Frozen Guardian
11 Encubra, não sinta. - Elsa
Notas iniciais
Olhávamos para o sol se pondo, Jack se apoiava no cajado e sorria levemente, o cabelo branco gelo dele esvoaçava no vento, os olhos azuis dele pareciam ainda mais azuis com o cair da noite.
Espera! Eu o estava encarando?!
Desviei o olhar, e devo ter feito um movimento brusco demais porque Jack me olhou, senti minhas bochechas esquentarem e acabei soltando uma geada de meus pés. Ele riu, o riso dele me fazia sorrir.
Que merda Elsa! O que você tá fazendo?!
Normalizei a expressão, e coloquei as mãos rente ao corpo.
– Acho que devíamos voltar. — Disse. — Está ficando tarde, podem estar precisando de mim no reino.
Seu olhar caiu sobre mim de novo.
– Você não vai começar a bancar a chata justamente agora né Elsa? — Perguntou.
– Eu não sou chata! — Respondi, e cobri a boca, eu acabara de gritar. — Quero dizer...
Ele riu de novo, e colocou uma das mãos dentro da calça branca que usava, de repente sua expressão ficou mais séria, e ele me olhou fundo nos olhos.
– Por que faz isso?
– Faço o que? — Perguntei, franzindo a testa.
Ele olhou para fora, e estendeu uma das mãos, fazendo flocos de neve dançaram sobre sua palma. Bonito. Pensei, o gelo dele, era tão delicado, mas ao mesmo tempo era tão cheio de diversão, e sorrisos.
– Por que você mostra seu lado verdadeiro... — o gelo em sua mão começou a ficar diferente, mais ameaçador. — só pra querer escondê-lo em uma cama de gelo ainda maior depois? — o gelo parou, era uma estaca, potente, e ainda mais medonha que a minha. — Elsa, você tem medo do que é?
– Não... — logo comecei a negar. — Não, não...
– Tem. — Ele disse, e me olhou com uma expressão calma. — Eu era um mentiroso Elsa, sei reconhecer uma mentira quando a vejo. — A pergunta é, por quê? — Ele me olhava com um olhar sincero.
– Acho que a verdade é que mesmo que meu coração já não seja congelado, mesmo que eu seja uma pessoa melhor. Eu simplesmente opto por algo que eu acabei me acostumando demais a fazer. — Falei. — Encobrir, não sentir, não deixar saber* — Saíra de repente, sem minha autorização.
Cobri a boca com as mãos, e olhei pra Jack.
– O que foi isso? — Ele perguntou.
Ninguém sabia daquele mantra. Ninguém. Nem mesmo Anna. Olhei pra Jack, ele se desencostou do cajado e deu alguns passos até mim, me afastei.
– Elsa...
Encubra Elsa. Não sinta.
– Não... — Murmurei. — Vamos, voltar Jack. Por favor. — Pedi.
– O que foi aquilo? — Perguntou de novo.
Encobrir, não sentir...
– Nada. — Falei e me dirigi pra porta. — Acho que já vou voltar, espero você...
De repente ele estava em minha frente, seus olhos me olhavam fundo, e suas mãos agarraram meus ombros, respiro fundo.
– Quanto mais você se esconde Elsa, mas você se obriga a se afastar, não só de mim, mas de qualquer um, mais na escuridão você entra. — Ele fala. — Você não vai querer encarar o Breu– Suas mãos apertaram meus ombros.
Do que ele estava falando?
Que merda ele tava falando?
Respirei fundo, amenizei minha expressão, olhei nos olhos de Jack.
– Encobrir, não sentir... — Repeti. — Encubra e não sinta, e só assim você vive Jack. — Afastei-me dele, e fui em direção a porta.
Fale com o autor