Vai Lucy, chega nele logo, vai dar tudo certo hoje! – ela me empurrava com força para a pista de dança enquanto Gajeel, seu namorado, estava no banheiro. – Se o Gajeel me ver aqui ele me mata.
– Para! Ele está com outras meninas eu não quero atrapalhar. – quando gritei isso chamei a atenção do Loki para mim e ele veio me dar oi como de costume.
– Lucy! – ele veio sorrindo pra mim e eu derreti.
– Oi Loki. Bom, Lucy irei te deixar aqui. Tchau pra vocês – Levy saiu e foi se sentar em sua mesa novamente.
Fazia uns três meses que eu não tinha uma conversa com ele, seria estranho.
– Quer beber alguma coisa? – ele perguntou.
– Pode ser – eu fiquei meio vermelha e acho que ele percebeu. Nós sentamos na mesa e ele estava com uma cara pensativa.
– Então Lucy, acho que nos afastamos um pouco. – tomou um gole da cerveja em suas mãos, enquanto eu fingi beber já que eu nunca gostei de bebida.
– Você sabe que eu sou meio tímida... Tem sempre várias garotas por perto.
– Lucy, você é linda – abaixei a cabeça e sorri – Mas é ingênua demais. Todo mundo da escola comenta sobre a sua beleza, porém ninguém tem coragem de chegar em você... Você não vai às festas que a galera organiza como antes.
– Porque você acha isso? – era verdade mesmo, eu não saia, mas eu não tinha vontade
– Você se afastou de todo mundo depois que aquilo aconteceu – ele pegou a minha mão por que percebeu que meus olhos estavam cheios de lágrimas. Virei o rosto para tentar segurar e vi aquelas pessoas dançando todas tão felizes... – Por favor, não chore aqui.
– Desculpa, é que eu não superei ainda. – fiz uma pausa e nossas mãos unidas. – Eu não me afastei das pessoas, eu simplesmente não queria estar chorando perto delas o tempo todo.
– Eu entendo, mas você acha que eu não te apoiaria? – hoje em dia lembrando da sua cara de sério, eu me pergunto se você é burro. Todos esses meses eu olhava você por todos os lugares e você não me enxergava. Até um dia que eu tentei te ligar e mesmo assim você não percebeu que eu só queria seu apoio.
– Não é isso. Não estou falando sobre você – eu menti. Você foi um dos que se afastaram de mim depois de tudo, claro, não é fácil andar por ai com uma pessoa triste. Nesses momentos você percebe quem são seus amigos de verdade.
– Eu senti muito a sua falta, afinal, nós sempre tivemos algo de especial um pelo outro. – quando ouvi isso senti uma felicidade enorme, algo que eu não sentia há anos.
– Eu também Loki. – ele soltou minha mão e me olhou sério.
– Lucy, você sabe dos meus sentimentos por você não sabe?
– Que sentimentos? – perguntei pasma e ele me beijou.
Saímos de mãos dadas da festa e todos olhavam pasmos se perguntando ''Aquela é mesmo a Lucy, e ainda com o Loke?''. Sim, era eu. A garota que não namorava ninguém e que se tornou invisível de uns tempos pra cá. Loki você foi o que me deu cor por um tempo e também era o dono da minha felicidade.
Na primeira semana do nosso namoro tudo foi perfeito. Eu sempre acordava com alguma mensagem fofa sua e sentia que podia superar tudo. Até meu pai que só aparecia no café da manhã era despercebido por mim. Laxus até chegou a aprovar nós dois juntos, mesmo ele sendo um irmão super ciumento estava tudo bem, eu não me cortava mais... Até que você começou a mudar comigo, eu não recebia mais mensagens suas e tudo que você fazia era responder as minhas. Comecei a me sentir mal com tudo isso, mas eu não sabia ainda o que iria acontecer.
O pior é que começamos a nos ver pouco e na escola parecia que você fugia de mim pelos corredores. Eu não te achava em lugar algum. Levy já estava irritada com essa situação e foi falar com você, então você falou para ela que queria que eu aparecesse na praça aqui perto às oito horas.
Eu me arrumei toda, estava feliz. Fazia uns três dias que nos víamos pouco e não tínhamos nenhum tempo sozinhos. Aí o meu celular tocou.
– Lucy? – reconheci sua voz na hora e sorri.
