Frozen: A aventura recomeça
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Uma semana depois
– Bom dia dorminhoca! — gritou Anna entrando no quarto e batendo a porta
– O QUÊ?! — despertou Elsa assustada e lançando uma forte rajada de gelo em direção à janela
– Opa, calma. Sou só eu — disse Anna recuando um pouco
– Anna, você está bem? Eu acertei você? Deixa eu ver aqui — dispara Elsa preocupada e checando o corpo de Anna
– Eu estou bem, Elsa. — apaziguou Anna — Por que seu cabelo não parece uma juba quando você acorda? — pergunta ela observando o cabelo comportado da irmã
– Anna, por favor. Nunca mais faça isso. E se eu tivesse acertado você?
Elsa estava realmente preocupada. Anna lhe assustou sem querer e isso poderia tê-la machucado. Droga, nem ser acordada pela irmã ela podia mais!
– Mas não acertou. Viu? — Anna se olha de cima a baixo — estou inteirinha. Agora... como faz para acordar assim?
– Tem certeza que está bem? — Anna cruzou os braços e estreitou os olhos fazendo Elsa sorrir — Penteio antes de dormir e faço uma trança sem amarrar nas pontas. A trança se desfaz de noite mas ele não fica em pé.
– E por que não me disse isso antes?!
– Nunca perguntou — respondeu Elsa rindo
– Tá, não é isso que importa. Temos que conversar.
– Deve ser muito sério. Para você levantar por livre e espontânea vontade e ainda por cima cedo — brincou Elsa
Anna riu irônica. Era um assunto sério e Elsa estava brincando com seu sono, seu precioso soninho.
– Vai me dizer o que é depois do café. Preciso comer agora — disse Elsa arrastando Anna para fora do quarto — Vamos!
As duas correram — Elsa correu, Anna foi arrastada — até o início da escadaria onde Elsa parou bruscamente.
– O que foi? — perguntou Anna estranhando
Elsa olhou para os corredores, não havia ninguém, ou parecia não haver.
– Corin está acordada? — perguntou ELsa mordendo o lábio inferior
– Não, acho que não.
– Ótimo. — Elsa esfregou as mãos e ficou trocando o pé de apoio — disse à ela que não podia fazer isso
– Isso o quê?
A resposta de Anna foi ver Elsa congelando toda a escada tornando a mesma uma rampa.
– É melhor se segurar — afirmou Elsa prendendo em seus pés e nos de Anna duas pranchas de gelo puro
– Não, Elsa. Não!
Mal Anna terminou de concluir sua frase e Elsa a puxou consigo para descer as escadas. Foi assustador, mas divertido. Os primeiros segundos foram aterrorizantes e ambas gritaram até o final das escadas. Elsa não havia planejado a parada e as duas sentiram um frio na barriga quando perceberam que a diversão acabaria com as duas bem machucadas contra meia dúzia de armaduras medievais.
– Ao menos me avise antes de fazer isso de novo — pediu Anna cuspindo um pouco da neve que amorteceu a queda das duas
– Ao menos bata na porta antes de me acordar daquele jeito — retrucou Elsa sorrindo sarcástica
– Ah, Entendi. Vingança.
– Nada disso. Só era o meio mais rápido de descer as escadas — debochou Elsa — Agora vamos. Ainda estou com fome.
Anna e Elsa seguiram para a cozinha. Era cedo e mesmo assim todos os empregados estavam de pé, os cozinheiros trabalhavam rapidamente para preparar o café da manhã e surpreenderam-se com a princesa e a rainha tão cedo rm busca de alimento
– Majestade, me perdoe. Se tivesse avisado que iriam tomar café mais cedo eu... — desculpou-se a cozinheira chefe
– Não se preocupa. Calma. — tranquilizou-a Elsa — Só me dê qualquer coisa para enganar meu estômago — pediu ela com uma careta pondo a mão sobre estômago
A cozinheira conteve um sorriso. Era bom ter a rainha por perto, antes de ser exilada do mundo, era comum ver um sorriso ao amanhecer, dela e da princesa. Sorrisos esses que não mudaram nem um pouco com os anos passados.
Enquanto Anna e Elsa comiam na cozinha — sob reprovação da cozinheira que insistia que ambas esperassem fora de lá — Corin buscava saber a origem dos gritos que a despertara. Ainda sonolenta a menina andou pelo corredor e abriu o sorriso ao ver a escada congelada.
