Fruto das Estrelas
4 A carta que aliviou um coração.
Notas iniciais

– A carta que aliviou um coração -
Olá, Lucy.
''No teu coração eu sobrevivo, a cada respirar eu posso sentir cada sensação tua, eu não estou no mesmo mundo ou na mesma dimensão.''
Lembra desta frase? Ela é de um livro que a gente leu juntas e se encaixa perfeitamente com o nosso momento.
Eu sei o que você andou sofrendo, mas não podia me comunicar contigo ainda. Tudo o que está acontecendo e, principalmente, tudo o que aconteceu, está no seu destino. Me doeu muito ver você daquele jeito. Eu tentei de todas as formas te tirar daquilo e foi difícil.
Os laços de amor nunca são quebrados e agora que eu estou mais forte posso consolar você aos poucos. Tudo vai melhorar agora, pelo menos por enquanto. A sua jornada é longa meu amor, então seja forte.
Tem tanta coisa para você descobrir e talvez para mim também e de tudo o que eu sei, a maioria infelizmente não posso lhe dizer. Essa carta é quase inútil, mas eu implorei aos superiores que eu pudesse de alguma forma te confortar. Estava pesado demais para mim te deixar no fundo do poço, mesmo sabendo que você nasceu exatamente para isso.
Quero que saiba que eu estou muito bem. A única coisa que me machuca é te ver mal e não ter a chance de dizer ''eu continuo com você o tempo todo. Me escute, me sinta''. Eu gritei durante todos esses meses que a culpa não foi sua, mas você não podia me ouvir.
Filha, não conte para ninguém sobre esta carta ou qualquer outra que você venha a receber. Lembra daquela caixinha de madeira? Aquela que contém uma estrela esculpida e que eu te dei no natal? Quando você se sentir sozinha ou simplesmente quiser alguém para desabafar, escreva para mim e coloque o que escrever nesta caixa. Eu sempre estarei lá para você.
Agora para te explicar um pouco mais sobre os acontecimentos anteriores da sua vida... Muitas pessoas em quem você confiou sua amizade simplesmente te abandonaram, não foi? Cuidado, alguma pode ser perigosa e pode estar tentando te machucar. Tem uma pessoa que te magoou muito, eu sei, mas não a culpe. Por ter a mente fraca foi escolhida por um espírito ruim que quer o seu mal, então se afaste de pessoas assim. Não posso escrever mais nada sobre o assunto, só deixo bem claro que eu te amo muito e estou sempre por perto.
E não se esqueça, a sua família sempre será o seu porto seguro. Dê um beijo no Laxus e no Jude por mim, eu os amo também.
L.H
Fecho o envelope com as mãos tremulas e o fito por uns instantes. Lentamente vou me sentando no chão com uma de minhas mãos sobre a boca e tudo aquilo que acabei de ler vem em meus pensamentos. Meu estômago começa a embrulhar, mas logo sinto uma estranha paz me abraçar de uma forma rápida e eu acordo do transe em que me encontrava.
O que foi isso? Uma carta da minha mãe... Mas ela está morta, não está? Ela se comunicou comigo? Como? São muitas as perguntas, porém não acho as respostas em lugar algum.
– Mamãe? –a chamo em vão enquanto olho para todos os lados do quarto. Vazio. Estou realmente sozinha.
Olho imediatamente para o envelope e o pego para guardar num lugar seguro. Ninguém pode ler aquelas palavras. Um barulho na porta me assusta e eu me jogo para trás, mas o alívio me consome quando escuto a doce voz de Virgo.
– Hime, sua amiga está aqui para falar com você. – amiga? Quem será? A rosada bate mais uma vez na porta. Um dos maiores defeitos da Virgo é a pressa. – É a senhorita McGarden.
– Estou indo Virgo, não precisa bater com tanta força. – abro a porta. – Chame-a para entrar, diga que estou esperando na sala, por favor... – quando olho para o chão tenho uma surpresa. – Virgo?!
– Me perdoe Lucy-sama! Eu não quis incomodá-la! – ela estava ajoelhada, com as mãos juntas e a cabeça baixa. – Pode me punir!
– Virgo, você é maluca! Depois de tantos anos ainda me fala uma coisa dessas? Ora, levante-se! Você é da família, como eu iria te punir? – sorri pra a rosada e estendi a mão para ajudá-la a levantar-se. Ela me olhou com uma cara de espanto e aceitou minha ajuda, hesitante. Já é a milésima vez que acha que devo puni-la por algo. Virgo definitivamente não é uma empregada normal!
