Frozen Bravery
23 Capítulo 23
Notas iniciais
-Vista roupas quentes. As mais quentes que tiver.
Fergus me encara de maneira fixa enquanto estamos sentados um de frente para o outro na sala, logo depois de Merida subir para seu quarto após me receber. Imagino que divertido deve ter sido para ele me ver chegar e beijar sua filha, bem na sua frente, e depois lhe cumprimentar com meu sorriso zombeteiro habitual. Pelo menos ele não está com nenhum machado dessa vez. Eu estou tranquilo. Ele parece tenso.
Tive de vir lhe pedir para que me deixasse tomar Merida por algumas horas, mas especificamente da manhã até o fim da tarde. Depois de eu ter sido tão sincero ao dizer o que queria com sua filha, estranho seria se ele estivesse com uma expressão normal e não do modo em que se encontra agora.
-Então Frost, é o que você quer.
-Não tem como me impedir. A menos que ela não queira.
-Mencionou todas as consequências de seus atos? Isso vai mudar a vida de todos nós. Eu, minha família e os outros clãs.
-Ela sabe, está consciente disso.
-Você sempre aparece para atrapalhar e complicar minha vida. Vá ferrar com outro mortal. Me deixe morrer em paz, está bem?
-Tenho que voltar aqui daqui a uns anos para ver se as coisas correram bem. Só para verificar.
-Daqui a menos de uma semana, terei perdido minha única filha. E você ainda vem me dizer sobre tudo ficar bem. Vá se ferrar, Jack. Nunca vai existir genro pior que você.
-Obrigado, Fergus.
Um bom pai, esse cara. Tirar a ruiva de sua família até me causa um bocado de remorso. Se não fosse eu ter me apaixonado por ela, a vida de todos seria diferente. Mas eu não acredito que tenha topado com ela por simples acaso. Tem que ter alguma coisa. Eu a farei minha, os mortais se esquecerão dela e ela será invisível aos olhos dele. É doloroso no começo... Mas eu estarei ao seu lado.
-Para onde vamos, Jack?
-O norte. Um lugar muito, muito frio. Mas que gosto muito.
-Como chegaremos lá? Demora ir andando, claro.
-Temos uma ajuda especial do vento.
Tomo Merida em meus braços. Definitivamente ela não gosta disso. Nos mantenho constantes e em uma altura imperceptível para os outros humanos. Mas não faz mal. Logo a civilização acabará e só o que vai haver é gelo, a paisagem que mais me agrada. O que vou fazer com essa ruiva? Ela não abre os olhos por nada e está me agarrando com tanta força que quase machuca.
Deslizar sobre o gelo é algo fácil e ao qual estou completamente habituado. Conduzi-la me faz lembrar do dia em que a beijei pela primeira vez, o fim do inverno e o início da primavera. O nosso começo definitivo.
-C-chegamos?
-Abra os olhos e apoie os pés no chão, Merida.
-Tá... –Relutante, ela o faz. E assim que olha o ambiente em que estamos, parece um pouco surpresa. –Qual é a dessas cobertas natalinas?
-Peguei...emprestado...de um amigo. Caso você sinta frio, sabe.
-Hum...
Mantenho no norte um esconderijo oculto. Ás vezes tenho de muda-lo de lugar, já que os mortais são curiosos e acabam decidindo explorar a área. Certo, conseguimos chegar até aqui. Até agora tudo bem. Menos a parte desse silêncio incômodo. Existem alguns riscos, mas... eu estou disposto a corre-los. Parece que minha malícia não está transparecendo, então a ruiva pode não estar entendendo minhas intenções. Talvez isso seja bom, mas eu não sei como abordar o ponto em questão e não sei como nos fazer chegar onde quero.
-Jack, você se lembra do nosso acordo, não é? E se eu lhe disser... que quero minha parte agora?
-Está dizendo que...
-Sim. Jack Frost, você é meu hoje e fará tudo que eu quiser.
-E, ahn... O que você quer?
-A mesma coisa que você. –Ela sorri.
-A mesma coisa que eu... –É meio difícil de processar isso. Não é algo que um cara possa apreender de imediato. É surpreendente e bom. Na verdade, é absolutamente maravilhoso. Não preciso nem mais me perguntar se ela quer ou não porque sim, ela quer. –Vou lhe dar muito prazer, ruiva.
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