From The Scarecrow.

3 Gentleman aren't nice


Notas iniciais
FINALMENTE SAIU! Eu demorei um pouco, eu sei, mas é porque eu tive uma caída F*DA na inspiração e minhas aulas começaram. E trabalhar e ter aula é igual a cansaço que é igual a sono que é igual a só escrever no final de semana. Mas aqui está :D

That's when a gentleman caught my eye […]

Love ain't a paradise


Logo que Juliet chegou ao escritório, Crane deu-lhe o tempo necessário para que arrumasse suas coisas na sala que pertenceria a ela, propositalmente perto da sua. Além disso, ele obtivera os horários de todos os experimentos e estudos que aconteciam no Arkham Asylum, para que os horários da nova doutora não batessem com nada que estivesse acontecendo nas celas próximas. Por enquanto, Juliet não podia saber do que acontecia ali. Por enquanto.

Quando a loira apareceu no batente da porta da sala de Crane, sorrindo, ele levantou-se de sua mesa e aproximou-se. Iria mostrar-lhe as dimensões da clínica. Os dois andaram juntos pelos corredores e ele lhe mostrou as acomodações das cobaias humanas, bem como os pátios e a sala de alguns médicos. Apresentou a todos a mais nova doutora, responsável pelo diagnóstico e tratamento da demência e loucura nos internos. Todos pareciam muito aliviados e felizes por vê-la ali. Toda essa introdução ao novo local de trabalho da srta. Ferio levou a manhã inteira, mas Crane não via aquilo como tempo desperdiçado. Era essencial que a novata aprendesse o máximo necessário sobre o asilo psiquiátrico. Além disso, ele gostava imensamente de estar perto dela. Era uma companhia simples, que o alegrava com sorrisos e palavras doces, somados à um incrível conhecimento sobre psiquiatria.

Os dois acabaram indo almoçar juntos em um restaurante perto da clínica.

–Acha que consegue fazer seu primeiro atendimento assim que voltarmos? -perguntou Crane, levando o garfo à boca.

–Creio que sim. Já me sinto preparada para isso.

–Como consegue demonstrar tanta determinação até na hora do almoço?

A médica sorriu por trás do copo de suco.

–Eu sempre quis isso. Desde pequena meu sonho era cuidar das pessoas. Mas tinha, e ainda tenho, um problema com sangue. Eu não conseguia ver sangue sem passar mal. Então me disseram que eu podia cuidar da mente -ela suspirou enquanto limpava a boca com um guardanapo de pano- Disseram que eu poderia trazer de volta à vida pessoas que já não acreditavam mais nela. E então eu decidi tentar.

–E tenho certeza que vai conseguir -comentou Crane, piscando um olho para a colega.

Ela sorriu, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.

Logo que voltaram a clínica, Juliet teve acesso ao arquivo do primeiro paciente que iria tratar. Crane lhe entregou a pasta pessoalmente.

–Se não se importa, eu gostaria que deixasse os papéis sobre o tratamento dos pacientes dentro de seus arquivos, assim fica mais fácil de centralizar todas as informações.

–Sem problemas, dr. Crane.

–E eu também gostaria de saber se eu poderia acompanhar algumas de suas consultas. Primeiro porque estou interessado nesse método de trabalho relacionado ao afeto. E segundo porque tenho extremo interesse por determinados pacientes.

–Não me importo nem um pouco, dr. Crane. Será um prazer.

–E você também já pode me chamar de Jonathan.

Ela riu.

–Vai ser muito difícil eu lembrar de te chamar de Jonathan no ambiente profissional. Espero que me perdoe -disse ela, com um sorriso enorme. Como ele não poderia perdoar e entender?

–Façamos assim: aqui, dr. Crane. Depois das 18h, Jonathan. Pode ser?

–Perfeito. Prometo que vou me lembrar disso com mais facilidade.

Os dois saíram da sala da médica e foram andando pelo corredor.

–Prefere realizar sua consulta na própria cela do paciente ou em um consultório mais adequado? -perguntou o doutor.

–Acho que seria adequado na própria cela. Não vamos tirar os internos de seu ambiente natural, de suposta casa.

Crane concordou com a doutora.

–Faz sentido.

Chegaram à sala 178, na qual seria realizada a primeira consulta da dr. Ferio. Ele destrancou a porta e a deixou entrar primeiro.

O interno que ali vivia se chama John Smith e era um dos poucos pacientes que realmente tinha distúrbios mentais, e não um dos capangas de Falcone absolutamente saudáveis. Segundo constava no relatório de outros médicos, Smith tinha um grau elevado de psicopatia, algo perto do 19*. Foi mandado pelo Arkham depois de diagnosticado e julgado, considerado culpado de homicídio triplamente qualificado. A vítima havia sido sua mulher e sua filha de 5 anos. Já estava a 10 anos trancafiado e nos últimos 5 servira de experimento para Crane e sua equipe. Só agora começara a apresentar sinais de que estava em seu limite, entre a consciência e o estado semi-vegetativo.

A dr. Ferio puxou a cadeira de madeira que ficava dentro do quarto do interno e sentou-se defronte a ele, que estava meio deitado, meio sentado, em seu catre. Ela se apresentou e pediu a cooperação de Smith, que assentiu com a cabeça de maneira vagarosa. Crane permaneceu em pé, em um canto da sala, apenas assistindo.

Era lindo. Calmamente, falando devagar e com gestos delicados, Juliet conseguiu fazer com que o interno falasse sobre sua vida. Tiveram uma conversa amena sobre o passado. Ela parecia hipnotizar o paciente com todos aquelas palavras amigas e risadinhas. Crane, por um instante, conseguiu visualizar o esboço de um sorriso no rosto de Smith. A consulta durou aproximadamente uma hora.