– Me perdoe Hime. – disse limpando seu uniforme. – Agora irei para a cozinha preparar o jantar, qualquer coisa me chame.
– Tudo bem. – sorri meio de canto.
Já estou preparada para o que vai vir agora. Sei que Levy já deve saber do ocorrido e por isso interrompeu sua viagem de férias com o namorado. Me sinto mal por incomodar, mas se ela está aqui é por que algum fofoqueiro de plantão lhe deu a notícia.
Tomo coragem e olhando pela janela da sala vejo que o porteiro já a deixou entrar. Gajeel lhe da um selinho e volta para seu carro para ir embora. Ela estava linda, bronzeada, usando um óculos de sol e um salto, que com certeza era para melhorar sua altura perto do namorado. Escuto um barulho na porta e tenho a certeza de que ela já me espera, resolvo descer para que eu mesma lhe de as boas vindas.
– Deixa que eu abro, Virgo. – digo me pondo á frente da rosada que estava prestes a abrir a porta e ela apenas volta com uma panela na mão.
– Lucy! – a azulada tira os óculos do rosto e vejo sua face preocupada. Não aguento e lhe dou um abraço. – Eu voltei de viagem só para te ver, você já deve saber o porque... – senti minhas costas molharem e começo a chorar também.
– Precisamos de um lugar a sós Levy, tem como irmos à sorveteria da esquina? – me solto do seu abraço e ela enxuga as minhas lágrimas.
– Claro que podemos. – ela olha para o chão e me olha nos olhos novamente. – Melhor assim, porque se eu te matar não terão testemunhas.
– Levy-chan! – a repreendo.
– Nada de Levy-chan, estou muito chateada com a senhorita.
– Tá, tá... Deixa pra depois esses sermões, irei subir rápido para buscar minha bolsa.
Subo novamente as escadas e Levy se senta no sofá. Segui meu rumo para os quartos. Iria dar uma olhada no Natsu antes de sair. Não sei o porquê de isso ser uma necessidade para mim, mas é o que eu mais desejo agora.
Quando chego à porta um sorriso sai pelos meus lábios. Ele estava dormindo profundamente. Por que eu tenho tanta ternura por este menino? Tudo bem, ele era um homem, mas agora parecia apenas uma criança. Me aproximo e toco a sua mão. Uma vontade de cantar me vem da alma sempre que ele está comigo, simplesmente porque ele me deixa feliz só de estar perto. Mãe, ele é uma das pessoas que está no meu destino? Pensando bem, na carta dizia que eu iria sofrer de qualquer forma, mas não tem como ele ser um motivo, ele era tão perfeito...
– Lucy? – me assusto e tiro a mão rapidamente dele.
– É... Eu só vim ver como você estava. – sinto meu rosto queimar e tento me esconder de seu olhar profundo.
– Você é a pessoa mais doce que eu conheço. Talvez a primeira que tem o bastante para ignorar alguém como eu e continua sendo humilde. – me olhou nos olhos, intensamente. Era como se ele conseguisse ler a minha alma.
– Alguém como você? – pergunto confusa e constrangida com o seu olhar.
– Deixa pra lá. – ele disse virando o rosto e começa a fitar um quadro na parede.
Um silêncio se faz presente e eu não consigo dizer nada. Fico tão tímida perto dele, seria mais fácil se ele estivesse dormindo.
– Mesmo você com tudo isso consegue ser triste? – ele me pergunta me deixando surpresa.
– Tudo o que? – pergunto assustada.
– Você é muito ingênua, talvez nós dois sejamos exatamente opostos... – finalmente eu entendo o que ele estava querendo dizer.
– Está falando de dinheiro? – ele me olha com uma expressão estranha, como se estivesse com medo de ter me magoado.
– Olha eu não quis... – o interrompo.
– Não Natsu, eu entendi.
– Lucy eu não estou julgando a sua dor, nem o que você fez. – fala na defensiva.
– Eu sei, talvez eu seja uma pessoa sortuda para muitos e eu já fui, mas a depressão é uma doença que ninguém enxerga. Muitas pessoas me disseram que minha dor era inútil, mas você me dizer isso é como se você olhasse para uma pessoa com câncer e dissesse ''Olha, você não tem nada é tudo coisa da sua cabeça'' – ele continua me olhando atento e pensativo. – Natsu, eu tenho uma doença, eu não sou uma pessoa saudável. – sinto meus olhos encherem de lágrimas e ele pega a minha mão.
