Fronteiras da Alma
5 Segredos Revelados
O clarão impulsionou Kagome para longe, que caiu desacordada. Quando sua visão se acostumou, Inu-Yasha pôde ver Houjou diante de si, empunhando sua espada. Para seu espanto, ele empunhava a própria Tessaiga destransformada.– Seja lá quem você for, Houjou, não é um humano comum! Que espécie de magia é essa?– Não é magia, Inu-Yasha. Na verdade, estamos segurando a mesma espada, pertencente a épocas diferentes.– Seu mentiroso! Eu vou arrancar a verdade à força!Avançou contra Houjou. Mas assim que as duas espadas se tocaram fez-se novamente outro clarão e os dois foram jogados em direções opostas. Ambos levantaram lentamente, apoiando-se em suas espadas.
– Não sou eu o seu inimigo, Inu-Yasha... Não devíamos estar lutando...– Maldição! Não me faça rir dizendo que não é meu inimigo! Que truque foi esse?– Não foi truque. Foi a Tessaiga...– Eu estou segurando a Tessaiga!– Eu também.Apesar da situação, Houjou mantinha um semblante calmo. Uma calma tão grande que estava deixando Inu-Yasha cada vez mais irritado.– Não existe outra Tessaiga! Onde você conseguiu essa espada?– Você tem razão... Só há uma Tessaiga. Na sua época. E é a mesma que eu seguro em minhas mãos agora. Ela está na minha família há muitos séculos, passada de geração para geração. Meu pai me contou que ela pertenceu a um poderoso youkai e, que antes de desaparecer, a confiou ao meu ancestral. De acordo com a lenda, ela foi feita a partir do dente canino do pai deste youkai. Na verdade, ele era um hanyou. Só ele podia manejá-la. Esse hanyou é você Inu-Yasha.– Você está querendo dizer que eu deixei a minha espada para você? – Começou a imaginar que talvez aquela história tivesse fundamento. – “Talvez eu tenha desistido da Tessaiga porque não tenha conseguido dominá-la... Mas se foi assim, o que vai acontecer com a Kagome?” O que aconteceu comigo, Houjou? Por acaso eu morri, foi isso?– Como eu disse, desapareceu.Inu-Yasha ficou analisando a espada nas mãos de Houjou. Sua lâmina... Era a Tessaiga, sem dúvida. – Se você não acredita, eu tenho um diário, escrito pelo meu ancestral que recebeu a sua espada.– E porque eu a deixaria para você?– Para proteger a Kagome...Essa resposta foi como um tapa no rosto do hanyou. Ele respirou fundo um momento tentando processar aquelas informações.– Qual era o nome desse seu ancestral?– Miroku, dizem que ele era um monge, mas tinha um fraco por mulheres.Inu-Yasha abaixou sua espada. “Miroku? Mas então ele não morreu do Kazaana...” De um certo modo, essa informação lhe trazia alguma esperança. Esperança de terem finalmente derrotado Naraku. Toda a descendência da família de Miroku havia sido amaldiçoada com o Kazaana na mão direita, mas Houjou não o tinha. Maldição esta que só seria quebrada com a morte de Naraku. Notou que os primeiros raios de sol chegavam.– Não há razão para eu ter deixado essa espada para você, Houjou... Você é um humano e a Tessaiga precisa da energia youkai para se transformar. Assim como eu agora, na minha forma humana, não posso utilizá-la, você também nunca poderá.– Eu sei disso, Inu-Yasha. Por enquanto a lua nova lhe impede de usá-la, assim como me impedia.– Como assim?– Daqui a pouco você vai entender, assim que o sol se mostrar por completo.Houjou olhou para o horizonte alaranjado. Os cabelos de Inu-Yasha começaram a mudar. Começou a nevar novamente e os delicados flocos se confundiram com a cor de seus cabelos. Logo ele assumia sua forma de sempre. Levantou sua espada no ar e ela transformou-se, porém por causa do peso, tombou ao chão.– Na minha forma humana, ela não se transformaria.– Não agora, mas irá... Houjou ergueu também sua espada que, para espanto do hanyou, transformou-se no enorme canino. Só que Houjou não tinha a mesma dificuldade que ele em segurar aquela espada. Na verdade, ela parecia leve como uma pena.– Isso é impossível!– Eu sei que parece confuso agora, mas o tempo vai mostrar a você como utilizá-la, mesmo estando na forma humana. A Tessaiga é dominada pelo espírito daquele que a carrega, Inu-Yasha. Pelo espírito, independente dele estar no corpo de um hanyou ou de um humano...Um arrepio percorreu o corpo de Inu-Yasha. “Espírito?” Ele guardou sua espada na bainha. O mesmo fez Houjou que depois a enfaixou novamente, enquanto observava a inconsciente Kagome.– Seria muito confuso para ela saber disso agora, você não acha? E eu aconselho não contar a ela por enquanto essa história.Inu-Yasha consentiu com a cabeça e Houjou começou a se retirar, mas deteve-se com a pergunta do hanyou.– Você a ama?– E você? – Continuou seu caminho sem esperar pela resposta.“Se eu a amo? Se amor é querer estar sempre com ela e protegê-la, então...” O hanyou olhou para a jovem desmaiada sobre a neve e sorriu tristemente. “Eu daria minha vida por ela... Sim, eu a amo...” Assustou-se com seus próprios pensamentos. Não podia se deixar levar por eles. Como ele poderia querer estar ao lado dela, se ainda não podia controlar o monstro que despertara dentro dele? E ainda havia Kikyou... Virou-se, foi até Kouga, o colocou sobre os ombros e o levou até o poço.
