From The Inside
23 Nova casa
Depois do café fiquei sem saber o que fazia. Luan estava no banheiro escovando os dentes. Eu ia ficar com o cara que tinha acabado de beijar sozinha dentro de uma casa.
Nossa estava criando fobia de homens pelo visto!
Ta mas eu não sabia o que fazer, não queria voltar para a droga de festa mas, também não queria ficar ali.
− Mel, que acha da gente sair?
− Sair?
− É comprar uns CDs de rock em uma loja por ae. Vamos comer um sanduíche de 3 hambúrgueres, tomar muita coca-cola e sair zoando com a cara de uns idiotas por ae.
− Me confundiu com um dos seus amigos?
− Não, mas devemos ser amigos né? Então vamos agir como amigos.
Fazia sentido, e ao menos assim eu não ficava toda sonsa sem saber o que fazer.
− Sim, vamos. Mas se é pra engordar que comamos um sanduíche com 4 hambúrgueres.
Ele caiu na gargalhada.
Desamassei minha roupa e saímos andando por ai. Ele foi me mostrando cada coisinha, era legal sair com Luan. Eu me sentia legal ao lado dele, legal novamente.
Chegamos a um shopping que eu não conhecia. Entramos e fomos logo pedindo algo pra comer, claro um sanduíche de quatro andares de hambúrguer. Acabamos fazendo um campeonato de quem acabasse primeiro ganhava o direito a uma sobremesa. Claro que ele ganhou, e então acabou me dando o premio dele por não agüentar comer mais nada, previsivelmente previsível.
Então fomos para uma loja de discos, Luan correu procurando um CD do Muse, ele achou o CD e veio até mim.
− Já ouviu Supermassive Black Hole?
− Ahn... Não.
− A melhor, vem cá.
Então ele me mostrou a musica que realmente me agradou. Logo depois fomos atrás de CDs do Linkin Park, claro que nós dois ficamos curtindo o CD antes de comprar, escolhemos comprar dois álbuns, o Meteora e Minutes to Midnight. Saimos felizes de lá, e devo admitir que no fim o programa foi muito legal.
Voltamos para casa e Lippe ainda não tinha aparecido, comecei a pensar que talvez algo ruim tivesse acontecido. Fiquei preocupada mas Luan me tranquilizou repetindo que isso era normal.
Já eram oito da noite de sábado, a campanhia tocou e Luan foi atender. Ele voltou acompanhado de Lippe que eu já imaginava e de uma outra pessoas desagradavel com a qual nunca podia contar: Noah.
− Fazendo o que aqui? − perguntei quase que rosnando.
− Vim conversar.
− E quem te deu o direito?
− Eu dei. − Lippe disse se intrometendo.
− E eu te dei o direito de se intrometer em minha vida?
− Não precisa, sou seu amigo tenho direito.
− Que tal se conversássemos como criaturas civilizadas? − Luan propôs.
− Aham, diga Noah, o que quer dizer? Tem como explicar sua atitude?
− Não, não tenho. Se é isso que quer ouvir eu sei, eu sei que estou errado. Sei que o que fiz é um horror, mas estou em colapso Mellody, a Claire ta grávida; sabe o que é isso? Mel eu vou ser pai, agora eu tenho uma criaturinha indefesa e completamente dependente pra cuidar. Eu e a Claire somos muito novos, não podíamos ter um bebê agora, é um erro, e esse não posso corrigir. Eu sei que não existe nada que mude o que eu fiz, sei que foi errado, mas o que posso mudar agora? Eu já fiz e agora não posso voltar atrás, então só posso lhe pedir algo: Me perdoe.
Olhei para ele, eu realmente estava muito puta com tudo aquilo, mas ele infelizmente era meu irmão. E se tem algo que não existe é ex-irmão.
− Mellody nosso tio chegou, ele comprou uma casa aqui, vamos morar lá e ele vai processar o papai por abandono. Nossa vida vai voltar ao normal, mas Claire vai morar conosco e está ai a mudança. Mas você precisa ir, não pode morar com Lippe, nem com seu novo amigo Luan. Tem que ir com sua família.
Ele falava a verdade. Tinha que ir.
− Ta.
Ele deu aquele sorrisão feliz de sempre. Acho que meu irmão estava de volta, meu verdadeiro irmão.
Dei um beijo(no rosto) e um abraço em Luan, então fui buscar minhas coisas na casa de Lippe. Peguei todas as roupas e me despedi. Era a hora de voltar a rotina.
Comecei a pensar em quantas coisas aconteceram desde a ultima vez que estive em MINHA casa; eu tinha conhecido John, namorado ele; considerado Stacy minha mãe; viajado com eles; tive ótimos momentos; briguei com Noah; Claire ficou grávida; conheci Tim; perdi a virgindade; Tim morreu; quase me matei; fui morar com Lippe; fui para uma festa idiota; perdi Lippe de vista e conheci Luan; beijei Luan e agora acho que gosto dele. Minha vida era a vida mais animada e mais chata do mundo.
Eu nem conhecia esse meu tio, ele era irmão de minha mãe, nunca tinha o visto porque minha mãe vivia viajando pelo mundo com meu pai, e agora eu precisava de morar com meu tio que eu nem conhecia.
Cheguei na casa e me assustei com o tamanho, era de dois andares e toda perfeita. O acabamento era perfeito, ela era azul bebê por fora. Tirei minha mala do taxi que trouxe a mim e a Noah e fiquei esperando alguém vir nos receber, para minha surpresa Claire saiu da casa e veio toda feliz em minha direção.