– Tudo bem, me desculpa, não foi o que eu quis dizer. Se eu te achasse uma pessoa egoísta eu não teria salvado você.
– Você não me conhece nem um pouco, e é estranho a forma como você afirma que eu seja uma pessoa boa.
– Eu sei que é, simples assim. — ele sorri um pouco me fazendo sorrir também.
– Eu também sinto o mesmo por você. — muda de expressão.
– Eu não sou uma pessoa boa. – fala de forma séria e um pouco... Triste?
– Eu não acredito nisso. Você é uma pessoa boa e ninguém nunca vai me convencer do contrário! E agora mocinho, saiba que quando eu voltar irei lhe dar um banho... – Natsu me olha com uma cara travessa e eu percebo o que acabo de dizer, fazendo com que minhas bochechas adquirissem um tom rubro. – Claro que você vai estar de cueca, sabe... – coro mais ainda.
– Eu entendi, mas pensei que contrataria uma enfermeira. Mas digamos que eu prefiro mil vezes que seja você. – nossa, nunca o senti tão sedutor. Sinceramente nunca vi um homem me fazer queimar com uma frase tão simples.
– Eu? – digo quase que para mim mesma.
– Você.
Eu não contratei uma enfermeira por que sinceramente eu ficaria morrendo de ciúmes, prefiro passar vergonha do que vê-lo perto de outra mulher e como ele é lindo qualquer uma tiraria uma casquinha. A enfermeira que cuidava dele antes está meio doente e até que ela se recupere eu e meu pai decidimos que Natsu estaria sobre unicamente minha responsabilidade, claro não foi nada fácil convencê-lo, mas meu ciúmes sempre vence.
Mas o que você está pensando Lucy? Não haja como se vocês tivessem algo e isso te desse o direito de ter ciúmes dele. Eu não tenho esse direito. Ou tenho?
– Lucy! LUCY! Vamos logo, que demora para pegar uma bolsa! — Levy começa a gritar no primeiro andar me tirando de meus devaneios e eu percebo quanto tempo perdi aqui.
– Quem é essa? – ele pergunta.
– Minha melhor amiga.
– Vai sair com ela? – ele arqueia a sobrancelha.
– Sim.
– Vão para onde? – estou adorando esse interesse dele.
– Não sei ainda, mas precisamos conversar em particular. – o rosado continua me olhando com uma cara estranha e eu decido mudar de assunto. – Como sou boba. Esqueci de te apresentar a ela!
– Não precisa.
– Precisa sim.
– Levy! Sobe aqui rapidinho! – vou até a escada e a chamo.
– Eu ainda te mato! – ela diz subindo e começa a me seguir até o quarto.
– Levy, este é o Natsu.
– Ele que te salvou? – ela me olha com uma cara de safada e eu lhe dou um tapa com a mensagem ''Da pra você dar oi para ele pelo menos antes de pensar besteira?'' — Oi Natsu, obrigada por salvar a minha amiga.
– Não foi nada. – e eles apertam as mãos.
– Lucy, vamos logo, temos muito que conversar. – será que eu só convivo com pessoas apressadas?
– Natsu, a Virgo vai lhe dar o jantar daqui uns minutos, mais tarde a gente se vê. – ele sorri pra mim e eu para ele.
– Tudo bem, bom passeio pra vocês.
Saímos do quarto dele e continuamos andando até a garagem, iremos sair com o meu carro.
– Lucy eu dirigo! Você é muito barbeira.
– Eu tirei minha carteira dois meses antes de você, ou seja, eu sou mais experiente. – digo me achando para ela e percebo como senti falta dessas nossas brincadeiras.
– Lucy-sama, seu pai me pediu que eu a levasse a qualquer lugar que queira. – Caprico, meu motorista, aparece não sei de onde fazendo Levy rir da minha cara.
– O que? – pergunto incrédula.
– Isso mesmo, ele disse para não deixar que a senhorita dirigisse sozinha de jeito nenhum.
– Viu, nem seu pai confia em você. Loira mais carro não é a combinação certa. — Levy já estava fazendo piadas da minha situação.
– Tudo bem então, vamos Levy, o Caprico nos leva. – cerro os olhos para a baixinha que continua rindo da minha cara.