– Seu lobo fedido!Jogou Kouga dentro do poço que desapareceu no fundo. Tirou o vidro com fragmentos de seu quimono e ficou observando-o. Queria pular também, mas não teve coragem. Na verdade, o que ele queria era estar com ela. Saiu de lá, foi até Kagome e a segurou em seus braços. Acariciou seu rosto e seus cabelos, afastando a neve. “Parece um anjo...” Tocou com os dedos aqueles lábios rosados, dos quais ele esteve tão próximo de provar na noite que passara. “Será que elas têm o mesmo gosto?... Que pergunta estúpida... Kikyou está morta, não é a mesma coisa...” Não conteve a sua vontade e arriscou-se, tocando os lábios dela suavemente com os seus. Era uma sensação sem igual. “Não... Não posso...” Afastou seus lábios. Por mais que quisesse beijá-la até que ela acordasse, não poderia continuar, pois ainda tinha uma dívida com outra pessoa. Foi então que sentiu o corpo dela mover-se um pouco. Lentamente, ela abriu os olhos e ele sentiu seu rosto queimar.– Inu-Yasha... O que aconteceu?Ele ficou completamente sem graça e gaguejava enquanto ela sentava diante dele.– N-n-nada...– Mas e o Houjou? Que história foi aquela de Jóia Shikon e sacerdotisa?– Esqueceu que o pai dele é um historiador? Ele deve ter escutado estas coisas centenas de vezes, Kagome. Não se preocupe.A desculpa dele ainda não a convencia e Kagome parecia um pouco confusa.– Mas e aquele clarão?– Que clarão?– Como assim que clarão, Inu-Yasha? Aquele que me jogou longe!– Você deve ter sonhado, Kagome... O que aconteceu foi que você desmaiou, acho que de cansaço, o Houjou foi embora e eu joguei aquele maldito lobo no poço.– E foi só isso?Ela ficou encarando-o com desconfiança e ele cruzou os braços.– E o que mais poderia ser, Kagome? É melhor entrarmos. Está frio e você vai acabar se resfriando.Ela acabou concordando. Estava cansada e com sono, precisava descansar. Mas ainda tinha aquela estranha sensação de que ele lhe escondia algo. Ao entrarem na casa, deram de cara com o avô da jovem.– Aonde os dois foram assim tão cedo? E por que você ainda está de pijama, Kagome?Kagome deu um suspiro e colocou uma das mãos sobre o rosto.– Vovô, o senhor poderia deixar o interrogatório para mais tarde? Estou muito cansada agora...Ela continuou a subir as escadas e entrou em seu quarto, seguida por Inu-Yasha. O velho ficou observando a porta fechar-se.– Estas crianças de hoje em dia estão muito avançadas... Na minha época as coisas não eram assim.Dentro do quarto, Kagome foi até o armário e pegou uma muda de roupa.– Vou tomar um banho, já volto.Ela saiu do quarto e ele sentou-se pensativo sobre a cama. “Mas o que foi tudo aquilo?” Só então se lembrou dos fragmentos que ele havia pego. “É melhor colocar de volta antes que ela perceba.” Levantou-se e foi até a mesinha, mas no momento em que estava para colocar o vidro com os fragmentos na mesa, Kagome retornou ao quarto.– Esqueci... – Percebeu os fragmentos na mão dele. – ...minha escova de cabelos... – Respirou fundo. – Você ia embora de novo, Inu-Yasha?– Não é o que você está pensando, Kagome. Eu os estava devolvendo.– E quando foi que você os pegou?– Bem... Foi quando eu notei a presença daquele lobo. Você tinha saído do quarto e eu aproveitei para verificar lá fora.– E precisava ter levado os fragmentos?– E você queria que eu os deixasse aqui para que aquele lobo fedido os pegasse? – Sei...Kagome cruzou os braços com um ar de desconfiada. Foi até a mesa e pegou sua escova de cabelos. Depois, abriu uma das mãos e nela estavam os dois fragmentos de Kouga.– O que foi?– Nada. É melhor colocar junto dos outros.Ela colocou os fragmentos sobre a mesa e saiu do quarto. Ele ficou confuso, mas logo entendeu o gesto dela. “Ela está me testando...” Colocou aqueles dois fragmentos dentro do vidro e os deixou em cima da mesa. Sentou-se sobre o futon, cruzou os braços e a esperou retornar. Quando ela finalmente entrou, sorriu discretamente ao vê-lo ainda ali e os fragmentos sobre a mesa. Ela deitou-se na cama e puxou a coberta.