− Ainda bem que você concordou em voltar menina! Eu e o Noah já nos mudamos, seu tio ta lá dentro pesquisando umas escolas por aqui. Ele é professor você sabia?
− Hammm, não.
− Vamos entrar Mellody, você nem deve lembrar do tio Daniel, faz tanto tempo que viu ele, você devia ter uma quatro aninhos, nem deve se lembrar.
Entramos, por dentro a casa era beje...
− Bom dia Mellody. − disse uma voz vinda do sofá.
Me virei pra ver quem era e me assustei, era meu tio, mas ele era muito parecido com Gerard Butler, o ator de P.S Eu Te Amo.
− Nossa faz tanto tempo, você cresceu muito menina. − então ele se levantou e veio me abraçar. − Mel você está tão parecida com sua mãe, é claro que o seu cabelo está preto e sua mãe era um pouco mais desinibida.
Sorri, era verdade, minha mãe era comunicativa e se dava bem com todos.
− Se lembra de mim?
− Ahn, não. − respondi tímida, odiava não lembrar de alguém.
− Normal, você era bem pequena, se você se lembrasse eu me assustaria. Então, o que achou da nova casa?
− Nossa parece ser muito boa...
− Noah leve-a pra conhecer a casa.
− Ok, vem Mel vou te mostrar seu quarto. − Noah disse.
Seguimos subindo a escada, fomos andando pelo corredor. Lá em cima tinham quatro quartos, fomos em direção do ultimo. Noah abriu a porta e levei um susto.
− Bem vinda ao seu quarto. − Noah caiu na gargalhada.
Com razão, mas que brincadeirinha de mau gosto fizeram comigo, o quarto era todo rosa, inclusive os moveis. Tudo rosa.
− Nãooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo − gritei desesperada.
− HAHAHA!!! − Noah literalmente caiu no chão de tanto rir.
− Não tem graça! É rosa, eu odeio rosa!!!
Então tio Daniel apareceu e ficou olhando.
− Ops, me desculpe imaginei que fosse gostar. − ele disse meio triste.
− Não tem problema, eu fico com esse mesmo.
− Claro que tem problema! Não pode ficar em um lugar que não gosta. Vamos pintar tudo!
Olhei para ele com cara de quem não entende.
− Noah quer nos ajudar a pintar? − tio Daniel perguntou.
− Ahn... er ta né. − Noah disse
Então eu comecei a rir.
− Mel se você quiser chamar algum amigo seu...
− Mas são nove horas.
− Nove horas de sábado, se tem algum amigo que não está em uma festa ele provavelmente está agonizando dentro de casa gritando para que alguém o chame para algo.
− Mas nós temos tinta?
− Ahn, que cor quer pintar?
− Preto! − Disse feliz.
− É nós não temos essa tinta.
Olhei para ele.
− Vou ligar para um amigo que talvez tenha.
Desci e procurei o telefone, como não tinha o telefone de Luan acabei ligando pra Lippe, ele devia ter.
− Lippe, você tem o telefone de Luan?
− Ehn, uh tenho. Você e ele estão ficando... ahaaam que fofo!
− Me dá o telefone!
Ele riu do outro lado da linha e ficou gozando da minha cara, depois de rir muito ele me passou o telefone de Luan. Liguei pra ele e ele demorou um pouco pra atender.
− Sim.
− Luan sou eu Mellody, posso te pedir algo?
− Claro, tudo.
Sorri.
− Você tem tinta preta?
− Ahn não
− Ah ta, obrigada...
− Mas meu pai e dono de uma loja de tintas, precisa de um de que tamanho?
− Bem grande, vamos pintar meu quarto de preto, se quiser ajudar...
− Claro que quero!!! Ok vou pegar o pote de tinta na loja dele e... hum qual o endereço?
− Vamos te buscar ai na sua casa.
− Ok.
Esperamos um pouco e fomos para casa de Luan, eu estava bem animada. Bati na porta dele.
− Oiiii
− Oi Mel, eh vamos logo antes que meu pai descubra!
− Seu pai não sabe? − perguntei assustada.
− Não, e nem vai saber. Ele nem vai ligar se eu morrer mas vai ligar se me vir saindo; quando eu sair ele já ta pouco se fudendo.
− Ah, ok vamos.
Então fomos para casa, meu tio, Noah e Luan começaram a tirar todos os moveis do quarto. Enquanto isso eu e Claire ficamos sentadas só olhando, ô vida boa.
Então eles terminaram e começamos a preparar tudo pra começar a pintura. Ia ser uma noite bem animada.
Nos separamos em grupos, tio Daniel e Noah pintariam duas paredes, eu, Luan e Claire pintaríamos as outras duas. E assim começamos. Nos trinta primeiros segundos já estávamos melecados de tinta preta, eu e Luan acabamos melecando um ao outro, ele começou a pintar e eu fiquei pensando por onde começar. Peguei o pincel menor e comecei a pintar o rodapé da parede, tomei cuidado pra não melecar de mais o chão. E assim fomos pintando as paredes.
Luan pegou o rolinho maior e começou a pintar toda a extensão da parede, mas é claro que antes ele me pintou.
− Não! Meu cabelo!!!
− Mel seu cabelo já é preto! − Noah disse sorrindo.
− É mas agora vou ter que lavar... quer saber?
Peguei meu pincel e melequei ele todo.
− Minha blusa nova!!!
− kkkkkkkkkkkkkk isso que dá!
Caímos todos na gargalhada.
Só terminamos a pintura as duas da manhã; então Luan acabou dormindo lá em casa. Foi a primeira coisa legal que aconteceu lá na nova casa, só a primeira!
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