Frozen: A aventura recomeça
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Já estava tarde e a mãe de Corin se preocupou, ela esfregava as brancas mãos e andava de um lado para o outro. Havia pelo menos quatro horas q os três haviam saido, nem apareceram para comer; lembrou que Elsa era uma completa estranha e entrou em desespero. Elsa e Corin agiam como se conhecem-se a anos, como melhores amigas, entretanto não tinham contato com nada além da própria Elsa, arrependia-se de ter confiado os seus dois filhos a ela.
– Se acalme, minha senhora. Madame é uma boa pessoa — tentou acalmá-la o cocheiro
– Perdoe-me, mas como posso confiar em alguém que conheci hoje? Eu que fui tola, não devia ter deixado ela ir sozinha com eles. — culpou-se Hana enquanto esperava na janela algum sinal de seus amados filhos
– Acalme-se, Hana. A moça parece ser de boa índole, vamos fazer assim: Vamos esperar mais um pouco e então vamos procurá-los, está bem? — apaziguou o marido abraçando-a
– Eu garanto, senhora. — insistiu o Damian já um tanto angustiado — Majestade nunca faria mal algum aos seus filhos nem aos de ninguém.
– Majestade? — sussurrou Hana a si mesma
– Eu acredito em você, mas eles saíram faz muito tempo, pode ter acontecido algo com os três. — argumentou Gordon sem ouvir a mulher
Gordon era o mais calmo entre todos. Não que ele não estivesse preocupado, apenas sabia que precisava manter o controle; não era fácil manter a calma observando os olhos verdes da mulher os quais demonstravam toda a sua preocupação, principalmente porque eles lembravam os olhos de sua filha.
– Você disse Majestade? — perguntou a Hana virando-se da janela
– E- eu? — rebateu desconcertado o cocheiro
– Sim, você disse que "Majestade nao faria nenhum mal". — Hana franziu a testa e buscou os olhos do cocheiro que fugiam dos seus — Quem Elsa realmente é?
– A senhora deve ter ouvido mal, está aflita, chamei Madame. A preocupação deve ter afetado sua atençao.
– Ele tem razão, querida. Você deve ter ouvido mal. — concordou o marido preparando-se para buscar os filhos
– É verdade. — cedeu Hana soltando um suspiro de agonia — Não sabemos nem para onde eles foram — desabafou ela a sua afliçao.
– Vamos, vamos ver se os encontramos.
– Não devem ter ido longe. Madame não se importa mais de ficar em meio a multidão, podem estar na cidade.
– Nao se importa... Mais? — e novamente as palavras confundiram Hana
Era lógico que Damian escondia alguma coisa, mas o quê? Com quem seus filhos estavam? Ela podia confiar? O pior era não conseguir raciocinar direito. Como a cabeça doía tentando vasculhar mentalmente todo o reino atrás de seus bebês.
– Considerando que Corin está com ela é capaz de estarem onde Corin gosta de ir — explicou Gordon enfatizando o nome da filha.
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– Uhul. Elsa, faz de novo, por favor!
– Corin, ja está bom, não posso fazer mais.
– Ah... Por quê? Isso é lindo! — indagou a menina maravilhada
Elsa havia congelado o boa parte da área a céu aberto que estavam. Havia um tobogã em espiral feito de gelo q Corin havia amado brincar e as poucas árvores ao redor pendiam com a neve sobre elas.
– Porque é perigoso — respondeu Elsa começando a desfazer tudo
– Não, Elsa, Não! Por favor... — implorou a menina sem saber em que direção correr para impedir o sumiço da neve — Só mais um pouco. Ferdinando tambem gostou, olha! — acrescentou apontando para o irmao brincando na neve. — Assim ele sabe brincar.
Elsa observou o pequeno com um sorriso de satisfaçao.
– Vamos fazer um boneco de neve?
Corin não sabia do peso que essa peegunta carregava. Elsa lembrou de Anna, do quanto Elsa a amava e o quanto Anna sacrificou por ela, o sacrificio lembrou a dor, do mal que a havia causado e temeu fazer o mesmo com Corin. Elsa se encolheu e se envolveu em seus próprios braços. Parecia que somente o mal existia, não poderia causar nada além de tristeza. Como a mente é convincente.... E então voltou a nevar sem que Elsa controlasse. Não, não, agora não, está saindo do controle!
– Ebaaaa. — agradeceu Corin correndo para alcançar os flocos q caiam
Corin a trouxe de volta à realidade. A felicidade da menina ao ver os flocos descendo dos céus a remeteu à Olaf, e à diversão que seus poderes causavam e pensou que talvez... não fosse tão ruim assim fazer um pouco mais de neve.
– Eu já tenho um boneco de neve, Corin, e ele fala — contou Elsa orgulhosa.
Corin deixou cair o queixo e soltou um som admirado
– E-ele... fala?
– Uhum.
Um sorriso radiante preencheu os lábios de Corin, ela cerrou os punhos e soergueu os braços ensaiando saltos.
– Então temos que fazer uma boneca de neve! — exclamou Corin começando o trabalho.
Elsa riu da empolgaçao de Corin tentando fazer a boneca com a fina camada de neve que havia no chão
– Acho que vai precisar de mais neve para isso.
