Notas iniciais
Estou de volta, galera! Não consegui encaixar nenhuma música nesse capítulo, mas é que acho um pouco chato ficar botando trilha em tooodos. O próximo terá. A imagem também está um pouco diferente, representando, ao invés de um personagem, o castelo de gelo no início do capítulo. Notem que ele está mais esguio e rosa, lembrando o clima ao seu redor. Enfim, é isso, espero que gostem.

Quanto mais Elsa, Jack e Hans se aproximavam do palácio, mais difícil ficava a viagem. Embora a Rainha da Neve estivesse amenizando aos poucos o clima em Arendelle, no topo das montanhas do seu castelo de gelo, não precisava ter esse cuidado, afinal, nem ela, nem ninguém que estava ali geralmente se incomodava com o frio. Os ventos que rodeavam o lugar eram daqueles que de tão gelados chegam a cortar, e o céu no entorno, era tomado por uma Aurora Boreal imensa e tão brilhante que ofuscava a visão de quem passasse por lá.

Se Jack e Elsa já estavam com dificuldades para se aproximar do palácio de gelo, imagine Hans... ele passou muito mal, e não tinha forças para continuar, depois do longo tempo que caminharam. O guardião do inverno, na verdade, também não se sentia nada bem, pois estava em um lugar com o clima frio totalmente em desarmonia. Como não aguentava mais, virou-se para sua mulher e disse:

— Foi você quem incentivou ela a fazer isso. Quem tem o dever de ir até lá e influencia-la a desfazer é você também. Hans não pode mais ficar aqui ou irá morrer, e eu simplesmente não consigo chegar mais perto do topo, pois o clima não me deixa.

— Vai me abandonar? Depois de tudo que passamos vai me largar para resolver isso sozinha?!

— Desculpa, meu amor, mas como já disse, não consigo ir mais além. É melhor eu levar Hans para casa dele, e ficar tentando amenizar o estrago ao máximo pelo céu, mais distante. — Ele explicou triste.

Sem dar mais nenhuma palavra, os dois se beijaram intensamente, pois sabiam que provavelmente não se veriam mais por um bom tempo. Quando terminaram, ainda de rostos colados, trocaram algumas palavras reconfortantes e depois, finalmente se despediram. Antes de sumir no horizonte, Jack gritou lá de cima, enquanto voava, com seu jeito brincalhão:

—Só não me troca por ninguém, tá? E não esquece que te amo. Em breve nos veremos... Eu vou verificar se você fez o que estou pedindo, hein?

Do chão, Elsa acenava e gritava de volta:

— Pode deixar. Espero o mesmo!

Logo após, não conseguiu mais ver o marido. Porém, continuou caminhando bravamente até ficar de frente com os portões de sua casa. O lugar estava diferente da última vez em que esteve ali. Parecia maior, e coberto não apenas de gelo, mas de neve também. Todavia, o que mais chamou-lhe a atenção foi seu formato: o castelo mudava de acordo com o vento que o rodeava e a neve que caia.

Estava atônita, observando essas coisas quando um urso polar veio em sua direção. Ela levou um grande susto a princípio, afinal nunca tiveram ursos ali. Um susto só não, um escândalo, com direito à berros esganiçados, quebrando todo o silêncio e a calmaria que reinava no local. O fricote só se interrompeu quando a filha, aturdida, apareceu à porta perguntando:

— Mãe?! O que está havendo? O que você faz aqui?

Subitamente, a ex-rainha parou de gritar, e correu em direção à filha, lhe abraçando.

— Neve! Estava tão preocupada com você. O que aconteceu para liberar seus poderes assim? O que esteve fazendo com eles?

— Isso é uma longa história. Acho que será melhor entrar, e ver com seus próprios olhos.

Elsa esperava que a filha tivesse feito uma festa de gelo, ou criado vários seres mágicos que acabassem com sua solidão. Nunca com o silêncio solene que encontrou ali, e muito menos com Kai e Kristoff congelando ao lado de um portal mágico.

— O que pensa que está fazendo?! Não consigo acreditar, você... Você sequestrou seu tio e seu primo, e está congelando eles?!Meu Deus, por quê?! Esqueceu de repente de tudo o que te ensinei a respeito dos teus poderes?!

— Calma, será que eu posso explicar? Quando eu estava em Arendelle, meus poderes se descontrolaram e acabaram atingindo o rei Kristoff. Aturdida, trouxe ele comigo para achar alguma forma de ajuda-lo, porém o que eu não esperava era que Kai ia se prender no trenó que fiz para vir. Não posso leva-los daqui, então estou botando em ação um plano para aquecer o coração deles; e aproveitando para fazer a Gerda e o irmão amigos novamente.

Nessa hora, apareceu no portal mágico que criara, uma imagem de Gerda no meio da floresta, falando sozinha com um corvo sobre o pai e o "irmão". Ela parecia cansada e abatida.

— Filha, por favor, não vai me dizer que esse plano louco de que falou envolve deixar sua prima neste estado.

— Mais ou menos sim...