– Aonde vocês querem ir? – já estávamos dentro do carro.
– Por favor, nos leve a um restaurante que esteja bem vazio. – respondo.
– Eu conheço um! – disse Levy.
– Aonde é? – perguntou Caprico.
– Fica perto do nosso ex-colégio. – a azulada respondeu meio nostálgica e eu sabia muito bem aonde ela queria que fossemos.
Caprico da ré e logo após da a largada no carro. Eu estava feliz só de saber para onde iríamos.
– Chegamos! – grita a baixinha.
– Senhorita Lucy, a que horas eu venho lhe buscar?
– Deixa que eu te ligo Caprico. – ele apenas concorda e vai embora.
Entramos no restaurante que sempre íamos com o Loki no tempo de ensino fundamental. Meus treze, quatorze e quinze anos foram de muitas idas e vindas ao Magnólia Lanches, um lugar não tão chique e pouco conhecido o que o tornava super especial. Sentamos-nos à mesa de sempre e pegamos o cardápio.
– O que vão querer? – rapidamente somos atendidas.
– Eu quero o melhor prato da casa acompanhado de suco de laranja natural. – disse Levy.
– Eu quero o mesmo. – respondi.
A garçonete, que pelo jeito não era a de antes, anotou os pedidos e foi atender outros dois clientes.
– Então Levy, quem lhe contou o que aconteceu?– perguntei aquilo que me corroía por dentro desde a hora em que nos vimos.
– Enquanto o Gajeel estava jogando sinuca com um dos primos dele eu fui até o centro da cidade comprar algumas roupas. Quando estava no shopping encontrei uma banca e decidi comprar uma revista e adivinha o que tinha nela?
– O que?
– ''A filha de um dos empresários mais ricos do país, Jude Heartfilia, tenta se suicidar, mas é salva por jovem desconhecido, por isso o mesmo cancelou sua viagem para o exterior recusando uma exportação importante causando revolta em alguns portugueses''
– Quê? Eu apareci numa revista? – meus olhos dobraram de tamanho.
– Sua sorte é que foi em uma revista de economia e convenhamos que eles não estão nem ai para os problemas pessoais dos outros. Isso só apareceu na revista para explicar o porquê do seu pai não aceitar um negócio com Portugal.
– Minha sorte também é que você é a única pessoa que gosta daquelas revistas chatas.
– Pessoas inteligentes sempre são mal compreendidas. – ela suspira.
– Convencida – lhe atirei uma azeitona e ela riu.
– A questão é, como você pode não atender aos meus telefonemas?
– Eu quebrei o meu celular quando você foi embora. Eu sabia que se ouvisse sua voz não iria conseguir, essa viagem era a minha única chance.– falei envergonhada.
– Ficou maluca? E eu que tanto confiei que você estava melhorando mesmo, aquilo tudo era uma farsa?
– Sim, mas me perdoe por isso, eu não quis te magoar ou te enganar.
– Eu sei amiga, eu sei que você não fez por querer. – ela pegou minha mão. – Mas por favor, não esconda mais nada de mim a partir de agora. Você não sabe como eu pirei. No outro dia fiz minhas malas já que na sua casa ninguém atendia o telefone.
– Tinha muita gente da Tv ligando, por isso meu pai tirou do gancho. Todos queriam saber o porquê de uma das jovens mais ricas do país ter feito o que fez. Meu pai fez isso para proteger minha privacidade, não sabíamos que você tinha ligado também.
– Eu sei, eu também perdi o telefone celular do Laxus e até pensei que podia ser isso, mas estava com medo de você não me receber.
– Eu nunca faria isso. Não irei mais esconder nada de você. Eu prometo! – a lancei meu melhor sorriso.
– Agora mudando de assunto. – ela sorriu meio travessa. – E o Natsu?
– O que tem ele? – fico sem graça.
– Você parece bem mais feliz agora que tem ele por perto. – ela diz desconfiada.
– Você acha? – dou uma de desentendida.
– Lucy Heartfilia, pode começar a contar. Rolou alguma coisa entre vocês? Você gosta dele? – e como sempre a pequena McGarden com suas inúmeras perguntas.
[...]