– Que legal! — exclamou ela saltando perto da escada
A pequena tocou com a ponta dos pés a congelada escada e tremeu de frio. Talvez não fosse a melhor hora para brincar na neve. E como irá descer? O sono ainda persistia em seu corpo e ela esfregou os olhos e encostou-se no corrimão. É, pelo visto vai ter que descer pelo corrimão. Suas risadas ecoaram pelo salão, poderiam ser ouvidos da cozinha se Elsa e Anna não estivessem tão ocupadas.
– Não pode por a mão aí — repreendeu a cozinheira estapeando a mão de Elsa a qual buscava os morangos que a mulher cortava — Ma-majestade, me desculpe eu... — desculpou-se ela ao ver quem repreendera e como Elsa havia reagido massageando a mão agredida
– Ai. Tudo bem — desculpou Elsa roubando um pedaço da fruta
A cozinheira apoiou as mãos na cintura e enviou para Elsa um olhar de reprovação.
– Ainda não está pronto! Se não parar de beliscar vai acabar com os morangos!
– Mas por que está cortando? Eles já são pequenininhos — perguntou Elsa pegando um morango inteiro e o pondo na boca — Não precisa nem cortar. Como uma dúzia de uma fez — acrescentou cobrindo a delicada boca cheia com as mãos
– Ela tem razão — concordou Anna também pegando um morango para si e tomando o leite que havia pegado
– Já chega. Para fora as duas! Vão acabar com meus ingredientes! — explusou-as a mulher
– Não saio até terminar de comer esses morangos — debochou Elsa sentando-se na ponta da mesa
– Ei! Deixa para mim também — pediu Anna acompanhando a irmã
A cozinheira pôs a mão sobre seu rosto e a desceu com força.
– Muito bem, o que vocês querem para me deixar cozinhar em paz? — perguntou ela
Anna e Elsa se entreolharam sorrindo maliciosamente.
– Chocolate — responderam as duas em unissono
– Frank! — gritou ela
– Eu!
– cadê o chocolate que eu ia usar na sobremesa do almoço?
As duas riram por conseguir o que queriam, mesmo depois de ter saciado a fome. Anna e Elsa sairam da cozinha satisfeitas e seguiram para fora do castelo. O outono batia à porta, era cedo e já estava calor; e não foi só as duas que pensaram assim, Corin estava correndo atrás de uma borboleta quando as ouviu se aproximando. A garota se escondeu atrás dos portões, estava cedo e sua mãe pediu que não fosse ao exterior do castelo sozinha, com certeza iriam brigar com ela.
– Então, Anna, o que você queria conversar? — perguntou Elsa após terminar seu chocolate
– Elsa...
– Por favor, não me diga que é sobre a viagem à Skavir de novo — pediu Elsa saturada
– Sabe a minha opinião sobre isso.
– E sabe que não adianta discutir. Já conversamos sobre isso e está decidido: Eu parto amanhã e de navio — decretou Elsa irritada
Anna a olhou assustada, não era comum Elsa a tratar assim. Corin ouvia tudo confusa. Esse silêncio a deixou curiosa.
– Vem comigo — ordenou Elsa cruzando os portões do reino determinada — Olhe. Está vendo? — perguntou apontando para a aldeia — cada casa dessa tem uma familía, cada familía com pelo menos quatro pessoas. Arendelle é só um pouquinho menor que Skavir. Significa que tem mais ou menos a mesma quantidade de pessoas
– Eu sei onde quer chegar, Elsa. E eu entendo
– Se entende porque me pede isso, Anna? — perguntou Elsa segurando os braços de Anna em súplica — Não pense que não sei o risco. Acredite, eu sei o que você deve estar pensando. Mas eu não posso deixar de pensar que podia ser Arendelle. Nem imagino o que o rei Henrique deve estar sentindo agora, pensando no que pode ou não acontecer com seu reino. Como rainha, Anna, como rainha, e só como rainha, eu preciso ir.
As duas ficaram em silêncio novamente. O discurso de Elsa apertava o coração de Anna, sabia das obrigações da irmã e nesse momento odiou pertencer à realeza. Corin ouvia a tudo e, assim como Elsa e Anna, sentia as lágrimas queimando os olhos de aflição. Era apenas uma menina, mas sabia, pelo tom de voz, que o assunto era perigoso.
