Notas iniciais
Oi minna, como vão? Ana-chan postando >.< . Primeiramente mil desculpas pela demora. Eu e a Ameyuri estivemos ou muito ocupadas ou com um bloqueio criativo, então, por favor, guardem suas pedras! :x Muito obrigada a todos os que leram, comentaram e favoritaram o capítulo passado. Ficamos muito felizes com a opinião de vocês s2 Outra coisa, RECEBEMOS UMA RECOMENDAÇÃO! *o* . Muito obrigada Princess Raven pelas belíssimas palavras. Eu também acho a Amey-chan uma ótima escritora *-* Enfim, sem mais delongas... Ah, já ia esquecendo! Tem um link de uma música pra vocês olharem ok? Boa leitura s2

– A razão é você. -

Já faz uma semana que Natsu está em coma induzido no hospital. Os médicos disseram que ele levou uma pancada forte na cabeça e que dessa maneira se recuperaria mais rápido.

Durante essa semana não houve um dia em que eu não viesse ao hospital visitá-lo. Vê-lo deitado na cama daquela forma vulnerável, com a cabeça enfaixada e ainda mais com a perna quebrada partia meu coração já que eu sabia que a culpa disso tudo era minha. Se eu não tivesse tentado dar fim a minha vida, se eu não fosse uma fraca incapaz de encarar os problemas de frente, nada disso teria acontecido. Porém se eu não tivesse cometido aquela loucura nunca teria conhecido o belo rapaz de cabelos rosados que nesse momento dorme com uma feição tranquila enquanto eu seguro sua mão.

Podem me chamar de louca, mas quando estou perto dele, mesmo que desacordado, sinto como se algo dentro de mim se acalmasse e uma enorme paz invade meu corpo. Não sorrir de vez em quando ao olhá-lo é praticamente inevitável.

– O que você fez comigo, Natsu? – pergunto baixinho enquanto o observo respirar tranquilamente.

Depois disso o único barulho que podia ser ouvido eram os bips das máquinas que o ajudavam a respirar e alguns passos de pessoas que passavam pelo corredor. Estava tudo muito silencioso, mas esse silêncio de modo alguma era desconfortante. Lógico que eu amaria estar ouvindo a voz do rosado mais uma vez, já que a ouvi tão pouco, mas sua feição serena demonstrava que ele estava bem e isso para mim já era muito.

Sting aparecia aqui todos os dias para dormir com o primo já que insistia dizendo que uma garota como eu não deveria dormir toda encolhida em uma poltrona de hospital. E não havia nada que eu falasse que o fizesse mudar de ideia, então, depois de muita insistência de minha parte, decidimos que eu ficaria com Natsu durante todo o dia e o loiro chegaria à noite.

Eu já li em algum lugar que os pacientes em coma têm noção daquilo que acontece ao seu redor, então todos os dias trazia um livro para ler para o rosado. Não sei se eram de seu agrado, mas eram os meus preferidos. Hoje, quando ia ler um dos livros que havia trazido, me espanto ao ver uma frase escrita com minha caligrafia na folha de rosto.

Se você pode andar, você pode dançar. Se você pode falar, você pode cantar.

Isso mexeu comigo de tal forma que fiquei sem reação por alguns instantes. Desde que minha mãe morreu eu não havia cantado se quer uma vez. Mal me lembro da sensação que sentia ao liberar minha voz e atingir aquelas belas notas, mas alguma coisa me dizia que eu devia deixar tudo o que passou de lado e cantar. Cantar para Natsu, que salvou minha vida. Cantar para minha mãe, que com certeza deve estar me vendo nesse momento.

– Só nós três, certo mamãe? – perguntei enquanto fitava o céu azul pela janela do quarto de hospital.

Fechei meus olhos, respirei fundo, me aproximei um pouco do rosado e comecei a cantar baixinho para que apenas nós três escutássemos.