Natsu Pov's On
Meus dias perto da Lucy estão cada vez mais especiais e só de pensar que ela podia ter morrido sem eu ao menos ter a conhecido me da uma dor gigante no peito. Esta ficando muito difícil me imaginar sem ela, mas eu já estou acostumado a ter que perder os laços com as pessoas que eu gosto. Primeiro não conheci a minha mãe, depois eu perdi o meu irmão para uma doença e por fim a mulher da minha vida, Lisanna.
Eu sempre tive a pior imagem das pessoas ricas desde pequeno. Quando você passa fome e fica vendo aquelas pessoas te esnobando fingindo que não é um ser humano ali no chão numa calçada, e o mínimo que eles fazem é sentir pena. Pena? Eu não tenho mais pena de ninguém.
Deliora só está me deixando em paz porque sabe que eu sou inútil com este gesso na perna. Eu só terei três meses com essa garota maravilhosa que eu conheci e sei que vai ser o suficiente. Tem que ser o suficiente. A vontade de beijá-la a cada minuto em que ela está por perto me domina e às vezes quando eu acordo a pego perto de mim. Ás vezes perto demais.Não sei por que eu sinto esta coisa que esmaga o meu peito por ela, eu nem a conheço direito.
Lucy se você soubesse a vontade que eu tenho de te agarrar você fugiria. O pior mesmo é que ela vai me dar banho. Eu sei da sua inocência, ela só quer cuidar de mim, mas infelizmente eu não sou nada inocente... Ela é tão doce que hoje quando me veio um pensamento de rancor sobre suas posses, sabendo que tem gente que não tem nada, mas é feliz, ela demorou séculos para entender a que eu me referia e, ao entender, não ficou magoada comigo. Se eu merecesse uma pessoa como ela eu faria de tudo para ser o seu homem, mas eu sou Natsu Dragnel, eu não tenho dona e não sou uma pessoa a quem me orgulhar, mesmo que tudo que sou hoje seja para a minha sobrevivência, para me proteger. Se ela soubesse realmente o que eu sou, quantas mulheres eu enganei, ela simplesmente me odiaria. Lucy o que você fez comigo? É uma coisa tão grande em tão pouco tempo. Por ela eu sinto o mesmo cuidado que eu tinha com a Lisanna, mas com Lucy há uma atração física muito maior, é como um ímã. O pior não é isso, eu nunca senti ciúmes da Lis, eu nunca senti ciúmes de ninguém em toda a minha vida, mas só de saber que a loirinha não está em casa agora eu fico maluco. Preciso que esses pensamentos saiam da minha cabeça, acho que é por que eu fico deitado demais e não tenho muito que fazer já que a Lucy não me deixa andar de muletas, ela disse que eu só podia fazer isso se ela estivesse perto.
[...]
Natsu Pov’s Off
Contei tudo para a baixinha que agora estava pendurada no celular com o namorado. Falei sobre o beijo que eu lhe roubei, das coisas que ele me disse quando achava que iria morrer e do que me falou hoje sobre o banho e, logicamente, ela não conseguiu não surtar.
– Gajeel, eu já vou pra ai, dá para esperar? – disse Levy meio irritada. – Claro que você está atrapalhando! – rio um pouco, é muito engraçado a briga desses dois. – Quem você chamou de anã metida, seu cabeludo? – rio mais ainda e Levy me olha com uma cara de reprovação. – Tá amor, eu to estou indo, para de encher o saco. – ela desliga o celular.
– O que foi dessa vez? — a pergunto ainda rindo.
– Aquele brutamontes foi inventar de lavar as cuecas junto com as minhas calcinhas e agora todas as cuecas dele ficaram rosas! – começo a rir descontroladamente. – Ei, para! – ela fica meio vermelha.
– Primeiro mês morando juntos e você não o falou sobre esta pequena regrinha?
– Cara! Como um ser de vinte anos não sabe que não se mistura roupas brancas com coloridas?
– Dá um desconto pra ele, afinal ele é homem! – falo tentando amenizar a situação.
– Lucy, você é mulher e não sabe ser uma dona de casa a questão não é essa. – ela revira os olhos.
– Está me zoando baixinha enxerida? – arqueio uma sobrancelha.
– Apenas fui sincera. – dá de ombros.– Amiga, eu tenho que ir. – disse enquanto se levantava e eu levantei também.
– A conta por favor. –chamo a atenção da garçonete que me dá um papel na mão e eu lhe pago.
–Vai querer carona? –pergunto à Levy enquanto caminhamos para a saída.
– Não, o Gajeel vai me buscar. – ela sorri gentilmente.
