Frozen: A aventura recomeça
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Dois dias depois, Anna precisou novamente ir até a cidade — o bolo estava com problemas — aproveitou para levar as crianças enquanto Elsa buscava um meio de vender o excente da produção deste ano; desde que assumiu seu posto de rainha, Elsa investiu em meios de aumentar a qualidade e a quantidade de tudo o que o reino produzia, incluindo alimentos e vestimentas. O problema era: Fornecia para todos os reinos ao redor e ainda havia excesso.
Ao chegar do passeio, Anna encontrou o mensageiro de Arisen à frente do palácio de Arendelle pedindo passagem aos guardas.
– Por ordem do rei de Arisen venho trazer uma mensagem à rainha Elsa de Arendelle — explicou ele ao se apresentar
Os guardas se entreolharam, um deles (ou ambos) teriam que o acompanhar, não deixariam a rainha a sós com alguém desconhecido.
– Deixa que eu aviso a rainha — disse o cocheiro que chegava com Anna, Corin e o irmão da pequena.
– Arisen? Não é o reino que Elsa foi a alguns dias? — questionou Anna descendo da carruagem
– Sim, Majestade — respondeu Damian — e creio que o rei de Arisen planeja ver vossa irmã mais vezes — acrescentou em um cochicho
Anna franziu a testa e estreitou os olhos, encarou Damian desentendida e então compreendeu o que seu amigo insinuou.
– Ou! Ahn... — surprendeu-se Anna -Sendo assim... vamos avisar a Elsa — acrescentou ela entrando e gesticulando aos guardas e ao mensageiro que se levantassem de sua prostraçao enquanto o cocheiro pedia ao mensageiro que aguardasse
Os quatro entraram, Corin e Ferninando, Anna e Damian.
– Vamos atrás da mamae! — sussurra Corin ao irmão e depois correndo e puxando o braço do pequeno.
– Elsa? — chamou Anna em alta voz — Onde você está? — continuou ela subindo as escadas
– O que foi, Anna? — perguntou Elsa calmamente aparecendo na entrado salão vinda do corredor que dava na biblioteca.
– Há um mensageiro de Arisen em frente aos portões, — contou Anna descendo as escadas e seguindo até Elsa — será que o rei já decidiu sobre o tal acordo que você disse?
– Mas o acordo já foi renovado, não tem nada para decidir — explicou Elsa confusa
O cocheiro tossiu levemente para chamar a atenção
– Perdoe-me, majestade. Mas, se me lembro bem, vossa alteza deixou bem claro que o rei Juan poderia visitá-la está semana.
– Como? — perguntou Anna
– Ah... Sim, é verdade. — respondeu Elsa enrolando as mãos uma na outra e apertando os lábios
– Rei Juan? Como ele é? Por que ele vem aqui? — disparou Anna
Elsa se perdeu em meio a tantas perguntas e Kristoff chegou para ajudá-la
–Opa, calma aí, curiosa. — interfere ele tocando levemente no ombro de Anna
– Se me permite explicar, — começou o cocheiro — não sei o que se passou no castelo de Arisen, mas foi visível, no momento em que o rei acompanhou minha rainha até a carruagem onde eu estava, que os olhos do rei não saiam de vossa irmã...
– Você está exagerando, Damian! — interveio Elsa cruzando os braços irritada
– Como poderia dizer isso se vossa Majestade evitava os olhos do rei? — Elsa estreitou os olhos em direção a ele enquanto Anna e Kristoff riam discretamente — P-perdoe-me, Vossa Alteza, apenas digo o que vi
– Continue — ordenou Anna empolgada
– Enfim, — continuou ele olhando para Anna — eu ouvi, apenas por pura coincidência, que vossa Majestade, sua irmã, cofirmou com um "até semana que vem".
– Oooown, Elsa, vc está apaixonada! — exclamou Anna contendo os saltos
– O quê?! Não!