I'm not a perfect person

(Eu não sou uma pessoa perfeita)

There's many things I wish I didn't do

(Há muitas coisas que eu gostaria de não ter feito)

But I continue learning

(Mas eu continuo aprendendo)

I never meant to do those things to you

(Eu nunca quis fazer aquelas coisas com você)

And so, I have to say before I go

(E então eu tenho que dizer antes de ir)

That I just want you to know

(Que eu apenas quero que você saiba)

I've found out a reason for me

(Eu encontrei uma razão para mim)

To change who I used to be

(Para mudar quem eu costumava ser)

A reason to start over new

(Uma razão para começar de novo)

And the reason is you

(E a razão é você)

I'm sorry that I hurt you

(Eu sinto muito ter te magoado)

It's something I must live with everyday

(É algo com que devo conviver todos os dias)

And all the pain I put you through

(E toda a dor que eu te fiz passar)

I wish that I could take it all away

(Eu gostaria de poder retirá-la completamente)

And be the one who catches all your tears

(E ser aquele que apanha todas as suas lágrimas)

That's why I need you to hear

(É por isso que eu preciso que você escute)

I've found out a reason for me

(Eu encontrei uma razão para mim)

To change who I used to be

(Para mudar quem eu costumava ser)

A reason to start over new

(Uma razão para começar de novo)

And the reason is you

(E a razão é você)

And the reason is you

(E a razão é você)

And the reason is you

(E a razão é você)

And the reason is you

(E a razão é você)

Quando termino de cantar noto que lágrimas saiam pelo meu rosto, mas não eram lágrimas de tristeza, muito pelo contrário. Eram lágrimas de desabafo, como se eu tivesse liberado algo que estava sufocado e preso em mim há muito tempo.

– Está vendo Natsu, como você me faz bem? – acariciei seu rosto e beijei sua testa. – Não conseguiria cantar se não fosse por você. – falei essa última parte mais para mim do que para ele enquanto mantinha um sorriso no rosto.

– Lucy-san? – escuto uma voz infantil chamar meu nome e viro para ver quem era.

– Desculpe, mas nos conhecemos? – pergunto, confusa, para uma linda garotinha de longos cabelos azulados e sorriso no rosto, que usava um vestidinho amarelo com azul e estava encostada na porta escondendo as duas mãos atrás do corpo. Há quanto tempo ela estava me observando? Ela sorri mais ainda e se aproxima.

– Isto é para você. – me entrega um envelope branco que não tinha remetente. Fiquei o encarando por um tempo tentando achar pistas, mas foi em vão.

– Mas o que... – olho para frente e vejo que novamente só estávamos eu e o rosado no local.

Pego a carta e coloco em minha bolsa. Saio do quarto rapidamente para ver se ainda conseguiria achar a garota antes que ela sumisse. Começo a procurá-la pelo corredor e nada de encontrá-la. Quando já estava perdendo as esperanças encontro um dos seguranças do hospital que estava parado ao lado da máquina de café que ficava perto do quarto de Natsu. A garotinha obrigatoriamente teria que passar por aqui para sair, então provavelmente este senhor deve tê-la olhado.

– Com licença senhor. – falo chamando sua atenção.

– Sim? – ele vira para me fitar.

– O senhor está neste local há muito tempo?

– Cerca de meia hora senhorita.

– Uma garotinha de longos cabelos azuis deve ter passado por aqui. Por acaso o senhor viu para que direção ela foi? – neste hospital há muitos corredores que se ligam uns com os outros. Ela pode ter ido para qualquer lugar.

– Desculpe senhorita, mas nenhuma garota com essa descrição passou por aqui. Pelo menos não durante o período em que eu estive neste local. – o fitei incrédula. Como ela pode não ter passado por aqui?

– Tem certeza?

– Absoluta. – fitei o chão, pensativa. – Ela está perdida? Se sim, posso ajudá-la.

– Não, não, acho que eu devo ter me confundido. Obrigada. – dou um sorriso sem graça e volto para o quarto.

Não entendo o que se passou por aqui. Se ela não passou por aquele local não deve ter saído do hospital e muito menos do corredor, mas não a encontro em lugar algum.

Após procurar um pouco mais, acabo desistindo da minha busca e volto para o quarto de Natsu, afinal eu não gosto de deixá-lo sozinho já que pode acordar a qualquer momento e eu tenho esperanças de ser a primeira pessoa que ele veja.

Quando sento na poltrona de frente para sua cama um pensamento passa pela minha mente. E se ele não se lembrar do que me disse antes de desmaiar? Ou pior, e se não lembrar se quer do meu nome? Sinceramente, será uma situação deveras constrangedora. Meus olhos começam a pesar demonstrando o cansaço que eu sentia naquele momento. Vejo que Natsu continua dormindo da mesma forma de antes e me entrego ao sono.

