Depois do café fiquei sem saber o que fazia. Luan estava no banheiro escovando os dentes. Eu ia ficar com o cara que tinha acabado de beijar sozinha dentro de uma casa.

Nossa estava criando fobia de homens pelo visto!

Ta mas eu não sabia o que fazer, não queria voltar para a droga de festa mas, também não queria ficar ali.

− Mel, que acha da gente sair?

− Sair?

− É comprar uns CDs de rock em uma loja por ae. Vamos comer um sanduíche de 3 hambúrgueres, tomar muita coca-cola e sair zoando com a cara de uns idiotas por ae.

− Me confundiu com um dos seus amigos?

− Não, mas devemos ser amigos né? Então vamos agir como amigos.

Fazia sentido, e ao menos assim eu não ficava toda sonsa sem saber o que fazer.

− Sim, vamos. Mas se é pra engordar que comamos um sanduíche com 4 hambúrgueres.

Ele caiu na gargalhada.

Desamassei minha roupa e saímos andando por ai. Ele foi me mostrando cada coisinha, era legal sair com Luan. Eu me sentia legal ao lado dele, legal novamente.

Chegamos a um shopping que eu não conhecia. Entramos e fomos logo pedindo algo pra comer, claro um sanduíche de quatro andares de hambúrguer. Acabamos fazendo um campeonato de quem acabasse primeiro ganhava o direito a uma sobremesa. Claro que ele ganhou, e então acabou me dando o premio dele por não agüentar comer mais nada, previsivelmente previsível.

Então fomos para uma loja de discos, Luan correu procurando um CD do Muse, ele achou o CD e veio até mim.

− Já ouviu Supermassive Black Hole?

− Ahn... Não.

− A melhor, vem cá.

Então ele me mostrou a musica que realmente me agradou. Logo depois fomos atrás de CDs do Linkin Park, claro que nós dois ficamos curtindo o CD antes de comprar, escolhemos comprar dois álbuns, o Meteora e Minutes to Midnight. Saimos felizes de lá, e devo admitir que no fim o programa foi muito legal.

Voltamos para casa e Lippe ainda não tinha aparecido, comecei a pensar que talvez algo ruim tivesse acontecido. Fiquei preocupada mas Luan me tranquilizou repetindo que isso era normal.

Já eram oito da noite de sábado, a campanhia tocou e Luan foi atender. Ele voltou acompanhado de Lippe que eu já imaginava e de uma outra pessoas desagradavel com a qual nunca podia contar: Noah.

− Fazendo o que aqui? − perguntei quase que rosnando.

− Vim conversar.

− E quem te deu o direito?

− Eu dei. − Lippe disse se intrometendo.

− E eu te dei o direito de se intrometer em minha vida?

− Não precisa, sou seu amigo tenho direito.

− Que tal se conversássemos como criaturas civilizadas? − Luan propôs.

− Aham, diga Noah, o que quer dizer? Tem como explicar sua atitude?

− Não, não tenho. Se é isso que quer ouvir eu sei, eu sei que estou errado. Sei que o que fiz é um horror, mas estou em colapso Mellody, a Claire ta grávida; sabe o que é isso? Mel eu vou ser pai, agora eu tenho uma criaturinha indefesa e completamente dependente pra cuidar. Eu e a Claire somos muito novos, não podíamos ter um bebê agora, é um erro, e esse não posso corrigir. Eu sei que não existe nada que mude o que eu fiz, sei que foi errado, mas o que posso mudar agora? Eu já fiz e agora não posso voltar atrás, então só posso lhe pedir algo: Me perdoe.

Olhei para ele, eu realmente estava muito puta com tudo aquilo, mas ele infelizmente era meu irmão. E se tem algo que não existe é ex-irmão.

− Mellody nosso tio chegou, ele comprou uma casa aqui, vamos morar lá e ele vai processar o papai por abandono. Nossa vida vai voltar ao normal, mas Claire vai morar conosco e está ai a mudança. Mas você precisa ir, não pode morar com Lippe, nem com seu novo amigo Luan. Tem que ir com sua família.

Ele falava a verdade. Tinha que ir.

− Ta.

Ele deu aquele sorrisão feliz de sempre. Acho que meu irmão estava de volta, meu verdadeiro irmão.

Dei um beijo(no rosto) e um abraço em Luan, então fui buscar minhas coisas na casa de Lippe. Peguei todas as roupas e me despedi. Era a hora de voltar a rotina.

Comecei a pensar em quantas coisas aconteceram desde a ultima vez que estive em MINHA casa; eu tinha conhecido John, namorado ele; considerado Stacy minha mãe; viajado com eles; tive ótimos momentos; briguei com Noah; Claire ficou grávida; conheci Tim; perdi a virgindade; Tim morreu; quase me matei; fui morar com Lippe; fui para uma festa idiota; perdi Lippe de vista e conheci Luan; beijei Luan e agora acho que gosto dele. Minha vida era a vida mais animada e mais chata do mundo.

Eu nem conhecia esse meu tio, ele era irmão de minha mãe, nunca tinha o visto porque minha mãe vivia viajando pelo mundo com meu pai, e agora eu precisava de morar com meu tio que eu nem conhecia.

Cheguei na casa e me assustei com o tamanho, era de dois andares e toda perfeita. O acabamento era perfeito, ela era azul bebê por fora. Tirei minha mala do taxi que trouxe a mim e a Noah e fiquei esperando alguém vir nos receber, para minha surpresa Claire saiu da casa e veio toda feliz em minha direção.