Então Elsa ergueu dois muros de gelo a partir do chão até a sua altura, dispostos de forma que rodeavam a menina e seu irmão. Aos poucos, os dois imensos muros se desfaziam em neve que cobria os pequenos. Seria mais fácil fazer nevar; e onde fica a diversão? Fazia bem ao ego ver a animação de Corin quando Elsa demonstrava a sua criatividade com gelo.
– Corin! — gritou Hana ao observar a cena
Elsa se assustou e virou bruscamente, fazendo os dois muros desmancharem-se rapidamente nas crianças. Hana correu até seus filhos protegendo-os em seu colo e, por alguns instantes, temeu à Elsa.
– QUEM é você? — pergunta Hana pausadamente e se afastando, o medo era visível em seu rosto, assim como a raiva.
– M-m-me desculpe, e-eu... — Elsa estende os braços tentando tocar nas crianças e logo os encolhe apavorada; Hana afastou os pequenos de Elsa — M-me perdoem, eu não ia machucar ninguém.
Grande erro de Hana. Elsa se desespera, o controle some e o que era brisa agora se tornou tempestade, erguendo a neve deitada no chão e trazendo mais do céu.
Os três se desesperam e Ferdinando apenas ri buscando tocar a neve.
"O que está acontecendo? Por que não controlo? Ah não..." Os olhos de Elsa percebem que Corin escondeu o rosto no corpo da mãe "O que foi que eu fiz?"
– Saiam, por favor, saiam! — pede Elsa recuando tudo que queria agora era se encolher até sumir
– Majestade! — grita o cocheiro chegando correndo
– Fujam vocês! — ordena Elsa virando as costas
– Não vou fugir da minha rainha — contrariou o cocheiro -
– Isso não foi um pedido, foi uma ordem, Damian! Sai daqui. Agora!
– Majestade, Vossa Alteza sabe que pode controlar, sabe que consegue dominar! É para isso que tem aulas com o rei dos trolls!
A família fica estática. O medo dera lugar à compaixão. Hana se arrependeu de ter julgado Elsa sem tentar entendê-la. Seus filhos estavam em jogo! Queria ajudar. Contudo o medo saiu deixando o receio, e a tempestade estava tão forte que turvava sua vista.
"O medo é seu verdadeiro inimigo" Sempre as ultimas palavras do vovô Pabbie no fim das aulas. Elsa repetia a si mesma. Apertou seus olhos e tentou imaginar que nada estava acontecendo, em vão, o forte vento em seu rosto não permitia isso. Então ela levantou sua cabeça, respirou fundo e, ainda com os olhos cerrados, virou-se em direção a todos. Elsa abriu os olhos e buscou toda a coragem que um dia imaginou ter.
–Eu. Não tenho. medo. de mim!
Ao som das últimas duas palavras ditas, ou melhor, gritadas, o vento cessou e toda a neve despencou. Uma boa camada caiu sobre o cocheiro que afundou na neve deixando apenas os pés de fora.
Elsa sentiu o alívio no peito. Havia controlado! Fechou seus olhos e deixou um leve sorriso brotar. Quando abriu novamente os olhos viu seu cocheiro soterrado e correu preocupada para ajudá-lo.
– Oh, me desculpe.
– Precisa parar de se desculpar pelo que não é sua culpa, Alteza — agradeceu ele após Elsa derreter a neve que o cobria, deixando-o com os cabelos molhados cobrindo os olhos
– Vossa Alteza — cumprimentou Gordon se ajoelhando
– Não, não, não. Levante-se — pediu Elsa estendendo as mão — causei muito susto em vocês, não foi?
– Então, você é a rainha de Arendelle. Por que não nos disse antes? — perguntou Hana ainda receosa
– Eu só... — começou Elsa esfregando as mãos e deviando o olhar — Não queria q me achassem um monstro — cofessou ela em um sussurro
– Você nao é um mostro, Elsa. — afirmou Corin desvencilhando-se dos braços da mãe e parando na frente de Elsa — Você é minha amiga — acrescentou abraçando a rainha.
Elsa retribuiu o abraço pondo a pequena em seu colo. O que ela fez para merecer essa doçura ao seu lado? Depois de tudo que a fez passar, depois do susto que ela lhe deu, do medo que a fez sentir, depois de tudo, ela estava aqui, em seu colo.
– Me desculpem — recomeçou Elsa — se tivesse contado, nada disso teria acontecido.
O cocheiro arranhou a garganta em sinal de alerta
– O quê? Mas foi mesmo minha culpa. — repreendeu-o Elsa
– Você está parecendo um rato molhado — disse Corin olhando com estranheza para Damian
Todos riram, Elsa ainda tentou conter mas não conseguiu.
– Vamos indo. Alguém precisa se secar e uma menininha precisa descansar — afirmou Hana aproximando-se de Elsa
– E uma rainha precisa se explicar — acrescentou Elsa entregando Corin à mãe
– Nem tudo pode ser explicado. Algumas coisa só... Precisam ser aceitas — confortou-a Hana
O sorriso amigável de Hana quebrou todo e qualquer receio que estivesse em Elsa. Ela não temia mais a rainha do gelo, não tinha motivo para se envergonhar. E com esse pensamento, Elsa retribuiu o sorriso.
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