– Oi, já está pronto? – perguntei.
– Era sobre isso que eu ia falar. Eu não vou aparecer, Lucy. – meu sorriso desapareceu na hora.
– Tudo bem então, tchau. – disse meio irritada.
– Lucy espera!
– Sim? – perguntei seca enquanto tirava meus brincos, afinal eu não ia sair mais.
– Eu sei que isso não é coisa de se falar por telefone, mas acho que não está dando certo entre nós.
– O que? – fiquei pasma. Comecei a respirar pesadamente e senti que perderia meu chão.
– É Lucy, acho que eu confundi tudo entre a gente. Eu não quero te magoar, mas acho melhor acabarmos com isso...
Ele percebeu que eu fiquei em silencio. Já caiam várias lágrimas sobre a minha bochecha e minha maquiagem estava toda borrada.
– Eu não sirvo pra você, eu não te mereço, por favor, entenda. – ele devia saber que eu estaria chorando, mas me segurei um pouco para que não ficasse na cara.
– Tchau, Loki. – falei e desliguei o telefone.
O segundo corte...
Loki eu sei que você só terminou comigo por telefone por que sabia que não ia conseguir pessoalmente. Você era o motivo do meu sorriso e isso é muita responsabilidade para uma pessoa. Eu não culpo você, mas machucou muito eu não posso controlar isso. Afinal ninguém consegue controlar o amor, mas o amor controla todas as coisas.
Nesse momento começa a chover mais forte e eu já estou encharcada e com frio. Minha boca estava roxa, mas eu não iria voltar atrás, não agora que estou perto daquela maldita avenida, a que mais tinha rachas em toda cidade, o lugar onde ela morreu.
Peguei no bolso minha gilete e me cortei mais uma vez. Sem querer acabei deixando, junto com as minhas cicatrizes, um ''N''. Achei estranho, não me lembro de ter feito isso propositalmente. Meu pulso ardia, decidi tirar o capuz e fiquei olhando para todos aqueles carros que passavam. Eram muitos faróis coloridos, tão rápidos... Era uma esquina e eu chegava cada vez mais perto. Minhas mãos tremiam e certas coisas passavam pela minha cabeça como flash back.
– Você vai querer andar mesmo comigo? Eu sou muito pequena e por isso ninguém gosta de mim aqui.
– Mas eu gosto de coisas pequenas. Minha mãe me disse uma vez que nos menores frascos estão os melhores perfumes. – lembro do meu sorriso para Levy e do nosso primeiro abraço, tínhamos oito anos de idade.
Também lembrei de um natal que mamãe ainda estava viva.
– Laxus, o cereal, você comeu ele todo! Quantas vezes eu já te disse que ele é meu? – mais uma típica briga entre eu e meu irmão. Isso parou de acontecer depois que ele foi ficando maior, mas eu sempre o amei.
– Fique quieta, estou jogando videogame, sua loira magricela! – naquele tempo, por volta dos meus seis anos, eu era muito magra.
– Parem os dois. Trouxe um presente para vocês! – minha mãe chegou em casa. Ela havia saído com meu pai para ir ao mercado.
– Mostra mamãe! Mostra!– falei empolgada.
– Lucy, abrace seu irmão e eu digo onde está o presente! – minha mãe ordenou e eu obedeci abraçando Laxus com ternura e ela tirou uma foto que hoje se encontra na sala.
– Está aqui. – Papai chegou com dificuldade. Em seus braços estava uma linda árvore de natal. – Vocês vão enfeitar ela com esses enfeites aqui. – deu ao Laxus uma sacola e a mim outra.
Ficamos muito felizes e começamos cantarolando uma música que mamãe ensinou para a gente. A árvore ficou super linda e aquele foi o nosso melhor natal. Os outros também foram bons, mas papai não estava em casa. Hoje em dia mamãe também não está.
Deve ser verdade essa estória de que quando você está perto da morte sua vida passa pelos seus olhos como um filme. Nesse momento outra lembrança veio em minha mente.
– Levy-chan, faça meu trabalho, por favor, eu to com muita preguiça.
– Lu, eu sempre faço pra você, mas você precisa aprender matemática de uma vez por todas. Vamos fazer juntas, sim? Eu te ensino. – Levy me puxava para dentro da biblioteca.
– Se você não fizer para mim eu vou contar pro Gajeel que você gosta dele!