– Own, como ele eh? Quantos anos ele tem? Os pais deles estão vivos? — continuou Anna sem dar atenção para a negação de Elsa
– Anna, espera — tentou Elsa contendo as mãos que queriam segurar Anna e sacudí-la.
– Anna, ahn... — fez Kristoff em vão
– Oh! Ele está vindo pra cá? Você vai apresentar ele para nós? Ele já te pediu em casamento?
– Anna, eu... Espera, casamento?!
– Ah, claro que não, vocês mal se falaram, você ficou só uns 3 dias em Arisen. Espera! Ele vai te pedir em casamento aqui?
– O QUÊ?! Não, Anna!
– Vamos dar uma voltinha — interferiu Kristoff vendo que Elsa já estava bastante nervosa.
– Majestade? — perguntou o cocheiro
– Sim?
– O mensageiro, ele já pode entrar?
– ah... Sim, claro. Mande-o entrar
Damian saiu em direção ao portão. "O que Anna estava pensando?! Jesus! Eu nem me lembro do rosto dele!" Pensou Elsa andando de um lado para o outro, sendo interrompida por Damian que retornava com o mensageiro.
–Com sua permissão, Majestade, gostaria de ler a mensagem pela qual fui enviado — pediu o mensageiro se aproximando
– Sim, claro. Leia, por favor- permitiu Elsa
– "O rei Juan, de Arisen, informa que está a caminho do reino de Arendelle para tratar de assuntos com a rainha Elsa, de Arendelle" — informou o mensageiro
Damian apenas sorriu triunfante por estar certo fazendo seu negro topete parecer mais alto.
– Obrigada, peça a um dos guardas que deem a você estadia e fique o tempo que achar necessario para descansar — ordenou Elsa um tanto preocupada com o que Anna dissera
– Obrigado, majestade — agradeceu o mensageiro se retirando
– Ahn... Só por curiosidade — deteve-o Damian — Quando o rei de Arisen pretende vir a Arendelle?
– Meu senhor... — começou o mensageiro surpreso com apergunta — ele já está a caminho
– O que? A caminho? — surpreendeu-se Elsa
– Sim... É... Bem, estava planejado para que o rei saisse duas horas depois de mim, para que a mensagem chegasse antes da Vossa Alteza.
– Duas horas?!
– É o planejado, mas o cavalo do rei é bem mais rápido que a carruagem do mensageiro. — completou ele
– Majestade? — chamou Damian preocupado com a fisionomia de Elsa
– O quê?
– Está tudo bem? Vossa Majestade parece...
– Eu estou bem sim — interrompeu-o Elsa — A-agora eu preciso ir. — acrescentou se retirando
– Está tudo bem com a rainha? — perguntou o mensageiro
– Acho que sim
– Espero, fiquei quase uma hora esperando a permissão dos guardas no portão, rei Juan vem no pegasus e é um pouco impaciente, é bom que ela permita logo aos guardas que ele entre — sugeriu ele
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– O que foi, Kristoff? — perguntou Anna ao sairem do castelo
– Anna... você estava piorando as coisas com a rainha — explicou Kristoff receoso
– Como assim?
– Bem, estava na cara que ela não gostou muito da ideia de casar. Acho que você assustou ela um pouco
– Você acha? — perguntou Anna receosa — M-mas, eu só... quer dizer, bem, ela está sempre tão ocupada e do nada ela vem de Arisen com uma menininha e dois dias depois Damian me diz que tem um rei que veio até Arendelle atrás dela então eu pensei que ela...
– Como você disse: Tem um rei atrás dela. Não quer dizer que ela queira alguma coisa. Anna, já parou para pensar que a Elsa quisesse ficar sozinha? — Anna para e pensa por alguns instantes — E pela cara que ela fez, ela não quer nem saber de ter alguém com ela
– Ela só está com medo. Eu não sei... é como os poderes... tinha medo de usar. Talvez só esteja sozinha por que tem medo de mudar
– E você fez esse medo aumentar depois de hoje.
– Você acha?!
