Frozen Guardian

2 Missão Solo? - Jack Frost


Meu pés tocaram o chão e senti uma sensação de liberdade me tomar, não sabia o que fazia primeiro mas fiz o óbvio, a geada abaixo dos meus pés começou, e a sensação era tão grande que se estendeu do chão para as paredes, portas, janelas e caixas de lixo do beco, cobrindo tudo com a geada, sorri malicioso. O ar em minha frente começou a ficar fino, segurei-o e com uma explosão de gelo meu cajado apareceu. — É isso ai, eu aprendi uns truques novos.

Voltei a correr, dessa vez me sentindo mais livre que nunca, espalhando a geada no chão e congelando as paredes com o cajado, logo minha corrida se transformou em um voo, e quando percebi, meus pés já estavam fora do chão. Avistei meu destino, uma grade, que me levaria pra floresta e em direção a nevasca. Tomei impulso e pulei, como se pulasse uma poça d'água.

~x~

Caí na neve com os instintos apitando mais que nunca, adentrei na floresta a minha frente e o que antes era uma caminhada, se tornou um voo de vespa, o vento zunia em meus ouvidos, eu congelava, quebrava, esbarrava em qualquer coisa em minha frente, tinha que me livrar daquela coisa apitando em minha cabeça, e eu sabia que só ia parar quando eu e encontrasse com a nevasca.

Saí da floresta quase caindo, meus sentidos pararam de apitar assim que saí, e agora, não tinha nenhum som além do vento, na minha frente tinha um belo lago prateado congelado, andei na neve e pisei, criando uma segunda camada no gelo.

–Olá geladinho. — Uma voz conhecida disse.

Me virei.

–Pu... — cobri minha boca com a mão. — merda.

A pessoa que eu menos queria encontrar estava na minha frente, apoiando-se em uma pedra, ele tinhas mais de 1,80; orelhas grandes e um pelo branco e cinza, exatamente, pelo. O Coelho da Páscoa estava em minha frente me olhando como se eu fosse um cocô de cachorro no meio da estrada.

–O que... — As palavras estavam entaladas em minha garganta, de todas as pessoas que eu podia encontrar naquele dia, acho que ele era a última. — O que faz aqui?

Ele tirou um bumerangue de um dos suportes e depois tirou um pedaço de papel delicadamente enrolado, azul. Ele estendeu-o pra mim, o peguei mas não fiz menção de abrir, guardei no bolso do casaco e olhei para ele cético.

– Como eu disse na carta, eu só vim te entregar isso, Ele disse claramente que só falaria o resto pra você. — Ele deu de ombros. — O que não entendo é o fato de ele ter dado essa missão pra você...quer dizer, você é o guardião novo! E também nós...

– Pera...Missão? — Falo sacudindo as mãos. — Que missão.

–Não leu minha carta? — Ele pergunta.

Coço minha nuca olhando para meus pés.

– Olha que engraçado, mas eu não abro minha caixa de correio a alguns dias. — Semanas.

Mas ei! Não me culpe! Se você morasse no quinto andar de um prédio velho e fedorento cheio de velhos ia ter vontade de descer mais de dez lances de escada só pra ver correspondência? — Eu admito e sim, pode me chamar de preguiçoso.

– Mandei a carta semana passada como não pode ter lido? — Ele fala bufando. — Quer saber, esquece, não sei o que deu no Homem da Lua mas ele pirou. — Ele se prepara pra sair mas congelo-o no chão.

– Olha, já que está aqui...por quê não? — Faço um movimento com a mão para ele prosseguir, ele bufa de novo mas acaba cedendo.

– Semana passada o Homem da Lua me mandou uma mensagem, ele disse que tinha uma missão pra você e que precisava que você a realizasse imediatamente, mandou a carta pra mim, desenhei os símbolos pra você reconhecer como minha e te mandei no mesmo dia. — Ele diz. — A carta, não acredito que só leu hoje. Ou melhor, nem leu!

Faço um desenho na neve com a ponta do cajado e sorrio malicioso.

– Cadê o Norte? Não é ele o "chefe"?

– Ocupado pado com o natal, quem o Homem da Lua chama? — Ele aponta para si com as patas. — Bem eu sempre fui a segunda opção daquele... — ele murmura algo como "Filho da mãe" mas depois limpa a garganta e fala. — Dele. — Ele também sorri malicioso e fala. — Por quê Frost? Querendo saber o que vai ganhar de natal? Ah se acalme, sei que o Norte separou um carvãozinho pra você.

E antes que eu responda ele sumiu. Bufo e cruzo os braços olhando pra cima, Denver não é muito perto daqui, mas acho que é o único lugar onde eu posso conversar com quem queria.