–Bem, John, foi adorável conhecê-lo. Mas tenho que ir agora. Há outros que ainda tenho que visitar... -disse Juliet, sorrindo e olhando nos olhos do prisioneiro, que se endireitara no catre mais no meio da consulta.

–A senhora vai voltar? -perguntou ele, com os olhos brilhantes.

–É claro que sim. Nos veremos em breve -respondeu ela, levantando-se e colocando a cadeira no lugar.

Ela e Crane saíram da cela e o mais velho trancou a porta.

–Estou severamente impressionado. Foi... brilhante!

–Obrigada, dr. Crane. Fico feliz que esteja satisfeito.

–E muito. Continue assim, por favor. Não podemos perdê-la por nada.

Ela simplesmente sorriu, com os olhos brilhantes assim como Smith.

–Quais são os próximos? -perguntou Crane, aproximando-se dela por trás e olhando para a prancheta que estava no braço da garota.

–Tenho mais cinco. Algum te interessa?

–Não, desses nenhum. Acho que só amanhã eu gostaria de acompanhá-la.

–Sem problemas, doutor.

–Bem, vou para minha sala então. Qualquer problema, estou à sua disposição -disse ele, passando a mão pelo braço da médica.

–Obrigada, dr. Crane.

Os dois se separaram e seguiram lados opostos do corredor: Jonathan em direção à sua sala e Juliet rumo à cela 200. Ambos sorriam enquanto andavam. Ele, por ter encontrado a solução de seu maior problema no Arkham. Ela, por ter finalmente conseguido o emprego dos sonhos, mesmo sabendo que poderia estar colaborando para a tragédia humana.



Faltavam seis minutos para as 18h quando Crane ouviu uma batida na porta.

–Entre -disse ele, sem tirar os olhos do notebook.

Ele ouviu alguém abrir a porta e demorar mais tempo do que o normal para fechá-la. Tirou os olhos da tela e viu Juliet fechando a porta com o pé. Seus braços estavam caoticamente tomados por papéis, arquivos e pastas. Ela tentava os equilibrar, embora estivesse falhando miseravelmente.

–Nossa, espera aí que eu tô indo! -disse ele, levantando-se e indo até ela, segurando uma das pilhas de papel que ela estava quase derrubando.

–Obrigada, dr. Crane -disse ela, voltando a se endireitar e apoiando uma parte da enorme pilha na mesa ao lado do arquivo do escritório do diretor do Arkham. Ele também deixou os papéis sobre a mesma mesinha.

–Meu Deus. Acho que nunca tivemos uma atualização desse tamanho nos arquivos.

Ela riu, passando a mão pela testa.

–Bem, vou organizá-los aqui e deixo tudo em ordem antes das seis -ela disse, abrindo a primeira gaveta e encaixando as pastas no lugar.

–Vou só desligar meu notebook e te acompanho nessa jornada -disse ele, sentando-se novamente na cadeira.

Depois de terem organizado novamente o arquivo, os dois saíram e Crane trancou sua sala. Ele foi junto com a doutora até seu espaço e aguardou ela vestir a jaqueta marrom que estava usando e pegar sua bolsa. Caminharam juntos até a saída do Arkham.

–Mora no Narrow, Juliet? -perguntou Jonathan- Eu poderia te dar uma carona...

–Não, moro em Gotham mesmo. Apesar dos apartamentos serem mais caros lá, ficam mais próximos da biblioteca municipal e da universidade.

–E vai pra Gotham como?

–Vou pegar o trem dos Wayne às... -ela consultou o relógio- 18h20.

–Bem, posso te levar até a estação.

–Eu agradeceria muito. O caminho até lá deve ser ainda mais sinistro à noite.

Os dois embarcaram no Land Rover de Crane e chegaram na estação por volta das 18h12. Durante o caminho foram conversando sobre assuntos amenos, aliviando toda a tensão que ficava presente nas horas passadas no Arkham.

–Obrigada, Jonathan. De verdade -agradeceu Juliet, desafivelando o cinto.

–Por nada. Te vejo amanhã?

–Com certeza -sorriu a doutora.

Ela hesitou por um instante, como se não soubesse o que fazer ou o que dizer. E então, devagar, ela se aproximou de Crane e tocou levemente seus lábios na bochecha dele.

–Obrigada mais uma vez. Por tudo. Você tem sido um ótimo cole... um ótimo amigo -ela sorriu, de uma maneira um pouco mais tímida e singela.

Ele esperou ela sair do carro e então, abaixou o vidro da porta do carona.

–Juliet!

Ela se virou e olhou para ele.

–Pretende me deixar na friend zone por muito tempo?

Ela corou violentamente e riu, escondendo a boca com a mão. Ele gargalhou. Esperava qualquer tipo de reação, mas não aquela. Ela estava parecendo aquelas meninas de colegial que recebem a primeira indireta da vida. E ele estava achando aquilo lindo.

–Eu não sei, Jonathan!

–Não tem problema, eu espero -respondeu ele, piscando com um olho só- Até amanhã!

–Até!

Ele arrancou com o carro e ela subiu as escadas em direção ao trem que a levaria até a torre Wayne, ainda rindo, e respirando mais fundo, tentando fazer todo aquele rubor se conter. Mas sem sucesso, pois toda vez que via o rosto de Jonathan Crane se iluminando e fazendo aquela pergunta, ela voltava a ficar corada.

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*Eu li um livro que se chama Grau 26, e nele é citado que são conhecidos 25 graus de psicopatia. O grau nº 1 equivale à estelionatários e o grau 25 à assassinos severamente metódicos e cruéis. Não sei se é de todo real, mas decidi adotar.


Notas finais
Espero que tenham gostado ♥ Pretendo escrever (porque nem comecei ainda) o próximo capítulo as soon as possible!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.