– Acho que a rainha adquiriu alergia a palavra "casamento" depois dessa
– Ooooooon! O que eu fiz? Vou ter que ir lá consertar isso — concluiu Anna saindo
– Só toma cuidado com o que vai dizer, tá? — advertiu Kristoff a atrasando — Pode ser que piore ainda mais
– Obrigada pelo incentivo — ironizou Anna
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Elsa subiu para o seu quarto, estava confusa, nervosa. Anna não deveria ter dito tudo aquilo "no que ela estava pensando?! Senhor, duas horas! O que eu faço?" Pensou Elsa. Estava agindo como uma criança, aceitável depois de ouvir a palavra "casamento" sem nem pensar nisso.
– Vai ficar tudo bem. Foi só uma tolice de Anna. — acalmou-se Elsa trancada em seu quarto — Claro que ele não vai me pedir em casamento, ele é meio maluco e estranho mas não a esse ponto — argumentou para si gesticulando — Mas e se ele for? Com aquela história de "querer conhecer a Elsa", o que eu faço? O que eu faço? o que eu faço? — perguntou-se andando de um lado para o outro.
Elsa parou repentina mente ao olhar para sua cama e ver a camada de neve sobre ela. Era hora de parar, respirar fundo e esquecer tudo isso, ou perderia o controle.
– Está tudo bem... está tudo bem — repetia a si mesma — Se ele pedir qualquer coisa é só dizer não. Isso! Pronto, acabou.
E com essa conclusão Elsa saiu sorridente de volta ao salão; o sorriso se desfez assim que ouviu o som das trombetas anunciando Juan.
Onde foi parar a confiança anterior? Volte logo, sua danada! Elsa precisa de você. Ela não voltou, e Elsa envolveu-se em seus braços na tentativa de ser ignorada ali. "Eu espero mesmo que ele esteja são hoje" Pensou ela "Só mesmo um louco para tentar alguma coisa comigo, ainda estou aprendendo a dominar seus poderes, poderia matá-lo em segundos!" Esse pensamento esfriou sua barriga, e o salão também, neve surgiu ao seu redor.
– M-mas o quê? — questionou Juan surpreso ao entrar
O rei de Arisen ficou perplexo, sabia do poder de Elsa, só não era comum presenciá-lo. Juan estendeu uma das mãos e olhou para o alto buscando a origem da nevasca. Isso não estava ajudando, por que ele estava fazendo isso? "Droga, por que continua descendo neve? Já devia ter parado. Ai não... lá vem ele... e que cara é essa, medo ou admiração?" Dúvidas, sempre atrapalhando.
– Elsa — chamou Anna entrando no salão
A voz de Anna retirou Elsa dos seus conflituosos pensamentos e do transe de Juan, um ligeiro susto, que fez a neve desabar de vez, caindo sobre ela e Juan.
– Desculpe — pediu Elsa sem conseguir conter o riso, finalmente estava descontraindo
– Oi, você deve ser o rei Juan, de Arisen — recebeu Anna com reverência
– Ahn... sim, eu... — começou Juan observando a neve sobre si — eu estou todo molhado — acrescentou rindo
– Sinto muito mesmo — pediu Elsa contendo o riso com as mãos
– Que bom achou engraçado, Majestade, porque você também não está exatamente seca — brincou Juan
– Oh! — exclamou Elsa se examinando, realmente, sua roupa estava úmida
– Acho que vou deixar os dois conversarem — disse Anna recuando
– Não, Anna, fique — pediu Elsa receosa de ficar a sós com Juan
– Não posso, Elsa. Sinto muito, Olaf quer as toalhas de mesa intercaladas e o decorador quer separadas por colunas — desculpou-se Anna sorrindo nervosa — Até mais! — despediu-se correndo
Os dois observam Anna sair com aquela desculpa e ficam em silêncio por alguns segundos observando o corredor por onde Anna havia saido.
– Ahn... conheceu minha irmã — disse Elsa quebrando o silêncio sem retirar os olhos do corredor
– Ela é legal.