Pego meu celular e mando uma mensagem para Caprico, que logo responde que está vindo. Após uns três minutos Gajeel chega levando Levy embora e Caprico não demora nem cinco minutos a mais do que ele.
Encosto minha cabeça no vidro do carro e penso por uns instantes. Estou feliz e isso é meio raro para mim. Se aquela carta realmente for da minha mãe quer dizer que ela não morreu de verdade, pelo menos não deixou de existir por completo como meu pai disse uma vez em um dos momentos em que me culpava por sua morte.
"Ela morreu, Lucy. Deixou de existir por sua culpa!"
Essa frase vagou por minha mente durante muito tempo, mas agora eu sabia que com certeza existia vida após a morte e eu não seria mais a culpada de ter tirado a vida da pessoa que eu mais amo nesse mundo, minha mãe. Talvez o mais triste seja que eu não posso dizer nada ao meu pai e nem ao meu irmão, mas se ela se comunicou comigo certamente foi porque eu não estava sabendo lidar com sua perda de um modo extremo. Irei respeitar seu pedido e ficarei em segredo.
Chegando em casa sinto um frio na barriga. Terei que encarar Natsu de cueca hoje e isso será meio vergonhoso, mas sinceramente estou adorando a ideia. Entro no meu quarto e coloco um short e blusa simples, é óbvio que irei me molhar tentando dar banho em outra pessoa. Sento na cama e respiro fundo, ainda não falei com ele depois que cheguei e espero que ele não tenha percebido que estou com receio de voltar ao seu quarto. Olho-me no espelho e amarro o cabelo deixando minha franja acima dos olhos, meu cabelo está muito grande e poderia me atrapalhar. Pego as muletas dele que estavam escondidas atrás do meu guarda-roupa e sorriu ao lembrar de uns dias atrás quando a escondi.
– Lucy eu quero caminhar!– o rosado falou enquanto tentava, inutilmente, se apoiar na cama para levantar.
– Não mesmo, está maluco? Você ainda não está totalmente recuperado!– o sentei na cama novamente.
– Mas para que servem estas muletas que você me deu se eu não posso usá-las?
– Você só vai levantar desta cama quando precisar ir ao banheiro!
– Mas e se você não estiver em casa?
– Chame um de meus empregados. Eu vou escondê-las em um local onde só eles vão saber onde está!
E estava lá a porta, me encarando, e eu tinha que abrir. Me enchi de coragem e entrei. Encontrei Natsu assistindo algum seriado de comédia e sorri.
– Está pronto? — pergunto e ele sorri me olhando dos pés a cabeça. Tá legal meu short era curto, mas para minha salvação minha blusa não tinha decote.
– Claro. – meu Deus, como uma pessoa consegue ficar sexy com uma simples camisa verde e short branco? Não sei ao certo, mas eu nunca senti isso.
Chego perto de sua cama e lhe entrego em mãos as muletas, logo ele estava de pé, caminhando até o banheiro. Coloquei uma cadeira perto do chuveiro, seria impossível ele usar a banheira com este gesso.
– Sente-se. — Ordenei, segurando por trás a cadeira e a franja acabou caindo sobre meu rosto. Quando ele sentou comecei a tremer. Calma Lucy! Você só precisa tirar a camisa dele, vamos você consegue...
– Lucy?
– Oi? — perguntei sentindo meu rosto queimar novamente, mas que merda de vergonha!
– Quer que eu tire minhas roupas?
– Não, é obrigação minha fazer isso! — me arrepiei um pouco quando sem querer ele tocou minha mão e levou até sua cintura.
– Pode tirar. Estou pronto.
''Estou pronto'' Tenho certeza que ele entendeu bem que eu estava envergonhada e queria me ajudar. Droga eu sou a garota mais idiota do mundo.
Puxei sua camisa até chegar aos seu cabelos, e quando tirei ela por inteiro me senti arrepiar mais uma vez. Sua pele era linda e meu coração acelerou querendo pular. Tentando respirar um pouco, me virei para a sua frente. Ainda faltava a sua bermuda, então ignorei seu peitoral ali me encarando e me abaixei para puxar a peça de roupa. Quando a retirei por inteiro tentei encontrar seus olhos, mas eles estavam fechados, levantei imediatamente perante a posição em que eu estava. Será que ele estava pensando besteira? Meu orgulho me consumiu em achar que talvez ele me desejasse, mas um medo assombroso veio junto e eu, pela vigésima vez, estava corada com um homem em meu banheiro.
