Notas iniciais
Talvez tenha sido uma má ideia questionar a respeito da frequência dos capítulos, mas como eu disse, até o fim dessa semana posso lhes dar um todo dia, então...

De acordo com o calendário, o último dia de inverno chegou. A neve estava derretendo, o branco abrindo espaço para as cores vivas da floresta na primavera. Ultimamente ela estava bem mais satisfeita com o resultado de seus treinos. Mas sabia que quando errava...

-Frost!

Apareci no início da tarde, rindo, girando a flecha dela entre os dedos habilmente. Para ela, eu iria embora amanhã com a chegada da nova estação. Na verdade eu não pretendia ir coisa nenhuma. Tinha um plano. Mas talvez devesse ir. Só que antes de supostamente partir, tenho de mostrar algo a ela.

-Calma. Hoje chega de provocação. –Anunciei, congelando a flecha e o chão também.

-O que você pretende? –Se virando, ela pode ver o gelo seguir um caminho pela floresta.

Pela primeira vez em semanas, me aproximei dela mais do que apenas alguns metros. Por um momento nos encaramos de perto, sorri e empurrei para o gelo, de onde ela começou a deslizar pelo caminho determinado por mim.

-Que diabos! Frost! –Seu grito ecoou.

A ruiva era um borrão vermelho em alta velocidade cortando a paisagem alternada entre verde e branco, berrando e xingando. Ela conhece a área e provavelmente já sabia que estava indo para o lago. Sabia também que o lago já estaria descongelado.

Os olhos dela estavam apertados com força. Merida deslizou pelo gelo até eu a parar. Ela tenta se erguer e perde o equilíbrio. Posso enxergá-la caindo na água, esbravejando sobre a temperatura dela, por ter molhado suas roupas e seu precioso arco. Ela ficaria furiosa. Ficaria, mas agarro sua mão e puxo para mim.

-Se você não se apoiar em mim, vai cair.

-Prefiro mil vezes...

-Molhar seu arco, aljava e flechas?

-Não, isso não. Isso nunca. Me tire daqui.

-Não tem como, Merida, estamos em um pedaço de gelo no meio do lago. –Sorrio.

-Isso... Você... É tão irritante.

Tenta um passo, escorrega e busca o apoio mais próximo: eu. Suas mãos estão em meus ombros enquanto ela procura o equilíbrio.

-Ai! Tire essas mãos geladas da minha cintura!

-Você é tão quente.

-Meu pescoço, Frost! Você é frio.

-Quente... –Chego ainda mais perto.

-Frost. Frost! O que você...

Por fim consigo fazer com que ela fique calada, que pare de protestar, e acabo descobrindo outra coisa. O rosto da ruiva está tão vermelho quanto seus cabelos e ela não pode deixar de se agarrar á mim; era isso ou cair afinal. Mantenho uma mão em sua cintura e outra em seu pescoço, permaneço sentindo o calor do corpo dela enquanto roubo um beijo.

-Você sentirá minha falta, Merida. –Deixo-a na beira do lago, corada e em choque, e me viro para ir.

-Jack, espera! –Ouço-a gritar ao longe. –Jack! Idiota! Irritante! Pedófilo! Foi meu primeiro beijo, Jack! Seu desgraçado!

E assim o estúpido Jack Frost se apaixonou por uma mortal.