– Sim, é... — concordou suspirando — Então, espero que tenha trazido roupas secas — brincou Elsa virando- se para Juan — se me der licença, vou me trocar.
– Não, não. Não precisa. — interviu Juan
– Como?
– Ah... — gemeu Juan dando conta que sua natureza não era conhecida em Arendelle
– "Ah..." O quê? — Senhor, ele já estava começando com as loucuras
– Bem, Majestade. Acredito que Vossa Alteza não saiba. É natural, não pertence a Arisen, e eu não sou um expositor — começou ele enquanto sua roupas secavam sobre sua pele sendo visível o vapor subindo; Elsa se espanta com aquilo. O que estava acontecendo? — Se quero conhecê-la, preciso contar sobre mim também... com lincença — pediu ele depositando sua mão sobre o ombro de Elsa onde havia um pedaço de seu vestido — Não se assuste. Não mordo — ele sorriu malicioso; Elsa estava um pouco desconfortável, ele está muito próximo
– O que está acontecendo? — perguntou Elsa assustada e recuando um pouco ao ver o vapor subindo de suas roupas.
– Estou secando suas roupas, assim como fiz com as minhas — respondeu Juan — eu poderia usar o seu salão para mostrar o que mais posso fazer. Mas receio que fogo não seja como a neve — continuou ele acendendo uma pequena chama em suas mãos deixando Elsa pasma — se eu incendia-se seu palácio não poderia apenas retirar o fogo
– V-vo-c-cê...
– Sim, majestade.
– Como?! — finalmente consegue Elsa
– Nasci com eles. E os seus?
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– Mas o quê?! — exclama Anna ao quase ser derrubada por Corin
– Socorro, Anna! — grita a menina se pondo atrás de Anna
– O que foi?!
– Aquela rena quer me morder
Então Sven aparece bufando irritado procurando por Corin
– Ou, ou, ou. Calma, garoto. O que foi? — Anna acaricia a rena fazendo ele se acalmar
Sven ainda ostentava sua fuça irritada quando Corin apareceu atrás de Anna deixando ser vistos apenas seus olhos; mal a menina surge e Sven toma posição de ataque
– Ei, calma! É só a Corin, é amiga.
Ao ouvir o nome da menina ele bufa novamente incrédulo do "só".
– Desculpa por puxar seu rabo. Não sabia que ia doer. Não me bate — pede a menina assustada
– É Sv... espera, você puxou o rabo dele?
– Achei que desmontava que nem o nariz do Olaf — explica Corin culpada
A rena bufa ainda irritada e desvia o focinho e ergue a cabeça rejeitando o pedido de desculpa
– Sven, não seja insensível! — repreendeu Anna — Perdoe a Corin
Sven pareceu achar aquilo um absurdo. Como Anna poderia pedir tal coisa?! Isso era irreparável. Não! Não perdoaria!
– Sven... — recomeçou Anna tão séria que parecia aborrecida
A rena revira os olhos e estribucha mais uma vez antes de por a cabeça sob a mão de Corin em gesto de perdão
– Obrigada, Sven — agradeceu Corin abraçando violentamente a rena. — Prometo não puxar mais seu rabo.
– É bom mesmo, Corin — concordou Anna — e também parar de desmontar o Olaf.
– Tá bom... — aceitou a menina descontente — Cadê a Elsa? Ela disse que ia brincar comigo quando voltasse do passeio. Mas ai veio aquele cara chato com o papelzinho na mão e não deixou — acrescentou aborrecida revirando os olhos
– Ela ainda está ocupada. O Juan chegou e parece que estão se entendendo — respondeu Anna empolgada
– Se entendendo? Quem é Juan? O que ele quer? É a minha vez de ficar com a Elsa, ele não pode furar fila! — resmungou a menina sentando bruscamente no chão de braços cruzandos
Anna não conseguiu conter a gargalhada ao saber do pensamento da menina. Como se precisassem fazer fila para falar com Elsa
– Do que você tá rindo?
