Um despertador toca no criado-mudo.6:30 am,ele marcava.Dentre os cobertores,o braço de Elsa desativava o alarme.mais um dia.Levantar,descer,tomar café-da-manhã,escovar os dentes,tomar banho,ir para a empresa,mas os últimos dias da loura têm sido atormentados por uma memória horrorosa;a memória de ver seu namorado com outra mulher,mais alta e mais bonita do que ela.A cena ecoava infinitamente na sua cabeça: Ela chegando na casa de Hans e vendo ele se esfregando com uma outra mulher.Elsa se lembrava bem de sua reação,que é a mesma de sempre: civilizada e equilibrada por fora,mas desabando por dentro.O barulho das buzinas de carro a tirou do devaneio que mais parecia um pesadelo.A loura apoiou seus cotovelos no volante do carro e apoiou sua cabeça no mesmo,pra arrumar uma maneira de se sentir confortável no meio daquele trânsito e se sentir bem consigo no meio da tempestade eterna que era sua vida.

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Ao chegar na empresa-atrasada-,Elsa se dirigiu ao seu escritório,cumprimentando a todos,como sempre,suportando comentários desnecessários e fofocas sobre o rompimento,que já era notícia por toda a empresa.Finalmente,no escritório,ela podia se “distrair” de sua vida,-embora não estivesse com a mínima vontade de ir trabalhar-e conversar um pouco com Scarlett,sua secretária,uma morena,de olhos castanhos escondidos atrás de óculos.Ela começa a ler uma anotação em seu tablet enquanto Elsa se aconchega em sua cadeira.

–A senhora tem duas reuniões hoje,uma às 8:25 e outra 14:16,uma entrevista com a revista It Girl às 10:00 e uma proposta com a editora Chaise ás 15:00.-Scarlett diz,andando pela sala.

–Algum recado ou chamada?

–Ah,senhora,o Sr. Westegaard ligou um pouco antes de você chegar.Ele ligou umas três vezes.

Elsa arqueou uma sobrancelha e voltou a olhar os papéis que estava analisando.

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O dia seguia normal,o mesmo caos de sempre,as mesmas fofocas,e tudo parecia estar bem.Só parecia.A mente de Elsa voava dentre as reuniões,entrevistas e conversas,mas sempre era chamada de volta para a realidade,apesar de estar bem ciente de tudo o que acontecia.As horas também voavam,e quando ela deu por si,já estava naquela proposta com o editor-chefe da editora Chaise,que era o irmão mais velho dos Westergaard,Eric.A autora falava,mostrando tabelas e manuscritos de seu livro,enquanto Eric e Elsa anotavam alguma coisa nos tablets.

–Eu passei dois meses no Himalaia,e o fruto de toda a minha jornada está contida nestes manuscritos.Meus mais profundos pensamentos sobre-

Scarlett interrompe o monólogo da autora,e cumprimentando todos rapidamente,ela se dirige a Elsa e começa a falar.

–Senhorita Moore,a senhorita tem uma ligação.

–Poderia ter anotado o recado,não?Estou em uma reunião importante.-Ela se volta para a autora.-É um projeto interessante,senhorita Bell.Que tal,cinco mil dólares e seis mil cópias?

–Acho que minha maior obra de arte merece mais.Que tal sete mil?

–Senhorita Moore,é uma ligação importante.

Elsa revirou os olhos para a jovem secretária e apoiou as mãos na mesa.

–Scarlett,o que seria tão importante a ponto de interromper uma negociação mais importante ainda?

–Notícias da senhorita Anna,talvez?

Elsa sente naquele momento um estranho misto de alegria,medo e um quê de tristeza ao Scarlett tocar na ferida ainda aberta no coração da loura.Ela sentiu sua coluna resetar,e ela respirou bem fundo e as únicas palavras que ela conseguiu articular foram:

–Com licença por favor Sr. Westergaard,Senhorita Bell.

Os dois assentiram.Elsa saiu da sala de reuniões “andando rápido”,como ela mesma diz.Antes de atender a ligação,ela respirou fundo e Scarlett lhe lançou um olhar encorajador.