[...]

Amanhã faz duas semanas que Natsu está em estado de coma e, como sempre, eu estou no hospital zelando por seu sono. Hoje, diferente da semana passada, resolvo que realmente leria um dos meus contos preferidos para o rosado. O Príncipe Sapo. Pode parecer infantil de mais, mas minha mãe sempre o lia para mim quando eu era criança e isso me traz boas recordações. Toda vez em que ela lia essa história dizia que um dia eu encontraria o meu príncipe e que o reconheceria de imediato porque ele não seria igual aos príncipes comuns. Ele seria especialmente único e eu não deveria deixá-lo escapar.

Começo a contar a história. Desde o momento em que a princesa encontra com o sapo na lagoa até o momento em que ele se transforma em um belo príncipe e os dois vivem felizes para sempre.

– Será que você é o meu Príncipe Sapo, Natsu? – pergunto enquanto o fito. – Eu achava que era o Loki, mas me enganei. – dou um sorriso amarelo. De uma certa forma o meu passado com o ruivo infelizmente ainda mexe comigo.

Sua expressão continuava serena como nos outros dias e sua respiração continuava calma. Por uns instantes observo seus lábios e imagino como seria o encontro deles com os meus. Não conseguindo mais conter minha curiosidade aproximo meu rosto do seu e, cuidadosamente, encosto nossos lábios o dando um selinho. Pode ter sido uma coisa singela, mas para mim significou muito.

Quando volto a encara-lo começo a rir sozinha. Como sou boba. Parecendo uma garotinha apaixonada por um garoto que eu mal conheço. Mas que salvou sua vida. Algo em meu subconsciente me alerta. Realmente, salvou minha vida e eu serei eternamente grata. É isso! Só posso estar confundindo gratidão com amor.

Fico um tempo o observando e vejo que ele continua estático. Decido que a única maneira de ter certeza se estou realmente confundindo os sentimentos é beijando-o novamente. Dessa vez entrelaço nossas mãos e me aproximo calmamente imaginando que seus olhos estão abertos me observando e em seus lábios há um sorriso por me ver.

Novamente selo nossos lábios, dessa vez de forma mais demorada, e mil coisas começam a passar pela minha cabeça, como a última vez em que o vi consciente e ele disse que achava que tinha se apaixonado por mim. Eu nunca tinha passado por nada parecido. Quando dou por mim ainda estou com os lábios unidos aos do rapaz e, ao afastar-me, sinto um leve aperto em minha mão. Assustada, aperto o botão para chamar a enfermeira.

– Você está acordando Natsu?

– O que houve? – pergunta a enfermeira responsável pelo rosado ao entrar apressadamente no quarto.

– Tenho certeza que o senti apertando minha mão. – falo com um sorriso estampado no rosto.

– Pode ter sido apenas um espasmo muscular. – ela fala formalmente. A encaro incrédula. Por que será que parece que ela não gosta de mim?

– Você não vai fazer nada? – pergunto arqueando uma sobrancelha.

– Vou chamar o médico. – e sai logo em seguida.

Volto a fitar o rosado e nossas mãos unidas.

– Natsu, se você estiver me ouvindo me dá um sinal. – falo baixinho em seu ouvido.

Fico um tempo o observando a espera que algo aconteça e nada. Quando já estava desistindo o sinto apertando minha mão novamente e um sorriso se instala em meus lábios.

– Eu sabia! – falo eufórica.

– Aconteceu alguma coisa? – pergunta o médico ao chegar ao quarto acompanhado pela enfermeira.

– Ele mexeu a mão. Duas vezes! – falo empolgada.

– Por favor, senhorita Heartfilia espere lá fora. – assenti com a cabeça e saí cheia de expectativas.

[...]

Hoje Natsu finalmente despertou e infelizmente o primeiro rosto que ele viu ao acordar foi o da enfermeira e não o meu. Neste momento estou parada do lado de fora do quarto tomando coragem para entrar e encará-lo de olhos abertos. Respiro fundo e giro a maçaneta dando de cara com um rosado deitado e olhando em direção à porta, ou seja, para mim.