– De nada. Só que o Juan não furou fila. — respondeu Anna sentando-se ao lado da pequena e Sven a acompanhando — Digamos... que ele fez um agendamento em Arisen.
– Um o quê?
– Agendamento. Sabe, quando você marca um horário bem antes dele acontecer. Enfim, deixa eles sozinhos um tempo, quem sabe eles não se entendem.
– Ainda não entendi o porquê de se entenderem. Eles estavam brigados? — pergunta a menina confusa
– Não — responde Anna rindo — é porque... eu queria que eles se dessem bem. Quem sabe Elsa gosta dele e nem sabe? — Sven levanta-se em claro protesto.
– O quê? Eu sei que eles nem se conhecem, mas e daí? Eles podem ser almas gêmeas e nem saber.
– Espera aí... você quer dizer que a Elsa tem um namorado? É por isso que ele pode furar fila?! — indaga Corin revoltada; a prioridade era ela, não um chato!
– Não! Quer dizer, não sei. Espera, por que você pensou em namorado? Você tem sete anos, não devia nem saber o que é isso.
– Eu sei tudinho tá?! Papai me contou. — contrario Corin orgulhosa
– Contou é?
– Contou. Ele disse que quando duas pessoas se gostam elas namoram. Aí, se elas se amam, se casam. Encomendam um bebê da cegonha e então eu apareço! — explicou ela feliz -Ou então o Ferdinando — acrescentou não tão feliz
Anna começou a rir. Quanto tempo não ria assim? Essa menininha não pode mais sair daqui.
– O que foi? Espera, você acha que a Elsa vai casar? E se ela casar vão pedir para a cegonha outra Corin. Aí ela não vai mais querer brincar comigo! — pensou a menina quase em choro de preoucupação
– Ei, calma. Não é assim. Elsa ainda vai brincar muito com você.
– Promete?
– Prometo.
– Promete o quê? — pergunta Kristoff aproximando-se.
– Oi. Algum problema? — recebe-o Anna
– Não, devia ter?
– Não. É que... quer dizer, sempre tem alguma coisa com o casamento.
– Vocês vão casar não é? Vão pedir uma Corin para a cegonha também?
– O quê?! — pergunta Kristoff confuso
– Não, Corin — responde Anna rindo — acho que a cegonha não tem mais Corin's para entregar, você deve ter sido feita a parte.
– Ah... Por isso que quando a mamãe encomendou da cegonha veio o Ferdinando
– Isso aí!
– Eu não estou entendendo nada. E, quer saber, nem quero entender. Falou com a Elsa? — disse Kristoff mudando de assunto
– Ih! Não deu. Quando fui atrás dela, o rei de Arisen já estava com ela — respondeu Anna franzindo a testa apreensiva
– Vem, vamos almoçar. E seja o que Deus quiser
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– Você vai amá-la. É ativa, esperta e muito, muito agitada. Não consegue ficar quieta um minuto. É um amor de criança — disparou Elsa empolgada
– É... ela deve ser... legal — concordou Juan por obrigação — Mas então, vossa majestade me apresentou o castelo, esse belo jardim em que estamos, me falou da sua irmã, do noivo da sua irmã, da menininha... — e acrescentou se aproximando — mas não me contou nada sobre o anjo que vejo a minha frente
O rosto de Elsa não a permite esconder a vergonha que sentiu. Já era a terceira vez na conversa que Juan a envia esse olhares. Estava cada vez mais difícil encarar seus olhos acinzentados.
Por sua vez, Juan insistia em investir na rainha. Cada momento em que ela esquivava de suas mãos a sentia mais suscetível a ele. Bastava continuar tentando.
– Não tenho nada a dizer sobre mim — disse Elsa afastando e buscando uma das belas folhas que a cerejeira já apresentava
– Por que não começa pelos seus poderes, deve amá-los
– Não é bem assim. Eles me deram muito trabalho, às vezes penso se os quero — confessa Elsa
Juan permanece em silêncio. Sua expressão claramente revela sua confusão. Como poderia não querer seus poderes? Eles a fazem ser melhor que todos!