– Boa noite, Inu-Yasha. – Mas já é dia, Kagome.– Mas para mim ainda não é...– E aquele negócio que tinha que ir todo dia de manhã, a tal escola?Kagome espreguiçou-se sob as cobertas e deitou-se de lado na cama para encará-lo melhor.– Por que você está preocupado com isso, Inu-Yasha? Você sempre odiou o fato de eu ter que ficar interrompendo a nossa busca por fragmentos por causa da escola.– Ora, Kagome. Quem sempre ficava nervosinha por causa disso era você. – Ficou sem graça quando percebeu que ela não tirava o olhar dele. Ela até apoiou o rosto sobre as mãos e sorriu. – O que foi, Kagome?– Que bom que você está aqui, Inu-Yasha...O sorriso dela era doce e sincero, tanto, que ele sentiu seu rosto queimar novamente, como naquele momento em que roubara um beijo dela antes que ela despertasse. Ele fechou seus olhos e recostou-se na parede, fingindo não se importar, mas era impossível disfarçar sua satisfação por estar com ela.– É melhor descansar. Logo nós vamos voltar a procurar os fragmentos.Ela recostou a cabeça sobre o travesseiro e permaneceu olhando para ele, até adormecer. Ele abriu os olhos e ficou olhando para ela, com um desejo enorme de beijá-la novamente. Mas conteve sua vontade. Não queria confundi-la ainda mais, afinal, ele já havia feito a sua escolha.-x-x-x-x-x-– Mas o que foi que houve?...Kouga levantou-se meio zonzo, tentando identificar o local onde se encontrava. Alisou um pouco a testa e sentiu um galo arder. Olhou a mão que passara na cabeça e viu que havia um pouco de sangue nela. Lembrou-se do que acontecera. “Aquele humano miserável!” Cerrou o punho e olhou para cima. “Estou dentro daquele maldito poço. Quando eu sair daqui, vou esfolá-lo vivo!” Deu um salto para sair daquele lugar e só então percebeu que algo lhe faltava. Do lado de fora do poço, na era feudal, examinou incrédulo suas pernas.– Os fragmentos! Ele me roubou os fragmentos! Mas como ele poderia saber? Só quem pode vê-los é... Interrompeu seus pensamentos, pois não queria acreditar neles. “Kagome... Como você pôde?...” Miroku aproximou-se por trás dele, juntamente com Sango e Shippou.– Algum problema, Kouga? Parece que o seu passeio na outra época não foi muito tranqüilo... – Perguntou o monge.Kouga lembrou-se das palavras de Kagome: “Eu quero ficar com Inu-Yasha...” Virou o rosto para encarar os três, com um olhar maldoso.– Mesmo sem aqueles fragmentos, ainda sou rápido demais para vocês... – Saltou por trás de Miroku e Sango e agarrou Shippou pelo rabo, que ficou esperneando. – Kagome se importa muito com você, não é, sua raposinha?– Hei, me solta! Me solta!– Kouga, o que deu em você? Solte o Shippou!– Escute aqui, seu monge! Não importa em que época a Kagome esteja, ela me pertence. Diga ao cara de cachorro que se quiserem ver a puberdade desse filhote de raposa, é melhor que ele venha buscá-lo pessoalmente! Eu terei o prazer de arrancar a cabeça dele com as minhas próprias garras!Sango adiantou-se e lançou sua arma contra Kouga, mas foi em vão, pois ele desviou facilmente dela saltando. No salto que deu, passou por cima de Miroku e avançou sobre ela, golpeando-lhe o estômago. Ela caiu inconsciente no chão e Kouga afastou-se um pouco, ainda com sua presa. Miroku correu e segurou a exterminadora em seus braços.– Sango! – Encarou Kouga. – Seu youkai miserável! Eles podem demorar muito para voltar!– Humph! – Olhou com desprezo para ambos. – Lembre-se do que eu disse... Depois que eu matar Inu-Yasha, Kagome será só minha!O lobo sumiu floresta adentro, levando Shippou consigo.“E agora? O que eu faço?” Miroku permaneceu com a inconsciente Sango em seus braços. Pediu a Kirara que se transformasse em fera para poder levá-la de volta ao vilarejo. Enquanto caminhava, imaginou o que aconteceria a Shippou, caso Inu-Yasha e Kagome não retornassem tão cedo.Continua no próximo cap...
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