Frozen Guardian
15 O Passado dele? Ou o meu? - Elsa
Notas iniciais
Acordei, e a primeira coisa que tive visão fora o peito de Jack, coberto pela camisa branca que ele usava no outro dia, sua respiração calma, os olhos fechado e os lábios entreabertos.
Sorri, ele era fofo assim.
Fofo? O que?
Me remexi nos braços dele, e seu aperto ao meu redor ficou mais forte. Respirei fundo, e me acalmei.
Será que tinha algum problema em ele estar me abraçando?
Eu não era acostumada a dormir abraçada a pessoas, ao menos um dia fora, mas perdi o costume. Soltei um de meus braços e passei em seu rosto devagar, marcando a linha de seu maxilar, seu nariz, suas sobrancelhas. Ele franziu a testa de leve, e me encolhi, até ela voltar ao normal.
Sorri de novo, e sai de seu abraço bem devagar, com medo de acordá-lo e tirar seu sono. Comecei a andar no quarto pequeno, olhando ao redor, não haviam muitas coisas, um armário, com as mesmas roupas de sempre, um banheiro pequeno e um espelho.
Nunca achei que Jack fosse alguém que se importasse com a aparência. Olhei-me no espelho, ele havia desfeito minha trança, fazendo meu cabelo cair livre em meus ombros até minha cintura, eu usava ele solto poucas vezes, sempre tinha alguma coisa o prendendo.
Acariciei os fios loiros devagar, e depois olhei a roupa que eu usava. O moletom de Jack, confortável, gigante, e cheiroso, e um short leve de seda, criado por mim. Passei minhas mãos naquele tecido macio do moletom, e coloquei uma delas no bolso.
Senti alguma coisa ali, e tirei de dentro.
Era um bonequinho, feito de madeira, era muito parecido com Jack, os olhos azuis era levados, e ele segurava o cajado em uma das mãos. Coloquei-o em cima da cômoda, e sorri ao ver o bonequinho comparando-o com o Jack sonolento na cama.
Abri a porta devagar, e a Fábrica silenciosa e quieta tomou minha visão. Isso me lembrava de quando eu e Anna éramos crianças e acordávamos no meio da noite para brincar na neve no salão de bailes.
A escuridão tomava toda a fábrica, mas eu não me abalei, continuei andando por ali. Estava tudo bem, eu estava segura ali, não poderiam me machucar ali.
Poderiam?
Engoli em seco e continuei meu caminho.
~X~
Estava no andar onde faziam os brinquedos, era mais escuro ali, mas a luz da lua ainda entrava pelo teto, fazendo uma boa iluminação, sem contar uma ou duas mesas de trabalho com a luz acesa.
A luz da lua iluminava exatamente uma cortina no fim da sala, franzi o cenho e caminhei com passos decididos até lá. Afastei a cortina.
Um cofre.
Mas o que tinha ali dentro? Eu não fazia a menor ideia da combinação, e não tinha vontade de deixar estampado naquele cofre, Elsa esteve aqui afinal, eu não sabia como Norte iria reagir, muito menos Jack.
Me virei pronta pra voltar parra o quarto, quando um barulho alto ecoou atrás de mim. Voltei o olhar parra o cofre, estava aberto.
Não escancarado, mas aberto.
Olhei ao redor, será que eu devia ver o que tinha ali dentro? Engoli em seco, minha curiosidade era esmagadora, andei até o cofre e o abri. Haviam seis cápsulas ali dentro, cinco douradas, e uma cor de cobre, escurecido, quase negro.
Ignorei essa, e passei a ver as outras, haviam desenhos em cada uma delas, uma em especial me chamou atenção.
Era um menino, jovem, cabelo castanho, olhos castanhos. Aquele menino, por que ele não me era estranho?
Peguei a cápsula devagar, ela era dourada, com uma espécie de mosaico, verde e roxo. Mordi meu lábio inferior, eu não sabia o que era aquilo, eu podia estar mexendo com algo que não devia mexer.
Mas algo no fundo do meu gélido coração, me falava para tocar naquilo.
Respirei fundo, e toquei no centro do mosaico.
O mundo ao meu redor se desfez.
~X~
Havia um menino, ele ria e corria atrás de várias crianças no meio de uma floresta, ele era ágil, pulava como um coelho, e ria como um tonto, segurava uma cesta com ovos de páscoa na mão.
A imagem mudara, agora aparecia uma menininha, ela tinha os cabelos compridos e lisos, os olhos cor de chocolate, tal como o cabelo.
– Jack? — Ela chamou por ele. — Jack, cadê você?
De repente o mesmo menino aparecera na árvore, ele estava com as pernas penduradas, e de cabeça pra baixo, sorriu e gritou.
– BU!
Outra mudança.
Ele andava de um jeito engraçado próximo de uma fogueira, segurando dois grandes galhos na região das têmporas.
Mais uma mudança.
Ele saía com a mesma garotinha de uma cabana, um par de patins apoiado nos ombros dele.
– Tenham cuidado.
Ele riu.
A imagem mudou de novo, ele olhava para a menininha, em pé numa camada de gelo fraca.
– Jack... — Ela o chamou. — Estou com medo.
Antes que aquela imagem acabasse fui transferida pra outra.
~X~
Jack usava uma roupa parecida com a que usava quando fora dormir, camisa branca, calça branca, uma roupa bem formal.
– Explique de novo porque eu tenho que ir?
– É a coroação da Rainha Asle, Jack. — Uma mulher falou.
– Mas porque eu tenho que ir?
– Porque você é o homem da casa querido. — Ela disse, e ajeitou a gola da camisa. — Pronto, lindo e elegante.
A imagem mudou.
Havia uma menina sentada no topo da escada de um palácio, um palácio conhecido, na verdade, ela chorava, a menina, ela era tão parecida com alguém.
Jack a olhou, e andou até ela.
– Tudo bem? — Perguntou.
– Vai embora! — A menina mandou.
– Sempre tão grossa? — Perguntou.
– Mandei você ir embora não mandei? — Perguntou.
– E quem é você pra mandar e desmandar em mim.
A menina olhou-o, mas parecia que os olhos dela olhavam nos meus, olhos azuis gélidos, cabelo loiro esbranquiçado, preso em um coque, os lábios avermelhados.
Fui engolida por aquele olhar.
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