– Por que pensa assim? — pergunta ele finalmente
– Não são a melhor coisa do mundo, entende? Muita responsabilidade, tenho medo de não controlar, de... — Elsa percebeu que estava revelando demais para quem nem conhecia direito — esqueça. Não precisa ouvir tudo isso. Vamos voltar ao castelo?
"E estragar o primeiro momento que tenho em fazer você se abrir?" Pensou Juan. Finalmente estava derretendo o muro de gelo que Elsa impora entre os dois.
– Sabe, Arisen não é a mesma desde sua visita
– Como? — "Céus, o que eu fiz?"
– Vossa Majestade saiu e levou toda a cor do reino, toda a alegria.
– A única coisa que levei de Arisen foi Corin e sua família — brincou Elsa rindo — é verdade que ela é um doce de criança e muito alegre mas...
– Vossa Majestade entendeu o que quis dizer — interrompeu Juan se aproximando e tocando em seu rosto
– Acho melhor irmos andando, Anna pode precisar de mim — recuou Elsa
– Imagino que a princesa possa cuidar de tudo sem a presença da rainha — afirmou impedindo Elsa delicadamente pelo braço
– Agradeço se não fizer isso de novo — pediu ela ríspida
– Me desculpe. Eu...
Juan pareceu tão magoado que Elsa sentiu um leve arrependimento. Poderia ter sido tão delicada, não poderia?
– Você...
– Queria saber se eu a incomodo.
Elsa surpreendeu-se com a pergunta. Não pretendia magoá-lo assim, parecia ser bom, só não o queria por perto.
– Por que pensa isso?
– Sempre foge de mim, como se me temesse. É isso? Você me teme? — Juan parecia assustado, desesperado. Ela a temia — É por ter essa maldição não é? Pensei que entenderia, eu... — ele se interrompe ao toque de Elsa em seu ombro, estava preocupada, não o imaginava assim — eu controlo isso. Ninguém precisa se afastar.
– Você... já perdeu o controle?
– Sim, claro. — respondeu ele e, temendo o afastamento de Elsa, acrescentou — Não mais! Perdi quando criança. Bem, sou filho único, meu pai me fez controlar. Disse que um rei deve se conhecer, saber usar seus pontos fortes e fortalecer os fracos.
Sábias palavras. Elsa era uma rainha e não tinha nem noção de onde começavam ou terminavam seus poderes, quanto mais quais seus pontos fortes e fracos. Perdera muito tempo tentando escondê-los ao invés de estudá-los. Ainda dá tempo, ao menos foi o que Vovô Pabie dissera.
– Elsa?! Onde você está? — o distante chamado de Anna desperta Elsa de seus pensamentos
– Aqui, Anna — Elsa grita de volta
– Ah, desculpe. Não queria interromper — pede Anna sem graça — Volto depois.
– Não! — impede Elsa — Quer dizer, não. O que você queria?
– Bem... Você está 40 minutos atrasada para o almoço. E, você sabe, ninguém almoça sem você na mesa — explica Anna coçando a cabeça
– Oh! Tenho que ir. Vamos? — convidou Elsa a Juan
– Achou ela? — pergunta Corin chegando com a boca cheia e uma coxa de frango nas mãos
Poderiam até ter tentado, entretando, como nos últimos dois dias as tentativas sempre falhavam, Anna e Elsa riram alto. Até mesmo Juan não pode conter o riso.
– Onde você pegou isso? — perguntou Elsa
– Eu roubei da mesa, ué. — respondeu mordendo mais um pedaço
– Não devia ter feito isso — repreendeu Anna
– Mas eu estava com fome! E meu tio demora quando ta namorando. Affs. Achei que a Elsa ia demorar também.
– Corin! — adverte Anna novamente
– É melhor irmos logo — sugeriu ELsa envergonhada. Corin pensava que estava namorando. E com Juan?!! — Também estou com fome — acrescentou ela pondo-se a frente de todos que seguiam para a mesa posta para o almoço.
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