– Não se atreva loira!
– Tá bom. Peguei pesado. Irei te fazer umas cosquinhas então.
– Lucy, eu vou te matar, entre logo sua loira teimosa! – me empurrou com uma força que eu nunca soube da onde ela tirava.
– Problemas? – Loki chegou para falar com a gente.
– Sim, a Lucy não quer aprender matemática! – falou a azuladinha emburrada.
– Lucy, se você aprender tudinho eu te dou uma barra de chocolate! – ele sabia que meu ponto fraco era esse.
– Sério? – perguntei com os olhos brilhando.
– Sim. – meus olhos brilharam e eu aprendi tudo naquele dia, logo ganhei minha barra de chocolate.
– Vou sentir muita falta de vocês – Falei baixinho para mim mesma. Eu já havia chegado.
Tirei minha capa e respirei fundo. Agora é só esperar um carro passar. Meu coração está pulando no meu peito, mas eu sei que esse é o único jeito da dor parar, de não me sentir sozinha e sem esperanças. A morte é fácil a vida que é difícil. Vi de longe que vinha um carro e atirei minha capa no chão, é agora!
[...]
Autora POV on
Mesmo com a chuva forte, dois jovens vinham em alta velocidade. Iriam embora da cidade depois de três longos meses... Alguns diriam que era errado o que eles faziam, mas para eles era só um jeito de ter algo na vida. Era a forma deles de sobreviver em meio ao mundo cruel.
– Cara, você tá exagerando, mal consigo ver a estrada! – Sting reclamou para seu primo.
– Que foi gayzão, tá com medinho? – Natsu perguntou debochado.
Natsu Dragnnel, 19 anos, cabelos rosados e olhos cor de ônix. Um mito no mundo do tráfico... Mesmo com pouca idade sua ficha criminal deixaria qualquer policial com as pernas bambas de medo. Por enquanto era apenas um dos capangas do maior traficante que Tókio já conheceu, Deliora, mas todos sabiam que ele logo iria ter seu próprio negócio. Era de se espantar a fúria e frieza do garoto.
Seu primo, Sting, um rapaz loiro de olhos azuis que entrou nesse mundo apenas para ter o que comer, já estava ficando assustado. Natsu estava virando apenas um bandido. Já havia matado dois homens, mesmo que esses caras que Natsu tirou a vida não valessem nada, todo bandido tem um começo, mesmo que pequeno.
– Não é medo. Só acho que você anda exagerando demais ultimamente.
O carro começou a parar e o destino havia pregado uma peça em Natsu, que agora estava em uma avenida onde mecânicos estavam muito longe de seu encontro, ainda mais em meio ao temporal naquela hora.
– Essa porcaria estragou de novo? – perguntou Sting enquanto Natsu tentava impaciente ligar o carro.
– PORRA! NÃO ACREDITO! – respondeu o rosado, dando um soco no volante. – Vai se fuder!
– Natsu fica calmo, eu vou tentar ligar pro Deliora para avisar, tudo bem?
– Faça isso, vou ver se encontro um bar aqui perto para perguntar aonde tem um mecânico por aqui.
– Tome este guarda-chuva. – Natsu pegou e saiu do carro.
A sorte dos dois é que o carro teria parado logo perto ao meio fio. Natsu caminhava apressado e se perguntava ''Que merda de cidade é essa na qual eu me meti? Não há nada aberto por causa de um temporal desses?''. Ele estava muito irritado. Deliora já avisou muitas vezes que quanto maior fosse o atraso menos eles ganhariam no fim do mês. E ultimamente eles estavam quase chegando ao dinheiro necessário para terem uma casa própria e um carro. O garoto pisou numa poça d'água e começou a reclamar mais um pouco, aquele não era um de seus dias!
Ouviu um barulho de pneu quase que abrindo o asfalto indicando que um carro vinha em alta velocidade. Virou seu rosto e teve a visão mais linda da sua vida. Era ela, vestia um vestido branco com uma capa de chuva e tinha os cabelos loiros mais lindos que ele já havia visto, e iam até a cintura. Decidiu se aproximar para perguntar se ela não queria carona. Tudo bem, ele não tinha carro agora, mas tinha um guarda-chuva e dinheiro para o táxi dela. Enquanto ele chegava perto percebeu que ela tirou do bolso algum objeto e passou no pulso, depois atirou a capa logo ali sem mais nem menos...