— Pelo amor de Deus, não vê que isso é loucura? Que não está fazendo nada de bom para ninguém? Até agora o que conseguiu foi machucar essas pessoas! Eu sei que quer ajudar, mas essa não é a melhor solução! Deveria ter feito alguma magia para deixar Kristoff e Kai em Arendelle, junto das pessoas que amam eles. Eu sei que é difícil ouvir isso, mas você sozinha é incapaz de socorrê-los, e fazer Gerda sofrer para chegar até aqui, só por um capricho seu, é maldade...

— Incapaz? Capricho meu? Maldade? Está se esquecendo de como salvou a tia Anna de morrer congelada? Vou te lembrar: ajudando-a pessoalmente; apenas precisando do apoio conjunto de outro ato de amor verdadeiro; no caso, foi o tio Kristoff enfrentar toda a distância e o inverno só por ela. E não negue que você atacou eles e interferiu nessa jornada também.

Ela ia completar falando que todos estavam lá por livre vontade, porém nessa hora lembrou-se que as coisas já estavam saindo de controle. Vieram-lhe à memória as palavras lindas que Kai lhe dissera, porém, principalmente, o provável porquê delas. Ela se sentiu tão frustrada por isso, que o castelo inteiro, que estava assumindo diferentes cores e texturas, parou completamente e ficou como algo ainda mais gélido e grandiosamente vazio. Era incrível como esse garoto conseguia mexer com as emoções da Rainha da Neve, mesmo sem querer. Percebendo isso, ela tentou reerguer-se, afinal, ainda acreditava que seu plano era o melhor a se fazer. Contudo, como estava nervosa, a Aurora Boreal em torno do castelo tornou-se ainda mais intensa e mais precisa, chamando finalmente a atenção do príncipe, que como estava muito feliz pelo pai ter se descongelado um pouco, até então nada mais notara.

— Eu sei que é arriscado, mas me deixa tentar. Confia em mim! Eu descobri finalmente que posso fazer algo de bom com meus poderes; agora tenho vontade de agir! Cansei de ficar parada. Sei de todo meu potencial, de tudo que sou capaz de fazer, de quão poderosa eu sou... Com certeza eu consigo cumprir esse... dever! Não há mais alternativa! Que solução melhor você daria?

— Está certo. Não consigo ver outra solução para a situação agora. Mas as coisas não podem continuar desse jeito; isso não. Eu realmente não queria ter que apelar, porém não vejo outra alternativa...— sem completar a frase, Elsa fez um movimento com as mãos e deixou aparecer um espelho mágico. Neve assumiu na hora um semblante incrédulo, e sua mãe tratou logo de lhe explicar o que tinha em mente:

— Esse objeto é uma réplica do espelho refletor de almas que tentei fazer quando você nasceu. Consegui ele com aquele mesmo homem que estragou meus planos, veja só que ironia da vida! Ele passou anos tentando criar algo que detivesse os teus poderes. E isso foi o mais perto que conseguiu, sem te causar danos. Sei que é arriscado, contudo essa é a única forma que vejo de te ajudar. Coloque o espelho no centro do salão principal do castelo e fie-se nele, pelo teu próprio bem. Ele te revelará o que deve ou não fazer.

A Rainha da Neve criou na hora um quarto especial no canto do salão principal e colocou o espelho ali, dizendo:

— Isso é o mais próximo do centro do salão que consigo. Não quero, nem acho que seria bom para Kai ou Kristoff me verem usando essa coisa. Agora, eu simplesmente não entendo por que não confia em mim. Por que prefere que eu fique refém de algo que sempre atrapalhou sua vida? E toda aquela história de não repreender, cultivar sentimentos bons... hein?!

— Filha, me desculpa, eu realmente não queria, porém, aposto que nem você tem uma noção total do quanto seus poderes são fortes. Para se ter uma ideia, seu pai passou mal ao chegar aqui perto e não conseguiu continuar por causa de tamanha desarmonia climática. Hans então, quase morreu. O que quero dizer é que seu poder é tão grande que chega a ser um pouco imprevisível e incontrolável. Não estou falando em repreensão, mas é muito arriscado usá-los da maneira que está usando, pondo em risco a vida deles.- disse apontando para fora, onde os 2 nobres estavam.

Nesse momento, a antiga rainha percebeu que a filha ficou aturdida com o que escutou. Então achou melhor retirar-se, pois já conhecia a outra o bastante para saber que ela queria ficar sozinha. E assim que a mãe saiu, a Rainha da Neve canalizou todo seu poder para o espelho e começou a chorar, fazendo-o se transformar, com sua variação emocional, em um aparente lago de gelo. Ele era todo quebradiço, e quem se aproximasse veria vários uniformes pedacinhos encantados do espelho formando o tal "lago".

Notas finais
Peço desculpas se a despedida de Elsa e Jack ficou meio fraca, é que não tenho muita experiência com situações assim. De qualquer forma continuo esperando ao menos +1 review de quem está acompanhando nem que seja só para criticar...