− Ainda bem que você concordou em voltar menina! Eu e o Noah já nos mudamos, seu tio ta lá dentro pesquisando umas escolas por aqui. Ele é professor você sabia?

− Hammm, não.

− Vamos entrar Mellody, você nem deve lembrar do tio Daniel, faz tanto tempo que viu ele, você devia ter uma quatro aninhos, nem deve se lembrar.

Entramos, por dentro a casa era beje...

− Bom dia Mellody. − disse uma voz vinda do sofá.

Me virei pra ver quem era e me assustei, era meu tio, mas ele era muito parecido com Gerard Butler, o ator de P.S Eu Te Amo.

− Nossa faz tanto tempo, você cresceu muito menina. − então ele se levantou e veio me abraçar. − Mel você está tão parecida com sua mãe, é claro que o seu cabelo está preto e sua mãe era um pouco mais desinibida.

Sorri, era verdade, minha mãe era comunicativa e se dava bem com todos.

− Se lembra de mim?

− Ahn, não. − respondi tímida, odiava não lembrar de alguém.

− Normal, você era bem pequena, se você se lembrasse eu me assustaria. Então, o que achou da nova casa?

− Nossa parece ser muito boa...

− Noah leve-a pra conhecer a casa.

− Ok, vem Mel vou te mostrar seu quarto. − Noah disse.

Seguimos subindo a escada, fomos andando pelo corredor. Lá em cima tinham quatro quartos, fomos em direção do ultimo. Noah abriu a porta e levei um susto.

− Bem vinda ao seu quarto. − Noah caiu na gargalhada.

Com razão, mas que brincadeirinha de mau gosto fizeram comigo, o quarto era todo rosa, inclusive os moveis. Tudo rosa.

− Nãooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo − gritei desesperada.

− HAHAHA!!! − Noah literalmente caiu no chão de tanto rir.

− Não tem graça! É rosa, eu odeio rosa!!!

Então tio Daniel apareceu e ficou olhando.

− Ops, me desculpe imaginei que fosse gostar. − ele disse meio triste.

− Não tem problema, eu fico com esse mesmo.

− Claro que tem problema! Não pode ficar em um lugar que não gosta. Vamos pintar tudo!

Olhei para ele com cara de quem não entende.

− Noah quer nos ajudar a pintar? − tio Daniel perguntou.

− Ahn... er ta né. − Noah disse

Então eu comecei a rir.

− Mel se você quiser chamar algum amigo seu...

− Mas são nove horas.

− Nove horas de sábado, se tem algum amigo que não está em uma festa ele provavelmente está agonizando dentro de casa gritando para que alguém o chame para algo.

− Mas nós temos tinta?

− Ahn, que cor quer pintar?

− Preto! − Disse feliz.

− É nós não temos essa tinta.

Olhei para ele.

− Vou ligar para um amigo que talvez tenha.

Desci e procurei o telefone, como não tinha o telefone de Luan acabei ligando pra Lippe, ele devia ter.

− Lippe, você tem o telefone de Luan?

− Ehn, uh tenho. Você e ele estão ficando... ahaaam que fofo!

− Me dá o telefone!

Ele riu do outro lado da linha e ficou gozando da minha cara, depois de rir muito ele me passou o telefone de Luan. Liguei pra ele e ele demorou um pouco pra atender.

− Sim.

− Luan sou eu Mellody, posso te pedir algo?

− Claro, tudo.

Sorri.

− Você tem tinta preta?

− Ahn não

− Ah ta, obrigada...

− Mas meu pai e dono de uma loja de tintas, precisa de um de que tamanho?

− Bem grande, vamos pintar meu quarto de preto, se quiser ajudar...

− Claro que quero!!! Ok vou pegar o pote de tinta na loja dele e... hum qual o endereço?

− Vamos te buscar ai na sua casa.

− Ok.

Esperamos um pouco e fomos para casa de Luan, eu estava bem animada. Bati na porta dele.

− Oiiii

− Oi Mel, eh vamos logo antes que meu pai descubra!

− Seu pai não sabe? − perguntei assustada.

− Não, e nem vai saber. Ele nem vai ligar se eu morrer mas vai ligar se me vir saindo; quando eu sair ele já ta pouco se fudendo.

− Ah, ok vamos.

Então fomos para casa, meu tio, Noah e Luan começaram a tirar todos os moveis do quarto. Enquanto isso eu e Claire ficamos sentadas só olhando, ô vida boa.

Então eles terminaram e começamos a preparar tudo pra começar a pintura. Ia ser uma noite bem animada.

Nos separamos em grupos, tio Daniel e Noah pintariam duas paredes, eu, Luan e Claire pintaríamos as outras duas. E assim começamos. Nos trinta primeiros segundos já estávamos melecados de tinta preta, eu e Luan acabamos melecando um ao outro, ele começou a pintar e eu fiquei pensando por onde começar. Peguei o pincel menor e comecei a pintar o rodapé da parede, tomei cuidado pra não melecar de mais o chão. E assim fomos pintando as paredes.

Luan pegou o rolinho maior e começou a pintar toda a extensão da parede, mas é claro que antes ele me pintou.

− Não! Meu cabelo!!!

− Mel seu cabelo já é preto! − Noah disse sorrindo.

− É mas agora vou ter que lavar... quer saber?

Peguei meu pincel e melequei ele todo.

− Minha blusa nova!!!

− kkkkkkkkkkkkkk isso que dá!

Caímos todos na gargalhada.

Só terminamos a pintura as duas da manhã; então Luan acabou dormindo lá em casa. Foi a primeira coisa legal que aconteceu lá na nova casa, só a primeira!