– Oi, se lembra de mim? – pergunto meio sem graça.

– Como poderia esquecer? – pergunta com um sorriso no rosto que me faz corar.

– Como você está? – sento na beira de sua cama.

– Só com um pouco de dor de cabeça e um incômodo na perna, mas no geral estou bem, obrigado.

O fito por uns instantes. Seus arranhões, que agora estão superficiais, pelos braços, sua perna engessada e sua cabeça enfaixada. Tudo culpa da minha fraqueza.

– Desculpe. – falo cabisbaixa enquanto encaro minhas mãos. Não teria coragem de olhá-lo nos olhos.

– Pelo que? – sinto meus olhos se enchendo de água.

– Por tudo. Pelo seu estado, por você estar no hospital, por ter sentido dor, por todo o mal que acabei te causando. Se eu não fosse tão fraca... – ele me interrompe.

– Ei. Olha pra mim. – diz enquanto segura o meu queixo fazendo com que eu tenha que o olhar nos olhos. Uma lágrima teimosa acaba escorrendo pelo meu rosto e é secada pelo rosado. – Seus joelhos estão melhores? – sorri aparentemente tentando me alegrar.

– Sim, obrigada. – dou um sorriso fraco e ele coloca uma mão em um dos meus joelhos. – Por que você está sendo tão gentil comigo?

– Pra falar a verdade eu não sei direito. Normalmente eu não sou assim com as pessoas, mas com você é diferente. – ele me fita enquanto inclina um pouco a cabeça. – Por quê? – olha intensamente nos meus olhos.

– E-eu não sei. – falo sem graça.

– Hum... – ele observa o chão por uns instantes. – Enquanto eu dormia senti umas coisas estranhas.

– Coisas estranhas? – pergunto, curiosa.

– Sim. Como se algo tocasse a minha boca. – levou uma de suas mãos até seus lábios e os tocou com os dedos. – Como um beijo.

– U-um beijo? – maldita gagueira inconveniente. Seria possível que ele tivesse sentido?

– Mas não acho que foi um beijo qualquer. Acho que foi o motivo de eu ter despertado. – ele fala pensativo. – Você me beijou Luce?

– Luce? – perguntei enquanto arqueava uma de minhas sobrancelhas. Ninguém nunca havia me chamado assim.

– Te incomoda?

– De maneira alguma, só não estou acostumada. – dou um sorriso sem graça e ele sorri de volta.

– E então?

– E então o que? – pergunto tentando desconversar enquanto passo freneticamente uma mão na outra.

– Você me beijou?

– E-eu? – aumento a velocidade com que mexo em minhas mãos até que ele as segura e me olha intensamente. – Eu... – e como uma ironia do destino sou interrompida.

– Com licença. – disse a enfermeira enquanto entrava. É impressão minha ou ela estava com um sorriso muito grande no rosto? – Hora de trocar o soro.

Eu, como inexperiente no assunto, não sei se existem muitas maneiras corretas de se trocar um soro, mas com certeza fazer isso esfregando o decote na cara do paciente não é uma delas. E o pior de tudo é quando esse paciente encara esse decote descaradamente. Por algum motivo isso me incomodou de tal forma que senti que tinha que sair daquele lugar e resolvi fazê-lo sem avisar. Simplesmente levantei e fui dar uma andada pelos corredores do hospital. Com certeza Natsu ficaria bem aos cuidados da enfermeira oferecida.

Começo a andar distraída e sem rumo até que sem querer esbarro em alguém.

– Perdão. – falo automaticamente após o esbarrão.

– Não, tudo bem. A culpa foi minha. – diz um rapaz moreno de cabelos castanho avermelhados que usava um jaleco. Um médico talvez? – Dan Straight. – sorri e me estende a mão.

– Lucy Heartfilia. – aperto sua mão e lhe devolvo o sorriso.

– Está perdida?

– Não, apenas andando um pouco para me distrair. – na verdade para esquecer uma cena nada agradável.

– Quer companhia? Estou no meu horário de folga. Então se não for incômodo...

– Claro. – qualquer distração é bem vinda. – Você trabalha aqui?

– Sim, faço residência.

– Legal.