–Alô?-Ela disse,com a voz e as mãos trêmulas.

–Senhorita Moore?

–Ela mesma.Quais são as notícias?

–Bom,desde quando nós trocamos os medicamentos,a sua irmã vêm reagindo bem ao tratamento,e os danos cerebrais que ela sofreu já foram reparados sem sinal de sequelas.-A enfermeira diz,como se estivesse lendo tudo aquilo.

–É muito bom ouvir isso.

–E é com prazer que eu lhe informo,que sua irmã acordou hoje,ás 10:35,e ela passa bem.

Elsa deixa o telefone cair no chão.

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O telefone escorrega das pequenas mãos da loura,que fica extasiada,chocada e ao mesmo tempo com uma grande falta de ar.Ela começa a arfar e Scarlett lhe oferece um copo de água.

–Senhorita Moore,você ainda está na linha?

Elsa pega o telefone rapidamente,e,experimentando uma euforia que não sentia há uns três ou quatro anos,ela responde:

–Sim,estou...bom...quando vou poder buscar minha irmã?-Elsa diz,se controlando para não gritar e chorar ao mesmo tempo

–Quando a senhorita quiser,bom-

–Então vou buscá-la assim que eu terminar aqui.

–Senhorita Moore,espere.

–Sim,o que é?

–Nós tivemos que sedá-la,porque ela ficou muito agitada,queria muito saber onde estava sua família.

–Ah sim,bom...eu explico tudo a ela,sim?

–Como quiser.

Elsa desligou o telefone com um sorriso saudoso e os olhos marejados.Ela se levantou sem falar nenhuma palavra e se dirigiu até a sala de reuniões,onde terminou aquele compromisso com uma oferta de dez mil dólares e vinte mil cópias publicadas pela editora,sócia da Arendal.

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Anna acorda em um quarto,aparentemente de um hospital,ela pisca várias vezes para se acostumar com a iluminação do lugar.Ela ainda se lembrava de ter acordado mais cedo,muito mais agitada.Na verdade,ela sentia tão dopada que mal podia se mover e piscar os olhos direito pra falar a verdade.Logo ela percebeu que havia mais alguém naquele cômodo.Era uma enfermeira,que,assim que percebeu que a ruiva estava acordada,mostrou-lhe um belo sorriso.

–Boa tarde,senhorita Moore,você está se sentindo melhor?

Anna coçou os olhos,e antes de responder,olhou o aparelho,preso em seu dedo,que media as batidas de seu coração.

–Acho que sim,só...estou me sentindo dopada,sabe?ah...pode me dar um pouco de água?

–Claro!-A enfermeira,se apressou em encher um copo de vidro com água,e o deu para Anna,que o bebeu rapidamente.

Depois que a enfermeira foi embora,Anna pôs-se a pensar,sobre os eventos que antecediam aquele “apagão”.Refez todos os seus passos: chegou da escola,tomou banho,se arrumou,desceu,entrou no carro de seu pai com toda a sua família,brincou com Elsa sobre o cinto de segurança,ela até deu uma leve risadinha ao lembrar do chilique que Elsa havia dado com Anna,falando: “E se acontecer alguma coisa,Anna?Aí você morre,sua maluca!”.Depois daquilo,só se restavam alguns minutos,depois tudo apagava.

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Com uma caixa com dois cupcakes em mãos,uma muda de roupas na bolsa e um discurso treinado desde que deixou a empresa,Elsa caminha confiante,mas ao mesmo tempo tremendo de medo da reação da irmã mais nova sobre o acontecimento traumático que havia colocado a vida de todos em risco.Antes de finalmente entrar no quarto,Elsa observou um pouco sua irmã,que definitivamente estava acordada,mas parecia que não havia notado sua presença no lado de fora.Elsa a observou bebendo um copo de água,e depois,rindo para si mesma,e viu também aquele sorriso morrer,segundos depois.Finalmente,ela tomou coragem e abriu devagar a porta.