Frozen Guardian
39 I Will. - Elsa
Notas iniciais
Os cinco guardiões olhavam o globo e as linhas negras que o marcavam. Não fazíamos a menor ideia de quem poderia ter escrito aquilo, sabíamos que os poderes se assemelhavam muito a combinação dos poderes de Pitch e Jack, mas não havia ninguém, até agora, que os possuísse.
Jack segurou minha mão de repente, a mão dele estava fria, seus olhos fixos nas palavras e na pequena ilha ainda envolta em sombras, eles estavam cheios de preocupação, uma preocupação que eu sabia para onde se direcionava.
Ele me olhou engolindo em seco e passou a mão pelo cabelo. Norte, a Fada, Sandman e o Coelho me olharam também. Norte tomou a frente e Jack soltou minha mão dando um passo pra trás.
– A situação é complicada Elsa, não sabemos o que, ou quem está fazendo isso... Mas sabemos que é perigoso. — disse sério. — Se o que ele, ou ela, diz é verdade, e O Show deve continuar sabemos que ainda não acabou. — ele cruzou os braços sobre o peito. — Não acho que seja incapaz de se defender sozinha, mas ainda assim, me sentiria mais calmo se pudéssemos ter nossos olhos em você por mais tempo.
Ele olhou para os outros guardiões por cima do ombro, seu olhar fixado em Jack, que tinha o capuz sobre a cabeça, como ficava sempre que algo o abalava.
– Apesar de sabermos que você e Jack são mais fortes juntos, que você dois tem algo, ele já lhe disse uma vez minha cara. Um Guardião não pode parar tudo o que está fazendo no mundo e se preocupar com uma única pessoa. — seu olhar recaiu sobre mim novamente. — Mas você é rainha de um reino, e cabe a você decidir o que quer.
Olhei para os cinco guardiões em minha frente, entre eles, havia o menino que eu amava, que eu descobrira sentir um sentimento que nunca havia sentido por alguém antes, mas meu olhar também vagou para Arendelle. Eu era rainha, fizera meus votos, eu prometera cuidar daquele reino até minha morte.
Sendo Guardiã era justamente o que Norte disse, eu teria que me preocupar com muitos outros lugares, muitas outras vidas em minhas mãos, seria por um lado uma extensão do meu trabalho atual, mas com muito mais nas mãos.
Era uma escolha arriscada. Se eu fosse me tornar Guardiã, teria que passar os próximos dois anos preparando minha irmã para um cargo que ela ainda não queria ter, uma responsabilidade grande demais pra uma menina de dezenove anos.
Mas se eu não fosse...
Iria perder Jack... E não sei o que mais.
Respirei fundo e olhei Jack.
– Preciso ir a Arendelle... — falei a ele.
Seu olhar ficou assustado e ele olhou pra baixo, concordando com a cabeça, pegou um globo do bolso, como se soubesse a escolha que eu iria fazer, me segurou pela cintura sem dizer mais nada e quebrou o globo, nos levando para meu reino.
~X~
Aterrissamos no pátio do castelo e logo vi os guardas me olharem assustados, eu havia estourado o limite de coisas estranhas no reino nesses últimos dias. Correram pelos muros, chamando minha irmã e minhas criadas.
Anna apareceu logo e veio correndo até mim, me abraçou e eu a abracei de volta, acariciando sua cabeça respirando devagar, a segurei pelos ombros.
– Preciso de uma reunião com o Parlamento e depois vou precisar de um grande evento aqui. — falei segurando seus ombros. — Vou precisar de você agora mais do que nunca Anna.
– Mas... Elsa... Por quê?
– Faça o que digo... — falei. — Eu volto logo.
Olhei Jack, ele ainda usava o capuz, seu olhar era triste e confuso quando o puxei pra perto de mim.
– Fique aqui até o final de tudo... Vou precisar de uma coisa sua. — Falei e o beijei na bochecha. — Mas por agora, vá com minha irmã, e peça para alguém lhe arranjar uma roupa elegante.
Saí andando de volta para o castelo.
~X~
Minha reunião com o Parlamento havia acabado de acabar, todos me olhavam achando que eu fosse louca, mínimo pertubada da cabeça após tudo o que eu dissera.
Fui até meus aposentos e chamei minhas criadas, pedi-lhes para arrumarem uma roupa para eu falar com o povo de Arendelle e elas estranharam mas fizeram.
Fiquei olhando pela janela do quarto, enquanto uma multidão de pessoas entrava no pátio do castelo. Respirei fundo e ajeitei minha postura.
Havia chegado a hora.
~X~
Estava em frente ao povo, não usava minha coroa, o que faziam muitos estranharem. Respirei fundo.
– Povo de Arendelle. — comecei, era a primeira vez que eu falava para o meu povo sem ter decorado um discurso ou algo do gênero. — Sou sua rainha a aproximadamente um ano, e sei dos problemas envolvidos do reino, conheço nossas relações, conheço meu povo.