Ficamos um tempo andando lado a lado e Dan me mostrou boa parte do hospital. A parte que mais me encantou foi a ala para crianças com câncer. Era incrível ver que até aquelas em que as chances de cura eram mínimas agarravam a vida com todas as forças e estavam dispostas a lutar por ela. Isso me fez sentir um pouco de vergonha de mim mesma, já que estava disposta a entregar minha vida de bandeja quando há tantas pessoas que dariam tudo para tê-la. Com certeza passaria aqui outro dia só para visitar estas crianças e poderia até virar voluntária. O moreno me disse que são poucos aqueles que se candidatam e que ajuda por aqui nunca é de mais, então certamente eu me candidataria um dia.

– Eu tenho que ir. – falei após vermos os pequenos pacientes.

– Também já está na minha hora. Para que lado você vai?

– Ala norte. E você?

– Também. – ele sorri.

Caminhamos mais um pouco até que chegamos ao meu destino.

– Agora que já sei onde você está fica mais fácil de te encontrar sem querer. – ele fala frisando as duas últimas palavras. Eu apenas começo a rir.

– Até outro dia.

– Até. – ele responde e segue seu caminho.

Ao entrar no quarto vejo que a enfermeira atirada não está mais por perto.

– Pensei que você tinha ido embora. – diz o rosado ao notar minha presença.

– Fui apenas dar uma caminhada pelo hospital. – respondo enquanto sento na poltrona.

– Hum...

– Natsu?

– Sim.

– Você gostaria de passar seu período de recuperação na minha casa? – pergunto envergonhada sem o olhar nos olhos.

– Na sua casa? – ele arqueia uma sobrancelha.

– Sim. O mínimo que eu posso fazer é cuidar do meu herói. – tenho certeza de que corei após falar isso.

– Herói? – ele começa a rir. – Eu não sou um herói Luce. – fala a última parte com um olhar indecifrável.

– Pra mim você é. Afinal, eu não estaria viva se não fosse por você. Obrigada. – falo sem graça.

– Não precisa agradecer. – ficamos um tempo em silêncio até que ele decide prosseguir. – Posso te perguntar uma coisa?

– Se eu puder responder. – ele bate na cama indicando para que eu sentasse ao seu lado e assim eu fiz.

– Por que você tentou fazer aquilo? – eis a pergunta que eu mais temia. Fiquei um tempo refletindo à procura da resposta perfeita. – Não precisa responder se não quiser. – o fitei por uns instantes e, ao perceber que seu olhar era sincero, resolvi responder.

– Sabe quando todo o seu mundo gira ao redor de uma pessoa? – ele confirma com a cabeça. – Meu mundo girava ao redor da minha mãe. Ela era meu alicerce, meu ombro amigo, meu tudo. E quando uma pessoa assim tão importante é tirada da sua vida, e ainda mais por sua culpa, não é uma coisa fácil de lidar. Pelo menos não pra uma pessoa fraca como eu. – ele dá a entender que iria me interromper e eu nego com a cabeça. – Eu não via mais saída para o fundo do poço onde eu me encontrava. Minha mãe inalcançável, um relacionamento fracassado e um pai que não me demonstrava afeto algum. Não que eu esteja querendo jogar a culpa em cima de algum deles, muito pelo contrário, eu sei que a culpa é exclusivamente minha. Eu só queria um jeito de aliviar a dor que eu sentia naquele momento. Uma forma de acalmar meu espírito. Então decidi que aquele seria o dia, e realmente teria sido se não fosse por você.

– Nunca fiquei tão feliz por estar na hora certa e no lugar certo. – ele falou enquanto segurava a minha mão. – Eu não sei o que é ter uma mãe então não posso te dizer que entendo como é o sentimento de perdê-la, mas te garanto que tentar tirar sua vida não é solução pra nada.

– Eu sei, mas... – fui interrompida.

– Promete que nunca mais vai tentar tirar a sua vida? – ele começa a observar meus braços e nota as cicatrizes. – E nem fazer nada que te machuque? – Passa o dedo pela minha cicatriz em formato de “N” e, de uma forma singela, a aproxima de seus lábios e a beija. – Promete Luce. – me olhou seriamente.

– Tudo bem, eu prometo, mas só se você aceitar ir para a minha casa para que eu cuide de você. – ele pareceu pensar bastante sobre o assunto.