– Gosta de banho gelado ou quente? — ele abriu os olhos e seu olhar estava diferente. Logo sem querer acabei olhando para seu corpo por inteiro e me senti quente. Comecei a fingir que estava tudo bem, mas ele sabia que não estava.
– Gelado, por favor...
Liguei o chuveiro e a água começou a cair sobre ele, gotas faziam corridas sobre sua pele e ele abaixou a cabeça deixando o cabelo molhar. Decidi que eu teria que pegar uma esponja e esfregá-lo. Com ela já na mão, percebi que ele estava silencioso demais e isso estava se tornando um pouco desconfortável para ambos.
– Natsu você malha? — mas que porra de jeito de puxar assunto é esse Lucy? Acabo de deixar na cara que eu achei o corpo dele perfeito! Mas tinha como não achar?
– Ás vezes... — senti sua voz estranha e desliguei o chuveiro.
– Irei esfregá-lo, tudo bem?
– Claro. — ele tentou sorrir, mas estava muito estranho ao mesmo tempo.
– Percebi logo que você é um cara que se cuida, seu corpo é muito bonito. — sorri feito boba e mais uma vez estava o elogiando, ora dane-se! Estou sendo apenas amigável e esse clima de silencio está me matando.
– Obrigado. — Ele sorriu de verdade dessa vez e essa sinceridade me tirou um peso, fazendo com que eu conseguisse começar a esfregar seu peitoral ás vezes as costas.
Natsu POV'S ON
Sua inocência sempre me tirava besteiras da cabeça. Sempre quando tinha aquelas saidinha de bar com os amigos, vinha o assunto mulheres e toda a vez me perguntavam ''O que você mais gosta no corpo de uma mulher?'' e eu sempre respondia ''Pernas, bunda e peitos''. Claro, como se qualquer homem não gostasse disso, mas com Lucy é diferente. Há uns minutos atrás eu estava com a mente nublada de pensamentos safados, mas quando ela sorriu para mim da forma mais linda possível, comecei sinceramente a aceitar que a parte que eu mais gosto nela é o rosto e sua expressões. Quando seu olhar se encontra com o meu, ou quando ela sorri e fica envergonhada, ás vezes uma covinha se forma em sua bochecha e eu tenho vontade de apertá-la em um abraço.
– Natsu, você não está com frio? A água está gelada demais...
– Tudo bem, pode deixar mais quente.
Claro, como eu estava perdendo as forças e estava quase para agarrá-la era mais fácil uma água gelada para voltar ao mundo real. Se eu a beijasse tudo mudaria, mas Lucy não é uma das garotas de bordel que eu já peguei e eu sabia disso.
– Bom Natsu, acho melhor você esfregar ai... — ela disse apontando para as minhas coxas.
– Tudo bem, deixa comigo. — Peguei o sabonete de suas mãos e a esponja caiu, Lucy se abaixou para pegar e vi uma cicatriz com a inicial do meu nome.
– Lucy, oque é isto? — lembro de já ter visto essa cicatriz uma vez e até tenho uma suspeita do que seja, mas queria uma confirmação.
– Nada. — respondeu virando o pulso para que eu não enxergasse. — Acho que já está bom de banho por hoje. — vi que ela não queria falar do assunto, então decidi não me meter mais. — Irei sair do banheiro para você lavar... Você sabe o que.
Natsu Pov's OFF
Sai do banheiro para que Natsu tivesse a chance de lavar suas partes íntimas, falei para ele me chamar quando terminasse e sentei em sua cama esperando o chamado do mesmo. Olhei minha cicatriz e uma dor se formou em meu coração, mas a ignorei. Era o que eu devia fazer no momento.
– Lucy! Já estou com a cueca seca. — sorri e fui na direção do banheiro.
– Vamos lá filho, levante os braços para eu lhe colocar a camisa! — brinquei e ele sorriu.
– Pronto, mamãe.
Peguei com cuidado suas pernas e coloquei o short, ele simplesmente puxou o resto. Levantou com minha ajuda e pegou as muletas. Fiquei logo atrás esperando ele chegar a cama e quando finalmente ficou perto o suficiente o ajudei a se deitar.
– Boa noite Natsu. — falei enquanto o olhava ternamente.
– Boa noite, Lucy. — ele sorriu para mim e, após sorrir de volta, me retirei.
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