Frozen Hearts
8 For the first time in forever - Epílogo
Notas iniciais

"Cause for the first time in forever... There'll be music, there'll be light!
For the first time in forever I'll be dancing through the night
Cause for the first time in forever I won't be alone."
Mesmo com o sol começando a nascer em Arendelle, a cama estava gelada. A moça pálida de cabelos loiros está se espreguiçando e despertando devagar, com um sorriso grudado no rosto, como se nem notasse o frio que se espalhou pelo quarto. Ao ouvir os ruídos ao seu lado, a mulher de cabelos castanhos vira-se e observa a outra de frente, com o semblante fechado, como se estivesse preocupada com alguma coisa.
— Finalmente acordou, Bela Adormecida. Eu estava esperando por isso. Nós precisamos conversar.
— Bela Adormecida? Acho que você se enganou de rainha e de história, Anna.
— Elsa, eu tô falando sério. Preciso muito falar com você. Agora.
A loira pareceu acordar de uma vez e sentou-se na cama, apoiada nos travesseiros, com os olhos azuis arregalados.
— Anna, me desculpe. Eu nem sei o que eu fiz, mas preciso pedir que você me perd....
— Não sabe o que fez? Bom, nesse caso, eu acho que eu vou ter que explicar bem devagar o que foi que você fez, certo?
Num movimento rápido, a garota chamada Anna puxa as pernas da rainha para fazê-la deitar-se novamente e acomoda-se por cima, com uma mão em cada lado da sua cabeça. Os cabelos loiros e desordenados de Elsa espalham-se pelo travesseiro e ela tem um sorriso travesso brincando no rosto.
— Anna, o qu...?
— Isso é para você aprender a não deixar o quarto tão frio assim. Na próxima vez, vai acordar ao lado de uma enorme pedra de gelo, que é no que eu vou me transformar, se a temperatura nos aposentos reais continuar baixa assim.
Dizendo isso, Anna aproxima seu rosto e toca os lábios da sua esposa com os seus, bem devagar. Sua mão direita desce pelos botões da camisola da rainha, abrindo um a um, enquanto ouve a respiração ofegante de Elsa. Era preciso aproveitar esses breves momentos em que a Rainha de Arendelle baixava a guarda e deixava-se levar pelo momento.
Mas quando a língua da outra invade a sua boca e encosta na sua, Anna esquece o que ia fazer, o que ia dizer, e até mesmo seu nome. Mesmo depois de tantos anos, Elsa ainda tem o mesmo efeito sobre ela.
Delicadamente, mas com firmeza, a Rainha da neve arranha as costas da esposa com as unhas, enquanto beija seu pescoço. Anna geme e aperta-se de encontro ao seu corpo.
— Então, o que você estava falando sobre a temperatura do nosso quarto mesmo? Porque pra mim, está bastante quente aqui. Na verdade, estou quase a ponto de derreter. O que você tem a dizer em sua defesa, Anna?
A moça de cabelos castanhos trançados encosta sua testa na da sua esposa, e, de olhos fechados, diz:
— Eu... Eu amo você, Elsa. Mais do que eu achei que era possível. Mais do que eu que eu podia. Amo você. De verdade e pra sempre.
Aquela declaração pegou a rainha de surpresa. Mesmo depois de tudo que passaram, Elsa ainda tem problemas em se achar merecedora desse sentimento. Juntas, as duas ajudaram a reconstruir a vila dos pescadores, que finalmente puderam perdoar a rainha pelo que ficou conhecido como "A Grande Tempestade". Ed, o garotinho salvo naquele dia, faz visitas frequentes ao palácio e se diverte explorando os corredores, agora cheios de hóspedes. É que Anna teve a ideia de convidar os moradores menos abastados da vila para ocupar as imensas alas vazias do castelo, que está sempre oferecendo bailes e festas para a côrte.
A única exigência das duas anfitriãs é que as portas sejam mantidas sempre abertas, na maior parte do tempo.
Aos poucos, Elsa tem aprendido a evitar a solidão e a treinar seus poderes para mantê-los sob controle, sem precisar sufocá-los. Mas depois de tanto tempo escondendo-se, reprimindo-se e tentando ser alguém que ela não era, adaptar-se a todas essas mudanças não era tão fácil quanto parecia. Para sua sorte, ela não precisa enfrentar nada disso sozinha. Não mais. Nunca mais.
Além de fazê-la feliz e completa, Anna finalmente estava fazendo com que Elsa conseguisse ser o que sempre almejou: livre.
As duas olharam-se nos olhos pelo que pode ter sido um minuto ou toda a eternidade, quando Elsa, com sua voz tão sonora quanto cristais de gelo, disse:
— Eu também, Anna. Eu também amo você.
De verdade e para sempre.
Até que toda a neve que cobre as montanhas de Arendelle derreta-se e evapore no ar.
E até muito depois disso.
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