Quando ele percebeu o que estava para acontecer correu em direção á garota e não pensou duas vezes. Atirou-se por cima dela tentando empurrá-la para que ela não fosse atropelada, mas a tragédia não foi parada. A garota acabou caindo mais para frente de joelhos e quem acabou sendo atropelado foi ele. Um trovão caiu na mesma hora e a garota enxergou o rosto dele no clarão e sentiu uma forte dor no peito, gritou desesperada.
– NÃAAAAAAO! – o garoto voou longe. Ela começou a chorar desesperada e correu até o corpo dele, onde em volta se formava uma poça de sangue enorme que se misturava com a água da chuva. – Por favor, era pra isso ter acontecido comigo, por que você se meteu na minha frente, por quê? – suas lágrimas não paravam de cair e seu olho já doía de tanto chorar.
Foi surpreendida quando o rapaz se remexeu um pouco e tentou levantar o braço até chegar ao rosto da mesma.
– Não foi culpa sua, é que eu não poderia deixar uma garota assim tão linda se machucar. – ele se esforçou para sorrir. – Sabe, é como se eu tivesse me apaixonado por você. Irônico isso acontecer numa hora dessas, não acha? – sorriu novamente e continuou antes que fosse interrompido pela loira. – Por favor, talvez eu não tenha muito tempo, me diga seu nome. – a chuva parou um pouco e Lucy segurou a mão do rapaz em sua bochecha.
– Meu nome é Lucy e o seu? – o garoto cuspiu um pouco de sangue, que acabou respingando no rosto da loira que, por sua vez, ficou um pouco ensanguentado também.
– Natsu. – ele sorriu. – Desculpe por ter machucado seus joelhos Lucy. – e ele desmaiou deixando a loira em choque.
Logo o homem que dirigia o carro veio correndo com mais dois rapazes.
– Rapazes, peguem este pobre garoto. Irei levá-lo para o hospital imediatamente. – o homem deu uma ordem enquanto ele verificava o pulso de Natsu.
Eles começaram a levantar o rosado e Lucy suplicou desesperada.
– Por favor, me deixe ir junto, ele salvou minha vida!
– Eu vi e é por isso que eu vou salvar a dele. Eu não sei o que suicidas tem na cabeça. Tanta gente querendo viver por aí. – fez uma pausa e a fitou. –Vejo que é linda e deve ter boa saúde. Você percebeu o que acabou de fazer?
– Por favor, senhor, eu sei que o que eu fiz foi errado, mas eu preciso ir. – Lucy se ajoelhou no chão enquanto a chuva molhava seus cabelos e se misturava com as suas lágrimas. Seus joelhos sangravam um pouco e o homem, vendo aquela cena, teve pena da garota.
– Tudo bem entre no carro e veja se ele tem carteira de identidade. Procure o nome de algum parente tudo bem? – Lucy assentiu e o homem entrou no carro nervoso. Os dois homens que o acompanhavam ficaram para trás, deixando lugar apenas para os três.
Lucy começou a procurar qualquer documento do menino, e então encontrou sua carteira de identidade.
– Menina, entregue os dados dele quando chegarmos ao hospital. Se ficássemos esperando uma ambulância podia dar danos ao cérebro dele, eu sou médico. – ela se sentiu mais tranquila.
– Mas o senhor não acha que seria melhor ele ir numa maca? – a loira perguntou confusa enquanto ainda soluçava por conta do seu choro.
– Eu percebi que ele teve lesões no tórax e na cabeça na parte da frente, o que permite que ele não tenha problemas indo num carro normal. – Lucy tremia muito. Temia pela vida dele, mesmo que ela quisesse se matar realmente, porque ele foi de fato um herói. – A sorte foi que o carro só pegou de raspão nele, se fosse você, por exemplo, não estaria viva. – o olhou sério e ela só fitava o chão do carro, estava com vergonha do que ia fazer. Agora que presenciou a morte de perto sabia o quão era ruim.
Chegando ao hospital percebeu que o homem parecia muito respeitado por ali. Todos o chamavam de doutor. Rapidamente eles levaram Natsu numa maca lá para dentro e Lucy deu todos os dados dele na direção do hospital, se colocando como a principal acompanhante do mesmo. Mentiu que era a namorada dele para que deixassem e logo um primo de Natsu apareceu por lá desesperado e o doutor explicou tudo á ele, já que Lucy estava fazendo curativos no joelho.