Olhei para o muro, onde via Jack sentado, me olhando, ele estava usando uma roupa formal, mas se afastara dos outros.
– Porém. Há momentos em que o destino nos chama para fazer outras coisas. — falei e ergui a mão na altura do rosto, atirei uma rajada em direção ao céu e todos olharam-na maravilhados. — E infelizmente, um desses momentos me apareceu hoje.
Os olhos de Jack se arregalaram e ele quase caiu do muro.
– Hoje, no momento em que cheguei aqui em Arendelle de minha viagem, percebi que tinham coisas que precisava fazer. — falei. — Minha irmã, Anna, tem somente dezenove anos, e infelizmente ainda não comecei a ensiná-la as funções de uma rainha. — Anna me olhava sem entender, os únicos que entendiam o que eu estava fazendo era o Parlamento. — Como muitos sabem sou a favor da liberdade, a minha vida inteira fui criada sobre regras e por isso sou contra muitas delas.
Respirei fundo, sentia minhas mãos tremerem.
– E é por conta desta liberdade... — falei. — Que renuncio ao meu trono.
Começou-se um burburinho em meio ao povo. Levantei a mão, pedindo calma.
– Porém, como muitos sabem, minha irmã ainda não tem idade suficiente para herdar o trono. E é por isso, que afirmo que ainda não irei sair de Arendelle, estarei aqui sempre para ensiná-la e designarei uma pessoa de minha confiança para tomar conta do reino por mim.
As pessoas me olhavam sem entender.
– Quero que saibam, que mesmo eu não estando mais por aqui. Ainda estarei cuidando de vocês. — falei erguendo o tom de voz. — Poderei ter muito mais preocupações do que agora, poderei ter muito mais coisas a fazer, porém sempre estarei aqui em Arendelle, sempre estarei pronta para voltar e proteger meu povo de toda e qualquer ameaça! — percebi meu tom de voz, o jeito que eu falava, meu pai falava assim.
– Obrigada... e tenham um bom dia.
Entrei no castelo.
~X~
Estava em meu quarto, quando ouvi a janela sendo aberta e Jack entrou vindo pra cima de mim, me beijou, e segurou minha cabeça.
– Você é louca Elsa? — Me beijou de novo. — Louca... louca... louca?
Sorri, segurando suas mãos em meu rosto.
– Tenho um único pedido. — Falei. — Se vou me tornar guardiã. Ainda quero ser capaz de ter Arendelle em primeiro lugar, ao menos até Anna atingir a maioridade. — pedi.
Ele sorriu.
– Farei o possível.
Seu olhar vagou pelo quarto e ele respirou fundo, acariciando meu rosto, meu cabelo.
– Muito bem... — disse com um sorriso querendo escapar dos lábios. — Temos que resolver uma última coisa.
Olhou em baixo da minha cama e pegou um globo de neve.
– Coloquei isso aqui por precaução. — disse sacudindo-o a imagem do meu palácio de gelo apareceu no globo e ele o jogou no chão. — Vem.
Segurou minha mão e pulamos.
~X~
Quando chegamos no palácio os outros guardiões estavam lá. Norte segurava um grande livro embaixo do braço, e a fada sorria feliz, Sandman tinha figuras passando por cima da cabeça e o Coelhão sorria.
Novamente, Norte tomou a frente, segurando o livro.
– Normalmente, quem faz o juramento dos Guardiões sou eu. — falou para mim sorrindo calorosamente. — Mas, decidi que dessa vez abriria uma exceção.
Ele estendeu o livro a Jack que arregalou os olhos, olhou o livro, olhou Norte e me olhou.
– M-Mas... E-eu...
– M-Mas, nada! — falou Norte e entregou o livro para Jack, que o segurou como se fosse feito de ouro. — Vá em frente criança.
Jack respirava pesadamente. Norte deu dois passos para trás e Jack olhou o livro, abrindo-o e folheando as páginas, suas mãos tremendo, geada branca saindo de seus sapatos, flocos de neve começaram a pairar a nossa volta. Ele estava nervoso, segurei sua mão e ele me olhou, respirando fundo, achou a página correta e começou a ler.
*- Você, Elsa de Arendelle, jura vigiar as crianças de todo o mundo, guardá-las com sua vida, suas esperanças, seus desejos, seus sonhos, porque eles são tudo que somos e tudo que sempre seremos?
Jack me olhou, e eu respirei fundo.
– Eu juro. — falei.
Ele sorriu.
– Então... Parabéns Elsa... você é agora e para sempre, uma Guardiã. — falou.
No segundo seguinte ele soltou o livro, vi um duende correr para pegá-lo, mas não consegui ver se ele teve êxito. A boca de Jack se colou a minha e ele me beijou ternamente, segurando meu rosto, seus olhos fechados.
Era isso então, eu era, oficialmente, uma Guardiã.
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