– Eu sei. Só... só toma cuidado. Eu só queria proteger você.
– Anna, eu vou ficar bem. Sabe disso — consolou Elsa
– Não quero perder você, Elsa. Eu... não vou aguentar perder você também
"Como assim perder a Elsa?" Pensou Corin. O rosto da pequena se transformou. Sentiu um medo muito grande e um calafrio subir a espinha.
– Você NÃO vai me perder, Anna — afirmou Elsa olhando firme nos olhos da irmã — Muito menos agora. Entendeu? — Anna meneou a cabeça confirmando e Elsa prosseguiu — Confesso que ainda tenho medo dele... — disse elsa sentando-se sobre a ponte e olhando o mar sob si — Mas preciso ir. Não porque foi um pedido do rei, nem porque só eu posso resolver esse assunto. Mas porque eu tenho que enfrentá-lo e... parar de sonhar com ele.
– Você sonha também? — pergintou Anna surpresa
– Você também?! — repetiu Elsa com a mesma surpresa
"O que importa os sonhos?! Tem alguma coisa querendo matar a Elsa e vocês vão falar de sonhos?!" Pensou Corin angustiada. Queria poder ajudar, combater.
– Às vezes. — afirmou Anna — sonho que mamãe e papai não iam...
– Queria tanto que eles tivessem ficado — confessou Elsa em um sussurro
As duas ficaram em silêncio alguns minutos. Corin pensou que estivessem sussurrando, não conseguia ouvir nada.
– Sempre sonhava com eles. Agora só às vezes. Fico feliz de não sonhar com eles, mas tenho medo de esquecer dos dois.
– Eu também. Por isso não me importo quando tenho pesadelos com eles. Pelo menos estão na minha cabeça.
– É — solta Elsa — diz isso porque seu quarto não amanhece congelado. Eu realmente espero que depois dessa viagem eu faça as pases com o gigante aqui — Elsa sorriu nervosa observando o mar
"Gigante? É pior do que eu pensava. Tenho que ajudar a Elsa" A mente infantil sempre distorcendo as palavras. Precisava saber mais e esse silêncio novamente se intrometendo!
– Eu perguntei se eles tinham que ir... — contou Elsa esfregando seus braços
– Como?
– Eu pedi que eles ficassem antes de partir... assim como você está fazendo.
– Ah! Muito obrigada pelas palavras tranquilizadoras. — disse Anna sarcástica — Elsa, mão vá. Por favor! Por mim
Elsa sorriu tristemente. Anna soube pelo olhar da irmã que a resposta novamente seria não. Neste momento, Corin correu por detrás do portão dando a volta no castelo para não ser vista pelas duas. Precisava proteger sua amiga. O problema era como.
– Acho melhor entrar — sugeriu Anna — Todos já devem ter acordado.
– Melhor mesmo. Aproveitamos e tomamos café — concordou Elsa
– Comer de novo?!
– Por que a surpresa? — perguntou Elsa cruzando os braços
– Porque você come pouco e agora está acabando com a comida de Arendelle. Sei que tem sobrado muita comida mas não precisa acabar com tudo sozinha
– Estou nervosa, está bem? — confessa Elsa esfregando as mãos — Pensei que não me importaria com a viagem, mas estou mais preocupada do que queria estar.
– Adie mais alguns dias.
Elsa sorriu novamente. Anna não desistiria tão fácil, não era típico de sua irmã. Provavelmente subornará o capitão do navio se preciso.
– E prolongar essa agonia? Prefiro partir hoje mesmo — brincou Elsa
– Melhor descontar na comida — disse Anna puxando a irmã de volta ao castelo
As duas entraram e a cozinheira havia posto a mesa. Hana e Gordon estavam à espera da rainha e de Anna. Assim que Hana soube dos importunos momentos da cozinheira com a princesa e a rainha, imaginou que Elsa acordada era o motivo de Corin não estar no quarto, deixou Ferdinando dormindo mais um pouco, o pequenino estava resfriado e febril.
– Bom dia! — desejou Anna sentando-se à mesa
– Bom dia — retribuiu Hana — Onde está Corin?
– Corin? Não está com você? — retrucou Elsa preocupada
– Não. Pensei que estivesse com vocês — respondeu Hana absorvendo a preocupação de Elsa — A moça disse que vocês estavam acordadas. Pensei que Corin estive acompanhando as duas.