– Ele vai ficar bem? – Perguntou para a médica enquanto ela limpava o machucado de Lucy.
–Pelo que eu sei o estado dele é regular, não se preocupe agora, deixe nas mãos de Deus. – respondeu simplesmente. Lucy conseguiu parar de chorar. Haviam dado um calmante para ela e logo seus familiares também estariam ali.
– Posso visitar ele agora?– ela perguntou esperançosa.
– Pode, mas já tem uma nova pessoa como acompanhante do rapaz. Vejo que a senhorita mentiu. – Lucy ruborizou e saiu dali sem dar mínimas explicações.
– Obrigada doutora! – falou antes de sair.
[...]
– Então você é o primo dele? – disse Lucy, meio sem graça, entrando no quarto onde o garoto parecia dormir.
– Sim. Fiquei muito feliz com o que ele fez por você e mais feliz ainda por ele sair vivo dessa. – a garota sorriu, pensou que talvez o rapaz estivesse com raiva já que tudo ali era culpa dela.
– Meu nome é Lucy e o seu? – perguntou enquanto se aproximava.
– Sting. – os dois apertaram as mãos.
– Quer dizer que ele quebrou a perna? – perguntou a loira enquanto olhava para ele meio triste.
– Sim, vai ficar com gesso por um bom tempo. – Sting estava nervoso sobre isso. Como ele iria cuidar do primo? Afinal, ele era sua única família. Deliora aceitou numa boa, pensou que um de seus melhores meninos iria morrer, então deu três meses para ele de ''férias''.
– Ele não tem mãe?– perguntou enquanto o observava.
– Nós dois saímos de um orfanato com dezoito anos. – Lucy ficou pasma. Como aqueles dois garotos lindos podiam não ter pais? Estavam com roupas caras também, não que ela os julgasse por isso.
– Lucy, seu pai quer falar com você. – disse uma enfermeira abrindo a porta e e garota foi em direção à ela.
– Tchau Sting, eu já volto.– falou virando-se para fitá-lo.
Ele abanou a mão e ela se foi. Com certeza a loira teve bastante afinidade com os dois rapazes. Principalmente com o que salvou sua vida. Ele era tão lindo e perfeito na visão da moça, e ainda disse que se apaixonou por ela antes de desmaiar. Mas agora ela não podia lembrar-se dessas coisas ''boas'' que tinham acontecido, seu pai devia estar uma fera por tudo que ela fez. Quando avistou Jude de longe na recepção de costas sentiu um calafrio, quando ela ia tentar voltar para tomar um ar ele a viu.
Autora POV off
– Lucy – me deu um abraçou apertado e começou a chorar. – Me perdoe pelas coisas que eu te disse, eu estava muito mal.
– Está tudo bem papai, eu estou bem. – eu nunca pensei que essa seria a reação dele, mas receber um abraço do meu pai nesse momento tão difícil era a melhor coisa do mundo. – Me perdoe, eu não sabia o que estava fazendo. – nós dois começamos a chorar quando sentimos outros braços conosco. Percebi que era o Laxus, larguei meu pai e o abracei ternamente.
– Me perdoem, por favor, eu não... – meu pai me interrompeu.
– Está tudo bem. Não fale mais disso, ok? – assenti com a cabeça. – Agora nós temos que cuidar do herói que te salvou. Ele não tem noção do quanto sou agradecido. Então eu queria que quando ele acordasse você o convidasse para ficar em nossa casa durante o período de sua recuperação. Tudo bem filha?
– Claro! Muito obrigada papai! – Minhas preocupações quanto à forma como seria a vida do Natsu ao sair do hospital acabaram, afinal, eu sabia que Sting não saberia cuidar dele. Eu queria cuidar dele!
Hoje foi o dia mais maluco da minha vida. Primeiro eu ia me matar e estava tremendamente triste, agora eu não consigo parar de sorrir porque eu conheci uma pessoa muito especial e meu pai finalmente teve um ato de amor comigo depois de todas aquelas coisas horríveis que aconteceram em nossas vidas. Eu estava muito feliz, era super estranha a sensação, mas era essa.
Continua....
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