– Ok, então temos um acordo. – ele estira a mão.

– Sim, temos. – apertei sua mão. Não se preocupe Natsu. Agora eu tenho uma razão para não fazer mal a mim mesma. E essa razão é você.

[...]

Hoje é o dia em que levarei Natsu para a minha casa. Laxus prometeu que viria nos buscar e nesse momento eu e o rosado estamos sentados na cama esperando o momento de ir embora.

– Tem certeza que quer que eu vá para a sua casa?

– Absoluta. É o mínimo que posso fazer, já disse. – dou um sorriso sincero. Ele fica observando o chão com uma expressão indecifrável. – Tudo bem?

– Tudo. – continua com o olhar vago.

– Tem certeza? – ele tira sua atenção do chão e passa a me observar.

– Eu só não estou acostumado com isso.

– Isso o que?

– Gentileza. – ele sorri fraco e eu seguro sua mão, sorrindo de volta. Provavelmente por ser órfão ele nunca teve quem cuidasse dele. Agora eu vou cuidar de você Natsu.

– Lucy? – me deparo com um moreno alto encostado na porta.

– Dan?

– Soube que você iria para casa hoje e vim me despedir. – ele fala sem graça.

– Já volto Natsu. – falo para o rosado, que fica com uma expressão estranha no rosto, e vou de encontro ao meu mais novo amigo.

Dan me faz prometer que iria voltar ao hospital mais vezes, e de preferência não como paciente. Na verdade ele nem precisava ter tocado no assunto já que estou decidida a colaborar na ala de crianças com câncer. Vai ser uma forma de me redimir com a vida, digamos assim.

Ao voltar para o quarto me deparo com um Natsu pensativo e distante. Pouco tempo depois Laxus chega para nos buscar e partimos rumo a nossa casa. Infelizmente meu pai não estaria por lá para recepcionar o meu herói, mas deixou explícito para os empregados que ele era um convidado de honra e que deveria ser tratado como tal.

Ao chegarmos, Virgo, que para mim é muito mais que uma governanta, nos recepciona e indica ao rosado qual seria o seu quarto, que foi escolhido cuidadosamente pensando em suas necessidades. Lógico que ele precisou de uma ajuda extra para chegar aos seus aposentos já que andar com muletas não é coisa fácil, então Laxus e Caprico, nosso motorista, o ajudaram.

– Natsu? – chamo sua atenção ao entrar em seu quarto.

– Oi. – ele sorri.

– Está bem instalado?

– Como poderia não estar? – ele aponta para o ambiente ao seu redor. Realmente o quarto, assim como toda a casa, era muito bem projetado e bem mobiliado. As paredes eram em um tom verde claro e os móveis feitos em estilo clássico em madeira. Tudo simples, porém luxuoso.

– Se precisar de alguma coisa me avise, ok? Mais tarde volto para lhe ver. – ele confirma com a cabeça e eu me aproximo para lhe dar um beijo na bochecha. Não sei porque, mas senti uma necessidade de fazer isso. Ele apenas sorriu meio sem graça e eu tratei de sair daquele local rapidamente e ir para o meu quarto antes que a vermelhidão em minha face ficasse mais evidente do que já devia estar. Tudo o que eu mais queria nesse momento era um bom banho.

Entro no quarto e jogo minha bolsa em cima da cama. Por uma ironia do destino a força com que eu a joguei foi muito grande, fazendo com que a mesma quicasse, caísse no chão e tudo o que estava nela se espalhasse ao seu redor. Quando estava juntando os objetos me deparo com o envelope que me foi entregue pela garotinha misteriosa no outro dia.

– Como eu posso ter esquecido de você? – falo sozinha olhando para o envelope em minhas mãos.

Sem mais conseguir conter minha curiosidade retiro o adesivo que o fechava e tiro de dentro uma carta. Ao começar a ler meus olhos dobram de tamanho, minha respiração fica falha, começo a suar frio e mal me sustento em minhas pernas. Era a caligrafia da minha mãe, tenho certeza!

Continua...

Notas finais
E então, o que acharam? O que será que tinha escrito na carta que a Lucy recebeu? Algum palpite? Enfim, até o próximo meus amores e novamente mil perdões pela demora. Beijocas s2