– Não vimos Corin ainda — comentou Anna
– Céus, onde essa menina se meteu? — resmungou o pai levantando-se
– É por essa coisinhas que estão procurando? — perguntou uma grave voz
Tosos destinaram os olhos ao guarda alto e de ombros largos que pendia Corin pelo ar. A menina estava de braços cruzados sendo suspendida pelo pijama
– Onde você estava? — perguntou Hana correndo até a menina e a libertando
– Eu estava no... — não poderia contar, sua mãe havia proibido
– Encontrei do lado de fora da cozinha — completou o guarda
– O que eu disse sobre sair do palácio sozinha, Corin? — ameaçou Hana
A pequena baixou os olhos em sinal de desculpa.
– Está tudo bem agora. Não está? — perguntou Elsa sentando-se à mesa — É melhor comer alguma coisa, Corin. Venham, sentem-se
Elsa estava muito calma para quem sentia medo. O que aconteceu com o gigante? Corin sentou-se à mesa junto com sua mão e nem se aproximou da comida. Mantinha a cara fechada e o pensamento em um plano para proteger a amiga. Como a salvaria?
– O que você tem, Corin? — perguntou Anna
– Tô sem fome.
A resposta surpreendeu a todos na mesa. Os olhos voltaram-se para a garota e por um segundo todos os movimentos cessaram.
– Como assim "sem fome"? — questionou Hana
– Eu tô ocupada, mamãe. — respondeu a menina altiva
– Com o quê? — retrucou Gordon rindo
– Tô pensando.
– Se não comer não tem como pensar direito — afirmou Elsa retomando a xícara ao seu lado
– Será? — perguntou Corin preocupada
Se não conseguisse pensar, como ajudaria sua amiga? É verdade que seu estômago não estava ajudando fazendo todos aqueles barulhos. Então a pequena decidiu comer, depois pensaria na solução.
Após o café, Elsa subiu a fim de terminar os últimos ajustes para a viagem no dia seguinte; Anna mal teve tempo de descansar, surgiram inúmeros problemas sobre o casamento e até mesmo Kristoff pediu a sua ajuda; Hana subiu para checar o seu bebê e Gordon a acompanhou. Corin estava agitada, Elsa prometera que brincariam assim que finalizasse suas obrigações e nem assim a pequena mudou sua fisionomia pensativa. A rainha começou a estranhar o comportamento de sua amiguinha, contudo, não podia adiar seu compromisso.
– Affs. Não vou conseguir salvar a Elsa sozinha. PRECISO de ajuda. Mas quem?! — um sorriso brotou nos lábios da pequena. É claro! Quem sempre a ajudava em tudo?
Corin correu escada a cima até onde sua mãe estava. Abriu a porta com muita força e por isso assustou à Hana que estava com Ferdinando no colo.
– Mamãe, mamãe!
– Corin! Shhhh — pediu Hana sinalizando silêncio
– Mas, mamãe! Tem que pedir para a Elsa ficar — continuou Corin aproximando-se
– O quê?! — sussurrou Hana
– Ela não pode viajar amanhã. Tem que salvar a Elsa, mamãe. — insistiu a criança puxando a barra do vestido da mãe
– Corin, o que eu disse sobre vir para cá? "Só se você não atrapalhar a rainha" — relembrou Hana aconchegando Ferdinando nos braços, a entrada de Corin o agitou
– M-mas...
– Mas nada — interrompeu Hana — Shh, meu filho, está tudo bem — acalmou ela à Ferdinando que balbuciou um chamado em seu sono — Não vou pedir à rainha que fique. E você está proibida de fazer isso. Entendeu? Ou vamos embora amanhã mesmo.
Corin ainda buscou argumentos. Não os encontrou. Sua boca ficou entreaberta na esperança que algo saisse e convencesse sua mãe e nada aconteceu. Rendida, a menina baixou a cabeça e suspirou desanimada. Não tinha como fazer nada, sua amiga corria risco e ela estava proibida de fazer qualquer coisa para ajudá-la.
A mente infantil tem desses belos dramas. Tão simples e ao mesmo tempo tão complexo. Mesmo com a proibição da mãe, Corin não desistiu. Saiu correndo para fora do quarto. Iria encontrar um jeito de impedir que algum mal acontecesse à Elsa.
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